








|

CARTAS DO REICHENBOMBER - Opus 27 (Adendo)
Estou saindo de Eldorado por quinze dias. Na terceira semana de fevereiro a coluna volta cheia de novidades ... espero!
Saio no dia exato em que estréia o novo filme de Tim Burton com Jonnhy Depp, eleito de imediato pela crítica relevante e pelos amigos antenados como o primeiro grande lançamento de 2.000.
Da III Mostra do Cinema Brasileiro de Tiradentes guardo ótimas recordações:
1. As sessões sempre lotadas nos três locais de exibição de filmes
2. A homenagem carinhosa do evento ao escriba e as palavras fiéis e sinceras do genial diretor, dramaturgo e ator fetiche, Emílio Di Biasi
3. O prazer de rever POR TRÁS DOS PANO de Luiz Vilaça, uma emocionante declaração de amor ao teatro, que cresce à cada revisão
4. A confirmação de Geraldo Moraes como o nosso Nicholas Ray. Se A DIFÍCIL VIAGEM estava para Moraes assim como CINZAS QUE QUEIMAM foi para Ray, o aventuroso e jovial (com destaque para a vigorosa trilha do Sepultura) NO CORAÇÃO DOS DEUSES é o seu 55 DIAS DE PEQUIM (é preciso amar muito Nicholas Ray para entender este filme). Uma lição de coragem e fantasia para fazer vergonha à qualquer mito fabricado pela televisão. Infelizmente, uma obra assassinada pelos exibidores nativos.
5. E, sobretudo, testemunhar o enorme sucesso junto às crianças de nada mais, nada menos, que José Mojica Marins, o Zé do Caixão. Rever parcialmente ESTA NOITE ENCARNAREI NO TEU CADÁVER, além de emocionante, foi fundamental para confirmar a seqüência das aranhas como uma das mais extraordinárias da história do cinema brasileiro. Francesca Azzi, curadora da mostra, está de parabéns por ter detonado preconceitos, homenageando o nosso maior gênio instintivo. Ver centenas de crianças abraçando Mojica Marins foi a mais terna imagem de Tirandentes 2.000.
Quiz Nostalgia III
O cineasta Alexandre Zaidan, de Ribeirão Preto, foi o primeiro a acertar o nome da musa atual da coluna e do Quiz Nostalgia - Parte 3. Em breve, ele irá receber o seu cd com a trilha de Dois Córregos.
Com relação à lista de filmes perturbadores e torpes, solicitamos aos retardatários que enviem suas relações até a última semana de Fevereiro. Estaremos computando os mais votados e em março prometo um longo Opus sobre o assunto.
No mais, aguardem: vem aí, a I MOSTRA INTERNACIONAL DO CINEMA LIVRE (quem roubar a idéia, eu juro que processo!).
CARLOS REICHENBACH
P.S. - Procura-se desesperadamente algum cinéfilo que tenha realmente gostado do filme IREMOS À BEIRUTE.
- as ilustrações da coluna desta semana são em homenagem a Riccardo Freda (Feb. 24, 1909 - Dec. 20, 1999) e seus inúmeros pseudônimos -
Devido viagem do redator para a Mostra de Cinema Brasileiro de Tiradentes (MG), a coluna desta semana está mais magra do que o normal.
Também, o amigo e bomber fiel, Inácio Araújo sugeriu, como crítico respeitado que é, enxugar a coluna, que na sua opinião, estaria ficando cada vez mais extensa e com um volume descomunal de informação.
O escriba pede desculpas por seu entusiasmo quase adolescente e promete tentar tornar a coluna mais enxuta, embora não abra mão de publicar os e-mails dos leitores, que geralmente representam o maior manancial de informação da página. De resto, uma pequena trégua de quinze dias.
No final do mês, estarei indo para o Festival de Rotterdam (Holanda) e, por duas semanas, estarei ausente da página. Em compensação, pretendo poder voltar abastecido de fartas novidades e, quiçá, de esperanças renovadas.
Como era de se esperar, o efeito desabafo do Opus anterior foi respondido de imediato, em todos os seus prós e contras. Vou reproduzir algumas das respostas enviadas à coluna e, parcialmente, as endereçadas à mim particularmente.
Caro Carlão,
Creio ter compreendido seu intento, pois concordo em todos os sentidos com este verdadeiro manifesto à hipocrisia reinante no nosso cinema. Vejo praticamente tudo que se produz no Brasil (até a mim meu masoquismo assusta), e cada vez mais sinto que se formou uma geração de "talentos" que, apesar de não de distanciarem das influências do cinemão norte-americano ou dos modismos pós-modernos, criticam ferozmente a fonte de referências. Isto me parece uma fórmula muito simples: "BEBO DA MESMA ÁGUA, MAS DESTRUO O POÇO". Vejo, como você, roteiros estúpidos destituídos de qualquer paixão, ousadia, conteúdo e, principalmente, personalidade própria.
Realmente, em relação a Riccardo Freda, ninguém por aqui entenderia sua posição (a resistência ao neo-realismo, em favor de um cinema popular, porém, pessoal ao extremo). Só uma observação: a data de falecimento de Freda é realmente 20/12/99, só tendo sido divulgada nos Estados Unidos (onde ninguém o conhecia mais), dois dias depois. Convém lembrar aos nossos "hipócritas de carteirinha", que Freda realizou um filme no Brasil: "O Caçula Do Barulho", em 49, com Anselmo Duarte. Caro Carlos, isto o salva de não elogiar em quilômetros de páginas nossa "tão coerente" cinematografia atual, só se lembrando de "gente inexpressiva". Não creio que tenha delirado, mas sim escrito o que sentia.
PARABÉNS por sua coragem de escrever sobre Tabernero e Doris Wishman. São completos desconhecidos por aqui, mas ainda sou muito favorável a estas figuras ditas "transgressivas". Vi, na Espanha, uma retrospectiva de Tabernero com meia dúzia de "gatos pingados", assim como conheci Doris Wishman via VHS (época de "piratas"). Nunca fui um imenso admirador dos dois, entretanto, também sou uma pessoa que abomina Spielberg, Lucas e, atualmente, James Cameron. (enfim, ninguém é perfeito). Suas lembranças de nomes como Larry Cohen, Jesus Franco, Herschell Gordon Lewis e Russ Meyer (novamente), me faz pensar no tempo que ficamos perdendo, lendo e relendo infinitas discussões sobre qualidades (inegáveis) iranianas e chinesas. Enfim, valeu sua lembrança, pois já há algum tempo estou tentando resgatar nomes como estes, que, infelizmente, ficaram para trás. Nossos cineastas "transgressivos" sempre ficam em segundo plano, enquanto estes "novíssimos talentos" surgem na mesma proporção que reprodução de coelhos.
Sou realmente um verdadeiro admirador (e colecionador) da obra de Dario Argento. A versão de "Profondo Rosso", em DVD, REALMENTE irá ter sequencias inéditas. A Anchor Bay, responsável pela coleção de Argento, restaurou a obra na totalidade. Carlos Thomaz do Prado Lima Albornoz tem razão em várias de suas colocações, pois "Profondo Rosso" foi lançado na sua versão mais completa (pouco menor que a prometida em DVD) disponível na época, com aproximadamente 120 minutos, pela Videocast, com o título de "Prelúdio Para Matar". Hoje, este VHS é relíquia, e, as versões dubladas em inglês (como "Deep Red" e "The Hatchet Murders") estão totalmente retalhadas. Nós tivemos a chance de ver o filme na íntegra, mas em breve o teremos numa versão ainda mais completa. Somente por questão de informação, praticamente toda a obra de Argento sofreu mutilações (vimos "Suspiria" também na íntegra, assim como "Inferno"), entretanto esta coleção da Anchor Bay (não está distribuindo todos os títulos, pois "O Fantasma Da Ópera" e "Síndrome de Stendhal" não estão na coleção e já foram lançados) resgatou "Phenomena" ("Creepers") e "Tenebrae" ("Unsane"). Para quem gosta de Dario Argento, existe um documentário: "Dario Argento's World Of Horror", dirigido em 85 por seu protegido Michele Soavi. Este está também disponível em DVD e possui algumas cenas cortadas de sua obra. Um bom livro sobre o realizador é "Broken Mirrors/Broken Minds" de Maitland McDonagh (vide Amazon).
Obrigado pelos endereços. Estes foram de extrema valia.
Carlos, você fez uma citação de "Berlin-Die Sinfonie der Grosstadt" ("Berlim-Sinfonia Da Metrópole") de Walther Ruttmann. A CONTINENTAL lançou em DVD este título (em cópia totalmente recuperada), onde existe um bônus verdadeiramente imperdível: o curta "OPUS", de 1922. Vale conferir, pois sai pela metade do preço!
Somente para findar, OBRIGADO por ter exercido seu direito de discutir sobre o "pouco visto". Talvez isto dê um empurrão naquilo que não é lugar comum, mas que nos perturba mais e mais e mais quando entramos neste mundo sem fim.
Um grande abraço!
LUIZ RIBAS
Entendo a revolta expressa pelo Carlão nas Cartas do Reichenbomber desta semana. Estamos sufocados pela ditadura asnocrata e pela escravatura imposta pela regra de produção. O Cinema torna-se arte impessoal, passa a subproduto, mingua... As gerações se deseducam. Muitos de nós fomos educados prioritariamente pelo "Corujão", pelo "Cine Clube", ou mesmo pelo "Faixa Preta" e pela "Casa do Terror". Atentemos então ao que sobra para adolescentes e crianças de hoje: merda.... Merda na TV e nas sala de projeção de todo o Ocidente!!!!
A falta de atitude sentou seu cuzão ... nas fuças da geração mais covarde da história da realização cinematográfica..... Somos confrontados com obras contra as quais sempre levaremos a melhor. Elas se travestem em envoltórios mágicos, efeitos inumanos, beleza superficial, conteúdo raso e moralizante. A diversão expurgou o "câncer" da reflexão. O frenesi de imagens advindas da estética televisiva fagocitam o poder sígnico da apreciação icônica. Tudo é rápido e hipnótico: próximo plano, rápido!
Já os roteiros ... atendem em cheio a esta demanda moral-imbecilizante: filmecos de 'mensagem', sem experimentação, clima ou transgressão. Pior: ao pretender - toscamente é claro! - atingir o patamar de obra amplamente "consumível", o produto se torna um simulacro débil, limitado, ridículo.
Viva, então, os "tigres" da Boca e seus filmecos atrevidos, viva Melvin Van Peebles (um diretor que matava a cobra e mostrava o pau!), viva Baiestorf em Santa Catarina (que tem coragem de mandar meio mundo à merda e expelir excrescências perturbadoras na direção de nossos olhos!), viva o Tabernero, a Doris Wishman, os transgressores de NY e o Alfred Leslie!!!...quem tem bala na agulha faz História!
DENNISON RAMALHO, o estabilizador
Olha, Carlão, eu concordo com muita coisa do que você escreveu. Mas não tudo. Lembro de um filme genial do René Clair, "Les Belles de Nuit", que aqui se chamou "Esta noite é minha", um filme em que o protagonista vai voltando cada vez mais ao passado, e em todas as épocas que ele passa encontra um velho que diz "Ah, os dias de hoje, que decadência...", sempre dizendo que trinta anos atrás era melhor. Ele depois voltava ao tempo citado, e lá estava de novo o velhinho.
Infelizmente, cultura sempre dependeu do talão de cheques, faz parte da vida. O problema é como arrumar um talão, e como se administra o que tem. Eu acho, posso estar errado, mas acho isso, que o problema não é falta de gente e idéias que valham a pena, mas o sistema que aí está, essa encrenca em que nos metemos.
Eu acho muito legal que você defenda novos sistemas de produção, Carlão, porque é uma voz respeitada, de um cara que está produzindo bem e bastante dentro das péssimas regras que nos impõem. O risco é cairmos na idéia de que falta criatividade à nova geração. É balela, o que falta é estímulo à produção barata. Às vezes um ou outro arrisca anos de trabalho, e não raro mais do que isso, pra fazer um filme corajoso. Alguns recuperam o investido, os outros não. Num sistema desses, onde
fazer com que as pessoas tenham a chance de ver seu filme é uma tarefa complicadíssima, dá pra entender o medo de correr riscos.
Quem rala tem medo dos riscos. Quem cria e quer correr riscos tem que ralar sozinho, ou tentar juntar uma trupe de abnegados.
O cinema brasileiro quase sempre precisou de heróis. O que eu sinto no seu texto, caro Don Carlone, é um sentimento que já ronda por aí, acabou a ressaca dos anos sessenta e setenta, queremos o novo de novo. E pra fazer o novo no cinema brasileiro, no momento, tem que ser herói de novo. Eu entendo que muitos que poderiam se sair bem resolvam seguir o lema getulista, e deixar como está pra ver como fica, mas eu acho que, infelizmente e pra variar, a gente precisa de heróis.
Disso e, quem sabe, num futuro próximo, um sistema de crédito favorecido, com o apoio de um Fundo Nacional, que levasse parte dos lucros e minimizasse os prejus. Isso seria bem legal. Quem sabe assim o bom cinema não pudesse ser uma atividade passível de ser praticada por cidadãos pacatos? Ou quem sabe ao menos uma Lei do Curta respeitada, onde fosse possível criar uma indústria marginal?
Concordo que não há muitos filmes bons de iniciantes. Gosto do "Céu de Estrelas", mas é pouco. Há filmes razoáveis, mas nenhuma obra-prima feita por iniciantes nos anos 90, ao menos não em longa-metragem, porque no curta a conversa é outra.
É isso, caro Don Carlone. O curta é a prova de que talento não falta, falta chance. Um mercado em que haja espaço para filmes baratos. O nosso atual sistema favorece filmes muito caros. É complicadíssimo conseguir empréstimos para filmes baratos, e impossível pagar. Por isso precisamos de heróis e do bom aproveitamento de chances fortuitas. Eu, da minha parte, conclamo a todos à união, porque curtas podem ser magníficos, mas não têm a exposição de um longa. E longa, hoje, só se for feito com muita gente ajudando. Acho muito bom que você batalhe contra esse sistema de produção terrível que aí está, mas cuidado para suas palavras não serem mal interpretadas como uma crítica a uma suposta falta de talento de uma geração inteira (ou mais de uma, até).
DANIEL CAETANO
mais perturbadores, mais torpes
" Filmes mais perturbadores:
1 - "Um Ano de 13 Luas", de Reiner Werner Fassbinder
Se, recentemente, Almodóvar fez um filme sobre um travesti pop, simpático, disposto a agradar a todos nós em nome da diversidade sexual, Fassbinder fez o movimento contrário em Um Ano de 13 Luas. Seu travesti, ex-amante de um diretor de uma corporação alemã, é violentado por bêbados numa espécie de Central Park alemão e depois peregrina numa metrópole grotesca, policial, verdadeiro matadouro sentimental, onde a escória está no poder dançando como um Dean Martin infernal. Antes e depois, não vi nada parecido.
2- "Shock Corridor",
de Samuel Fuller
Fuller não precisou ler Foucault para decobrir que a loucura, ou o direito e atribuí-la a alguém, é a pior forma de poder. Neste filme, um jornalista entra num manicômio fazendo-se de louco. Como apenas sua esposa sabe disso, e ela sempre achou ele meio maluco... Uma obra-prima que tenho medo de rever.
Filmes mais torpes:
1- "O Quinto Elemento"
Nada contra filmes que divertem, mas este é sofrível, um sintoma cultural do que a globalização está nos trazendo de pior. Mal feito, mal intencionado, mal recebido. Infelizmente, um sucesso.
2 – Forrest Gump
Sei que posso causar polêmica, mas nenhum filme é tão retrógrado como este. Ao contrário de "O Quinto Elemento", o filme é efeiciente como seu personagem. No entanto, sua lógica rasteira (como a de um cortador de grama) atua como uma borracha da história, falsificando noções e momentos da vida americana. Um filme retrógrado, destinado a limpar a consciência da platéia dos crimes políticos da América, e ainda por cinema fingir que é "apenas uma fábula". A publicidade de um banco brasileiro inspirada na música tema do filme não conseguiu ser menos hipócrita."
ALFREDO MANEVY, editor da revista SYNOPSE
"Queria, antes de tudo, agradecer a publicação do meu e-mail. Não esperava e nem havia mandado com outro propósito que não fosse iniciar um contato contigo. Também não indicava os vídeos de Petter Baiestorf para a enquete - se bem que há algo ali capaz de contar em uma lista deste tipo -, mas queria incitar alguma discussão a respeito da obra deste sujeito. Mas agora, enxerido que sou, acredito que irei também participar desta discussão e arriscar, aos poucos, minha listagem de filmes torpes, prediletos e perturbadores. Irei utilizar, nesta primeira investida, como critério de escolha aqueles que conseguiram reunir estes três adjetivos de uma só vez, mexendo inclusive com determinadas convicções, mas sem cair na tentativa fácil de colocá-los em ordem de preferência.
"O ÓDIO" (não me recordo o nome do diretor; se souber, sinta-se livre para colocá-lo) - Ousadia de colocar a amizade por um fio de um negro, um judeu e um árabe em constante xeque-mate, onde o que os une - além das drogas - é o fato de serem excluídos, enxovalhados e considerados como menos que sub-humanos pelos detentores do poderio social. Em uma cidade arrassada pelo preconceito social, onde a violência policial é respondida com igual selvageria por diversos grupos de jovens, o trio perambula, aguardando uma notícia decisiva sobre o estado de saúde de um amigo que fora alvejado por um policial em uma verdadeira batalha campal. A cena inicial, única em cores de todo o filme - que mostra um coquetel molotov rumando ameaçadoramente para a Terra enquanto a voz do personagem negro conta a história de um homem que caia do mais alto andar de um edifício -, ficou na minha cabeça durante semanas a fio. Vou explicar o porquê. Na história, este homem, a cada andar que passava, repetia que estava tudo indo bem; a poucos metros do chão, percebeu que o que contava não era a velocidade da queda, mas sim onde iria parar. Esta pequena história bem que pode ser uma síntese
"LARANJA MECÂNICA", de Stanley Kubrick (aceitando o risco de soar repetitivo) – Quero apenas fazer uma ressalva: este filme não seria o mesmo se não contasse com Malcolm McDowell e o vigor de sua interpretação psicótica (na qual ele aparentava não ter a menor dificuldade de encarnar). Nem vou me estender em maiores comentários. Poderiam soar redundantes.
"SE ...", de Lindsay Anderson - Também com Malcom McDowell em um dos papéis principais, este filme mescla imagens em p&b e cores, ressaltando estados comportamentais de estudantes em um ambiente de internato escolar, tentando sobreviver às implicâncias de bedéis que se julgam semi-deuses homossexuais. Busca por afirmação, conhecimento, transgressão ... muito já ouvi sobre este filme, mas ainda não encontrei uma definição à altura. Sorry. Posso dizer, no mínimo, que é um filme intrigante.
"O ESTRANHO MUNDO DE ZÉ DO CAIXÃO", de José Mojica Marins
– Filme composto por três episódios, aparentemente sem ligação, mas irei me concentrar apenas no último, quando Mojica encarna o personagem Oaxiac Odez - você acredita que até hoje existem pessoas que não perceberam o que há neste nome? -, um dito cientista estudioso do comportamento humano. Firme na disposição de provar que o amor e outros sentimentos do tipo são frutos de meras disfunções humanas, Odez leva até as últimas consequências seus experimentos. Se hoje cenas de mutilação e práticas sado-masoquistas não causam mais repulsa, vale a pena lembrar que algumas delas eram estupidamente verdadeiras neste filme. Também me prendeu o personagem, com perólas do tipo "a matéria é muito limitada em sua forma".
Fico devendo ainda o último mas, como disse antes, vou fazendo esta lista sem pressa. Acredito que, em breve, Petter Baiestorf deverá entrar em contato, também deixando aqui sua listagem de filmes o que, para mim, será bem importante. Penso que a contribuição baiestorfiana será bem interessante, mostrando uma visão do cinema dito pouco convencional.
É possível solicitar os vídeos produzidos pela Canibal Produções: Caixa Postal 67 Palmitos-SC CEP 89887-000.
Também deixo o contato da banda Trap, que fez a trilha sonora de "Caquinha superstar a go go": Alameda Lorena 853 apto 91 A São Paulo-SP CEP 01424-001.
Em tempo: os interessados em adquirir exemplares do jornal Matéria-Prima, podem nos contactar em:
usina_de_ideias@bol.com.br.
O número 5 já está saindo do forno, encontrando equilíbrio entre a divulgação do que
existe de culturalmente produtivo na região norte-fluminense e o exercício de idéias e debates acerca de temas de interesse nacional. Proposta ousada ? Vai saber...
Nossa home-page está em fase final de montagem e comunicaremos assim que estiver estreando no mundo livre da Internet.
Um grande abraço
JORGE ROCHA - Editor do jornal Matéria-Prima "
um desabafo
oi Carlos!
é a primeira vez que te escrevo, porém há semanas venho acompanhando a tua coluna... porém neste e-mail não vou falar especificamente da tua coluna, até por que não me julgo capaz, por ter só 14 anos, mas já que estou tendo a oportunidade de falar com alguém que entenda e viva o cinema, aproveitarei esta oportunidade.
Como já disse tenho 14 anos, e moro em Caxias do Sul, aqui no Rio Grande do Sul. Sou um cinéfilo de carteirinha, porém o que mais, digamos, me entusiasma, é o cinema nacional. Torço, sonho e sofro junto com o cinema brasileiro. Infelizmente, não pude ver Dois Córregos, nem O Primeiro Dia, nem Santo Forte, quase nada dos novos filmes da nova safra do nosso (quando fala nosso, refiro-me ao cinema brasileiro) cinema; não os vi não por falta de vontade, mas por falta de salas que exibam filmes nacionas e independentes em minha cidade... não sei se tu conheces Caxias do Sul, porém possuímos apenas quatro cinemas e estes, como a grande maioria, exibe apenas os filmes que prometem grandes lucros... sinto realmente falta de uma sala em que possa ver filmes nacionais e independentes... não suporto ver tantas pessoas assistindo tanto lixo que vem dos EUA, não admito que Pokémom de maior bilheteria que por exemplo, Mauá (outro que não foi exibido aqui)... não sei se é falta de vontade dos exibidores, ou se o nosso povo é ignorante e não consegue ver e entender filmes, digamos, mais cabeça, de autor,.... Penso que cineastas como você, é que fazem realmente cinema... os cineastas (não só brasileiros, como de outros países - exceto Hollywood - não são apenas cineastas, mas também heróis. São heróis sim, por terem um ideal de vida, e fazem do cinema a sua vida.
Como já comentei, tenho pouco acesso aos filmes nacionais, pelo menos nas salas de exibição. Este anos pude ver apenas Orfeu, Xuxa Requebra, Castelo Rá-Tim-Bum, O Trapalhão e a Luz Azul e que eu me lembre só.... em vídeo, no Canal Brasil e na Mostra "Cem anos do cinema brasileiro", do SESC pude ver alguma coisa dos filmes mais antigos e algumas produções mais recentes como Terra Estrangeira e Baile Perfumado...
Sei que o que está escrito nessas linhas anteriores pode parecer bobagem, mas é algo que realmente sinto. Principalmente nestes últimos dois anos, o cinema está fazendo cada vez mais parte da minha vida... olho meu histórico na internet... e vejo, na grande maioria, páginas sobre cinema... quando chega a Veja e a Istoé aqui em casa, a primeira coisa que olho é artes e espetáculos, fico esperando ansiosamente a Set de cada mês e vou ao cinema quase duas vezes por semana, sem contar os que alugo e vejo na tv... o cinema está tão presente na minha vida que já penso em fazer cinema, pois penso que claro que vendo os filme nacionais, indicando para os amigos já estou fazendo o mínimo para ajudar, mas sendo cineasta poderia, daí sim, viver o cinema e fazer dele o meu ideal de vida...
Espero que você tenha entendido o que eu queria dizer com estas linhas, não sei se isso é um e-mail ou um desabafo... nunca disse isso a ninguém... claro que meus amigos, colegas sabem muito disso, mas não deste modo.... espero que entendas... e espero ansiosamente resposta...
um abraço,
BRUNO POLIDORO
- hacker de listas: o escriba -
o caçador de esmeraldas 1
Recentemente pintou um "intercâmbio" de filmes com um cara argentino, daí fui pesquisar, no livro "Mondo Macabro", de Pete Tombs, alguns filmes de horror dos hermanos para pedir em troca dos habituais Mojicas e Cardosos que o pessoal de "fora" tanto gosta...as três obras-primas do horror argentino, na opinião do autor, são "Obras Maestras del Horror", de Narciso Ibañez Menta(antologia de contos de Poe), "La Revancha del Sexo", de Emilio Vieyra...e "Si Muero antes de despertar", do "nosso" Carlos Hugo Christensen. Infelizmente o último não foi lançado em vídeo por lá (ou nosso trader não o achou, ou não conseguiu gravar da TV). O tema me interessou profundamente (envolve o "homem do saco", mítico assassino de crianças), mas já estou prevendo que vai ser uma legítima odisséia localizar essa fita.
Aliás, bem que esse Mercosul podia servir para nos "aprofundarmos" no cinema de nossos vizinho, não? Quanto mais eu pesquiso mais descubro filmes interessantes deles que nunca havia ouvido falar antes e nossa "investigativa" imprensa simplesmente ignora. Não é surrealista eu descobrir toda a história do cinema de horror argentino em um livro escrito por um britânico (que por sinal considera Mojica um dos 5 maiores cineastas do mundo)?
Carlos Thomaz do Prado Lima Albornoz
- hacker de listas: o escriba -
o caçador de esmeraldas 2
Fiquei sabendo pela coluna do Carlão que um de meus diretores favoritos, Riccardo Fredda, não está mais entre nós...assim como nossa "grande" imprensa fez com Lucio Fulci (que fez o favor de morrer no mesmo dia que Kieslowski), Lina Romay e Joe D'Amato, não deu uma nota...
Resta pouca coisa a fazer além de lamentar...claro, você conforma-se quando sabe que ele faleceu com 90 e poucos anos, aposentado, depois de ter dedicado toda sua vida ao engrandecimento da sétima arte e ter dirigido vários filmes fantásticos...se lamenta menos que, digamos, um Michael Powell ou um Kurt Cobain, que nos deixaram no auge da forma, antes de fazer tudo que podiam ter feito e desenvolvido todo seu potencial...
Freda fez pelo menos três grandes filmes:
- "I Vampiri" (The Devil's Commandament)[1956]: primeiro filme de horror feito na Itália depois do pós guerra. Fredda dirigiu quatro dias de filmagem, se demitiu e deixou seu diretor de fotografia, Mario Bava, completar o serviço nos dois dias subsequentes. É uma obra tosca, com vários defeitos técnicos, atuações um tanto quanto canastronas, mas poucos filmes podem se "gabar" de ter começado, do zero, um gênero.

- "O Terrível Segredo do Dr. Hitchcock" [1960]: Este aqui é um tapa na cara de todos aqueles que "enchem a bola" de Mario Bava pelas qualidades de "I Vampiri" e creditam os defeitos a Fredda: é uma genial e tétrica história de um necrófago e sua mulher, que não sabe das "peculiaridades" de seu marido. Um dos melhores filmes de horror da história.
- "A Iguana com Língua de Fogo" [1974]: O mais violento giallo da história. Faces derretidas por ácido, mortes por esfaqueamento, estrangulamento, tudo isso para ilustrar uma história simplesmente genial, em que ninguém presta e todo mundo quer sacanear todo mundo. Waaay coool, man
Só por curiosidade: ele dirigiu dois filmes no Brasil, no início dos anos 50: um se chama, em sua filmografia oficial, "Il Guarany", o outro "Um cacaua do Barulho (sic)". Alguém sonha que diabo pode ser isso? Desconfio que o italiano ou americano que compilou o título digitou errado o título...
Hoje vou tomar uma cerveja em homenagem a Fredda. Discansare biene, maestro.
Carlos Thomaz do Prado Lima Albornoz
Nota do redator 1 - O dr. Ribas já matou a charada no e-mail acima reproduzido. O filme de Fredda realizado no Brasil é O CAÇULA DO BARULHO, que se não estou enganado, o Canal Brasil exibe de vez em quando. Senão, vamos cobrar do Wilson Cunha.
Nota do redator 2 - Albornoz precisa ser contratado por algum jornal ou provedor, com urgência. Além de pensar o cinema com personalidade, não regula informação e escreve por prazer e para o prazer do leitor.
Quiz Nostalgia - 3
A linda mocinha das fotos anexas foi uma das mais encantadoras starletts adolescentes dos anos 60, em Hollywood.
Seu primeiro longa metragem foi lançado em 1958. Filmou, entre outros, com Otto Preminger, Robert Aldrich, Don Siegel, Jose Ferrer, o ótimo e esquecido Franklin Schaffner, Jean Negulesco e Jun Fukuda.
Já não mais tão mocinha, mas ainda bela e radiante, foi a estrela do cultuado diretor Radley Metzger e do torpe William Lustig.
Foi escolhida para o quiz, não somente pela sua beleza, mas por seu crivo crítico e artístico. É considerada nos EUA, uma das mais antenadas e fiéis cinéfilas das atrizes "de segunda linha". Veja abaixo, sua lista dos melhores filmes de todos os tempos e adivinhe o seu nome. Os dois primeiros que acertarem vão receber um CD com a trilha de DOIS CÓRREGOS.
A LISTA DA MUSA BOMBER
Dr. Strangelove, or: How I Learned to Stop Worrying and Love the Bomb
Lolita
The Killing
Paths of Glory
Bunny Lake is Missing
On the Waterfront
Viva Zapata
Desiree
A Streetcar Named Desire
Jules et Jim (Truffaut)
Mississippi Mermaid
The 400 Blows (Os Incompreendidos, de Truffaut)
The Bride Wore Black
The Umbrellas of Cherbourg (Jacques Demy)
The Third Man
Henry IV (Olivier)
Wuthering Heights
Psycho (Hitchcock)
The Lady Vanishes
Irma La Douce
Site da Semana
https://www.postfun.com/xre/newvser.html
Esta é uma dica fundamental para todos os bombers antenados com a chamada sub-cultura. Aqui, todos os melhores e recentes livros relacionados ao assuntos ditos "alternativos" e transgressivos são analisados com seriedade. Na página atual, são comentados livros como:
INCREDIBLY STRANGE FILMS - A Guide to Deviant Films - Jim Morton(Editor)
INCREDIBLE STRANGE MUSIC - Volume Dois - V. Vale & Andrea Juno (Editors)
SEARCH AND DESTROY - An Authoritative Guide to Punk History - V. Vale (Editor)
ZINES - Incendiary Interviews With Independent Publishers - V. Vale (Editor)
MODERN PRIMITIVES - An Investigation of Contemporary Adornment & Ritual - V. Vale & Andrea Juno (Editors)
PRANKS - V. Vale & Andrea Juno (Editors)
Uma devassa na iconoclastia contemporânea à partir de Timothy Leary, Abbie Hoffman, Mark Pauline, Karen Finley, John Waters, Jeffrey Vallance, Jello Biafra, Bruce Conner, Paul Krassner, Jole Cale, Henry Rollins, Boyd Rice, John Giorno, Monte Cazazza, Joey Skaggs, Joe Coleman, Earth First!, Bob Zoell, Alan Abel, Harry Kipper, Carlo McCormick, Frank Discussion, etc.
https://www.amazon.com/exec/obidos/ISBN%3D0965046982/xreA/103-2583565-4022221
Página da Amazon para adquirir o livro PRANKS
https://www.ctheory.com/a59.html
Para ler o texto de Peter Bebergal: A Meditation on Transgression - Foucault, Bataille and the Retrieval of the Limit.

https://www.ptanderson.com/
Site do diretor americano mais criativo e talentoso da nova geração.
"Writing and directing are for free. That part is free. You'd do that no matter what. You get paid to deal with idiots who don't care about movies." - Paul Thomas Anderson
CARLOS REICHENBACH
P.S. - Se a Embratel continuar a enviar suas contas aos clientes, pagáveis somente em meia duzia de bancos privilegiados, eu juro que não faço mais nenhum 21.
Carlos Reichenbach, 54, é cineasta, roteirista, diretor de fotografia e crítico, além de rebelde renitente e utopista assumido nas horas vagas. Suas principais vítimas e afetos serão revelados nesta coluna. Atrás das câmeras desde 1966, Reichenbach está lançando seu 12º longa, Dois Córregos.
Comentários, desgostos, bombas e coquetéis podem ser enviados para: reichenbach@zaz.com.br
Saiba mais:
Biografia
Filmografia
Índice de colunas
|