Filme de Tinto Brass teria sido censurado no Brasil nos anos 90
Diretor italiano que morreu nesta quarta-feira, aos 93 anos, ficou conhecido pelo filme 'Calígula', apelidado no Brasil como 'império da orgia'
Após a morte do cineasta Tinto Brass aos 93 anos, relembra-se o histórico de censura de seu filme Calígula (1979). Marcada por conflitos entre Brass e o produtor Bob Guccione, que inseriu sexo explícito e violência na trama sobre o tirânico imperador romano vivido por Malcolm McDowell, a obra sofreu vetos globais e na TV brasileira nos anos 90. Estrelado também por Helen Mirren e Peter O'Toole, o clássico controverso ganhou uma versão restaurada em 2023 para resgatar a visão original do diretor.
Conhecido internacionalmente por uma filmografia provocadora e marcada pela exploração da sexualidade, Tinto Brass, que faleceu nesta quarta-feira aos 93 anos, não passou ileso das visões conservadoras do Brasil dos anos 90. Um de seus filmes mais conhecidos, Calígula (1979), foi amplamente criticado e censurado quando exibido na TV aberta brasileira.
O filme integrava uma programação sugestiva da rede Organizações Martinez, entitulada de Tensão Total. Com três horas de duração, o longa teria sido dividido em duas partes e, após um processo judicial, teve sua segunda parte excluída das transmissões, em razão de cenas explícitas de sexo 'sem necessidade'. Antes disso, a produção já havia sido censurada no Reino Unido, Estados Unidos, Itália e também pela censura da ditadura militar no Brasil.
Produzido por Bob Guccione, criador da revista masculina Penthouse, o longa teve uma produção conturbada, marcada por divergências criativas entre o produtor e o Tinto Brass. Inicialmente, Guccione teria interferido diretamente no projeto, afastando a obra da proposta original do cineasta e acrescentando cenas de sexo explícito e violência. O resultado foi uma produção controversa, marcada por uma mistura desarticulada de sexo explícito e drama histórico, resultando em um produto que mais gerava desconforto do que reflexão.
Cerca de 40 anos depois da produção original, Calígula: O Corte Final (2023) surgiu como uma tentativa de reabilitação da obra. Produzido por Thomas Negovan, o longa soube redirecionar a produção para como seria a ideia original de Brass, ainda com uma dose de erotismo que, embora presente, é mais discreta e integrada à trama.
Qual a história de Calígula?
Inspirado na trajetória do imperador romano de mesmo nome, Calígula acompanha a ascensão e a queda de um dos governantes mais controversos da história de Roma. Após a morte de seu antecessor, Tibério, Calígula assume o poder e, inicialmente, é recebido como uma esperança de renovação pelo povo romano. No entanto, sua busca por poder absoluto e seus comportamentos cada vez mais extravagantes transformam seu governo em um período marcado pela tirania, pela violência e pela depravação.
Ao longo da trama, o imperador passa a submeter seus aliados e familiares a jogos de manipulação, traições e abusos, enquanto utiliza o poder político para satisfazer seus desejos pessoais. Com cenas explícitas, violência e relações de poder, a produção apresenta uma interpretação controversa da vida do governante e dos excessos atribuídos ao Império Romano.
O elenco do longa reúne nomes conhecidos do cinema, como Malcolm McDowell (Laranja Mecânica), que interpreta o imperador romano, Teresa Ann Savoy (Salon Kitty), no papel de Drusila, e Helen Mirren (A Rainha), como Cesônia. Também estão no filme Peter O'Toole (Lawrence da Arábia), como Tibério, John Gielgud (Arthur) como Nerva, e John Steiner (O Paciente Inglês), como Longino.
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