Presidente ovacionada e ruas lotadas: a festa da Mocidade Alegre pelo 13º título do carnaval de São Paulo
Escola do Limão derrotou a Gaviões por 0,1 para se sagrar campeã em 2026
Imagem: RODILEI MORAIS/FOTOARENA / Estadão
Adrielle Farias
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17 fev2026 - 20h05
(atualizado às 22h07)
Quadra da Mocidade Alegre lotada na Zona Oeste de São Paulo
Foto: Adrielle Farias/Terra
Logo após cruzar o Anhembi na segunda noite de desfiles, a Mocidade Alegre sabia que estava na briga por mais um título do carnaval de São Paulo. Entre expectativa e ansiedade, a confiança, apesar de tímida, estava presente na quadra da escola do bairro do Limão desde o começo da apuração e explodiu com a confirmação do 13º título.
Rapidamente, as ruas envoltas do barracão na Zona Norte da capital ficaram tomadas. Todos entoavam a plenos pulmões o samba-enredo “Malunga Léa - Rapsódia de uma Deusa Negra”, que homenageou o legado e a trajetória da atriz Léa Garcia.
Se o clima já era de festa, a comemoração ficou ainda maior quando Solange Cruz, presidente da Mocidade, chegou com o troféu. Ela que foi a responsável por tirar a escola do jejum de títulos foi ovacionada pelos integrantes da escola.
No discurso, Solange agradeceu o esforço dos integrantes da escola e elogiou o trabalho de cada um dos envolvidos no desfile. “Eu agradeço a eles porque essas pessoas não soltaram nossa mão, mesmo com todas as dificuldades”, disse enquanto gritos de “é campeão” eram entoados. A mandatária ainda relembrou de um trabalhador que sofreu um acidente e precisou passar por uma cirurgia.
O mar verde e vermelho que tomou conta da quadra era o momento de extravasar depois de uma apuração tensa. O título veio por 0,1 de diferença para Gaviões da Fiel.
Mocidade Alegre desfila no Anhembi na madrugada deste domingo, 15, com o enredo 'Malunga Léa – Rapsódia de uma Deusa Negra'
Foto: Ricardo Matsukawa/Especial para o Terra
Mocidade Alegre desfila no Anhembi na madrugada deste domingo, 15, com o enredo 'Malunga Léa – Rapsódia de uma Deusa Negra'
Foto: Ricardo Matsukawa/Especial para o Terra
Mocidade Alegre desfila no Anhembi na madrugada deste domingo, 15, com o enredo 'Malunga Léa – Rapsódia de uma Deusa Negra'
Foto: Ricardo Matsukawa/Especial para o Terra
Mocidade Alegre desfila no Anhembi na madrugada deste domingo, 15, com o enredo 'Malunga Léa – Rapsódia de uma Deusa Negra'
Foto: Ricardo Matsukawa/Especial para o Terra
Mocidade Alegre desfila no Anhembi na madrugada deste domingo, 15, com o enredo 'Malunga Léa – Rapsódia de uma Deusa Negra'
Foto: Ricardo Matsukawa/Especial para o Terra
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Foto: Ricardo Matsukawa/Especial para o Terra
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Foto: Ricardo Matsukawa/Especial para o Terra
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Foto: Ricardo Matsukawa/Especial para o Terra
Mocidade Alegre desfila no Anhembi na madrugada deste domingo, 15, com o enredo 'Malunga Léa – Rapsódia de uma Deusa Negra'
Foto: Ricardo Matsukawa/Especial para o Terra
Mocidade Alegre desfila no Anhembi na madrugada deste domingo, 15, com o enredo 'Malunga Léa – Rapsódia de uma Deusa Negra'
Foto: Ricardo Matsukawa/Especial para o Terra
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Foto: Ricardo Matsukawa/Especial para o Terra
Mocidade Alegre desfila no Anhembi na madrugada deste domingo, 15, com o enredo 'Malunga Léa – Rapsódia de uma Deusa Negra'
Foto: Ricardo Matsukawa/Especial para o Terra
Mocidade Alegre desfila no Anhembi na madrugada deste domingo, 15, com o enredo 'Malunga Léa – Rapsódia de uma Deusa Negra'
Foto: Ricardo Matsukawa/Especial para o Terra
Mocidade Alegre desfila no Anhembi na madrugada deste domingo, 15, com o enredo 'Malunga Léa – Rapsódia de uma Deusa Negra'
Foto: Ricardo Matsukawa/Especial para o Terra
Mocidade Alegre desfila no Anhembi na madrugada deste domingo, 15, com o enredo 'Malunga Léa – Rapsódia de uma Deusa Negra'
Foto: Ricardo Matsukawa/Especial para o Terra
Mocidade Alegre desfila no Anhembi na madrugada deste domingo, 15, com o enredo 'Malunga Léa – Rapsódia de uma Deusa Negra'
Foto: Ricardo Matsukawa/Especial para o Terra
Mocidade Alegre desfila no Anhembi na madrugada deste domingo, 15, com o enredo 'Malunga Léa – Rapsódia de uma Deusa Negra'
Foto: Ricardo Matsukawa/Especial para o Terra
Mocidade Alegre desfila no Anhembi na madrugada deste domingo, 15, com o enredo 'Malunga Léa – Rapsódia de uma Deusa Negra'
Foto: Ricardo Matsukawa/Especial para o Terra
Mocidade Alegre desfila no Anhembi na madrugada deste domingo, 15, com o enredo 'Malunga Léa – Rapsódia de uma Deusa Negra'
Foto: Ricardo Matsukawa/Especial para o Terra
Mocidade Alegre desfila no Anhembi na madrugada deste domingo, 15, com o enredo 'Malunga Léa – Rapsódia de uma Deusa Negra'
Foto: Ricardo Matsukawa/Especial para o Terra
Mocidade Alegre desfila no Anhembi na madrugada deste domingo, 15, com o enredo 'Malunga Léa – Rapsódia de uma Deusa Negra'
Foto: Ricardo Matsukawa/Especial para o Terra
Mocidade Alegre desfila no Anhembi na madrugada deste domingo, 15, com o enredo 'Malunga Léa – Rapsódia de uma Deusa Negra'
Foto: Ricardo Matsukawa/Especial para o Terra
Mocidade Alegre desfila no Anhembi na madrugada deste domingo, 15, com o enredo 'Malunga Léa – Rapsódia de uma Deusa Negra'
Foto: Ricardo Matsukawa/Especial para o Terra
Mocidade Alegre desfila no Anhembi na madrugada deste domingo, 15, com o enredo 'Malunga Léa – Rapsódia de uma Deusa Negra'
Foto: Flávio Florido/Especial para o Terra
Mocidade Alegre desfila no Anhembi na madrugada deste domingo, 15, com o enredo 'Malunga Léa – Rapsódia de uma Deusa Negra'
Foto: Flávio Florido/Especial para o Terra
Mocidade Alegre desfila no Anhembi na madrugada deste domingo, 15, com o enredo 'Malunga Léa – Rapsódia de uma Deusa Negra'
Foto: Flávio Florido/Especial para o Terra
Mocidade Alegre desfila no Anhembi na madrugada deste domingo, 15, com o enredo 'Malunga Léa – Rapsódia de uma Deusa Negra'
Foto: Flávio Florido/Especial para o Terra
Mocidade Alegre desfila no Anhembi na madrugada deste domingo, 15, com o enredo 'Malunga Léa – Rapsódia de uma Deusa Negra'
Foto: Flávio Florido/Especial para o Terra
Mocidade Alegre desfila no Anhembi na madrugada deste domingo, 15, com o enredo 'Malunga Léa – Rapsódia de uma Deusa Negra'
Foto: Flávio Florido/Especial para o Terra
Mocidade Alegre desfila no Anhembi na madrugada deste domingo, 15, com o enredo 'Malunga Léa – Rapsódia de uma Deusa Negra'
Foto: Flávio Florido/Especial para o Terra
Mocidade Alegre desfila no Anhembi na madrugada deste domingo, 15, com o enredo 'Malunga Léa – Rapsódia de uma Deusa Negra'
Foto: Flávio Florido/Especial para o Terra
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Além, o encerramento da passagem pelo Anhembi foi desafiadora: a escola precisou acelerar o ritmo nos minutos finais para não estourar o tempo, mas conseguiu concluir o desfile dentro do limite, garantindo uma pontuação importante para hoje.
Leoa do samba e mulher dos terços: quem é a presidente da Mocidade
“A mocidade Alegre tem 58 anos, eu tenho 60. Então é desde a barriga da minha mãe que eu faço parte dessa trajetória” -- Solange Cruz em entrevista ao Terra
E é assim há 23 anos, desde que Solange Cruz assumiu a presidência da Mocidade Alegre em 2004, após a morte da irmã, Elaine, por complicações relacionadas ao diabetes. A escola, que começou como um bloco organizado pelo seu pai e dois tios por volta da década de 1950, nunca saiu da mão da família. Solange não era a primeira opção da sucessão, mas era quem estava ali para assumir de imediato o cargo. Foi com ela na presidência que a Mocidade Alegre renasceu e voltou a vencer o carnaval paulistano após 24 anos de jejum.
Sentada ao lado das imagens de Nossa Senhora e de terços que sempre a acompanham, Solange relembra de quando, em meio à época da censura, os antigos Juizados de Menores batiam na quadra e ela tinha que se esconder junto as outras crianças. “A gente se escondia debaixo da saia das baianas, corria pro quartinho das fantasias. Hoje é engraçado, mas na época não era. A gente vê o quanto evoluiu e ainda estamos nessa luta de se fazer entender que o carnaval é cultura”.
Não existe Solange Cruz sem carnaval e sua história se mistura com a de sua escola do coração, de laços de sangue. Antes de ser presidente, ela passou por diversos departamentos na escola: ala das miudinhas, da igualdade, foi destaque de ala, chefe de ala, diretora de eventos e assim por diante. Nunca ficou um carnaval sequer longe disso tudo. Quando assumiu a presidência, a primeira coisa que fez foi criar uma comissão de carnaval para ouvir, entender, e depois falar. “Eu falava: 'Se der certo, vai ser muito bom. Se não der, nós vamos cair no primeiro ano'. Mas deu muito certo, a escola foi campeã”, conta. Hoje, tudo passa por ela. Tudo, como frisou.
Os mais de 20 anos como presidente foram de muitas alegrias, mas não foram só disso. Essa história também foi marcada pelo luto. Primeiro pela morte da irmã, que foi foi acompanhado por revolta por questões pessoais. “Nós sofremos por ela, e colocar a escola na Avenida era uma questão de honra”, diz, relembrando que tudo só foi possível por causa do trabalho em equipe da comunidade. Mas essa não foi a única perda. Seu tio Juarez, que foi o autor do apelido de leoa do samba, também partiu.
*A cobertura de carnaval do Terra tem apoio de Bluefit, Gol, Magalu, Mercado Pago, OMO e Popeye's #TerraNoCarnaval