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CARTAS DO REICHENBOMBER - Opus 22
A dedicatória desta semana vai para o mestre supremo do cinema Fritz Lang e para a estampa do movimento universal antifascista, que vários sites europeus vem ostentando em suas páginas de abertura.
Lang forever
Quem assina a teve à cabo e tem acesso ao Telecine 5, vai ter o privilégio de conhecer duas obras-primas raras do insuperável Fritz Lang.
O Homem que quis matar Hitler - Man hunt - TELECINE 5, nos meses de Janeiro de Fevereiro.
De: Fritz Lang Com: Walter Pidgeon, Joan Bennett, George Sanders, John Carradine, Roddy McDowall EUA 1941 102’ PB Notório caçador tem a rara oportunidade de matar Hitler, não o faz, e passa a ser perseguido pela Gestapo.
Quando desceram as trevas - Ministry of fear, The - TELECINE 5, no final de Dezembro e em Janeiro.
De: Fritz Lang Com: Ray Milland, Marjorie Reynolds, Carl Esmond, Dan Duryea, Hillary Brooke EUA 1944 86’ PB Homem recém-liberado de um hospital psiquiátrico é envolvido em uma trama de espionagem.
Para compreender até que ponto Lang influenciou a obra de diretores como Orson Welles, Alfred Hitchcock, Billy Wilder e Samuel Fuller, basta assistir O Homem Que Matou Hitler. Não se trata apenas de curiosidade, mas da obrigação de qualquer estudioso ou fanático por cinema.
Nos primeiros minutos, panorâmicas são entrelaçadas por fusões mais modernas que nos filmes atuais subserviente às facilidades das novas tecnologias. Na seqüência, paisagens naturais são recriadas em estúdio com o imaginário da economia e do bom senso, marca indelével, por exemplo, da exuberância fake do recente Moloch de Alexander Sukorov.
Alguns minutos depois, irrompe a "dramaturgia das sombras", síntese absoluta do estilo languiano. George Sanders, oficial da Gestapo, interroga o recém torturado Walter Pidgeon, que só é visto pelo seu rastro. São momentos em que a mise-en-scène do gênio germânico revela a sua excepcionalidade. Difícil não definir toda a seqüência como o néctar do próprio cinema.
O poder de síntese de Lang pode ser auferido nos três planos que mostram uma viajem de navio da Alemanha para a Inglaterra: um geral do navio em alto mar, uma revoada de albatrozes indicando terra à vista e um plano fixo e marcante, em contraluz, do porto de Londres.
Preste atenção nos diálogos de duplo sentido quando Walter Pidgeon leva a moça que o ajudou para a casa do irmão aristocrata. A conversa que se estabelece entre a jovem e a austera cunhada do herói parece ter impregnado a obra inteira de Wilder.

Fritz Lang |
Descubro estarrecido onde foi que Brian de Palma aprendeu a filmar suas, até aqui, insuperáveis seqüências de metrô. Em Man Hunt, Lang dá todas as dicas de como decupar uma perseguição estonteante em meio à multidões, súbitos vazios e túneis aterradores. De inventor, De Palma despencou no meu conceito à condição de aluno aplicado.
E finalmente, como não podia deixar de ser, é no desfecho inesperado e implacável que a assinatura de Lang se eterniza. Vence o inexorável. Neste filme, até o diálogo final explicita o embate de Prometeu com o destino irreversível.
Quem pensa em fazer cinema algum dia, vai ter que gravar para rever várias vezes, já que o importante não é ver, mas rever ...
Kurosawa em alta definição
Acabo de assistir a cópia em DVD de Rapsódia Em Agosto de Akira Kurosawa, gentilmente cedida pelo editor do Jornal do Vídeo, Oceano Vieira de Melo, e me dou conta do quanto há de verdadeiro na afirmação do amigo Flávio Pellegrino de que o suporte nos obriga uma visão diferenciada, quando não, mais adulta. Nunca o conceito de que em cinema e literatura o importante é rever, ou reler, ficou tão explicitado.

Cartaz de DVD do filme "Rapsódia em agosto" |
Lembro de ter visto o filme nos cinemas e ter saído com a estúpida sensação de que o velho mestre parecia definitivamente senil. Nunca o humanismo naif de Kurosawa me soou tão decrépito. Aquele olho enorme surgindo no meio das nuvens de Nagasaki me levou ao riso. Lembro de ter pensado no ato, que Mojica Marins faria melhor. Pior ainda, era ter achado que Kurosawa estava desaprendendo à decupar suas seqüências com o rigor que lhe era tão característico nos filmes em branco e preto.
No DVD, como o espectador pode escolher as seqüências que gostaria de rever, é possível detectar todas as mínimas nuances que a visão em uma projeção em tempo real não permite. Este suporte vai obrigatoriamente tornar o espectador mais crítico, e, imagino, dificilmente o deixará impassível. Os cineastas que se cuidem!
Pois bem, vi e revi o filme inteiro, e, em especial, a seqüência final de Rapsódia Em Agosto com a velha avô correndo contra a chuva e o vento, sendo perseguida pelos filhos e netos, cujos esforços físicos não lhe chegam aos pés. Me descubro absolutamente entorpecido pela força imagética e pela montagem moderníssima em seu classicismo. O filme é de uma rara dignidade, e é atualíssimo em seu aparente anacronismo. Ouso dizer também, que se trata de um dos mais belos e estarrecedores finais de filme que vi em toda a minha vida.
Revi também em DVD, um belo filme de Arnaldo Jabor, Eu Te Amo, onde fica acentuada a construção em blocos da narrativa. Revi por inteiro, e depois revi as seqüências mais complexas, onde o embate fenomenal entre a arrogância debochada e crítica de Paulo Cesar Pereio e a exuberância verista e sensual de Sônia Braga subvertem todos os princípios do naturalismo. Trata-se de uma obra poderosa, de um erotismo quase libertário, que o DVD veio para eternizar. Em Eu Te Amo o sexo transcende a palavra e os corpos dos atores se transformam em personagens independentes. Por outro lado, Eu Sei Que Vou Te Amar, que já nas telas transpirava teatro filmado, em DVD fica, ainda mais, parecendo uma enfadonha aula prática de psicoterapia primitiva. Aqui o intelecto busca vencer o instinto e é nocauteado pelo vazio imenso da verborragia megalomaníaca. Sem querer ser grosseiro, faltou tesão na frente e atrás das câmeras. Espero agora poder rever Toda Nudez Será Castigada e O Casamento, para confirmar, ou não, se, submetidos à qualidade da imagem digital, do som Dolby Stereo SR e às opções da intervenção e/ou participação sensível do espectador, os dois filmes continuam sendo as obras mais essenciais do cineasta e, porque não, de um certo momento da história do cinema nativo.
A distribuidora Versátil, que lançou o filme de Kurosawa e o Jabor mais recente, acaba de colocar na praça, Festa de Família de Thomas Vinterberg. Chegou a hora de reavaliar o Dogma sob o viés do novo suporte. Será que ele agüenta?
Musa revelada
Apenas dois fiéis leitores acertaram em cheio o nome da musa atual LAURA GEMSER. Ela ficou famosa como a Emmanuelle Negra da famigerada série da aeromoça tarada, mas também andou trafegando por um destes filmes canibais. Nasceu em 1951, em Jacarta, Indonésia, e é casada com o ator italiano Gabrielle Tinti; ex-marido da genial Norma Benguel, com quem atuou no clássico paulista Noite Vazia de Walter Hugo Khouri.
Laura Gemser tem um pequena e singela página na Internet:
https://www.fantastic-movies.com/laura/main2.htm
Estrela nos anos 70, o que andará fazendo atualmente a inspiração de tantos tributos adolescentes e solitários ?
Thiago Coelho e Marcos Katudjian já receberam o cd com a trilha de Dois Córregos. Algum espetinho vai dizer que parece concurso de compadrio, mas juro que não é. Quem acertou, levou, independente da fidelidade à coluna.
Quiz com dicas
Como ainda sobraram alguns cds na prateleira, aí vai um novo quiz. Agora, para os dois primeiros que chutarem na rede. É só acertar, que a gente manda o disco via correio.
Adivinhem quem veio para o banquete! Dicas sobre nosso amigo secreto: ele começou sua carreira como ator em meados dos anos 50. Em 1959, foi trabalhar como assistente do mestre Roberto Rosselini, tendo sido amigo de infância de seu filho Renzo. Foi também assistente de direção de Sérgio Corbucci e do mitológico Riccardo Freda (que andou pela Vera Cruz). Dirigiu seu primeiro longa metragem em 1968. Devido ao fracasso comercial de seus primeiros filmes, passou seis anos dirigindo cinema publicitário e filmes para a televisão. Voltou ao longa metragem em 1975, e experimentou vários gêneros. Recebeu um apelido, cujas iniciais são M. C., devido ao sucesso estrondoso de seu filme mais polêmico. É, até hoje, amado por alguns poucos e odiado por muitos. Possui até um site exclusivo sobre a sua "obra".
Repito, os dois palpites certeiros que chegarem primeiro ao endereço eletrônico do redator, que pode ser acionado logo no final da coluna, levam a trilha de Ivan Lins e Nélson Ayres para casa.
Site cinéfilo e esotérico
Um site surpresa para quem realmente gosta de cinema (leia-se Carl Th. Dreyer, Robert Bresson, Andrei Tarkovski, Jean Luc Godard, Alexander Sukorov, Sergei Paradjanov, Bergman, etc) e o entende como aperfeiçoamento do espírito. Obrigado à Gregory e Maria Pearse.
https://www.hal-pc.org/~questers/HOME7.html
Trata-se de um endereço bizarro, feito por cinéfilos desvairados que entendem a sétima arte como um estímulo transcendental. Há, inclusive, um questionário curiosíssimo que visa definir o melhor do cinema como um rito de passagem para o Nirvana, ou coisa similar. Mas o curioso é que muitas das perguntas poderiam ser feitas tranqüilamente para os leitores que tem colaborado com a nossa enquete de perturbadores e torpes.
Exemplos:
1. Pode este filme mudar ou expandir sua percepção da vida ?
2. O que você acha que levou o diretor a fazer este filme ? Solicitar uma profunda resposta emocional ? Apresentar idéias, opiniões ou até hipóteses sobre o sentido da vida ?
3. Pode este filme ressoar profundamente em seu cérebro por muito tempo ?
Enfim, vale a pena conhecer os conceitos do casal Pearse. Se eles fazem parte de alguma seita estratosférica eu não tenho a mínima idéia. Por isso, o risco é todo do leitor.
Causas e efeitos
Antes de retomar a lista dos filmes perturbadores, vou reproduzir dois e-mails enviados à coluna sob os efeitos da relação anterior.

Brigitte Lahaie, musa de Jean Rollin |
"Suas lembranças em relação a dois cineastas que poucos conhecem, mas, por incrível que pareça, estão voltando com o advento do DVD (algumas obras de Meyer e Rollin já estão disponíveis, assim como de um terceiro - Paul Morrissey) são extremamente oportunas, visto que, suas obras são, hoje, "material de referência" para muitos cineastas "transgressivos". O termo me assusta, pois muitas vezes na transgressão residem pérolas (existem pessoas que costumam dizer que o cinema ACABOU em originalidade, mas, entretanto, estes cineastas estão colocando, diversas vezes, um novíssimo ar no cinema atual).
A luta por recuperar a dignidade do cinema, contra o dito CINEMÃO (principalmente "made in USA") é sempre válida, mas dificilmente o público se digna a ser alvo de qualquer coisa que não passe de LIXO. Quanto mais explosões e tiroteios, melhor! Por que pensar? Enfim, como acabar com a estúpida frase: CINEMA É DIVERSÃO? Creio eu que pensar também pode ser divertido, e, as discussões posteriores ao filme, ainda mais! É uma realidade - a nova geração de espectadores não conhecem sequer o diretor do filme que foram ver!
Citei Paul Morrissey porque sua luta em manter aberta uma sala de exibição de "diretores alternativos" representa praticamente o mesmo. Desta sala saiu, pelo menos um nome hoje reconhecido: Brian De Palma! "Transgressivo"? Lembrei-me de um trecho de uma discussão (publicado no Estadão há cerca de duas semanas) entre Foucault e Pierre Boulez, onde o mestre da música contemporânea afirma que o público não entende uma nova linguagem musical por PREGUIÇA, pois toda obra necessita ser reavaliada diversas vezes. Quanto ao cinema, concordando com Boulez, fico imaginando como esta questão da Preguiça é importante. ("Não se entende nada de O INQUILINO). Quantas vezes, você ou eu, reavaliando uma obra cinematográfica, acabou mudando radicalmente de opinião? Mas o público de hoje está nas mãos de uma verdadeira máfia (MULTIPLEX pode significar LIXO MÚLTIPLO), da qual os críticos (alguns escapam) pertencem, empurrando multidões ao cinema para que, no final, não sobre absolutamente nada! Entretanto, creio que vale a pena lutar, mesmo que seja contra um inimigo altamente poderoso.
Vendo sua coluna hoje, acabei ficando meio "sem jeito" pela citação de minha lista. Creio que temos opiniões muito próximas. Quando você fez a sugestão da lista fiquei imaginando que, com a infinidade de escolhas que deu, as respostas iriam ser muito semelhantes, o que me deixou pasmado ao ler referências (que posso discordar completamente, mas que mostram um público bem mais informado do que se podia imaginar). Parabéns, pois esta lista, queira ou não, contribui, e muito, para a luta pelo resgate da dignidade.
Parabéns também pelas lembranças de Russ Meyer (onde este desvairado foi parar?), Jean Rollin (Le Frisson Des Vampires é de deixar qualquer um em estado de êxtase) e Jesus Franco (este me lembra da adaptação que fez de Dracula, com Christopher Lee, e de seus incalculáveis pseudônimos). Grandes lembranças!!!!Um grande abraço!
Luiz Ribas
"Pois é Carlão, depois de ver o curta do Dennison, não resisti a enorme vontade de escrever sobre ele, é verdade que o ideal seria o Jairo Ferreira estar falando sobre o filme.
Nocturnu
Inventivo, experimental, ousado, brilhante, seguramente um dos melhores filmes nacionais dos últimos tempos e trata-se de um curta em 16mm, P/B chamado Nocturnu dirigido por Dennison Ramalho, um jovem talentosíssimo de POA. Tive o privilêgio de assisti-lo ainda que em vídeo, apenas esses dias. Equívoco reparado. Ainda por cima o fdp escreve bem prá cacete, como já se pôde ler aqui na coluna do Reichenbach. Dizer o quê?? Descrever o filme se torna tarefa difícil e desnecessária, é muito mais que uma história, é uma "viagem" na linguagem plena de liberdade, muito de Mojica e do expressionismo alemão, influências assumidas. Mas talvez possa-se situá-lo entre A Noite dos Mortos Vivos o clássico P/B de George A . Romero, que nos colocava no meio de uma situação sem que pudessemos nos dar conta somado ao clima apavorante de O Principe das Sombras de John Carpenter, arrisco também o terror subestimado de Paul Anderson, O Enigma do Horizonte com Sam Neill e Fishburne, aquele clima de viagem ao interior, ao inferno de nós mesmos, mas há principalmente todo o risco de um filme como Limite de Mário Peixoto. E muito clima, muito clima... É um daqueles filmes PERTURBADORES, que incomoda muito qualquer pessoa, mas com certeza quem faz e quem pensa fazer cinema no Brasil, dando consciência do mar de mediocridade que está a nossa volta e instigando esses que almejam fazer cinema no Brasil a buscarem o melhor de si e os que já o fazem a se questionarem sobre uma busca menos acomodada. Dizer mais o quê?? Estou ansioso, esperando o próximo filme, vídeo, seja o que for que Dennison venha a fazer.
Eduardo Aguilar
Enquete Bomber - Parte II
Para dirimir dúvidas, inicio com o e-mail de MÁRCIO CÉZAR SALOMÃO:
"Uma sugestão para a lista dos perturbadores: Cidade das Sombras, e para a fila dos torpes: A Comilança. Grande sacada essa de sugestão de filmes desse tipo. Confesso que sou amarrado em filmes estranhos e repulsivos, e nada melhor que saber que existem mais anormais como eu no mundo!
Um abraço e até mais."
Nota do redator: Márcio, acho que você não entendeu o espírito da colméia. Ninguém aqui, eu espero, se considera anormal. Talvez, às vezes, "excêntrico" e/ou especial, mas anormal nunca. Agora, aqui entre nós, acho que você trocou as bolas: A Comilança de Marco Ferreri é uma obra marcante, cheia de som e fúria (inclua-se algumas flatulências libertadoras), que enaltece a gula como um dos gestos mais subversivos do ser humano. Já A Cidade Das Sombras é puro fetiche de ocasião, feito para faturar em cima de adolescentes deslumbrados, e por isso, torpe.
A fiel infancinéfila PAT FOREVER, aponta os filmes que balançaram suas convicções:
"Bom, tenho cinco filmes que são seis, e os motivos são, descritos abaixo, por puro sentimento:
1. Crash, que eu assisti ao lado do Daniel Caetano e fiquei a sessão inteira: "Esse filme está me oprimindo! Esse filme está me oprimindo!". Pregou uma estaca em meu peito que o aderiu ao assento, e ali fiquei até o final...
2. Laranja Mecânica, que quando eu vi cheguei a conclusão que cinema pode ser uma outra coisa...
3. Os Idiotas, que após o filme estava tão impressionada (porque sou definitivamente daquelas pessoas que se impressionam com imagens - fico entregue - a luz apaga e eu acho que ninguém pode me ouvir) que fiquei passando mal, não consegui dirigir, fui enjoada de Botafogo a Niterói,de carona, pois pedi a um amigo que dirigisse o meu carro. Pra quem me conhece, sabe que isso é um absurdo! Ninguém nunca dirige o meu carro.
4. Sinhá Demência, que me fez gemer e suspirar com tanta dor no cinema que fui amparada pelo Marcelão, que ainda nem era meu amigo, mas que muito se condoeu, pois do jeito que eu gemia devia estar sofrendo. A Tais, atriz do Sinhá, eu conheci em Niterói, meses depois que todo mundo conheceu, porque eu, de longe, olhava pra ela e lembrava do filme, e aí sofria de novo.
5. Assassinos, filme do Mathieu Kassowitz, talvez o diretor que eu mais goste dos novos. Saí da sessão como se tivesse passado duas horas discutindo algum profundo tratado filosófico. Ficamos no bar discutindo a arte, o conflito das gerações e a morte em particular.
6. Sozinho Contra Todos, um filme francês que ganhou juri popular em Cannes em 98, não sei o nome do diretor (tenho esse grave defeito, esqueço das coisas que muito me impressionam, literalmente apago da mente, o que é bem sintomático, já que tenho uma excelente memória) passou no RioCine 98. Fiquei chorando 15 minutos depois da sessão, passando muito mal, e com o João Luiz me maltratando: o filme é bom, né ? Que parte você mais gostou ? E daquela seqüência, assim assado ? E eu chorando, chorando, chorando...
RUY GARDNIER, editor do obrigatório site CONTRACAMPO, agora em novo endereço eletrônico,
https://www.contracampo.he.com.br/
enviou sua lista engajada.
Perturbadores
1) Freaks. Lindo, o mais belo hino à exclusão.
2) Qualquer filme do Ozualdo Candeias. Como o primeiro que eu vi fui As Bellas da Billings, fico com esse, embora a opção seja superior e Zezéro, uma pequena obra-prima.
3) O Anjo Nasceu e A Família do Barulho, de Júlio Bressane.
4) Os Idiotas e The Kingdom 2, de Lars Von Trier
5) Noite e Neblina, de Alain Resnais
6) Parsifal, de Hans-Jürgen Syberberg. Pela leitura moderna da Alemanha.
7) Ilha das Flores, de Jorge Furtado
8) História(s) do Cinema, de Jean-Luc Godard. Perturbador por tudo o que ele pensa que o cinema vai se tornar, e que bem pode acontecer.
9) Stroszek, de Werner Herzog
10) Qualquer filme do Fassbinder, especialmente A Terceira Geração.
Torpes
1) As Amorosas, de Walter Hugo Khouri. Nada para descrever o mal-estar que foi. A figura mais nojenta do egocentrismo.
2) Sombre, de Phillippe Grandrieux
3) Seul Contre Tous, de Gaspar Noé (esses dois filmes são o faz-me-medo contemporâneo, mas é um pouco triste ver tamanha forçação - caramba, escrito é horrível - de barra para chocar, filmes para "épater le bourgeouis", apesar do filme de Grandrieux ser talentoso e o outro não)
4) O Bebê Santo de Macon, de Peter Greenaway - Ele já foi fraco (Draughtsman Contract] e nulo (O Livro De Cabeceira), mas esse é torpe
5) Pérfida e Infâmia, de William Wyler - tudo o que o cinema não deve ser: fofoqueiro, familiaresco, acadêmico e pseudo profundo.
Nota do redator: também não sou um aficionado de AS AMOROSAS, embora goste muito de vários filmes do Khouri e considere NOITE VAZIA e AS FILHAS DO FOGO obras magníficas, que incluiria em qualquer lista de melhores brasileiros. Mesmo não achando AS AMOROSAS um filme execrável, quando muito equivocado, na obra de Walter, não entendo sua inclusão numa lista de torpes. Para dizer a verdade, nem entendi direito o espírito da justificativa. Parece que está faltando palavra na frase, sei lá! Opinião é opinião, mas seria possível esclarecer melhor tanta aversão ao filme ?
SÉRGIO ALPENDRE:
Perturbadores:
1) Saló (Pasolini): Eduardo Aguilar disse tudo no adendo do Opus 19. O pai de todos os filmes perturbadores. É o melhor Pasolini.
2) O Cozinheiro, o Ladrão..(Greenaway): Bebe na fonte de Saló. Foi meu primeiro contato com o cinema desse diretor. Alguém aí gosta apenas moderadamente de Greenaway. Parece-me que uns adoram, outros detestam. Estou no primeiro time. Mas não acho O Livro de Cabeceira seu filme menos bom. Bebê de Macon é o que menos gosto.
3) Un Chien Andalou / L'Age D'Or (Buñuel): Vi estes dois numa sessão dupla na cinemateca, no início de minha vida cinéfila. Os tambores de Calanda? Jesus numa orgia? UAU.
4) Sombra (Grandieux): A perturbação mais recente. Alguém pode me explicar o porquê daquele belo travelling no final.
5) Gritos e Sussurros: Não é o meu Bergman predileto, mas o que mais me perturbou.
Torpes:
Assassinos por Natureza: Oliver Stone foi oportunista e simplório. Duvido que ele tenha o ponto de vista adotado neste filme.
Sitcom : sub-Buñuel de quinta. Infame.
O Detetive e a Morte: Os piores diálogos que vi. Tentativa canhestra de ironia e de ser cool.
CLEBER V. FRANCESCHI
Perturbadores:
Scanners - Sua Mente pode me destruir- me veio à mente depois do maníaco do parque e do shopping ... sabemos que todos os países testaram (e ainda testam) drogas em pessoas ... e no Brasil, muitos foram afetados pela Talidomida ... além disso, o clima do Brasil e a poluição, enfim ... Ambos os maníacos disseram ouvir vozes que os direcionavam ... olha, eu acredito em Ets e pessoas fora do comum, que podem controlar outras ...
Saló - sem dúvida entra na lista. Forte e impactante: desconcerta.
Laranja Mecânica- Kubrick prevendo o futuro numa década ainda morna e sem graça ... só que o futuro dele é mais violento.
Fitzcarraldo- Dois loucos se juntam e fazem uma epopéia insana. Mas, no fundo, é a busca dos sonhos que nos faz mergulhar em nossa loucura.
Torpes:
Mundo Cão- Está certo que estamos num mundo cão ... mas há limites.
Canibal Holocausto- A insensatez no limite extremo ... a busca da repugnância.
Todos Faces da Morte e Traços da Morte
Sombra - Na minha opinião, um lixo.
Execução - Um nojo !
MARCOS VALÉRIO:
"Na sua lista de filmes faltam alguns nacionais. Eu incluo e voto, por exemplo, em LIMITE porque é o êxtase total, o filme que me incomodou profundamente, e já o assisti 42 vezes. Não canso de descobrir nuances estéticas e filosóficas, uma aula constante de ritmo e vida. Outros três: The Bronx's Tale (Desafio no Bronx), uma pequena obra-prima e única direção do Robert De Niro no qual faz um manifesto anti-intolerância de puro cinema (que eu chamo de cinema de câmera e tesoura); Brazil, cinema que denuncia o controle burocrático da sociedade (assim como Matrix, que, à parte os exageros hollywoodianos, denuncia o controle mental, à la Gramsci), desmistificando Orwell e sua paranóia anti-comunista; e, o mais anarquista de todos, um desbunde, um porrada nos bons costumes e nas boas maneiras, atualíssimo daqui a mil anos, Pink Flamingos. A lambida no corrimão da escadaria é o máximo. Muito punk! Divine!
MESTRINER
Perturbadores:
Crash de David Cronenberg
The Lost Highway de David Lynch
The Blair Witch Project de Daniel Myrick e Eduardo Sánchez
Natural Born Killers de Oliver Stone
Brazil de Terry Gilliam
Torpes:
Todos os Faces da Morte e Traços da Morte e outras ... Mortes
Day of Dead de George Romero
The Exorcist II
RENATO DOHO
Incômodos e Provocadores
1) Um Cão Andaluz, por apresentar uma das imagens mais chocantes que um cineasta ou cinéfilo possa presenciar: o corte no olho pela lâmina!
2) Johnny Vai À Guerra, por mostrar o horror e o desespero da situação subjetiva do personagem, o que cinematograficamente é difícil.
3) Henry - Retrato De Um Assassino, nem bem pela qualidade da obra, mas por mostrar a completa falta de sentido da mente de um psicopata e a pouca importância que a vida tem entre as pessoas em geral.
4) O Decálogo, primeiro episódio, por todo o questionamento e ambigüidade do roteiro.
5) Morte Em Veneza, por ficar impressionado como um amor homossexual, platônico e pedófilo pudesse me comover tanto, um heterossexual não pedófilo!
Repulsivos e Degradantes
1) Geração Maldita, um festival de atrocidades e nojeiras numa embalagem pop e um final escabroso.
2) Trash - Naúsea Total, o título explica tudo. O pior: até que é divertido!
3) Fome Animal, do mesmo diretor do filme citado acima. É ótimo, mas horroroso ao mesmo tempo. Repulsivo e atraente!
4) Veneno, mistura nada agradável de vários temas.
5) Sextas-Feiras 13 - Como isso conseguiu chegar a nona parte?!!!
LUÍS ARLOS SOARES
Perturbadores
Deliverance, de John Boorman. Nunca desafie a natureza. Podes se dar mal. Amigos assistem outro amigo ser estuprado; é pra lá de perturbador. E até um duelo de banjos (duelling banjos) perturba. Nada acontece, mas desconforta.
Hellraiser - Renascido do Inferno - Outro filme com cenas bem incômodas. O roteiro repleto de simbologia torna o filme profundo e enigmático.
The Body Snatcher - Invasores de Corpos - Todos sendo cooptados e a gente ali querendo fazer alguma coisa, mas só assistir é o diabo... Parece metáfora da era neo-liberal.
Saló, ou os 120 dias de Sodoma - Também tem trechos perturbadores, o da merda, o do olho. Como bem lembrou o Eduardo Aguilar.
Gêmeos, Mórbida Semelhança - Cronenberg me deixa incomodado em vários momentos. Um deles quando eles preparam aqueles instrumentos ginecológicos esquisitos.
O fidelíssimo DANIEL CHAIA, voltando de Buenos Aires, enviou sua lista.
Perturbadores
Chuva Negra, de Shohei Imamura, é o pesadelo real da bomba atômica, e por isso mais forte que, por exemplo, The Day After. A tragédia pelo lado humano, pessoal e coletivo ao mesmo tempo. A imagem da senhora cambaleante e queimada andando sozinha após o ataque fica para sempre na memória.
Crash, de Cronemberg, é um filme de efeito físico, em que os limites do corpo são explorados, seguindo a obsessão do diretor pelas mutações corporais e simbioses corpo-máquina. A gelidez dos personagens que buscam cada vez mais de perto a morte, ou o orgasmo final, é realmente
perturbadora. Ainda assim, o final do filme é uma pérola do romantismo: "Quem sabe da próxima vez..."
Saló, ou os 120 dias de Sodoma de Pasolini, é um filme assustador sobre o poder. A degradação dos corpos dos jovens é mostrada brutalmente e num crescendo nos ciclos do filme, culminando nas torturas bárbaras do ciclo do sangue, que acompanhamos pelo binóculo de um dos personagens, numa identificação incômoda. E Pasolini ainda lança a afirmação bombástica artaudiana: "Os ditadores são os maiores anarquistas".
Carrie, a Estranha, de Palma, perturba com o descontrole da frágil e introspecta menina em relação a seus poderes paranormais, apenas semiconsciente de sua energia destrutiva. Uma imagem antológica é o banho de sangue de porco de Carrie.
Os Pássaros, de Hitchcock, é o grande filme do embate homem-natureza, tirando o homem de sua arrogância antropocêntrica e abrindo mão de soluções mágicas ou restauradoras para a solução do ataque dos pássaros.
Repulsivos e torpes:
Assassinos por Natureza- Um filme cuja moral é: você não é ninguém até ter matado alguém. Só podia vir mesmo do diretor que se alistou voluntariamente para servir no Vietnã. E ainda por cima é metido a moderninho, Com variações na imagem e no tom totalmente gratuitas. Repulsivo.
Funny Games: Outro filme moderninho, é apenas um exercício de sadismo do diretor, como tantos outros filmes. O que incomoda é que seu total vazio se traveste de filme de arte, bem feito. Enojante.
O Despertar da Besta, de José Mojica Marins: Apesar de gostar do filme, acredito que ele mereça figurar entre os filmes mais repulsivos. Imbecis que usam drogas, ficam mais imbecis ainda e cometem barbáries. O ranço moralista do diretor incomoda, mas são imagens como a abertura do filme, uma seringa explorando os limites de uma veia de pé, que tornam o filme realmente repulsivo.
O Ataque dos Tomates Assassinos 2: pelo menos não se leva a sério. Cinco minutos de merchandising totalmente descarada (é essa a piada - os personagens vão tirando centenas de produtos de uma sacola) alçam o filme a esse panteão da glória.
Evil Dead: Provavelmente o filme de terror mais repulsivo que já vi. Vira o estômago com efeitos nojentos, e consegue assustar. O estupro vegetal é uma das cenas antológicas. É um filme que eu gosto, mas merece o voto nessa categoria.
Chaia prossegue: "E aí vai um apêndice, que é a matéria sobre o filme português JAIME, publicada na revista argentina El Amante de novembro, a mesma edição que chama ORFEU de "una pesadilla turística de un cine envejecido definitivamente", a respeito do festival de San Sebastian.
Vou traduzir o melhor que posso:
JAIME: A pior película que vimos no festival. Jaime é um menino que trabalha clandestinamente. Seu pai está desempregado, sua mãe se prostitui, aborta, vive com um cafetão que lhe bate e ainda trabalha num supermercado. Jaime tem dois amigos: um perde o dedo num acidente de trabalho. O outro cai de uma viga e morre. Antes, todos são encerrados em um poço. O pai de Jaime se suicida, o cafetão lhe pega a grana, a mãe perde o emprego e entrega-se ao açougueiro, que lhe paga com um pouco de carne picada. Sim, o diretor ganhou um prêmio. Ao recebê-lo, anunciou que tinha vindo a San Sebastian porque tinha os melhores restaurantes. Devia ser o prêmio ao cineasta mais canalha. Está instituído a partir de agora."
GIBA ASSIS BRASIL
Perturbadores:
Gritos e Sussurros
Extremos do prazer
Maria das Dores (um super-8 de 3 minutos feito em 1979 por um gaúcho chamado Alberto Groisman, hoje doutorando em antropologia em Londres)
O Bandido da Luz Vermelha
That cold day in the park (Robert Altman)
Torpes:
9,5 semanas de amor
Liquid Sky (uma merda new wave novaiorquina 1983, por aí)
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Videodrome (só pra provocar, mas eu achei uma bosta mesmo!)
qualquer um do Oliver Stone
qualquer um do Giuseppe Tornatore
tem uns brasileiros também, mas estes eu poupo por enquanto.
Nota do redator: Giba, bom de polêmica, acerta uma no cravo e outra na ferradura. Coloca um dos filmes menores do escriba na lista quente e o meu Cronemberg preferido na lista fria. Sei não, acho que depois da dura que o mestre Arlindo Machado deu em SALÓ, o Pasolini terminal, no Opus 21, o conceito de bosta está virando elogio.
RICARDO SCOTTA
Incômodos e provocadores:
1) Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes: É impressionante ver jovens talentos fazerem cinema de forma tão brilhante. E que final!!!!
2) Como Enlouquecer seu Chefe: Apesar de ser uma comédia regular, como sou da área de informática, me identifiquei com a vida difícil que se leva nos escritórios de hoje.
3) Todo Sobre Mi Madre: O melhor filme de um diretor do qual sou um grande fã.
4) O Apóstolo: Quase fui convertido !!!!
5) Minha Vida em Cor de Rosa: Mostra a reação e as conseqüências de uma família que percebe a homossexualidade em seu filho mais novo. É muito comovente.
Repulsivos e degradantes:
1) Arquivo-X, o filme: Que filmequinho mais nojento. E propaganda enganosa também, eles prometem resolver os mistérios da série, mas não dizem nada.
2) Fome Animal: Pela primeira vez na vida, meu estomago embrulhou vendo um terror trash sobre zumbis.
3)Tropas Estrelares: Só dá perna e braço voando, um monte de jovens americanos bonitões e a gente do lado de cá torcendo para os insetos detonarem com os mocinhos.
4) Alien a Ressurreição: Além de nojento é uma tremenda bobagem. A tenente Ripley deveria ter continuado morta. Se a clonagem servir para criar estas bombas é melhor abandonar as experiências.
5) A Casa Amaldiçoada: A maior perda de tempo e dinheiro.
O leitor SANDRO HANSEN, que, no início da enquete, entendeu que estaríamos avaliando os filmes mais repugnantes do cinema, enviou os seguintes títulos:
Rejuvenator - em suma, mulher toma drogas para se tornar jovem, e quando pára, se torna um monstro. Este filme é realmente muito ruim.
Silence of the lambs - não preciso comentar.
O Massacre da Motoserra Elétrica (não lembro do nome em inglês).
A volta dos mortos vivos (não me lembro do nome em inglês, nem se está na sua lista).
Nota do redator: Sandro confundiu as bolas. REJUVENATOR é na verdade RE-ANIMATOR. E com exceção de SILENCE OF THE LAMBS (ótima lembrança), todos estão na relação do Opus 19.
Os 5 filmes mais provocadores para GUILHERME BICUDO foram:
Clockwork Orange - mostra a convivência de aspectos que parecem contraditórios em um mesmo indivíduo.
O Ovo da Serpente - mostra a falta de limites das pessoas quando elas estão vulneráveis.
Bebê de Rosemary - é um filme pertubador, principalmente para as mulheres.
O Diário do Jovem Envenenador - idem ao Clockwork Orange
O Príncipe das Marés - o tema violência sexual dentro da família é bem explorado.
Para encerrar a lista, anexo orgulhosamente, os e-mails que recebi de dois dos autores mais radicais e inventivos do cinema brasileiro atual.
Da cineasta TATA AMARAL, do perturbador e implacável UM CÉU DE ESTRELAS: "Um dos filmes mais perturbadores de que eu me lembro é Henri, Retrato de um Assassino.
Já o devastador califa ARTHUR OMAR, dos geniais e terríveis O SOM OU O TRATADO DA HARMONIA (onde uma orelha é seccionada na prospecção da origem do timbre) e RESSURREIÇÃO (uma coletânea nauseante e infernal das fotos mais brutais da nossa imprensa marrom) enviou seu megalo-voto:
"Apreciei bastante o seu projeto de eleição, porém vejo que em sua lista de filmes não se encontra O URSINHO DE PELÚCIA, de Arthur Omar, considerado por Ricardo Miranda um dos dez maiores filmes da historia do cinema em qualquer categoria, opinião corroborada inteiramente por nós; por ele e por mim, e quem sabe por você. Assim sendo, esta obra prima já tem três votos. Saudações cinematográficas."
Nota do redator: como fã confesso da arte avançada e impactante do califa Omar, me penitencio por ainda não conhecer O URSINHO DE PELÚCIA. Ao que consta, trata-se de mais um vídeo insólito deste inventor em tempo integral, onde seu gato de estimação tenta violentar o objeto de desejo do título. Sei não, ponho mais fé e ainda espero ávidamente poder ver finalizado o video-filme que Omar realizou durante trezentos e sessenta e cinco dias do ano de 98 (estou certo ?).
Arthur foi o artista que me fez vencer todos os preconceitos em relação ao vídeo como ferramenta de criação. Ao transformar a câmera Hi-8 em caneta, o tape analógico em caderno de anotações, e registrar três ou quatro minutos de cada dia, durante um ano, de sua própria intimidade, realizou o sonho essencial de todo homem de cinema.
Para conhecer melhor a obra deste artista único visite o site que lhe é dedicado:
https://www.museuvirtual.com.br/arthuromar/
CARLOS REICHENBACH
Carlos Reichenbach, 54, é cineasta, roteirista, diretor de fotografia e crítico, além de rebelde renitente e utopista assumido nas horas vagas. Suas principais vítimas e afetos serão revelados nesta coluna. Atrás das câmeras desde 1966, Reichenbach está lançando seu 12º longa, Dois Córregos.
Comentários, desgostos, bombas e coquetéis podem ser enviados para: reichenbach@zaz.com.br
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