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Aos 88 anos, Arlete Salles rejeita aposentadoria e rebate etarismo: "Não é a hora de ir pra casa"

Com 70 anos dedicados à arte, ela está em cartaz com o monólogo 'Mande Notícias do Mundo de Lá' em São Paulo

16 out 2026 - 05h00
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Arlete Salles confronta etarismo com novo papel no teatro
Arlete Salles confronta etarismo com novo papel no teatro
Foto: Cris Rasec

Após uma bem-sucedida passagem pelo Rio de Janeiro, Arlete Salles, de 88 anos, retorna a São Paulo para mais uma temporada de ‘Mande Notícias do Mundo de Lá’, o primeiro monólogo de sua carreira. Em entrevista ao Terra, ela falou sobre: etarismo, pressão para deixar os palcos e a razão de se reinventar profissionalmente após 70 anos de carreira.

Atriz desde os 15 anos, quando começou a trabalhar com radionovela, é possível considerar que hoje, aos 88, Arlete Salles já dedicou sete décadas à arte. Ela não é muito chegada aos números, mas aprendeu a ressignificar o assunto para evitar estresses. 

“Há alguns anos isso seria uma ofensa horrorosa, eu negava tanto a minha idade que eles não sabiam como publicar, uma hora era demais, outra hora era de menos. E a vida toda eu levei assim, porque eu acho que a identidade da gente é uma coisa privada, é pessoal, é particular. Isso não pode interessar às pessoas, não é?”, iniciou ela ao Terra.

“O que que se acrescenta às pessoas? ‘Ah, mas tem 88 anos e está no palco fazendo monólogo’. Eles estão indo ver uma mulher de 80 anos fazendo monólogo ou ver uma atriz, o trabalho de uma atriz e ver se ela tem realmente a vocação? Gostaria que fossem ao teatro não assistir a uma mulher de 88 anos, mas assistir a uma atriz. É isso que às vezes ainda me incomoda, mas muito menos agora.”

Outro estereótipo que Arlete Salles confronta é a ideia de que chega um momento em que é preciso se recolher e deixar a vida profissional para trás. A aposentadoria, porém, está longe de ser uma realidade para ela, que ainda encontra nos palcos motivos para continuar.

“É difícil para o artista decidir sair do palco, mas tem uma hora que a gente tem de admitir que é a hora de ir pra casa. Essa hora ainda não chegou pra mim e ainda vai demorar um pouquinho. Temos aí bons exemplos, a dona Fernanda [Montenegro] brilhando, fazendo as leituras dela. Claro que é uma coisa mais cômoda fisicamente, mas ela faz brilhantemente”.

‘Tinha medo de ficar sozinha no palco’

Arlete Salles caracterizada como Eulália
Arlete Salles caracterizada como Eulália
Foto: Cris Rasec

Em ‘Mande Notícias do Mundo de Lá’, Arlete vive Eulália, uma mulher que perde uma amiga e, diante da perda, engata em uma conversa sobre a linha tênue entre a vida e a morte.

Considerada uma grande dama da atuação, ela reconheceu que recebeu vários convites para fazer monólogos ao longo da carreira. Porém, alguns fatores pesaram para que isso não ocorresse: ora o receio de ficar sozinha no palco, ora o desinteresse pelo modelo de espetáculo, ora a correria do trabalho.

“Eu nunca gostei do gênero, dificilmente eu ia assistir a um monólogo e saía satisfeita do teatro. Não era um gênero assim… não fazia parte das minhas ambições”, ponderou ela, que repensou a própria posição. “Eu tinha medo também, aliás, acho que era mais medo do que qualquer outra coisa. Eu não pensava que eu precisava disso e fui pela vida fora exercendo o meu ofício, trabalhando e fazendo o meu, colocando minha alma, fazendo o meu melhor e satisfeita com o meu trabalho. Claro que eu tive alguns convites, mas lia e achava desinteressante, falava: ‘Não quero ir para o palco ficar falando sozinha’”.

As coisas mudaram quando ela recebeu o texto do autor e ex-contratado da Globo Carlos Jardim. Na época, ela estava no ar em Três Graças (Globo), interpretando dona Josefa, mãe de Arminda (Grazi Massafera). A atriz admite que adiou a leitura o máximo que pôde, mas, depois de muita insistência do autor, resolveu dar uma chance à obra.

“Eu falava: ‘Não tenho tempo’. Mas depois de muito enrolar, eu li. Lembro que eu me diverti muito e me emocionei muito com o texto. Me emocionava, me divertia. Terminei pensando: ‘Mas que autor bom, que sensibilidade desse homem’. O trânsito entre o drama e a comédia, a discussão sobre o eterno, a amizade, a lealdade, tudo isso diante de um caixão, que, como a personagem, eu tenho pavor. Hoje em dia não tenho tanto como já tive, mas ainda tenho”, refletiu ela.

“Enfim, eu me encantei na primeira leitura. É um belo espetáculo, se passa em um velório que não vai ninguém, só a amiga dela, que, no caso, é a Eulália, para falar das lembranças, das dores, das alegrias… E é um grande desafio você ficar no palco sozinho e conseguir manter essa plateia atenta e interessada no que você está falando. É um desafio tão grande que vou sair dessa experiência mais forte como atriz”.

SERVIÇO:

Arlete Salles aborda linha tênue entre a vida e a morte em monólogo
Arlete Salles aborda linha tênue entre a vida e a morte em monólogo
Foto: Cris Rasec

Local: Teatro Renaissance | Alameda Santos, 2233 – Jardim Paulista, São Paulo/SP (coladinho na Estação Consolação do Metrô)

Dia e Horário: De 17 de outubro a 20 de dezembro de 2026 | Sextas-feiras, às 19h30; Sábados, às 19h; Domingos, às 17h

Preço: Ingressos de R$ 73,00 a R$ 147,00. Garanta a sua entrada por aqui :)

Ideal para ir: Com Amigos / Com Família / Sozinho

Acessibilidade: Teatro totalmente acessível para cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida

Fonte: Portal Terra
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