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CARTAS DO REICHENBOMBER - Opus 20
para Roberto Miranda, Carlos Hugo Christensen e Anselmo Duprat, in memoriam
* atenção bombers: a coluna desta semana oferece prêmio a três leitores fiéis.
Duas semanas longe da coluna e três amigos partiram.

Roberto Miranda em Império do Desejo |
Roberto Miranda foi durante duas décadas um grande irmão e ator permanente em meus filmes, quando não o alter ego de pensatas libertárias como Império do Desejo (79). Fez mais de 30 filmes com outros diretores, mas foi com Amor, Palvra Prostituta, que realizei em 1980, fazendo um personagem absolutamente contrário à sua própria postura humana, que teve o talento reconhecido. Em 1982, ano do lançamento comercial do filme, recebeu o prêmio APCA de melhor ator.
Miranda foi, das pessoas que eu conheci em toda a minha vida, a que mais tempo passou em hospitais, ambulatórios e UTI. Na adolescência, foi baleado ao tentar evitar um assalto e proteger outra pessoa com o próprio corpo. Anos depois, retirou mais de 200 pedras da vesícula, no exato momento em que deveria estar em Gramado com a equipe de Extremos do Prazer(83), e onde, tenho certeza, seria aclamado por seu desempenho memorável. Um coágulo no cérebro o afastou, posteriormente, dos palcos e das telas. Sua última performance fílmica pode ser avaliada em Alma Corsária(94), onde interpreta o Profeta, personagem que escrevi em homenagem à outro ator fetiche, o poeta e teatrólogo Orlando Parolini, que havia falecido dois anos antes. Foi o próprio Miranda quem pediu para fazer o papel, já que também havia sido um grande amigo do poeta.

Roberto em Amor, Palavra Prostituta, de 1980 |
Miranda amava a vida e as pessoas. Sua lisura e fidelidade chegavam aos limites do exagero. Chego à acreditar na crença de que todo ser superior carrega obrigatoriamente um karma implacável. Se ele estivesse no meio de vinte pessoas paradas num ponto de ônibus e surgisse algum mendigo ou um bêbado atrás de um troco, um desnorteado em busca de informação ou algum desvairado querendo ser compreendido, adivinhe quem era o primeiro a ser abordado. A situação dramatizada no início de Alma Corsária, um suicida em potencial é dissuadido por um estranho quando tentar saltar do alto de um viaduto, deve ter acontecido com ele umas duas vezes.
Quando finalmente começou a voltar a andar, após a operação do coágulo, foi detectado um câncer em sua laringe. Miranda lutou com a doença durante quase dois anos. Se vivesse em Delft, na Holanda, talvez teria resolvido seu calvário de forma mais humana e racional. Mas em toda esta história de dor e resignação, sobressai a figura de uma autêntica heroína, a Carmucha, companheira do andarilho, que segurou todos os seus revezes.
Penso que os grandes profetas do pessimismo, como Emil Cioran, deveriam conhecer de perto pessoas com a mesma ânsia de viver e ajudar os outros, como o casal Roberto e Maria do Carmo.
Roberto deve ter trabalhado com o chefe-eletricista Anselmo Duprat em algum de seus filmes mais populares. Excelente técnico, Duprat é mais uma prova cabal de que essa conversa de indústria cinematográfica é uma grande balela. Que industria é essa que abandona os seus operários mais fiéis aos contracensos da burocracia ? É incontável o número de técnicos da chamada "equipe da pesada" que abandonou a arena na condição de indigente.
Com relação à perda do cidadão-cinema Carlos Hugo Christensen, impossível não pensar na importância assumida pelo X FESTIVAL DE CINEMA DE NATAL, ao homenagear o mais completo dos artesãos da cinematografia brasileira, ainda em vida.
Natal, foi quase sacrificado por um calendário de eventos mal articulado e pela má vontade do poder econômico local. Pioneiro no nordeste, o Festival de Cinema de Natal só sobreviveu graças ao empenho hercúleo do crítico Valério de Andrade. Eu sempre me perguntei porque um autor tão importante como Walter Lima Jr. só aceitava submeter seus últimos filmes em competição, desde que fosse em Natal. Por isso fiz questão de inscrever Dois Córregos no evento.
Durante quatro dias almocei e jantei na companhia de Christensen. Um autêntico "gentleman" esse senhor culto e amoroso, que estava eufórico, aos 85 anos, com a derrota de Menem nas eleições argentinas. Finalmente, ele poderia concluir seu último longa metragem Casa de Açúcar, que estava emperrado pelos labirintos de uma co-produção com o Mercosul.
Christensen fez filmes em cinco países, incluindo a primeira produção cinematográfica da história da Venezuela. Ganhou prêmio em Cannes, mas adotou o Brasil quando teve que fugir do peronismo. Morou quatro anos em São Paulo, na década de 50, mas sediou-se definitivamente no Rio de Janeiro, a cidade pela qual foi apaixonado pelo resto da vida.
Homenageado pelos potiguares com o troféu Estrela Do Mar, como personalidade internacional latino-americana, Christensen não só assistiu todos os filmes em competição, como aproveitou para lançar no nordeste seu último livro de poesias, Poemas Para Amigos, recém editado pela Francisco Alves.
Na segunda feira, dia 29 de Novembro, viajou de volta para o Rio e por pouco não pegamos o mesmo avião. Na manhã de terça feira foi encontrado por seu produtor e amigo, Francisco Marques, em seu quarto, deitado em sua cama, como que recuperando-se da cansativa viagem do dia anterior. O poeta e cineasta descansava definitivamente.
Casa de Açúcar será concluído por Marques (falta apenas a mixagem e finalização) e apresentado no Festival de Natal do ano 2.000, cujos governantes prometeram tornar definitivamente oficial no calendário da cidade e realizado com profissionalismo e circunstância.
Falando em pompa, que loucura foi aquele encerramento do Festival de Brasília? Concorrentes querendo bater nos jurados, mestres de cerimônia da noite de encerramento querendo aparecer à qualquer custo e desrespeitando a lógica da premiação, premiados jogando o troféu no lixo, ressentimentos aflorados na boca do palco ...
Olha, ainda bem que eu escapei desta. Natal foi uma benção, um mar de serenidade entre os concorrentes. Sem luxo, mas com muito sol e camaradagem. O amigo Fernando Adolfo, da Fundação Cultural do Distrito Federal, havia convidado o escriba para ser jurado, durante o Festival de Cuiabá. Aí coincidiram as datas: três festivais ao mesmo tempo. Pior, doze filmes em competição em Brasília. No início seriam seis longas. Como diz um colega, fazer cinco desafetos ainda vai, mas onze ????
De qualquer maneira, não acho que a culpa seja só da organização do evento. Fui juri em Brasília duas vezes, durante gestões diferentes da diretora Maria Luísa Dornas, e nunca houve nenhum contratempo no encerramento, muito ao contrário. Este ano, ao que parece, resolveram contratar um gênio para dirigir o espetáculo de encerramento. Vanguarda na hora errada mais uma horda de insatisfeitos no cipoal das vaidades, deu no que deu. Não tem jeito, a festa do Oscar é a prova. Quem faz a festa nestas ocasiões são os premiados e sua galera. Quanto mais empetecam a solenidade, que deveria ser na essência sempre ágil, enxuta e emocionante, pior fica. É a tal história da azeitona maior que a empada, que se não entala na garganta acaba quebrando os dentes.
Ainda falando em Brasília, em particular do palácio do Festival, a coluna recebeu um e-mail de um leitor assíduo, que transcrevo na íntegra.
"Caro Reichenbach,
já falei com você algumas vezes pelo ZAZ, mas não é sobre filmes que venho a te procurar. Venho te pedir um favor.
Minha mãe tem um café no saguão do Cine Brasília, o mesmo café que ajudou o CPCE (UnB) a realizar uma mostra e debates sobre seus filmes com sua presença uns dois anos atrás. Você se lembra?
Pois é, o que falta em espaço e dinheiro, sobra em boa vontade e amor ao cinema, motivo pelos quais o café ainda sobrevive. No entanto, no momento, estamos atravessando um período de má vontade por parte de algumas pessoas da Secretaria de Cultura do DF, e o cine BsB é estatal.
Acabamos de passar por mais uma Festival de Brasília do Cinema Brasileiro (o 32º), e ficou evidenciada a situação de marginalidade do café: em dia de festa somos sempre patinhos feios; mas durante todo o ano somos solidários ao pequeníssimo público, que resiste à era da pasteurização dos shoppings e suas micro-salas de "cinema" (com o devido respeito às exceções).
Estamos sempre tentando algumas resistências, como por exemplo, o projeto "Curta Vídeo no Cinema" que se propunha a exibir curtas nacionais na televisão do café. Não vingou. Não tivemos apoio nem liberdade de ação.
Neste momento, estamos reunindo fotos, reportagens e depoimentos de clientes e amigos numa tentativa de reconhecerem nosso trabalho e nossa modesta importância para a sobrevivência cultural da melhor sala de Brasília, caso contrário fica inviável nossa permanência no local, cercados de tamanha hostilidade.
Se você puder, quiser e lembrar de nós, agradeceríamos qualquer palavra de apoio. Vindo de você, essas palavras serão de extrema importância para continuarmos em nossa cruzada quixotesca.
Sinceros agradecimentos,
Thiago Coelho
Pois é Thiago, pensei muito de que maneira poderia colaborar com o seu apelo, e achei melhor publicar o e-mail. Realmente, como "tabagista ideológico" fui um assíduo freqüentador do café do cine Brasília durante todos os festivais que compareci, e acho um absurdo perder esse espaço de encontro e debates. E antes que algum engraçadinho diga que isso é conversa de bêbado, vou logo avisando que, devido às vicissitudes de uma doença chamado gota, eu sou não bebo um pingo de destilado há mais de quatro anos. Foi aí sim, que passamos mais de quatro horas discutindo FILME DEMÊNCIA com alunos e professores da UnB e o público normal, no mais longo dos debates de toda a minha filmografia. Acho que é um luxo e um privilégio ter num cinema, um café ou um barzinho onde os donos são mais cinéfilos que os freqüentadores.
Outra bronca relacionando leitores da coluna e festivais de cinema. Aí vai a bomba:
Ontem dia 30/11/1999 ocorreu aqui em minha cidade (São José dos Campos), um pequeno festival, intitulado: "São José em 1 minuto", onde os participantes deveriam fazer um pequeno filme de 1'.
Todos foram fazendo, porém minha megalomania me impediu de fazer (claro que no tempo proposto), mesmo sabendo o que iria dar. Você logo saberá porque eu não fiz em "1 minuto". Todos foram em uma casa noturna aqui em SJC, um amigo meu estava com um trabalho de animação, o qual eu vi antes e estava muito bom. Antes da entrega um cara e uma menina tocavam no palco central, enquanto todos bebiam suas cervejas, vinhos e similares. A banda fez uma pausa para que o juri falasse, um breve discurso do organizador. Aí entra a figura principal desta trama, o diretor da Rede Globo da cidade, que se chama "Vanguarda Paulista". Eu e esse meu amigo já o conhecíamos; uma vez filmamos a captura de alguns assaltantes e levamos para a "Vanguarda". Quem nos atendeu foi esse mesmo diretor, que nos enrolou até conseguir a imagem e depois fez com que nós assinássemos um termo de exclusividade para com eles - assim de cara limpa - sem grana! Berramos com os caras e eles acabaram pagando nossa gasolina e algumas cervejas por cinco segundos de imagem.
O outro jurado era de uma empresa videolocadora. Blá-blá-blá e fomos para entrega.
Um cara de terno e gravata com microfone na mão apresentava os vídeos: terceiro, segundo e primeiro lugar levariam um troféu todo mala.
De animação o terceiro lugar era uma merda, perdão pela palavra, mas não consegui achar outro adjetivo; era de um garoto de doze anos, o mais engraçado é que o cara já sabia que ele tinha doze anos quando anunciou o prêmio, já que na ficha não se colocava a data de nascimento. Pois bem, o segundo lugar foi para uma computação gráfica; um horror de idéia, mas os gráficos eram bons. O primeiro lugar, uma fraude! Horrível, sem texto, mal montado, com apenas cortes secos e sem continuidade.
Já na categoria de vídeos, o terceiro lugar: uma merda ao quadrado, mal filmado, com uso freqüente de closes e babaquices de efeitos. O segundo era razoável; com idéia e bem filmado, porém existiam outros melhores. O primeiro colocado foi um estupro, um clichê barato, alguma coisa chamada "Lavagem Cerebral": um cara em frente a TV com uma camisa de força, o mais banal impossível.
Saí indignado do lugar, encontrei com uns caras lá fora, que também estavam perplexos e chegamos a várias conclusões, escuta só:
1º) Os ganhadores estavam todos na primeira fila, prontos para levantar e ganhar o premio;
2º) Antes de tudo, os jurados estavam sempre na mesa dos ganhadores, quase que prevendo tudo, falando: "Vocês já ganharam";
3º) Eram todos da "Fundação Cultural Cassiano Ricardo" (aqui de SJC), os ganhadores e júris;
Trocando em miúdos:acho que foi uma puta (sic) lavagem de dinheiro e fomos cúmplices sem saber. Eu estou aqui falando tudo isso para você, porque estou aqui alimentando minhas paranóias, pensando que tudo isso pode ser uma polaroid dos festivais, um pequeno exemplo que quero que você coloque na sua coluna, se for possível. Um pequeno manifesto, sei lá, se isso for importante.
Um abraço
Jean Diego Da S.N. Barros
Nota do redator: Nem a coluna e muito menos o seu escriba pretendem exercer a função de censores de seus leitores assíduos. Na medida do possível, publicamos qualquer recado, encômio, apelo ou reclamação enviado para nós, desde que conste o nome autêntico de quem o envia. O teor e o vocabulário de quem escreve será sempre respeitado, embora às vezes, por puro censo de civilidade, sejamos obrigados à atenuar algum excesso. No mais, ave pólvora!
Jean, foi numa situação idêntica à esta, há mais de trinta anos, durante um festival de Super 8 no extinto Cine Clube Bandeirantes, aqui em São Paulo, que conheci um dos meus melhores amigos até hoje: o crítico e cineasta Jairo Ferreira. Tal como você e seus comparsas, saímos bufando de uma premiação estapafúrdia e injusta (importante: não tínhamos nenhum filme em competição) e fomos tomar todas num bar da Avenida Nove de Julho (na época, o meu teor de ácido úrico ainda era tolerável). Nada mais político e sintomático: da revolta nascem as grandes camaradagens. Digressões à parte, não sei se ainda trabalha na Fundação Cultural Cassiano Ricardo, o Diogo, um amigo sumido e ótimo agitador cultural, que durante muitos anos atuou na Federação de Cine Clubes. Espero sinceramente que não estejamos falando da mesma pessoa, mas se isso o ocorrer, aguardo uma manifestação dele, já que o espaço é também aberto à réplicas, tréplicas e outros bichos.
Jean, não pare de ver filmes e pensar em fazê-los só porque um concurso qualquer foi maculado pelo compadrio. A primeira marmelada é como o soutien, a gente nunca .... você sabe!
No opus 19, publicamos a foto de um beldade, numa tentativa quase naif e sensual de estimular um quiz nostalgia. Apenas o bomber Eduardo Aguilar arriscou um palpite. Ele acertou.
Para melhorar o astral da coluna, vamos facilitar o jogo publicando o cartaz do filme que projetou a atual madrinha da coluna ao estrelato.
Tem prêmio: apenas os "três primeiros" que enviarem a resposta certa, o nome da vênus, para o e-mail do escriba (ver no final da coluna), vão ganhar um cd com as músicas de Ivan Lins, Nelson Ayres, Banda Clube Big Beatles, Luciana Brasil, Mario Gennari Filho, Eduardo Souto, Schumann, Chopin e Skriabin, para a trilha sonora do filme Dois Córregos (prêmio de melhor música original para Ivan Lins no X Festival de Cinema de Natal).

Atenção: aqui, assim como em Natal, não tem marmelada; os três primeiros que acertarem, levam.
No arraial das preciosidades, quem assina os quatro telecines vai se banquetear com um manjar raríssimo. Durante o mês de Dezembro, seis filmes raros do genial Samuel Fuller, vão passar na tv a cabo. Guarde os nomes, pesquise as datas e programe para gravar os seguintes títulos: Anjo do Mal, Baionetas Caladas, A Dama de Preto, Dragões da Violência e o recente Cão Branco(obra-prima obrigatória). Será exibido também Tormenta Sobre os Mares, mas esse é o Fuller de que menos gosto.
Um agradecimento em especial para Jaime Biaggio, assessor de comunicação da Rede Telecine, que tem sido o responsável pelas retrospectivas Anthony Mann, Otto Preminger e Preston Sturges. Com Fuller e Nicholas Ray (casos de amor há trinta e cinco anos), agora é utilidade pública.
Com relação a enquete que lançamos no Opus 19, prometo começar à divulgar os votos no Opus 21. As perdas recentes ganharam um espaço obrigatório, e como as listas continuam chegando, vamos tentar agrupá-las numa única coluna. Verdadeiros petardos vem por aí.
Aguardem:
- Arlindo Machado, indo contra a corrente, elege Salo de Pasolini o filme mais torpe da história. "Ideal para quem gosta de bosta."
- Francis Vogner alça o nacional A Rota do Brilho ao panteão do escrotismo. Mistura de pornochanchada com filmes "B" de arte marcial, que tem Gretchen como musa e Alexandre Frota com galã protagonista.
- Luiz Ribas destaca Las Edades de Lulu de Bigas Luna. Visto por muitos como pura pornografia, merece uma revisão. Bigas Luna é sempre um diretor subversivo.
- Tata Amaral aponta Henry, Retrato de um Assassino como o filme mais perturbador que viu na vida.
- Flávia Cândida: Bebê Santo de Macon - o que é aquela seqüência do estupro???
- Não percam a lista ultra-detalhada de Dennison Ramalho, diretor de Nocturnu (prêmio Melhor Filme 16mm - Gramado 1999 e Melhor Diretor - Mostra 16mm - Gramado 1999). E mais, o eufórico e demente Dennison confessa ser fã de Ruggero Deodato e da série Man Behind the Sun.
Que gosto não se discute todo mundo sabe. Mas ver filmes como Salô, Sombras e Pink Flamingos pipocando nas listas mais antagônicas é pura sandice. Ao invés de ficarem aí se debruçando nas manchetes sanguinárias do dia a dia, vamos nos divertir e celebrar as diferenças.
Para os que estão chegando agora, aí vai o convite do Opus 19:
1. Quais foram os cinco filmes incômodos e provocadores, que mexeram com o seu modo de enxergar o mundo.
2. Quais foram os cinco filmes mais repulsivos e degradantes que você viu na vida.
O teor da pesquisa é levantar quais são os grandes filmes que subvertem conceitos, que nos fazem gostar ainda mais do cinema e da vida, que incomodam porque são realizados com a intenção de aperfeiçoar a nossa visão do mundo; em suma, filmes deflagradores, que num primeiro momento nos afetam emocional, afetiva e existencialmente, para logo em seguida se tornarem imprescindíveis.
Por outro lado, como que separando o joio do trigo, a enquete propõe imaginar, ao contrário dos anteriores, filmes nefastos que influenciam negativamente quem os assiste, caça-níqueis despudorados que desprezam o ser humano, que incitam a barbárie, o preconceito racial, e/ou difundem ideologias espúrias.
Atenção. O escriba se dá o direito de só levar em consideração as opiniões que considerar dignas de serem publicadas.

Cartaz do documentário sobre trepanação A Hole in the Head |
Vamos às sugestões de sites. Para aqueles que tem estômago forte e se interessam por experiências avançadas com a mente, sugiro entrar no site dedicado à trepanação, e quem sabe adquirir via e-mail o premiadíssimo documentário A Hole In The Head, cuja capa ilustra a coluna desta semana. Essa indicação é dedicada à Karla Mendes, que já é iniciada no ramo. Aos demais, sugiro irem devagar no que desconhecem. Trepanação é coisa seríssima e só entra na coluna por causa do documentário. O vídeo custa 25 dólares.
https://www.trepan.com/
Graças à colaboração da fiel Cláudia Buschel, que foi estudar cinema em Paris após se formar na FGV (vem aí uma futura grande produtora de cinema), pudemos localizar o site da TRAFIC, considerada pela crítica européia como a melhor revista de análise fílmica do mundo. Se você gosta realmente de cinema, esse endereço é absolutamente obrigatório.
Não, você não vai poder ler as matérias relacionadas no site. Você pode consultar quais as matérias e os números atuais ou atrasados que mais lhe interessam e comprar os exemplares via e-mail. Mal ou bem, é muito mais que o Cahiers du Cinema oferece, já que quando se faz contato com eles via e-mail só se recebe resposta via fax. A informática parece ainda distante da velha bíblia.
A mesma editora que responde por TRAFIC, edita também La Lettre Du Cinéma, cujos índices de matérias também podem ser consultados através do site.
https://www.pol-editeur.fr/dynamique/revues/trafic_frame.html
CARLOS REICHENBACH
Carlos Reichenbach, 54, é cineasta, roteirista, diretor de fotografia e crítico, além de rebelde renitente e utopista assumido nas horas vagas. Suas principais vítimas e afetos serão revelados nesta coluna. Atrás das câmeras desde 1966, Reichenbach está lançando seu 12º longa, Dois Córregos.
Comentários, desgostos, bombas e coquetéis podem ser enviados para: reichenbach@zaz.com.br
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