Diário das filmagens
 

Sexta-feira, 30 de julho de 2004

Chuva muda planejamento, mas não atrapalha

Dia 30 de julho, chove em Porto Alegre e agora começa a esfriar. A equipe executou o cronograma para a opção-chuva: cenas de estúdio, com os atores Maria Fernanda Cândido, Júlio Andrade e Nelson Diniz, no cenário da casa de Veronese (Marcos Breda). Apesar da chuva atrasar um pouco o início das filmagens, os atores foram tão bem que o tempo perdido foi recuperado e a equipe terminou mais cedo que o previsto.

A cena filmada hoje mostra uma discussão entre Holmes/Júlio Andrade e João Baptista/Nelson Diniz na casa de Veronese. Cátia/Maria Fernanda fica no meio da discussão tentando entender por que os dois amigos cineastas estão brigando para filmar o mesmo roteiro. Uma cena longa, cheia de diálogos, que rendeu um belo trabalho de atuação dos três atores.

Maria Fernanda nunca havia trabalhado com a Casa de Cinema de Porto Alegre e disse que está sendo um privilégio: “O pessoal é maravilhoso, é gente de cinema mesmo, que pensa e faz cinema. É uma oportunidade maravilhosa desenvolver esse trabalho no cinema gaúcho, mas principalmente ter recebido esse presente que é a minha personagem, a Cátia. Ela é muito rica, sua personalidade tem muitas nuances para serem exploradas, e estou realmente muito feliz e satisfeita”.

Amanhã, dia 31 de julho, é a vez de Camila Pitanga entrar em cena, com sua personagem Cassandra. A atriz interpreta uma atriz no filme. Dessa vez, a locação vai ser um estúdio de televisão.

 

Primeiro dia, primeiros planos. Foi dada
a largada.


E então, começaram as filmagens. A equipe de Sal de Prata chegou na locação às sete horas da manhã para preparar o set e às dez e meia tudo começou. Depois do primeiro plano filmado, a equipe inaugurou a produção com champanhe. "É uma forma de homenagear os deuses do cinema e pedir a eles que nos ajudem a realizar este filme", disse o diretor Carlos Gerbase.

Confira as fotos dos bastidores!

As cenas de hoje, 29, contaram com a atuação de Maria Fernanda Cândido e Júlia Barth. O cenário era a casa de Linda, personagem de Júlia Barth. Cátia/Maria Fernanda vai encontrar Linda em sua casa, numa cidadezinha do interior, Nova Itália. A casa escolhida para ser a locação fica num bairro de Porto Alegre chamado Medianeira. A produção elegeu este bairro por sua semelhança com uma cidade do interior, com muitas casas antigas, cercas e muros baixos, ruas de paralelepípedo. "A casa de Linda teria que parecer com uma casinha de vovó", explica o produtor de locação, Leandro Wengrover, o Lecão. Foram realizadas filmagens na rua e na sala da casa.

Tudo correu dentro do planejado. Ana Luiza Azevedo, diretora assistente, diz que o primeiro dia foi propositadamente mais leve, para a equipe engrenar aos poucos. "Tudo começou bem, sem muitas cabeçadas", diz. A atriz Júlia Barth, que já trabalhou com Gerbase em outros filmes, disse que está especialmente empolgada com Sal de Prata. "Estas primeiras cenas tinham muitas falas minhas. A maior preocupação era não ter tudo na ponta da língua, mas está fluindo", afirmou a atriz. Sua atuação rendeu elogios do diretor. E a sintonia entre as duas atrizes era visível, Maria Fernanda e Júlia conquistaram a equipe.

As primeiras cenas filmadas já mostraram que o tema do filme é realmente o cinema. Em um dos diálogos, Linda diz a Cátia que ganhou um livro de presente de Veronese (Marcos Breda) quando tinha quinze anos. O livro? Um roteiro, em espanhol, do filme Interiores (1978), de Woody Allen. O filme do diretor americano conta a história de uma mulher "perfeita", que quer harmonizar sua vida como se fosse um cenário de filme. "Levei muito tempo para entender o presente", diz a personagem Linda. Nós, espectadores, não vamos demorar tanto, já que Sal de Prata tem estréia prevista para o ano que vem.

Apesar de muitas pessoas da equipe já se conhecerem, no intervalo para o almoço o diretor pediu a todos que se apresentassem. Uma forma de integrar o grupo, que vai passar seis semanas convivendo como uma grande família.