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Arquitetas mineiras levam instalação imersiva à Nuit Blanche e ocupam túnel às margens do Sena

Três arquitetas mineiras radicadas em Paris vão dar um toque brasileiro ao coração da capital francesa. O projeto "Multitudes - Uma luz multiplicada como nossas existências", concebido por Vanessa Gambardella, Helena Caixeta e Louise Silva, foi selecionado para a edição de 2026 da Nuit Blanche, que acontece na noite de 6 de junho. A instalação será apresentada no túnel das Tulherias, às margens do rio Sena, e propõe uma experiência sensorial que mistura luz, som e reflexões sobre identidade e diversidade.

19 mai 2026 - 14h39
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Criada em 2002, a Nuit Blanche é um dos principais eventos culturais de Paris: durante uma madrugada, espaços públicos, museus e ruas recebem intervenções artísticas gratuitas, convidando o público a percorrer a cidade de forma diferente, em contato direto com a criação contemporânea.

No caso de "Multitudes", a escolha do local é central para a proposta. O túnel das Tulherias, hoje reservado a pedestres, ciclistas e usuários de patinete, transformou-se em uma galeria de arte urbana desde 2022, em um projeto conduzido por Nicolas Laugero Lasserre, fundador da associação cultural Artistik Rezo e diretor da escola de arte ICART, que também apoiou a iniciativa das três artistas brasileiras.

O espaço, marcado por uma acústica particular, acabou influenciando diretamente a criação. "As pessoas parecem se liberar lá dentro", observa Vanessa Gambardella. A ideia do trio foi justamente amplificar essa sensação, criando "uma imersão de luz e som" que dialogue com o ambiente e com quem o atravessa.

A trilha sonora, ainda mantida sob sigilo, terá "toques de brasilidade" que, segundo a arquiteta, devem surpreender o público. A concepção partiu da observação do próprio uso do túnel: gente que canta ao passar de bicicleta, visitantes que desaceleram, vozes que ecoam. "O público foi a nossa inspiração desde o começo", resume.

Encontro em Paris, raízes em Minas

As três artistas se conheceram na França, mas compartilham a formação em arquitetura e urbanismo em Minas Gerais. Foi a afinidade entre prática profissional e expressão artística que aproximou o trio. "A gente descobriu que dividia esse papel entre arquitetas e artistas, assim como eu", conta Vanessa, que convidou as colegas para integrar o coletivo Pogo, criado por ela em Paris.

A oportunidade de participar da Nuit Blanche surgiu a partir de um edital aberto. Ao ver a chamada, Vanessa pensou imediatamente nas duas conterrâneas. "É muito legal ter ganhado com duas artistas brasileiras que me acompanham. A gente monta projetos com muitos artistas, e esse acabou sendo de três mineiras", afirma.

Espaço público e experiência coletiva

Embora parta de uma intervenção artística, a instalação "Multitudes - Uma luz multiplicada como nossas existências" dialoga diretamente com questões urbanas. O túnel das Tulherias, antes destinado exclusivamente aos carros, foi incorporado ao circuito de mobilidade ativa da cidade - um símbolo, segundo Vanessa, do processo de transformação urbana em Paris.

"É um espaço conquistado para o pedestre e a bicicleta. Para a gente, como arquitetas e urbanistas, isso já é um símbolo de liberação", explica. A instalação nasce dessa leitura, combinando arte, arquitetura e uma dimensão sociológica voltada ao uso do espaço público. "A gente pensa sempre na sensação que aquilo vai despertar nas pessoas e em quem são os usuários daquele lugar."

A proximidade com outras obras reforça essa ideia de percurso. O trabalho das brasileiras ficará ao lado de uma intervenção do artista francês JR, inaugurada na mesma noite no Pont Neuf. A ponte mais antiga de Paris será transformada em uma espécie de "caverna" monumental, com estrutura inflável e efeito de trompe-l'œil que simula uma paisagem rochosa. A instalação de JR também convida o público a uma travessia imersiva, com criação sonora de Thomas Bangalter, ex-integrante do Daft Punk, explorando essa atmosfera entre fascínio e estranhamento que o próprio JR associa ao imaginário das cavernas.

Vanessa espera que o público perceba essa continuidade entre as obras ao longo das margens do Sena. "A ideia é que as pessoas caminhem, passem pela obra dele e depois cheguem na nossa, com outra atmosfera sonora, com as brasilidades."

Entre a arte e o urbanismo

A trajetória de Vanessa Gambardella ajuda a entender a transversalidade do projeto. Além de arquiteta e urbanista, ela reúne formação em cinema, cenografia e design, e hoje atua no desenvolvimento de projetos urbanos. Atualmente, integra uma agência francesa, onde participa, entre outras iniciativas, da concepção de um parque linear no 13º distrito de Paris.

Sua atuação está diretamente ligada às transformações recentes da capital francesa, como a expansão de ciclovias, a criação de áreas verdes e a adaptação às mudanças climáticas. Esses projetos incluem, por exemplo, a chamada desimpermeabilização do solo, isto é, permitir que a água volte a ser absorvida pela terra e o planejamento de novas áreas vegetalizadas em um sistema de economia circular.

"Sou um produto dessas mudanças na cidade", diz. "Hoje a gente trabalha com gestão da água, escolha de espécies vegetais, adaptação ao aquecimento global."

A experiência entre Brasil e França também alimenta sua visão crítica. Para Vanessa, há uma troca possível entre os dois contextos. "A França aprende com o Brasil na gestão de crises, e o Brasil poderia aprender com a França na questão das subvenções e no planejamento de cidades mais verdes", observa.

Ao mesmo tempo, ela ressalta as diferenças de escala e de organização. "O Brasil é imenso, o que torna o trabalho mais complexo, mas o incentivo precisa estar presente", destaca.

Travessia de uma noite

Instalado em um ponto emblemático da cidade, entre o Sena e o Louvre, o projeto "Multitudes" propõe uma travessia física e simbólica. Ao percorrer o túnel, o visitante é convidado a experimentar o espaço de outra forma, guiado por luz e som.

"A expectativa é que o público encontre ali uma experiência diferente e se sinta parte dessa multiplicidade", afirma Vanessa.

A instalação poderá ser visitada na noite de 6 de junho (e madrugada do dia 7), das 19h às 2h, durante a Nuit Blanche.

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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