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'Cinzas do Norte', de Milton Hatoum, será adaptado para o audiovisual

Romance teve os direitos de adaptação adquiridos pela Coiote, produtora responsável pela 'A Mulher da Casa Abandonada' e 'Maria e o Cangaço'

23 fev 2026 - 18h17
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A obra Cinzas do Norte, romance de Milton Hatoum, teve os direitos de adaptação para o audiovisual adquiridos pela Coiote, produtora responsável por sucessos como A Mulher da Casa Abandonada (Prime Video) e Maria e o Cangaço (Disney+).

O projeto, que ainda está em sua fase inicial, contará com a direção de Sérgio Machado, conhecido pelo longa Cidade Baixa (2005) e Rio do Desejo (2022).

Hatoum é imortal da Academia Brasileira de Letras e ex-colunista do Estadão
Hatoum é imortal da Academia Brasileira de Letras e ex-colunista do Estadão
Foto: Leo Martins/Estadão / Estadão

Lançado em 2005, Cinzas do Norte é ambientado nos anos iniciais da ditadura militar no Brasil e acompanha a implantação da Zona Franca de Manaus e a criação do bairro da Cidade Nova, atualmente o mais populoso da capital amazonense.

Descrito por Hatoum como "uma espécie de educação sentimental", o livro foi o terceiro romance do escritor a ganhar um Jabuti, o mais tradicional prêmio literário do Brasil, na categoria de Melhor Romance no ano de 2006.

Hatoum também é autor de Dois Irmãos, Órfãos do Eldorado, A Cidade Ilhada, Relato de um Certo Oriente, A noite da Espera, Dança de Enganos, entre outros.

Confira a sinopse completa:

Cinzas do Norte, é o relato de uma longa revolta e do esforço de compreendê-la. Na Manaus dos anos 1950 e 1960, dois meninos travam uma amizade que atravessará toda a vida. De um lado, Olavo, de apelido Lavo, o narrador, menino órfão, criado por dois tios mal-e-mal remediados, que cresce à sombra da família Mattoso; de outro, Raimundo Mattoso, ou Mundo, filho de Alícia, mãe jovem e mercurial, e do aristocrático Trajano.

No centro das ambições de Trajano está a Vila Amazônia, palacete junto a Parintins, sede de uma plantação de juta e pesadelo máximo de Mundo. A fim de realizar suas inclinações artísticas, ou quem sabe para investigar suas angústias mais profundas, o jovem engalfinha-se numa luta contra o pai, a província, a moral dominante e, para culminar, os militares que tomam o poder em 1964 e dão início à vertiginosa destruição de Manaus. Nessa luta que se transforma em fuga rebelde, o rapaz amplia o universo romanesco, que alcança a Berlim e a Londres irrequietas da década de 1970, de onde manda sinais de vida para o amigo Lavo, agora advogado, mas ainda preso à cidade natal.

Outros fios completam o tecido ficcional de Cinzas do Norte: uma carta que o tio Ranulfo envia a Mundo, uma outra que este deixa como legado para o amigo de infância. São versões e revelações que se cruzam ou desencontram, sem jamais chegar a esgotar o enigma de uma vida singular ou a diminuir a dor da derrota final, às mãos da doença, da solidão e da violência. Neste livro, Hatoum escreve uma "história moral" de sua geração.

Estadão
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