








|

CARTAS DO REICHENBOMBER - Opus 24
- para todos aqueles, que no último ano do Século XX, irão viabilizar algumas utopias possíveis -
os melhores
Atendendo a sugestão de leitores e amigos, e como é praxe nos primeiros dias do ano, fui consultar algumas anotações pessoais e as listas publicadas em jornais brasileiros, na tentativa de relacionar o que de melhor assisti em 99 e na década de 90. Nesta hora, pelo menos para os cinéfilos de São Paulo, como fazem falta as "Indicações da Semana" que o falecido, polêmico e saudoso crítico Rubem Biáfora capitaneou ao lado de Carlos M. Motta, rigorosamente aos domingos, no jornal O Estado de São Paulo, durante várias décadas!
Atualmente, para se certificar de todos os filmes que foram lançados comercialmente durante o ano em São Paulo, é preciso esperar o SESC inventariar todos os títulos na relação que envia no final do mês de janeiro aos jornalistas. Por isso, é bem possível que eu passe batido por alguma obra-prima menos consagrada ou algum filme de cineasta que não me leva de pronto às salas. Remando contra à maré, ainda não assisti nem o derradeiro Kubrick nem o último Almodovar. Confesso que tanto o preciosismo gélido do primeiro, quanto a fase bem comportada do segundo, me fizeram aguardar um momento mais propício para assistí-los.
Exatamente pelo fato de não saber exatamente todos os filmes lançados nos cinemas em São Paulo, em 99, busquei detectar na lista abaixo as obras que permaneceram vivas em minha memória, por aperfeiçoar minha maneira de enxergar o mundo, a vida e o próprio cinema.
Nas listas busquei não diferenciar o que vi em mostras, sessões especiais e normais, ou em vídeo e outros suportes.
OS MELHORES DE 1999

Cena de "Apaixonadas" de Tonino Bernardi |
01. APAIXONADAS de Tonino di Bernardi (Mostra de Cinema SP)
02. OS IDIOTAS de Lars Von Triers (Cinema SP)
03. ALÉM DA LINHA VERMELHA Terence Mallick (Cinema SP)
04. MOLOCH de Alexander Sukorov (Mostra de Cinema SP)
05. A ETERNIDADE E UM DIA de Theo Angelopoulos (Cinema SP)
06. GENTE DA SICÍLIA de Straub-Huillet (Mostra de Cinema SP)
07. O VIAJANTE de Paulo Cesar Saraceni (inédito em São Paulo, mas visto três vezes em sessões especiais)
08. POLITICAMENTE INCORRETO de Warren Beatty (lançado em vídeo)
09. ROMANCE de Catherine Breillat (Cinema SP)
10. DEUSES E MONSTROS de Bill Condon e NÃO CONTE A NINGUÉM (Perú) de Francisco Lombardi (ambos vistos em cinema em SP)
OS MELHORES FILMES DA DÉCADA DE 90
- lançados comercialmente em São Paulo na década de 90 -

W.R., Os Mistérios do Organismo, de Dusan Makavejev |
W. R. , OS MISTÉRIOS DO ORGANISMO (de 1971, só lançado comercialmente no Brasil em 91) de Dusan Makavejev
CRASH e MISTÉRIOS E PAIXÕES de David Cronemberg
CASSINO de Martin Scorsese
AS PORTAS DA JUSTIÇA e LADRÃO DE CRIANÇAS de Gianni Amelio
E A VIDA CONTINUA de Abbas Kiarostami
AUTO-RETRATO DE DEZEMBRO de Jean Luc Godard
TRILOGIA DAS CORES de Krzysztof Kieslowski (1993-94)
ED WOOD de Tim Burton (1994)
OS IDIOTAS de Lars Von Triers (1998)
A ENGUIA de Shohei Imamura
- vistos em Mostras, Festivais, Exibições Especiais -
RAROS SONHOS FLUTUANTES de Eizo Sugawa
APAIXONADAS de Tonino di Bernardi
Não relacionei os melhores filmes brasileiros da década por razões óbvias, mas não hipócritas. Entre os três melhores incluiria, sem pestanejar, ALMA CORSÁRIA (94).
ALMA FORASTEIRA

UN DIA
Un día
la luna se detendrá en el cielo;
se secarán las flores,
y en la selva
sólo crecerán piedras.
Entonces, después de aplastar
el bohío y a todos los piaroas,
sólo existirá
la Gran Piedra Negra.
Indígenas Piaroas de Venezuela
EL POETA KOLUPAN
Tuvimos grutas ocultas para nuestros
juegos infantiles.
Sabíamos jugar al peuko entre los montes.
Fumábamos en la pipa de dos tubos,
como lo hacen los mayores
con sus amigos.
Esos días ya se han ido
y no van a volver,
no hemos de jugar más en el monte.
Me encuentro entre gente
de otra tierra.
Siento pena.
Pasan los días, las noches se van,
pero corazón continúa triste.
Quiero ir a mi tierra,
a mi tierra.
A mi tierra lejana.
Porque tú me dejaste,
paloma azul
alma forastera.
Indígenas Araucanos de Chile
SITES PARA SEREM VISITADOS:
poesia
(para descobrir a beleza da poesia indígena e o inventário de MIGUEL MONTAÑANA)
https://www.geocities.com/Paris/Metro/1250/fig1.html
https://www.geocities.com/Paris/Rue/7159/6.htm
liberdade

programas gratuitos (não se assuste, trata-se de uma página só com programas freeware do site libertário polonês - Anarvista)
https://www.moab.com.pl/anarvista/net/freeware.htm
cinema independente
https://www.6degrees.co.uk/
paranóias
paranóias
https://www.conspire.com/
https://www.nitronews.com/
vamos conspirar
Os que gostam de comprar livros via Internet, e sabem ler em inglês, não podem deixar de conhecer duas das obras mais bizarras, perturbadoras, mas fascinantes, já publicadas:
1. The Seventy Greatest Conspiracies of All Time : History's Biggest Mysteries, Coverups, and Cabals, de Jonathan Vankin & John Whalen.
Preço: $15.96
https://www.amazon.com/exec/obidos/ISBN%3D0806520337/50greatesconspirA/104-2142949-1330065
2. Mass Control, Engineering Human Consciousness, de Jim Keith
Preço: $16.95
https://www.illuminetpress.com/
Jim Keith, o mais famoso dos "pesquisadores conspiratórios", morreu em 99 de maneira bem esquisita. Internado em um hospital em Reno, Nevada, para uma operação no joelho, acabou falecendo devido a problemas pulmonares durante a cirurgia. Todos os demais teóricos da conspiração apontaram causas não naturais. Afinal, o próprio Keith havia formulado a chamada "lei Keith" preconizando que "todos os autores do conspiracy deveriam morrer em circunstâncias misteriosas".
De acordo com um relatório que aparece em um Web site dedicado à memoria de Keith, um amigo próximo do escritor tentou vê-lo no hospital: "Me foi dito que Jim estava no quarto 106, no primeiro andar. Quando eu verifiquei esse quarto, 106, eu encontrei uma senhora idosa com um nome completamente diferente", relatou o amigo. Ao tentar o auxílio de uma enfermeira foi informado que só alguém da família poderia ter acesso ao número de seu quarto. Finalmente, quando conseguiu o tal número, Keith já havia falecido.

Jim Keith, o mais famoso dos "pesquisadores conspiratórios" |
O editor Kenn Thomas, que foi co-autor de um livro com Keith, especula: "Jim pode ter sido morto porque mencionou o nome do médico que declarou que a princesa Diana estava grávida quando morreu. Keith não tinha revelado realmente nenhum nome apropriado, apenas que havia ouvido alguma referência à gravidez de um amigo Sufi." O insight conspiratório, conforme a coluna de Keith, no Web site Nitronews (o endereço está acima) era que o "nascimento de uma criança com sangue egípcio, meio-irmão dos filhos de Diana, estava sendo encarado como um acontecimento devastador para a Grâ Bretanha" e assim Diana, Dodi e a criança, fruto do seu amor era passível de um acidente de automóvel providencial. Conforme Kenn Thomas, Keith pode ter sido vítima dos mesmos Royalists.
Umas das coincidências mais estranhas aconteceu com a Nitronews, que alertou os seus internautas com relação ao fato de seu Web site "ter caído no mesmo dia em que Jim morreu" e, que "nossa companhia hospedeira desapareceu misteriosamente. Mesmo tendo mudado de provedor, continuamos esperando uma resposta dos empregados da antiga companhia, qualquer um que seja".
O último livro de Keith, publicado postumamente, examina o histórico do controle político do pensamento durante o século XX, e especula à sério, sobre o futuro da tecnologia no controle da mente. Em todos os sentidos, um livro obrigatório.
Enquete Perturbadores e Torpes - Parte 4
O Bomber Errou: Algumas semanas atrás, corrigi o leitor Sandro Hensen em relação ao título de um filme considerado por ele como um dos mais torpes: REJUVENATOR. Dois leitores da coluna informaram que o filme realmente existe e que, embora não se trate do conhecido RE-ANIMATOR, ele também foi lançado em vídeo no Brasil por uma distribuidora independente.
"Caro Colunista,
Dos filmes que considero perturbadores, quase todos foram comentados (Taxi Driver, A Estrada Perdida, Laranja Mecânica, Crash - Estranhos Prazeres, O Inquilino...), entretanto gostaria de destacar um que não foi lembrado: O Amor e A Fúria (Once Were Warriors). Foi como se eu tivesse levado um soco no estômago desferido pelo diretor neozelandês/maori Lee Tamahori. Violência (não aquela a que nos "acostumamos" a ver nos filmes do CINEMÃO americano), desintegração familiar, suicídio... Sem esquecer da denúncia social. A trilha sonora inclui hard rock cantado em maori (ou seja lá qual for o dialeto que eles falem).
Entre os torpes, destaco O Reflexo do Mal (The Reflecting Skin). Galeria de personagens estranhos (em determinado momento, o garoto que é o personagem principal encontra um feto no celeiro de sua casa, pensa tratar-se de um anjo, e para a conversar com ele como se fosse um amigo), em clima gótico, prá lá de depressivo. Pensando bem, este poderia entrar na categoria dos perturbadores."
Arnaldo B. Souza
Daniel Caetano mandou sua lista de filmes deflagradores. Com relação ao ignóbeis, ele justifica:
"Não saberia fazê-lo sobre os ditos 'torpes', porque não saberia selecioná-los e por temer que a seleção já demonstrasse um certo fascínio por eles.
Acho que minha seleção de perturbadores só vai ter figurinha repetida, mas tudo bem:
- Freaks, do Tod Browning, por ter percebido como somos freaks, todos nós, e por ter entendido que a vida numa sociedade é, mais do que meramente difícil, completamente impossível e antinatural, se não nos cercarmos de solidariedade e afeto.
- Un chien andalou, do Buñuel e do Dali, pelo marco estético que estabeleceu. Visto hoje não nos é tão perturbador, nós já internalizamos a sua revolução, mas sua beleza se revela a cada dia que passa, a fúria de seu humor a cada visão se mostra mais e mais poética.
- Di, do Glauber, por fazer uma exaltação à vida a partir de um falecimento de um artista. Por mostrar que a morte coroa uma bela vida, e que o fim de uma bela vida pode provocar uma irrupção de idéias e transformações em outras pessoas, e por fazer desse momento tão próprio à meditação uma explosão de alegria. O mais nietzscheano dos filmes, pela sua valorização da vida de da criação.
- Saló, do Pasolini, por tantos motivos que nem sei explicitar. Nem preciso, tantas já foram as justificativas a essa unanimidade. Mas sempre é preciso ressaltar a força desta obra que nos leva ao nosso limite, brinca com nossos medos e perversões, nos mostra tudo que desejamos, tudo que temos medo e tudo que temos nojo, embaralhando tudo na nossa cabeça.
- Os Idiotas, do Lars von Trier, uma mistura de Freaks com Saló, acompanhada por uma amargura intensa e definitiva. Parece-me a tragédia de uma civilização, retratada pela borda, pelo extremo, pelo mais sofrido e inexplicável. Exibe com clareza o mal-estar profundo que surge no topo da nossa pós-modernidade.
Já foram cinco. mas queria lembrar que L'âge d'or, também do Buñuel e do Dali, é um desenvolvimento do caminho do Chien andalou, que começa com um documentário sobre essa figura fascinante que é o escorpião, para terminar com uma referência, quase uma adaptação, do 120 dias de Sodoma, do Marquês de Sade, que inspirou o citado Saló. E também queria lembrar dois filmes fundamentais na minha vida, são: Terra em Transe e Deus e o Diabo na Terra do Sol, do Glauber, porque os vi muito jovem, com menos de quinze anos, e foram fundamentais para que eu me seduzisse pela possibilidade da arte transformar as pessoas e as coisas, e ir além. Pela força que têm, e que tanto me magnetizou, certamente foram os filmes que mais me perturbaram, tendo sido cruciais para minhas precoces decisões sobre que profissão seguir."
"Eu tenho acompanhado as cartas do Reichenbomber.
Quanto às listas, acabei fazendo uma enorme dos chamados filmes "perturbadores" e, coincidentemente, muitos deles são filmes que eu sei que você admira. Acho, inclusive, que você deveria teorizar a respeito do que você chama de "cinema da demência".
Já a lista dos torpes é mínima - geralmente o esquecimento se encarrega de bani-los da memória.
Um abraço e, em seguida, vão as listas.
Valdir Baptista
Perturbadores:
A Faca na Água, Repulsa ao Sexo, O Bebê de Rosemary e O Inquilino, de Polansky
Trinta Anos esta Noite, de Louis Malle
Gritos e Sussuros, de Bergman
Umberto D, de Vittorio de Sica
A Paixão de Joana D'Arc e Vampyr, de Dreyer
As Lágrimas Amargas de Petra von Kant, de Fassbinder
O Testamento do Dr. Mabuse, de Fritz Lang
O Grito e Passageiro, Profissão Repórter, de Antonioni
Nostalgia e Stalker, de Tarkovski
O Quarto Verde, de François Truffaut
Não Matarás, de Kieslovski
Crash e Videodrome, de Cronenberg
A Estrada Perdida, de David Lynch
Laranja Mecânica, de Kubrick
Meu Ódio será tua Herança, de Peckinpah
Os Idiotas, de Lars von Trier
Hiroshima, mon Amour, de Alain Resnais
Fim de Verão, de Yasujiro Ozu
O Gato Preto, de Kaneto Shindo
Raros Sonhos Flutuantes, de Eizo Sugawa
Agonia e Glória, de Samuel Fuller
Pickpocket, de Bresson
Saló, de Pasolini
Ironweed, de Babenco
Os Doze Macacos, de Terry Gillian
Stroszek, de Werner Herzog
A Primeira Noite de Tranqüilidade, de Valério Zurlini
Sombras, de Arthur Robinson
As Mãos de Orlac, de Robert Wiene
Antes da Chuva, de Manchevski
Gosto de Cereja, de Makhmalbaf
Vá e Veja e Taxi Blues, dois filmes russos cujos nomes dos diretores me escapam da memória.
O Despertar da Besta, de José Mojica Marins
A Margem, de Ozualdo Candeias
Prata Palomares, de André Faria Jr.
Filmes Torpes:
O Que é Isso, Companheiro?, de Bruno Barreto
O Bom Burguês, de Oswaldo Caldeira
Nota do Redator: Valdir Baptista, professor, crítico, pesquisador do cinema brasileiro e temas fáusticos, enviou sua lista a meu pedido. Me interessou particularmente conhecer a opinião de um profundo estudioso do cinema expressionista e da literatura clássica, ligado à crítica genética, e que conheceu de perto todos os períodos da produção paulista e brasileira dos anos 60 até hoje. Sua lista de filmes deflagradores ultrapassa e muito os cinco filmes solicitados pelo colunista. Pouco importa, fiz questão de publicá-la porque foi uma das poucas a aproximar Mojica Marins com Robert Wiene, ou Makhmalbaf com Ozualdo Candeias, por exemplo. Sou amigo de Candeias e conheci pessoalmente o cineasta iraniano; realmente, até fisicamente, há uma certa semelhança e identidade entre ambos.
Com relação aos torpes, por razões evidentes, confesso ter hesitado em trazê-los à tona. Mas, primeiro, não sou censor e, segundo, acho que é possível detectar claramente as posições político-ideológicas do crítico e pesquisador por trás dos dois títulos execrados.
Informo aos bombers que das opiniões enviadas pelos leitores, só não levei em conta uma que me pareceu nitidamente uma diferença pessoal com um colega cineasta que é também colunista do ZAZ.
Incluo ainda uma recente correspondência recebida pela coluna envolvendo a enquete:
"Caro Carlos Reichenbach:
Cheguei até aqui por indicação de Ronaldo Bressane, editor de texto da Revista A. O caríssimo disse-me que aqui estava sendo feita uma listagem acerca de filmes perturbadores. Não pretendo agora, neste momento, arriscar a minha listagem, mas vou fazer uma provocação - sou jornalista e jornalista que se preze adora uma provocaçãozinha. Você já assistiu alguma produção do videomaker sulista Petter Baiestorf? Nascido, criado e morando até hoje em Palmitos-SC, este sujeito percorre o underground dos vídeos, editando obras trash. No currículo, além da admiração de José Mojica Marins e ojeriza de videastas ditos sérios e compenetrados, ele carrega vídeos B que misturam contestação com escatologia. A frente da Canibal Produções, Baiestorf já realizou pérolas trash como Criaturas Hediondas I e II, Eles Comem Sua Carne, O Monstro Legume do Espaço, Açougueiros, Chapado, Bondage, Bleeerrgh, Zombio, Caquinha Superstar a go go, Gore gore gays e outros mais. E sem o mínimo apoio de qualquer poder constituído. Trata-se de uma verdadeira encarnação de maldito!
Além de realizar este vídeos, ele ainda se dá ao luxo de pesquisar a fundo a história do cinema de terror e realismo fantástico produzido ao longo dos tempos, tendo um considerável acervo e um faro difícil de encontrar até mesmo com garimpeiros. Influenciado, de várias maneiras, por gente como Christopher Lee, Ivan Cardoso, Ed Wood, Augusto dos Anjos, Baudelaire, Jodorovsky, Mojica e Glauber Rocha, ele está dando uma cara que, se não for nova, pelo menos não peca pela imobilidade carola, à produção de 'vídeos e filmes de temática B.

"Nocturnu", de Dennison Ramalho |
Esta idéia pode ser comprovada, por exemplo, com o filme Nocturnu, de Dennison Ramalho, que ganhou o prêmio de melhor curta no Festival de Gramado de 98. Neste filme, além de colaborar no roteiro, atuou e coordenou os efeitos visuais.
Com este breve histórico, acredito que consegui despertar tua atenção para esta obra, que deve ser vista com certo apuro - apesar e por conta de sua estética assumidamente B.
Fico agora esperando tua resposta. No próximo contato, te mando endereço dele, caso te interessar.
Um grande abraço,
Jorge Rocha
Editor do jornal Matéria-Prima
Campos-RJ "
Nota do Redator: Jorge, acho que o Brasil inteiro já ouviu falar de Peter Baiestorf. Infelizmente, seus vídeos não são muito acessíveis, mesmo aqui em Sampa. Acho que o assunto, sob o ponto de vista jornalístico é realmente fascinante; e mesmo sob o prisma cinéfilo seria ótimo conhecer todos estes filmes. Mas, com relação à enquete propriamente dita, não é exatamente no veio do cinema de gênero, independente ou não, que estamos interessados e muito menos na moda trash. Todos nós sabemos que o que torna qualquer instância artística ou cultural inferior são justamente as modas. Fiz parte do juri que premiou NOCTURNU no Festival do Cinema Universitário de Niterói e posso assegurar que o que impressionou a mim e aos colegas foi, muito menos o milagre conseguido com as parcas condições de filmagens e o tributo ao gênero horror ou ao cinema B, mas o extraordinário vigor imagético que privilegia a atmosfera e a ambientação. NOCTURNU é um filme de exceção porque investe na linguagem e na história e não apenas em um gênero do cinema, mesmo que retrabalhando os seus clichês.
Em resumo, para situar melhor a minha opinião pessoal e da proposta da enquete, informo que considero Carl Th. Dreyer um dos cinco maiores do cinema. Não por ele ter feito VAMPYR, mas por ter realizado ORDET, A PAIXÃO DE JOANA D´ARC, GERTRUD, DIAS DE IRA e, também, VAMPYR.
De qualquer forma, agradeço à sugestão, e gostaria de saber e informar aos leitores, como é possível encontrar ou adquirir o jornal MATÉRIA PRIMA.
CARLOS REICHENBACH
Carlos Reichenbach, 54, é cineasta, roteirista, diretor de fotografia e crítico, além de rebelde renitente e utopista assumido nas horas vagas. Suas principais vítimas e afetos serão revelados nesta coluna. Atrás das câmeras desde 1966, Reichenbach está lançando seu 12º longa, Dois Córregos.
Comentários, desgostos, bombas e coquetéis podem ser enviados para: reichenbach@zaz.com.br
Saiba mais:
Biografia
Filmografia
Índice de colunas
|