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"Acampamento" demostra perda da voz ativa dos pais

Andréia Fernandes
Redação Terra

A devoção de adolescentes pelos seus ídolos sempre existiu. Basta recordar a histeria dos anos 60 em torno dos Beatles, a massa formada no festival de Woodstock na era hippie, os tupiniquins Menudos dos anos 80 e, no começo dos 90, a paixão criada pelos precursores das boy band atuais: os New Kids on The Block. Há tempos, porém, não se via uma demonstração tamanha de fanatismo quanto a das centenas de garotas que estão acampadas frente ao Anhembi à espera da abertura dos portões para o show dos Backstreet Boys. As “Backstreet Maníacas”, como elas próprias gostam de se intitular, estão há cerca de um mês vivendo em uma espécie de sociedade alternativa, onde cultuam seus ídolos cantando todo seu repertório musical, empunhando fotos e brigando com quem chega perto para xingá-los. Não importa se comem pouco, ficam sujas ou doentes: elas passam o tempo respirando Backstreet Boys e parecem ter orgulho do sacrifício pelo qual estão passando.

Leila Salomão, professora de psicologia da Universidade de São Paulo, dá um alerta: “colocar pôsteres dos ídolos na parede do quarto e ir aos shows deles é normal. O perigo acontece quando isso motiva a pessoa a fugir da realidade, como é o caso destas meninas, que saíram completamente de suas rotinas”. Sim, pois poucas delas estão freqüentando a escola e todas vêem os pais no máximo uma vez por semana, quando revezam com as amigas para ir às suas casas tomar um banho decente e comer direito. E, apesar da inconformidade da maioria dos pais, todas elas estão lá: “os pais estão, cada vez mais, perdendo sua voz ativa. Não precisa impedir que os filhos tenham ídolos. Basta impor limites”, explica Leila.

Segundo a psicóloga, é comum as adolescentes transportarem seu ideal de homem perfeito para seus ídolos. Afinal, elas vivem uma fase completamente romântica do início de suas vidas sentimentais. “Mas isso não pode se tornar uma constante. É preciso, ao mesmo tempo, que elas se relacionem com os meninos de sua idade, fiquem com eles, saiam com suas amigas. Assim, podem viver de forma mais saudável”. Já em relação às meninas mais velhas que dividem espaço com as adolescentes no acampamento – existem até mulheres de 27 anos gritando os nomes dos integrantes da banda – , Leila demonstra preocupação: “aí, já existe problema. Uma mulher que ainda vive esta fase pode ter sérios problemas em se relacionar com os homens ‘reais’”.

E depois, quando o show terminar e todas tiverem de voltar às suas vidas normais? Como poderão se reconciliar com as atividades do cotidiano após um mês fora da órbita? “Algumas podem se decepcionar um pouco com a experiência que tiveram. Outras, podem voltar mais apaixonadas ainda e repetir a dose assim que possível. Mas o importante é que os pais comecem a se preocupar com este comportamento e que, da próxima vez, pensem melhor antes de autorizar a filha a passar um mês longe de casa e da escola”, completa Leila.

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