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As exposições de 2026 para ficar de olho, de reabertura do MAM a mergulho no Sul global no Masp

Comemorações dos 25 anos do Instituto Tomie Ohtake e primeira individual brasileira do camaronês Pascale Marthine Tayou na Pinacoteca também são destaques; saiba o que esperar do ano

3 jan 2026 - 06h11
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Depois de um 2025 fervilhante, com direito a uma Bienal de São Paulo mais longa e à expansão do Masp, o circuito de exposições abre 2026 com a promessa de uma agenda intensa e marcada pela pluralidade de vozes do Sul global.

O próprio Masp inicia o ano sob a expectativa de concluir a integração entre suas duas sedes. Logo em janeiro, será finalizada a construção do túnel que conecta a nova torre ao prédio icônico projetado por Lina Bo Bardi. A ligação contará com uma obra mural da carioca Beatriz Milhazes e abrirá ao público no primeiro semestre.

'Chelchup - Otoño', de Claudia Alarcón & Silät, será exibida no Masp.
'Chelchup - Otoño', de Claudia Alarcón & Silät, será exibida no Masp.
Foto: Acervo Masp/Divulgação / Estadão

Em paralelo, o museu dá sequência a uma nova edição de suas "histórias" - como costuma chamar o conjunto de suas atividades, dedicadas a cada ano a um tema específico. Após um mergulho nas relações entre as artes e a ecologia, o novo eixo será baseado nas Histórias latino-americanas.

"O que a América Latina tem em comum? O fato de ter sido colônia. A ideia é pensar nesse passado que liga o Brasil às ex-colônias espanholas, ainda que a língua falada não seja a mesma, e provocar uma revisão do conceito do que representa essa região", explica Regina Teixeira, curadora coordenadora e curadora do acervo da instituição.

O desejo de atualizar os imaginários sobre a América Latina levou à escolha de artistas em plena atuação. É o caso da trinca responsável pela abertura da temporada, no dia 6 de março, composta pela peruana Sandra Gamarra Heshiki e as argentinas Claudia Alarcón e La Chola Poblete.

Sandra questiona a neutralidade das representações artísticas, dialogando inclusive com imagens coloniais. Já Claudia reflete sobre memória e ancestralidade a partir de têxteis criados em parceria com o coletivo de tecedeiras Silät. Chola, por sua vez, mistura referências pop e pré-colombianas para discutir sua identidade como mulher com raízes indígenas.

'Il Martirio de Chola', de La Chola Poblete, será exibida no Masp.
'Il Martirio de Chola', de La Chola Poblete, será exibida no Masp.
Foto: Masp/Divulgação / Estadão

Em abril, serão abertas também exposições do peuano Santiago Yahuarcani - sensação da última Bienal de Veneza - e do coletivo chileno Acciones de Arte, com criações que capitanearam um movimento de contestação ao então regime militar do país. O ano contempla outras individuais, de nomes como o mexicano Damián Ortega, em maio, a colombiana Carolina Caycedo, em julho, o porto-riqueno Pablo Delano e a guatemalteca Rosa Elena Curruchich (1958-2005), em outubro, e o venezuelano Jesús Soto (1923-2005), em novembro.

As Histórias latino-americanas estão ainda no centro de uma exposição coletiva, a ser aberta em setembro, e dos ciclos de palestras e das mostras na sala de vídeo da instituição. "Queremos ter um equilíbrio entre atores de diferentes procedências e níveis de reconhecimento. Vamos ter desde obras barrocas até arte contemporânea, indo desde o México até a pontinha sul da Argentina", completa a curadora.

25 anos do Instituto Tomie Ohtake

No Instituto Tomie Ohtake, o ano é de celebração. Para marcar seus 25 anos de atividades, será realizada em novembro uma exposição em homenagem à artista que dá nome à instituição. Antes disso, em março, o espaço promove um diálogo entre gerações ao destacar os 50 anos de carreira do arquiteto paulista Isay Weinfeld, famoso por explorar o luxo da simplicidade, ao lado de fotos e composições do jovem artista carioca Allan Weber e seu discurso sobre tensões sociais.

Em junho, é a vez da exposição coletiva Um rio não existe sozinho, já apresentada em Belém, durante a COP 30, reunindo encomendas com peças do acervo do Museu Paraense Emílio Goeldi. No mês seguinte a casa recebe uma individual da norte-americana Sheila Hicks. Aos 91 anos e em plena atividade, a artista se notabilizou por uma abordagem contemporânea na utilização de tecelagens para a criação de esculturas.

Reabertura do MAM São Paulo

Um importante marco de 2026 promete ser o 39º Panorama da Arte Brasileira, que selará o retorno do Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM São Paulo) à sua sede, fechada há um ano e meio por conta de uma reforma na marquise do Parque Ibirapuera. Com projeto curatorial da carioca Diane Lima - também curadora do pavilhão brasileiro da Bienal de Veneza deste ano -, a tradicional mostra terá como título Depois que Tudo Foi Dito e vai discutir como as políticas afirmativas têm impactado a arte no país.

Mergulho nos olhares da fotografia no IMS

No Instituto Moreira Salles (IMS) de São Paulo, o ano será dividido entre um primeiro semestre focado em questões de gênero e raça e um segundo dedicado a individuais. Em março, terão início uma exposição inspirada em um conjunto de fotolivros de mulheres produzidos entre 1843 e 1999 e outra com itens do Zumví, arquivo fotográfico que, desde os anos 1990, se dedica registrar o dia a dia da população negra baiana a partir de artistas negros.

IMS terá exposição com fotos do acervo Zumví em 2026.
IMS terá exposição com fotos do acervo Zumví em 2026.
Foto: Acervo Zumví/IMS/Divulgação / Estadão

Em setembro, entram em cartaz duas individuais levantadas no próprio acervo do IMS. A primeira é dedicada ao centenário de nascimento do multi-artista português Fernando Lemos (1926-2019), explorando o conceito batizado por ele mesmo como "desocultação".

IMS terá exposição de Fernando Lemos em 2026.
IMS terá exposição de Fernando Lemos em 2026.
Foto: IMS/Divulgação / Estadão

A segunda traz uma seleção de fotos feitas pelo alemão Albert Frisch (1840-1918) durante uma expedição à Amazônia. Para estabelecer um contraponto crítico, as imagens serão expostas ao lado de criações de artistas indígenas contemporâneos.

Em novembro, o instituto colocará em foco o trabalho do fotógrafo turco Ara Güler (1928-2018), que documentou as transformações de seu país no século XX como membro da prestigiosa agência Magnum.

Vitalidade na Pinacoteca

Nos três espaços mantidos pela Pinacoteca de São Paulo, a programação gira em torno da ideia de vitalidade. "Falamos disso tanto na dimensão de saúde e bem-estar quanto como força transformadora da nossa sociedade", afirma Jochen Volz, diretor-geral da instituição.

Duas exposições se destacam na Pina Luz. Em março, será aberta a primeira individual brasileira do camaronês Pascale Marthine Tayou, com esculturas, pinturas e instalações que refletem sobre trocas culturais e o conceito de identidade. Em setembro, quem ganha as atenções é o pintor paraense Ismael Nery (1900-1934), importante referência do modernismo brasileiro.

Pascale Marthine Tayou ganha exposição na Pinacoteca em 2026.
Pascale Marthine Tayou ganha exposição na Pinacoteca em 2026.
Foto: Pinacoteca/Divulgação / Estadão

Na Pina Contemporânea, em maio, haverá uma exposição coletiva focada no público infantil, com um conjunto de obras criadas desde o final dos anos 1960 que exploram o papel das crianças como colaboradoras ativas da criação artística. "Essa exposição é uma oportunidade de refletir de forma ainda mais radical sobre crianças no museu como um experimento coletivo", diz o diretor.

Em outubro, o museu recebe uma mostra dedicada ao sul-coreano Nam June Paik, considerado o pai da videoarte. Seis décadas após os primeiros experimentos nessa linguagem, seu trabalho será colocado em diálogo com encomendas desenvolvidas por quatro artistas contemporâneas especialmente para esta exposição.

'Macunaíma é Duwid' parte do centenário do romance de Mário de Andrade.
'Macunaíma é Duwid' parte do centenário do romance de Mário de Andrade.
Foto: Pinacoteca/Divulgação / Estadão

Já os destaques da Pina Estação são brasileiros. Em março, a coletiva Macunaíma é Duwid parte do centenário do romance de Mário de Andrade para abordar o personagem do ponto de vista dos povos originários. Em maio, a carioca Beatriz Milhazes tem sua produção gráfica revista em exposição.

Mestre Didi e Solange Pessoa no Itaú Cultural

No Itaú Cultural, será realizada em abril uma exposição dedicada à trajetória do baiano Mestre Didi (1917-2013), conhecido por mesclar religiosidade com a arte em esculturas que recriam objetos dos ritos tradicionais do candomblé. Em agosto, a artista contemporânea mineira Solange Pessoa ganha uma individual destacando seu trabalho, desenvolvido a partir de noções de memória, corpo e espiritualidade.

E fora da capital paulista?

Fora de São Paulo, vale ficar de olho na Frestas - Trienal de Artes, que ocupa o Sesc Sorocaba a partir de 27 de fevereiro com obras de mais de 80 artistas e iniciativas comunitárias do Brasil e do exterior, e também nas comemorações dos 20 anos de atividades do Instituto Inhotim.

Sediado em Brumadinho, em Minas Gerais, o espaço apresenta já em fevereiro uma performance da artista portuguesa Grada Kilomba e segue 2026 com a ampliação da Galeria Cildo Meireles, a inauguração de uma escultura da mineira Lais Myrrha e duas individuais do brasiliense Dalton de Paula e do mineiro David de Jesus do Nascimento.

Estadão
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