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DÊ SUA OPINIÃO (OU CALE-SE PARA SEMPRE) Filme: Destinos Cruzados
De: Letícia Bonfim Querido colunista, assisti a esse tedioso filme chamado Destinos Cruzados, onde o Harrison está velho e muito chato, além da trilha sonora muito estranha, mas nunca pensei sobre o lado que justifica a violência barata de um corno. Te agradeço por isso. Mas e o final? Nem o final em que cada um vai para seu lado te agradou? O único ponto que me agradou nesse filme foi o final parecido com Pontes de Madison. Uma pena que em Destinos Cruzados os personagens se transformam muito facilmente, tudo bem que é legal personagens circulares, mas não precisa exagerar, nem na literatura, que é minha área, acontece algo assim.
Tive vontade de fugir no meio da sessão, mas meu compromisso profissional me manteve pregado na cadeira. E depois dizem que a vida de crítico é moleza...
De: Gerbase
Poderia virar um drama existencialista pesadão e ótimo, mas vira outra coisa e fica normal como muitos outros filmes. Tem algumas coisas: nada acontece que o público poderia esperar, não há algo por detrás do acidente, não há descobertas que lancem uma luz sobre a traição, não há intrigas entre a parte da profissão dele com a dela, etc,. e isso acho legal e talvez por isso não tenha dado certo nas bilheterias, nada ocorre, a vida só segue. Sempre achei Pollack burocrático demais, assim como James Ivory, Robert Redford, Ivan Reitman e cia. Engraçado o tema deste filme, já que ele tinha trabalhado com Kubrick um ano antes com esse mesmo tema da obsessão da traição, do ciúme doentio (que no de Kubrick nem se realizou mesmo!). Claro que Kubrick fez uma obra prima, ao contrário do Pollack! Pollack deve ter usado experiências disso pra falar com os atores do filme. Kristin Scott Thomas, que vc acha chata, na minha opinião é luminosa, linda e escondeu relativamente bem o sotaque. Cada fotograma com ela vale a enorme duração do filme! Bem que poderia aparecer numa cena os seus maravilhosos pés. Graciosos! A violência: acho que o filme não justifica nada. Fica claro em vários momentos que o personagem de Ford está desequilibrado, abalado e atordoado. O público reprova sua atitude, a não ser os machos de plantão que aplaudem este tipo de ação, mas esses até desenho animado do Pica Pau vão curtir uma porrada! E pra mim não faz diferença se a violência é mostrada pra "pensar" ou pra "curtir"! Na minha opinião nada justifica a violência, mas esse não é o ponto. Violência é violência e se alguém quer mostrá-la que mostre! Quem sou eu pra querer moral e bom costumes?! Se quiserem fazer um filme nazista ou de glorificação da corrupção ou defendendo a indiferença, tudo bem! Vale tudo! Só se a pessoa acreditar que há razão para tudo ou um sentido para as coisas, aí vá rezar e fazer algo de útil pra sociedade, pra quem não acredita tudo é válido! A liberdade de expressão tem que ser para todos e quaisquer lados! E mesmo falando tanto do filme, não recomendo. Só em vídeo. Ou só se for pra ver Kristin em tela grande, linda! E ainda bem que o chato do Peter Coyote morre no comecinho! Ah, e o Harrison Ford devia estar com problema muscular, ô coisa difícil dar um sorriso! Fez um esforço terrível! Hehe. Nem parece que ele era o bonachão do Indiana Jones! É a idade! Tá ficando com a cara dura! De: Gerbase Quando terminei de escrever a coluna, reli várias vezes, porque tinha medo que a minha brincadeira de considerar Destinos Cruzados um filme violento e socialmente perigoso (para pegar o gancho do Clube da Luta, é claro) pudesse deixar o texto muito raivoso, ou preconceituoso, ou simplesmente injusto. Mas não. Troquei apenas um adjetivo. Destinos Cruzados é mesmo ruim de doer e merece ser devidamente detonado. Não concordo com a sua postura de indiferença absoluta em relação à violência no cinema. Acho que existe, sim, uma imensa diferença entre um filme que discute a violência e um filme que glorifica a violência, ou o preconceito racial, ou a intolerância política. É claro que os verbos "discutir" e "glorificar" podem significar coisas diferentes para mim e para você, mas então vamos discutir nossas concepções. Sou contra a censura, mas sou a favor da responsabilidade de todos sobre seus atos, seus filmes, suas idéias. De: João Caleiro Péssima crítica, a pior e mais inadequada que você já escreveu. Você se soltou demais, limitando-se a discutir a quantidade dos microfones e uma cena que você transformou no maior perigo à sociedade, quando na verdade nada tem de demais. Você tentou justificar o seu ódio ao filme, mas não conseguiu. E seria bom se você falasse das atuações, explicasse porque Kristin Scott-Thomas está chatérrima, se o filme tem um bom roteiro, etc. Comentar é mais saudável do que simplesmente acabar com o filme. De: Gerbase O roteiro é ruim, porque não nos surpreende, não nos emociona, não nos inquieta. Mas eu entendo as dificuldades de fazer um bom roteiro a partir daquela história moralista e sem graça. O que não consigo justificar (apesar de saber o motivo técnico) é aquela montanha de microfones em cena. Você gostou dos microfones? Quanto à Kristin, lembro apenas que, algumas semanas atrás, critiquei duramente a talentosa (e linda) Juliete Binoche, em Alice e Martin. Por quê pouparia a Kristin? Ela não acrescenta nada ao filme. Não me emocionou nem por um segundo. Mas desconfio que a culpa é mesmo do Pollack. De: André Pereira Só uma sugestão: por que, com tanto filme bom por aí (A Fortuna de Cookie/O Primeiro Dia/Santo Forte/Corra, Lola, Corra...) você continua indo ver essas bombas de Hollywodd??? Além de desperdiçar seu dinheiro, você desperdiça um bom espaço para discussões mais interessantes. Não tem nada pior do que sair de casa pra ver um filme ruim americano. E ainda por cima daqueles bem moralistas. Arrrgghhh!!! De: Gerbase Quase fui ver, sábado passado, A Fortuna de Cookie, que é do Altman, um dos meus cineastas prediletos. Verei nesse final de semana. Santo Forte já vi, em agosto, e já se escreveu muito sobre ele. É ótimo. O Primeiro Dia está na minha lista. Mas um filmezinho americano ruim, de vez em quando, até que vai bem. De: Daniela Rejane Krause Pena que não li sua crítica antes de ver o filme. Ia deixar pra ver em vídeo. Concordo plenamente, achei uma droga, moralista e muiiiiiiito chata. Pelo que entendi, o cara quer achar o motivo da mulher dele transar com outro (devia ser pela chatice dele), mas acho que a mulher sabia que o cara tinha outra (talvez não desconfiasse da "amiga" e do apartamento), mas tenho a impressão que incomodou muito mais as condições em que ele morreu do que o fato dele ter um(s) caso(s). O melhor do filme é o corno ir pedir explicações no emprego da mulher. É um contra-senso. Ele era para ser o mocinho e a gente fica torcendo pra ele se ralar. De: Gerbase Você tem razão, aquela cena do Ford na loja é muito engraçada. Só que tem um detalhe: era para ser dramática, forte, comovida. Também fiquei torcendo contra o herói, o que explica a relativa indiferença do público americano em relação ao filme. De: Flávio Saute Muito boa a crítica ao filme Destinos Cruzados. Até estou pensando em não vê-lo. Mas depois, lendo o texto abaixo, no endereço: https://ww6.zaz.com.br/cinema/drama/destinos.htm, hospedado também no ZAZ, como sua coluna, não dá prá entender mais nada: "Acredita-se que o ator, finalmente, possa levar uma estatueta para casa por sua atuação em Destinos Cruzados, considerada a melhor de sua carreira". Ir ou não ir, eis a questão. De: Gerbase Eu acredito em qualquer coisa em relação ao Oscar. O próprio Pollack ganhou vários, com Entre Dois Amores, aquela coisa melada e chata? Por quê o velho Ford não pode ganhar um também? Mas, sinceramente, tem coisa muito melhor passando nos cinemas. Deixa esse Destinos Cruzados para o vídeo, ou para uma sessão das duas da manhã, na TV, onde talvez funcione melhor. Até mais. Destinos Cruzados (Random Hearts, EUA 1999). De Sydney Pollack
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