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Filme: Destinos Cruzados



 

De: Letícia Bonfim

Querido colunista, assisti a esse tedioso filme chamado Destinos Cruzados, onde o Harrison está velho e muito chato, além da trilha sonora muito estranha, mas nunca pensei sobre o lado que justifica a violência barata de um corno. Te agradeço por isso. Mas e o final? Nem o final em que cada um vai para seu lado te agradou? O único ponto que me agradou nesse filme foi o final parecido com Pontes de Madison. Uma pena que em Destinos Cruzados os personagens se transformam muito facilmente, tudo bem que é legal personagens circulares, mas não precisa exagerar, nem na literatura, que é minha área, acontece algo assim.

A impressão que tive desse filme é que na realidade ninguém é fiel, e o primeiro lado do casal que trair estará apenas começando a corrida da putaria, o traído usa a traição do outro para justificar a própria, mostrando assim que queria ficar com todos antes mesmo de ser traído. Sei que isso é uma loucura, mas por que Harrison Ford inferniza a vida da coitada da Kristi (essa dá pra perceber nunca ligou pra casamento)? Morte a Harrison Ford! Não pretendi dar lição de moral nesse e-mail, mas ultimamente só tem frouxos no filmes. Em De Olhos Bem Fechados o casal sofre porque não trai... É cada história que me aparece!

De: Gerbase

Na verdade, o componente sexual da traição do marido é o que menos interessa para o personagem da Kristi. Ela está preocupada com o escândalo, com a filha, com a carreira, enfim, com coisas concretas. E eu até compreendo suas motivações. O que me incomoda mais é o ciúme doentio do personagem de Ford. A facilidade como ele substitui a dor da perda da mulher amada por uma obsessão idiota de descobrir mais sobre a traição: quando e onde os amantes se encontraram, quantas vezes transaram, etc. Essa obsessão não é suficientemente explicada para funcionar dramaticamante. Sabemos muito pouco sobre o relacionamento dos casais "casados" antes da morte do casal "amante". Não quero discutir aqui os aspectos morais da família e do casamento (é uma discussão complicada demais e pouco cinematográfica), mas não concordo que a fidelidade seja um valor tão absoluto assim, ou, conforme você escreve, algo que é privilégio dos "fortes", enquanto os "frouxos" traem na primeira oportunidade. De qualquer maneira, concordamos que "Destinos cruzados" não tem qualquer contribuição importante na discussão do tema.


De: João Caleiro

Só uma ressalva: Destinos Cruzados não teve o sucesso esperado e rendeu apenas 30 milhões em 5 semanas nos EUA

De: Gerbase

Mesmo para fazer uma receita velha é preciso acrescentar algum molho, alguma novidade. Pollack, que já havia requentado Sabrina sem grande sucesso, volta a ser um cozinheiro burocrático em Destinos Cruzados.

De: Nino

Tive a infeliz idéia de sábado à noite assistir a Destinos Cruzados. Um chute, no cartaz fixado na parede do shopping, dava o filme como Romance. E aquilo é, no máximo, um drama de um policial estacionado que descobre que é um corno bem no dia que ficou viúvo e consegue achar uma deputada gostosa (só em filme...) e, o que é pior, uma deputada sem amante. Um conselho: FUJA!

De: Gerbase

Tive vontade de fugir no meio da sessão, mas meu compromisso profissional me manteve pregado na cadeira. E depois dizem que a vida de crítico é moleza...

De: Regis Felipe Schorr

Cara, sensacional a tua coluna!!! Não vi o filme, nem pretendo ver. Agora, a coluna é um tapa de luva nada indireto nos "certinhos" hipócritas da nossa sociedade. Será que, se eu tivesse cometido um estupro após sair de uma seção de um filme do Carlos Reichenbach que contivesse cenas de nudismo (tem algum que não tem?), ele seria acusado de ter me influenciado?

De: Gerbase

Nossa sociedade está mesmo cheia de certinhos hipócritas, mas o Carlão é exatamente a antítese deles. Em todos os filmes do Carlão, inclusive naqueles em que as cenas de sexo eram obrigatórias, devido ao tipo de produção, nunca vi qualquer hipocrisia. Pelo contrário: Carlão mostra o sexo de forma libertária e, às vezes, muito bem humorada. Espero que o Carlão influencie muita gente, que continue colocando muito sexo em seus filmes e nos mostrando como o desejo é algo a ser defendido com unhas e dentes, contra o batalhão moralista que prega a violência da censura e a paz dos cemitérios.

De: Jusciney Carvalho

Sempre leio as suas indicações e críticas dos filmes que são lançados e até então, concordo PLENAMENTE com tudo o que falou sobre Destinos Cruzados. Também saí do cinema arrasada, pois imaginei, pelo trailler e pela sinopse, que o filme tinha uma história envolvente, caliente sei lá... qualquer coisa! Menos o que vi e ouvi. Harrison Forde está péssimo e não conseguiu imprimir nenhuma emoção, nem a de marido traído ou viúvo. Já Kristin Scott Thomas esteve razoavelmente melhor! Aquela cena do carro em que os dois se beijam foi a melhor e naquele momento achei que o filme iria se desenrolar, ganhar sentido... Adoro os seus comentários, você é bastante original, brinca com as palavras.

De: Gerbase

Tá bom. Vamos admitir que a Kristin esteve razoavelmente melhor que Ford. Razoavelmente.

De: Andrea Abreu Mugiatti

Mais uma vez tenho que concordar plenamente com você: Destinos Cruzados É A MAIOR BOMBA!!! Só fui assistir a este filme porque li que era o melhor filme de Harrison Ford e que deixaram para lançar o filme mais perto das indicações do Oscar para o H.FORD concorrer. Este é um dos piores filmes que eu já assisti!!! Saí do cinema com ódio de ter gasto meu dinheiro e meu tempo para assistir a esta droga. Parabéns! "O CLUBE DA LUTA" e "TUDO SOBRE MINHA MÃE", ESTES SIM FILMES QUE NÃO PODEM DEIXAR DE SER ASSISTIDOS.

De: Gerbase

Muita gente (estou falando inclusive de meus colegas jornalistas) acha que o público cinematográfico está dividido em castas rígidas. Ou seja: quem gosta de Tudo Sobre Minha Mãe (um melodrama "feminista") não pode gostar de O Clube da Luta (um filme violento e acusado de ser "machista"). Pois eu acredito cada vez mais que uma boa parte do público de cinema não se deixa levar pelo gênero, e sim pela qualidade do que está na tela, seja ficção-científica, terror, romance ou policial. Estou com você, Andrea. Vamos assistir ao que é bom!

De: Renato Doho

Nem ia falar do filme já que não é grande coisa mesmo pra ficar defendendo, mas você pegou um pouco pesado! Pra defender O Clube da Luta, que muita gente da imprensa criticou e você gostou (e eu também), pegou o primeiro filmão hollywoodiano, romance água com açúcar pra meter o pau! Pegou o filme pra Cristo! Fique sabendo que o filme não foi nada bem nas bilheterias lá fora! Então fazer dinheiro não está fazendo! A primeira meia hora ou quarenta minutos são bem interessantes. O personagem íntegro que perde a base de sustentação, do que acredita, o que foi sua vida até agora? Por onde recomeçar? Por quê?

Poderia virar um drama existencialista pesadão e ótimo, mas vira outra coisa e fica normal como muitos outros filmes. Tem algumas coisas: nada acontece que o público poderia esperar, não há algo por detrás do acidente, não há descobertas que lancem uma luz sobre a traição, não há intrigas entre a parte da profissão dele com a dela, etc,. e isso acho legal e talvez por isso não tenha dado certo nas bilheterias, nada ocorre, a vida só segue.

Sempre achei Pollack burocrático demais, assim como James Ivory, Robert Redford, Ivan Reitman e cia. Engraçado o tema deste filme, já que ele tinha trabalhado com Kubrick um ano antes com esse mesmo tema da obsessão da traição, do ciúme doentio (que no de Kubrick nem se realizou mesmo!). Claro que Kubrick fez uma obra prima, ao contrário do Pollack! Pollack deve ter usado experiências disso pra falar com os atores do filme.

Kristin Scott Thomas, que vc acha chata, na minha opinião é luminosa, linda e escondeu relativamente bem o sotaque. Cada fotograma com ela vale a enorme duração do filme! Bem que poderia aparecer numa cena os seus maravilhosos pés. Graciosos!

A violência: acho que o filme não justifica nada. Fica claro em vários momentos que o personagem de Ford está desequilibrado, abalado e atordoado. O público reprova sua atitude, a não ser os machos de plantão que aplaudem este tipo de ação, mas esses até desenho animado do Pica Pau vão curtir uma porrada!

E pra mim não faz diferença se a violência é mostrada pra "pensar" ou pra "curtir"! Na minha opinião nada justifica a violência, mas esse não é o ponto. Violência é violência e se alguém quer mostrá-la que mostre! Quem sou eu pra querer moral e bom costumes?! Se quiserem fazer um filme nazista ou de glorificação da corrupção ou defendendo a indiferença, tudo bem! Vale tudo! Só se a pessoa acreditar que há razão para tudo ou um sentido para as coisas, aí vá rezar e fazer algo de útil pra sociedade, pra quem não acredita tudo é válido! A liberdade de expressão tem que ser para todos e quaisquer lados!

E mesmo falando tanto do filme, não recomendo. Só em vídeo. Ou só se for pra ver Kristin em tela grande, linda! E ainda bem que o chato do Peter Coyote morre no comecinho! Ah, e o Harrison Ford devia estar com problema muscular, ô coisa difícil dar um sorriso! Fez um esforço terrível! Hehe. Nem parece que ele era o bonachão do Indiana Jones! É a idade! Tá ficando com a cara dura!

De: Gerbase

Quando terminei de escrever a coluna, reli várias vezes, porque tinha medo que a minha brincadeira de considerar Destinos Cruzados um filme violento e socialmente perigoso (para pegar o gancho do Clube da Luta, é claro) pudesse deixar o texto muito raivoso, ou preconceituoso, ou simplesmente injusto. Mas não. Troquei apenas um adjetivo. Destinos Cruzados é mesmo ruim de doer e merece ser devidamente detonado.

Não concordo com a sua postura de indiferença absoluta em relação à violência no cinema. Acho que existe, sim, uma imensa diferença entre um filme que discute a violência e um filme que glorifica a violência, ou o preconceito racial, ou a intolerância política. É claro que os verbos "discutir" e "glorificar" podem significar coisas diferentes para mim e para você, mas então vamos discutir nossas concepções. Sou contra a censura, mas sou a favor da responsabilidade de todos sobre seus atos, seus filmes, suas idéias.

De: João Caleiro

Péssima crítica, a pior e mais inadequada que você já escreveu. Você se soltou demais, limitando-se a discutir a quantidade dos microfones e uma cena que você transformou no maior perigo à sociedade, quando na verdade nada tem de demais. Você tentou justificar o seu ódio ao filme, mas não conseguiu. E seria bom se você falasse das atuações, explicasse porque Kristin Scott-Thomas está chatérrima, se o filme tem um bom roteiro, etc. Comentar é mais saudável do que simplesmente acabar com o filme.

De: Gerbase

O roteiro é ruim, porque não nos surpreende, não nos emociona, não nos inquieta. Mas eu entendo as dificuldades de fazer um bom roteiro a partir daquela história moralista e sem graça. O que não consigo justificar (apesar de saber o motivo técnico) é aquela montanha de microfones em cena. Você gostou dos microfones? Quanto à Kristin, lembro apenas que, algumas semanas atrás, critiquei duramente a talentosa (e linda) Juliete Binoche, em Alice e Martin. Por quê pouparia a Kristin? Ela não acrescenta nada ao filme. Não me emocionou nem por um segundo. Mas desconfio que a culpa é mesmo do Pollack.

De: André Pereira

Só uma sugestão: por que, com tanto filme bom por aí (A Fortuna de Cookie/O Primeiro Dia/Santo Forte/Corra, Lola, Corra...) você continua indo ver essas bombas de Hollywodd??? Além de desperdiçar seu dinheiro, você desperdiça um bom espaço para discussões mais interessantes. Não tem nada pior do que sair de casa pra ver um filme ruim americano. E ainda por cima daqueles bem moralistas. Arrrgghhh!!!

De: Gerbase

Quase fui ver, sábado passado, A Fortuna de Cookie, que é do Altman, um dos meus cineastas prediletos. Verei nesse final de semana. Santo Forte já vi, em agosto, e já se escreveu muito sobre ele. É ótimo. O Primeiro Dia está na minha lista. Mas um filmezinho americano ruim, de vez em quando, até que vai bem.

De: Daniela Rejane Krause

Pena que não li sua crítica antes de ver o filme. Ia deixar pra ver em vídeo. Concordo plenamente, achei uma droga, moralista e muiiiiiiito chata. Pelo que entendi, o cara quer achar o motivo da mulher dele transar com outro (devia ser pela chatice dele), mas acho que a mulher sabia que o cara tinha outra (talvez não desconfiasse da "amiga" e do apartamento), mas tenho a impressão que incomodou muito mais as condições em que ele morreu do que o fato dele ter um(s) caso(s). O melhor do filme é o corno ir pedir explicações no emprego da mulher. É um contra-senso. Ele era para ser o mocinho e a gente fica torcendo pra ele se ralar.

De: Gerbase

Você tem razão, aquela cena do Ford na loja é muito engraçada. Só que tem um detalhe: era para ser dramática, forte, comovida. Também fiquei torcendo contra o herói, o que explica a relativa indiferença do público americano em relação ao filme.

De: Flávio Saute

Muito boa a crítica ao filme Destinos Cruzados. Até estou pensando em não vê-lo. Mas depois, lendo o texto abaixo, no endereço: https://ww6.zaz.com.br/cinema/drama/destinos.htm, hospedado também no ZAZ, como sua coluna, não dá prá entender mais nada: "Acredita-se que o ator, finalmente, possa levar uma estatueta para casa por sua atuação em Destinos Cruzados, considerada a melhor de sua carreira". Ir ou não ir, eis a questão.

De: Gerbase

Eu acredito em qualquer coisa em relação ao Oscar. O próprio Pollack ganhou vários, com Entre Dois Amores, aquela coisa melada e chata? Por quê o velho Ford não pode ganhar um também? Mas, sinceramente, tem coisa muito melhor passando nos cinemas. Deixa esse Destinos Cruzados para o vídeo, ou para uma sessão das duas da manhã, na TV, onde talvez funcione melhor. Até mais.

Destinos Cruzados (Random Hearts, EUA 1999). De Sydney Pollack

Carlos Gerbase é jornalista e trabalha na área audiovisual, como roteirista e diretor. Já escreveu duas novelas para o ZAZ (A gente ainda nem começou e "Fausto"). Atualmente finaliza seu terceiro longa-metragem, Tolerância, com Maitê Proença e Roberto Bomtempo.

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