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DÊ SUA OPINIÃO (OU CALE-SE PARA SEMPRE)

Filme: Clube da Luta





De: Gerbase

Vocês já ouviram falar em "sincronicidade"? Não estou falando de alguma complexa idéia metafísica, e sim daquela bobagem de colocar "O Mágico de Oz" no vídeo-cassete e, quando o leão da Metro rugir pela terceira vez, botar pra rodar "The dark side of the moon", do Pink Floyd. A idéia é que o disco é uma trilha perfeita para o filme, porque, em vários momentos fundamentais, está sincronizado (o ritmo, a melodia ou a letra) com a história. Bobagem, não? Mas é só olhar na Internet, e vocês verão uma grande quantidade de sites especializados nessa bobagem, incluindo outros filmes, outros discos e outras manifestações culturais.

Na minha modesta opinião, é possível encontrar essa sincronicidade, sem dúvida: basta procurar com vontade e considerar "prova irrefutável" qualquer coincidência idiota. Pra mim, essa é a essência da relação entre o filme "O clube da luta" e as mortes no cinema do Shopping Morumbi. Se eu quiser procurar bastante, teria que considerar que a minha crítica ao filme saiu exatamente na semana do incidente, e portanto eu também sou culpado.

Respeito as opiniões em contrário, tanto que estou publicando abaixo a maioria delas. Também respeito, e muito, o que escreveu o Carlão, que, sem deixar por menos, acusa o filme de fascista. No entanto, reafirmo o que escrevi: "O clube da luta", ao contrário do que estão dizendo, NÃO É sobre violência, nem a banaliza. É um filme sobre ideologia, no sentido amplo do termo, isto é, "o conjunto de representações através das quais uma época se descreve a si mesma" (Maffesoli). É uma obra tão violenta quanto os filmes violentos de Scorcese e Coppola. Por quê Fincher é um "fascista", e os outros dois são "artistas"? Bom tema para uma discussão, que certamente será complexa e não se resolverá com tapas em cima da mesa e afirmações gratuitas. Outro bom tema, completamente diferente deste, é a forma como a mídia cobriu e cobre a tragédia. Mas estes são outros quinhentos. Vamos para o que nos interessa: as muitas maneiras de ver "O clube da luta".

De: Katia Dornemann

Por favor, depois deste tormento que ocorreu em São Paulo, vocês deveriam no mínimo tirar do ar comentários favoráveis a tudo que tenha violência. Essa foi a prova mais concreta que um louco ou mesmo quem se acha normal não precisa de muito para explodir... só de um exemplo. As Xuxas, Angélicas e Elianas da vida, com seus ares de fada madrinha, já presenteiam nossas crianças com balas de metal, numa programação recheada de violência. É óbvio que o mundo não é cor de rosa, mas a cor que a mídia prefere é a cinza, ou melhor, a vermelho sangue... E aí, vão querer gastar horas de Jornal Nacional e páginas de Veja tentando descobrir o que leva um "pobre coitado" a se enfurecer. Por favor! Vocês mostram, ensinam e incentivam isso todos os dias. Se pra extravasar a neurose tem que dar porrada, então não sei onde a gente vai parar! Foi de extremo mau gosto e falta de sensibilidade tua validar este filme!

De: Gerbase

Concordo que tornar a violência o prato principal do cinema - ou da mídia - é algo ruim. Eu prefiro muito mais falar de amor, em suas infinitas variantes. Mas fechar os olhos para a violência, fazer de conta que ela não existe, É MUITO PIOR. Desculpem o meu grito, mas é que isso me parece tão óbvio que chega a doer. Você, Katia, gostaria que toda a violência e toda a insanidade da ditadura militar no Brasil fosse varrida para debaixo do tapete? Você gostaria de ser presa, torturada e morta e depois tudo isso estivesse "fora da mídia"? O cinema fala sobre o seu tempo. Vivemos num tempo violento. É inevitável que os filmes "falem de" e "tenham" cenas de violência. O importante é o que está sendo dito a respeito dela. "O clube da luta" não faz a apologia da violência. Seria de extremo mau gosto - e uma grande insensibilidade - julgá-lo apenas pelo que aconteceu em uma de suas sessões. E quer saber mais? O maluco NÃO VIU o filme. Se ele estivesse numa sessão de "Orfeu", você diria que a violência dos traficantes cariocas o inspirou?

De: J.E. Figueiredo

Acabei de ler o comentário sobre o filme "Clube da Luta" e sinto-me na obrigação de expressar meu repúdio às críticas, como a sua, que elogiam um filme dessa categoria. Esse filme é irresponsável, fascista, criminoso. Uma das piores coisas que já assisti no cinema (e olha que já vi coisas ruins no cinema!). Uma incitação à violência que deve chocar todos que têm (ou deveriam ter) um pouco de consciência e responsabilidade social. Quando assisti ao filme, algumas semanas atrás, senti náuseas. Em conversas com amigos, defendi a tese de que filmes como esse incitam comportamentos violentos por parte de pessoas desequilibradas. Ontem à noite quando soube da notícia do ataque no Shopping Morumbi, senti um calafrio. Infelizmente minha tese foi provada.

Obviamente, não estou dizendo que o filme é único responsável pela tragédia. Seria uma saída fácil para os problemas todos que estão por trás de uma desgraça dessas, mas infelizmente obras como essa ajudam a impermeabilizar nossa sensibilidade contra a violência, essa violência gratuita, doentia, sem sentido, glamurizada no filme. Quando expus minha opinião, algumas semanas atrás, lembro-me de ter dito que não me surpreenderia se algum desajustado qualquer cometesse atos criminosos influenciado por esse filme. Disse que não ficaria surpreso se algum maluco se visse como "companheiro" do Brad Pitt e saísse por aí agredindo e matando pessoas gratuitamente. Porém, em momento nenhum, imaginei que isso pudesse acontecer tão perto de casa...

Certamente, está na hora de analisarmos os eventos de uma forma mais abrangente, de imaginar o impacto na sociedade como um todo. Com isso não estou pregando (Deus livre e guarde!) nenhuma forma de censura. Fui, como toda minha geração, vítima de uma ditadura que nos deixou marcas profundas. Porém, cobro mais responsabilidade social de todos que têm uma voz e presença na sociedade. Chega de manifestações "artísticas" irresponsáveis que têm como único objetivo o lucro fácil das grandes empresas de comunicação, como a Fox, que têm como compromisso apenas com os analistas da Wall Street e com os dividendos que serão distribuídos aos acionistas

De: Gerbase

Você deve ter assistido a uma pré-estréia muito especial do filme, pois o viu "semanas atrás", quando a estréia foi no final de semana em que escrevi minha coluna, semana passada. Ou talvez tenha visto em alguma viagem ao exterior. Veja bem: não estou negando sua premonição, ou seu dom visionário. Estou apenas complicando sua versão. É fácil, não? Dá pra fazer o mesmo em relação ao caso do Shopping Morumbi. As versões vão se amontoando, mais dados surgem (uso de crack e cocaína, por exemplo) e o que parecia tão óbvio hoje pode ser uma bobagem amanhã. Mas uma coisa o próprio assassino revelou (e nenhuma testemunha desmentiu): ELE NÃO VIU O FILME! Vou repetir: ELE NÃO VIU O FILME! Sua tese, para ser comprovada, exige que a "manifestação artística irresponsável", ou seja, o filme, tenha alguma relação com o "ato criminoso influenciado", ou seja, o maluco da metralhadora. Não é? Ou estou esquecendo alguma coisa? Sua tese, meu amigo, é furada. E continuaria furada MESMO QUE O SUJEITO TIVESSE VISTO O FILME 10 VEZES!

De: Horácio

Fui assistir a esse filme na sorte e me surpreendi com o talento insuspeito de Davi Fincher. Tudo bem, "Seven" é legal, mas depois de "Vidas em Jogo" fiquei com a sensação de que ele se interessava mais com o visual do que com o fim do filme - e "Seven", afinal das contas, era um blefe. Mas este "Clube da Luta" fez com que eu recuperasse a fé em Fincher: ele deixou finalmente de fazer filmes legaizinhos (batendo no vazio) com visuais bacanas para fazer filmes bacanas em que o visual é mero coadjuvante. Supresa 2: para quem viu o seríssimo e bobíssimo "Vidas Em Jogo", "Clube da Luta" é uma grande comédia. Graças a Deus o diretor percebeu que não adianta sofrer 2 horas na cadeira do cinema esperando o final do filme enquanto vê um videoclip chato. Desde o começo de "Clube da Luta", você se interessa pela história e ri das situações surreais do filme. E não existe piada melhor do que colocar Pitt como o personagem doidão anti-hollywood e Norton como um personagem alienado com cara de idiota. Os dois são uma dupla perfeita e é injusto dizer que apenas um fez uma grande atuação. Pergunta: Como a Marla conseguiu o telefone daquele casebre? Jack se lembrou daquele papel queimado ridículo com o telefone dela e ligou avisando de tudo?

De: Gerbase

Valeu, Horácio. Finalmente alguém viu que o filme é, em grande parte, uma comédia. Eu também ri bastante (o que é perigoso confessar nesse momento: vão dizer que estou rindo da chacina do Shopping...). Eu diria que Fincher juntou a agilidade narrativa de "Seven" (que não é um blefe; é apenas um bom filme policial) com as preocupações pseudo-existenciais de "Vidas em jogo". Ficou uma salada, com toques - às vezes dispensáveis - de pós-modernidade. Mas funciona. Faz rir. Faz pensar. Pra mim, tá mais do que bom.

De: Aline Bueno

Amei "O Clube da Luta"! Eu adoro esse tipo de filme, é raro eu gostar de filmes que sejam certinhos, uma loucura de vez em quando sempre é bom. Mas fora isso o que me chamou a atenção no filme foi a mensagem que eles passaram sobre o papel da publicidade. Sinceramente, saí do filme me sentindo péssima. Eu sou mais uma instrumento do capitalismo que faz com que as pessoas gastem seus suados salários com coisas que, na verdade, não precisam. A gente realmente precisa comer BIS? As mulheres Têm que ter no meu armário 2000 peças de roupa? Pra que Coca Cola no almoço todo os dias? Sei lá, o filme me fez parar pra pensar se a publicidade não é uma verdadeira merda... Vou dar mais um ponto pro filme. Além de maravilhoso, ele conseguiu, pelo menos pra mim, passar a mensagem de que não sou apenas um sofá, uma mesa,... tem mais coisa por trás desse corpinho.

De: Gerbase

Vocês ainda acham que "O clube da luta" é apenas uma apologia da violência? Essa mensagem da Aline aponta claramente para outra possível interpretação da "mensagem" do filme. E eu sou muito mais a Aline, que não é um sofá. Nem uma mesa.

De: Michelle

Sei que o filme não está em questão, mas precisava discuti-lo pra entender o que houve nele! Sei lá, enquanto saía do cinema nauseada pela cena onde os personagens vão em busca de gordura lipoaspirada, fiquei pensando se Tyler realmente era apenas uma alucinação de Jack. Fui tentar buscar a resposta nas últimas fala dele a Helen Bohan-Carter (esqueci o nome de sua personagem), quando diz que conheceu-a numa fase muito difícil da vida dele. Talvez Tyler signifique as escolhas de Jack após terem terminado as "instruções" do pai, a partir do momento que tinha liberdade de fazer o que bem entendesse da vida, assim como um ídolo pra ele. Não sei se me fiz clara. Só sei que dei boas risadas (apesar de serem de coisas deprimentes!), as atuações foram muito boas e terrivelmente persuasivo a ficar até o final e assistir o "desfecho".

De: Gerbase

Mais uma que riu. É claro! Basta sacar que aquilo tudo não é exatamente realista. Desde o começo, o filme é uma brincadeira com as convenções do nosso maravilhoso "mundo moderno". E a brincadeira se estende à esquizofrenia do personagem principal. Tyler é uma alucinação? Tyler é um "duplo", no sentido borgiano? Tyler é uma representação cinematográfica da dupla personalidade de Jack? Você decide. Não há uma resposta definitiva. E é bom que não haja. Obras de arte servem para confundir, causar conflitos, fazer perguntas. Elas não servem para explicar nada. Se explicam, e somente explicam, não são obras de arte.

De: Gustavo Guedes

Apesar de eu nem sempre concordar com suas palavras, tenho que respeitá-las, pois são escritas com bom senso. Mas desta vez eu tenho que me manifestar a respeito desse filme. Não vou discordar de você, apenas vou emitir minha opinião. Primeiro: eu não assisti a todos os filmes de 99, mas posso dizer que "Clube da Luta" já ganhou o meu "Oscar" de melhor filme, pois um filme nunca me fez pensar tanto quanto este. Eu simplesmente não consigo tirá-lo da cabeça, sempre estou formulando novas teorias sobre seus assuntos, personagens e cenas. Só isso já me obriga a dá-lo uma nota 10. Além de, na minha opinião, ter um visual alucinante (eu gosto da "pós-modernidade" exagerada de Fincher), o filme tem uma estória fantástica, com uma crítica bem ácida sobre a sociedade moderna, por trás daquele visual "dark" e da pancadaria e violência.

Mas o ponto mais interessante é, na minha visão, o questionamento sobre o papel do homem na sociedade. A condição de "macho falido" é latente e é isso que faz com que haja adeptos para o clube. Homes que têm potencial, mas que a sociedade moderna não tem como aproveitar - "..não temos uma Grande Guerra, não temos uma Grande Depressão...". Homens que se consideram perdedores (tudo isso é resumido na figura de "Big Bob") e recorrem a tudo, até a um "clube" onde o principal objetivo é espancar alguém. - não é à toa que "Tyler Norton" resolva começar o tal "clube" num bar de periferia, um lugar cheio de "perdedores"- E é nesse lugar que eles podem mostrar que ainda são "machos" e viris, que têm algum valor e que podem mostrar seus potenciais desperdiçados. Se é uma forma maluca ou inútil de demonstrar isso, sei lá...mas é GENIAL!!!

Agora falando um pouco sobre a critica à sociedade moderna...meu Deus, que genialidade!!!! Nunca vi nada mais cáustico e engraçado (não parei de rir no começo do filme...acho que me via num futuro próximo). E Gerba, aquele olhar bobo, inocente e, às vezes, cínico do Norton serviu para mostrar toda a apatia de uma geração. Pô, ele era um robô com pensamentos e atitudes mecanizados. Você notou que ele não tem nome (nos créditos ele aparece como "Narrador")? Acho que isso mostra que as pessoas hoje em dia estão perdendo suas personalidades...sei lá, algo assim -"...qual o aparelho de jantar me definiria como pessoa?" E o Durden com suas teorias sobre o consumismo? Nossa, parecia minhas aulas de Filosofia (estava tudo na minha cara, mas eu precisava de alguém para me mostrar o caminho).

O filme também mostra como o ser humano, quando fragilizado (e aqueles homens estavam fragilizados), é altamente sugestionável e capaz de fazer qualquer coisa por um "ideal". Nada melhor para nos fazer abrir os olhos, pois com tantas seitas e religiões apocalípticas por aí, sabe-se lá? Ah! Sobre a Helena. Realmente, o seu visual "bagaceira" não cai muito bem, mas achei ela fundamental. Aliás, é depois de conhecer ela que "Tyler Norton" pira de vez e começa a viajar pelo país difundindo o "Clube". E ele diz no começo que tudo aquilo tinha a ver com uma mulher: Marla Singer! E eu não achei que o filme resvalou no "didatismo chato". Eu pensei muito para tirar estas conclusões e boa parte das pessoas que eu conheço e que assistiram ao filme só viram violência e não gostaram. Nem tentaram interpretar o tema do filme.

Para acabar, podem achar que "Suspeito da rua...", "Seven" e "O Sexto Sentido" têm finais fantásticos, mas para mim o final de "Clube da Luta" é o melhor de todos. Nem tanto por como o Fincher amarrou a trama (se é que ele amarrou...), mas pela cena final. Simplesmente antológica: aqueles dois de mãozinhas dadas, ao som de "Where is my mind?" do Pixies (nada mais apropriado) e observando o "caos" financeiro... DEMAIS!!!!!!!!!!!!!!!! SUBVERSÃO. CAOS. SABONETE. OBS: Gerba, desculpe se eu viajei demais, mas foi assim que vi esse filme. Eu ainda poderia falar muitas coisas sobre as insinuações homoeróticas entre Pitt e Norton, mas ficaria chato. Se vc não for publicar, pelo menos me mande um e-mail com sua opinião (eu sei que vc não vai concordar nem com metade das palavras que escrevi... Hehehehe!!!).

De: Gerbase

Concordo com, digamos, 90 por cento de suas palavras. Só não sou tão pródigo com a palavra "genialidade", que você cola tão generosamente em todos os aspectos do filme. Não é um filme "genial". É um bom filme. Bastante pretensioso e, no geral, bem sucedido.

De: Roberto Tietzmann

Êta filme estranho! Começa de um jeito que você pensa que está tudo em ordem dentro da mediocridade da vida do personagem do Edward Norton (aliás, que freqüenta os mesmos cubículos do "Neo" de Matrix e daquele filme do Mike Judge que não me lembro o nome agora, mas que v. comentou aqui). E daí vai pirando, pirando... até parecer que toda a narrativa entra "dentro" da psicose do personagem principal. É muito interessante a inversão que o personagem do EN passa no filme! De um sujeito quase que sem individualidade NENHUMA (sintetizada na frase "qual é o jogo de louça que me me define como pessoa?" ou algo assim) ele "gera" um universo de pessoas também sem individualidade... que tentam suprimir a dele próprio quando tenta escapra da jogada (e fazem isso da maneira mais clara possível: tentando castrar o personagem, sua possibilidade de fecundar o mundo de novo). Algo que atiçou minha curiosidade também foram algumas semelhanças com o "Matrix" além dos enquadramentos e virtuosismo dos diretores: ambos os filmes falam de "buscas de si mesmo". Só que o Neo de Matrix é um herói no sentido quadrinhístico. Ele tem a iluminação e supera seus limites. Já o personagem do EN seria um herói trágico, pois quanto mais trilha seu caminho na trama, mais se desgraça. E a própria redenção dele é sua morte.

De: Gerbase

Também vejo pontos de contato, principalmente ideológicos, com "Matrix". Gosto dos dois filmes. E ambos são muito violentos. Mas acho que "O clube da luta" vai além de "Matrix", pois a violência é melhor contextualizada, e a análise da "sociedade moderna", além de ser mais irônica, é mais eficiente como suporte da narrativa.

De: Fernando Vasconcelos

Nada como um filme para provocar discussão, é muito saudável! E que seja um filme americano, então... Depois de discordar em Bruxa de Blair e Suspeito da Rua Arlington, concordo com você e Clube da Luta já esta na minha listinha dos melhores da década, apesar de todos os defeitos. Só tenho a discordar quanto aos atores: Brad Pitt esta ate legal, mas é o doidinho de plantão de sempre (desde Os 12 Macacos ou Kalifornia ), isso quando ele não esta ruim de doer em filmes abomináveis como Sete Anos no Tibet, Encontro Marcado ou Lendas da Paixão. Agora, quem carrega o filme nas costas é o espetacular Edward Norton, que esta melhor a cada filme que faz. A atuação dele em Outra Historia Americana já era memorável. Não da nem pra comparar, é outro nível. Quem é "meio bobo demais, meio inocente demais" é o personagem, não o ator.

E ai é que se cria a ligação entre o narrador e nós, espectadores, na mesma posição dele: anestesiados por uma vidinha previsível que nunca vai mudar, se ele não lutar por isso. Concordo com você que existem maneiras mais civilizadas de sair da mesmice, mas quem não acha instigante a possibilidade de chutar o pau da barraca e descer aos instintos animais? Quanto à leitura homossexual do filme, acho que está mais na relação pessoal dos dois, cheia de diálogos meio enrustidos. As cenas de luta são coisa de macho mesmo. Ainda, essa leitura ganha ponto em ironia quando é revelada a surpresa do filme, na meia hora final. O que eu não gostei mesmo foi o final, onde se percebe claramente que o diretor não sabia mais para onde levar o filme e também é romântico demais. Antes ele tivesse explodido tudo literalmente, o que evitaria qualquer leitura piegas ou mensagem explicadinha. Mas, não há duvida: é um filme que fica depois que acendem as luzes e será um prazer revâ-lo logo, logo.

De: Gerbase

Também não gostei muito do final, apesar de adorar a música (e Pixies é uma grande banda, que tem tudo a ver com a história). Lembrei, com saudade e respeito, de uma cena clássica de "Zabrinsky Point", de Antonioni, em que a "máquina capitalista" também é explodida. Mas, lá, o sentido metafórico é ainda mais evidente. Em "O clube da luta", muitos espectadores podem ler na cena final uma suposta vitória do personagem de Edward Norton. E aí vira final feliz e babaquinha.

De: Felipe Morais

Concordo quanto ao visual de Bonham Carter. Estava mais para uma Noiva de Frankenstein do ano 2000. A história narrada em 1a pessoa vai cansando o espectador. Minha namorada dormiu... apesar de não ser um fato tão relevante, mas aconteceu. O filme convence pelas belas interpretações de Pitt e Norton (também concordo que Pitt está melhor). Quanto à violência...acho que pode sim influenciar garotões que já gostam de briga a sair por aí esmurrando os outros e achando isso um grande barato. Até porque duvido muito que alguém sem algum conhecimento mínimo de psicologia ou psiquiatria tenha entendido o lance da dupla personalidade e da busca na violência por uma forma para sentir-se vivo. Outra: a sociedade americana é sem dúvida "sick", como eles gostam de dizer. Será que a violência é a maneira correta de protestar? E se houver vítimas que nada têm a ver com a razão de ser desse sistema injusto? Será que nós, como cópias mal-formadas da sociedade americana, precisamos "importar" também a loucura deles?

De: Gerbase

Em primeiro lugar, troque de namorada. Brincadeirinha... Ela provavelmente foi junto com você por causa do Brad Pitt, e este a decepcionou profundamente com aquele visual brega. Mais um ponto para o filme. Se a sociedade americana é "sick", a nossa é o quê? Sem dúvida, não precisamos importar as doenças nem as loucuras deles. Pra quê? Já importamos os filmes... Todos os filmes. Que estão em todos os nossos cinemas. Mas isso, aparentemente, ninguém acha imoral.

De: José Ricardo Pinto

Um filme bem intrigante. Um bom começo, maneirismos visuais, câmara esperta, atores "descolados", e por aí vai...estamos embarcando numa premissa interessantíssima. O tal clube da luta aparece no roteiro e aí, algo estranho começa a acontecer. Todo aquele entusiasmo vai se arrefecendo e se transformando num tédio profundo, mas sempre com uma predisposição para o inesperado, o novo, o grande acontecimento. Continuo na esperança do filme estar apenas adiando uma grande surpresa. Chega no final e o tal "acontecimento" é uma grande bobagem. Uma ilusão, uma válvula de escape do anti-herói.

Começa então um outro filme, uma ficção, um episódio de Além da Imaginação. É porrada prá todo o lado. Inclusive em nossa paciência. Particularmente não gosto dos filmes que tentam criticar de uma maneira subversiva, mas com um orçamento milionário, os valores sociais. Gosto mesmo é daqueles que dizem tudo as claras, mostrando as feridas ali na nossa cara. Davi Fincher usa e abusa do histrionismo para criticar a modernidade, a saturação , a caretice e faz um filme dark de longuíssima metragem indeciso entre o imaginário e a dura realidade. Davi Lynch faz isso muito bem sem precisar de tanto malabarismo e tanta acrobacia temática. Resultado: Um filme intrigante, mas sem vibração. Um coquetel Molotov onde nem os componentes mais sutis( como homossexualismo latente) é aproveitado num todo.

Creio que o personagem meio Cruela Cruel tabagista, de Helena Bonham Carter é mais uma destas sacadas do roteiro. Um filme de macho pra macho que não precisa de nenhum glamour. Brad Pitt arrebenta (literalmente) em cena. Pena que seu personagem não exista. Edward Norton está brilhante como o yuppie (não sei escrever esta palavra) saturado socialmente que, para se desvencilhar da grande chatice que é sua vida, mergulha profundamente numa pseudo-psico-viagem extra sensorial. Ele e o espectador também. Valeu a ida ao cinema, mas só recomendo este filme aos Pitbulls de plantão, que também não vão entender nada.

De: Gerbase

É. Os pitbulls não vão entender nada. Mas eles entenderiam menos ainda os filmes de Lynch. Pitbulls não entendem quase nada. Nem fazem questão. Eles gostam de dar porrada sem sentido. "O clube da luta" é uma associação de homens que lutam por um sentido para as suas vidas. Lutam literalmente, porque as "lutas sociais", figurativas demais, não deram em nada. Quem sabe, para um pitbull, isso não seja tão evidente assim. Mas, para quem tem meio neurônio, fica bastante claro.

De: Fernando Vasconcelos

"Atirador deixa um morto e quatro feridos em shopping de São Paulo". Essa é forte! Até onde dá pra culpar o filme?

De: Gerbase

Até onde você quiser. Só lembre que o atirador disse que não viu o filme.

De: Alexandre Souza

Quase nunca escrevo para colunas como a sua, e acredito até estar escrevendo atrasado, mas, lendo os comentários do Sr. Marcos Lavieri acerca da sua crítica ao filme "O Sexto Sentido", fui acometido de um impulso que não tive como refrear. Acredito que filmes como "Seven" e o "O Sexto Sentido", mesmo tendo sido feitos para entreter, necessitam de maior atenção quando assistidos. Para responder o comentário tecido pelo Sr. Lavieri é necessário, talvez, relembrar alguns detalhes do filme, que não estão, por assim dizer, tão implícitos na trama:

1- Como já foi dito, o serial killer, interpretado por Kevin Spacey, matava indivíduos relacionado com os sete pecados capitais, porque então matar a esposa do policial, ela realmente não cometera o pecado da inveja. A moça morreu por outro motivo, morreu pela inveja que o serial killer tinha a do relacionamento perfeito dela com Brad Pitt, ele "confessa" o pecado (em voz alta na frente dos policiais). Logo, o pecador era o próprio serial killer, que se entrega aos policiais e arquiteta a própria morte.

2 - Quando ele é morto pelo policial (Pitt), o sexto pecador é executado, junto com ele o sétimo. O "irado" Brad Pitt acabava de perder a razão de viver (a mulher, o filho esperado e a carreira de policial - matar um homem algemado e indefeso), o que talvez seja pior do que perder a vida efetivamente.

3- Tudo isso pode, inclusive, ser notado quando o policial interpretado por Morgan Freeman diz para Brad Pitt não matar o serial killer, pois, assim ele venceria.

Talvez eu esteja enganado, talvez "Seven" tenha sido mal acabado, mas, se estiver certo pede por favor ao Marcos Lavieri assistir "O Sexto Sentido" com mais atenção, pode ser que ele precise.

P.S.: tem gente que acredita que "O Sexto Sentido" não é um filme de terror, é um filme para ensinar a doutrina espirita. Tudo bem, então "O Exorcista" (que tem também meninha vomitando), é um filme para ensinar preceitos católicos como: rezar para Deus e se proteger do mal através da Bíblia e dos padres.

De: Marcelo Marchiori

O leitor Marcos Lavieri escreveu no "fale agora ou cale-se para sempre" do Sexto Sentido, referindo-se ao final do Seven que deixou lacunas abertas... Eu discordo dele: A Ira era na verdade a mulher do Brad Pitt, que já se encontrava bem chateada de viver na metrópole e O assassino era na verdade a inveja. Inveja que teve da vida feliz do casal... O final, ao meu ver é bem verossímil como você disse e acho que nos faz pensar em qual seria a nossa reação diante da situação. Espero não ter falado besteira, pois faz um bom tempo que assisti Seven e não me lembro bem dos diálogos, mas, se não me engano, na época achei que a legenda comia boa parte das falas do assassino (Kevin Spacey), que falava muito rápido durante a cena final. Acho que aí ficou a dúvida para a maioria dos espectadores.

De: Gerbase

Obrigado pelos esclarecimentos, Alexandre e Marcelo. Espero tenham dado alguma luz para o Marcos. Como não revi "Seven", continuo sem poder ajudar muito.

De: Marcos Feitoza

É a primeira vez que te escrevo, embora leia tua coluna religiosamente toda semana, não quero babar muito, mas devo dizer que acho teus textos inteligentes e você tem bom gosto. Não posso deixar de comentar sobre DE OLHOS BEM FECHADOS, na minha opinão o melhor filme do ano até agora. Sobre o Clube da Luta, concordo com teus comentários com um pequeno porém: o filme é longo demais, perdendo um pouco ritmo e impacto entre o momento em que começam a recrutar adeptos para a organização e o momento em que ele descobre que o outro é ele mesmo.

De: Gerbase

Concordo. Parece mesmo haver uma "barriguinha" ali pelo meio do filme. Mas lembre que filme algum consegue "impacto" o tempo todo. Às vezes, é preciso diminuir um pouco o ritmo para retomá-lo com mais vigor no final.

De: Regis Felipe Schorr

Muito estranho mesmo esse filmezinho, daqueles que tu sai do cinema sem saber se gostou ou não. Na verdade, quem sai com essa impressão acabara' concluindo que gostou, porque quem não gostou já' sai reclamando que o filme e' nojento, que parece filme do Van Damme, e bobagens do gênero. A abertura e' boazinha, nada que chegue a um dos 70 dedos dos 7 pés de Seven, mas da' pro gasto; a apresentação do personagem principal, como já frisado na tua coluna, da' a impressão de quem vem coisa bem boa pela frente. Alguns recursos de camera e narrativos ajudam a tornar interessante essa introdução e virão a proporcionar alguns dos melhores momentos do filme, como quando o personagem de Brad Pitt conversa com o publico a respeito das bolinhas que aparecem no canto direito da tela. Bela atuação do garoto, por sinal, que vem provando ser um bom ator, vide o já' citado Seven e Os 12 Macacos.

Após a boa introdução, uns 20 minutos de filme, vem 1 hora um tanto chata, com repetições de diálogos e cenas sem a devida interligação, sem a devida relação de causa-efeito que poderia provocar uma crescente sensação de tensão na platéia, o que definitivamente não ocorre. Parece que cada cena foi concebida individualmente e posteriormente elas foram agrupadas e levemente costuradas, apenas para manter a coerência. Da' saudades de "Um Dia de Fúria", no qual existe uma relação entre os fatos violentos, cada ato se refletira' nas coisas que estão ao redor e, certamente, provocara reações muitas vezes imprevisíveis.

Mas não desista, espectador, não durma na poltrona ou não levante dela! Ha uma revelação no filme que ira' mudar de vez a vida do personagem de Edward Norton, e o ritmo do filme também. Parece que o diretor voltou depois do lanche, se deu conta que os assessores não haviam feito o seu trabalho direito e retomou as rédeas da cavalaria. O que estava feito estava feito, mas dali em diante tudo seria diferente. Finalmente os fatos começam a despertar curiosidade, e vai-se montando o esperado clima de suspense. Há um conflito existencial (literalmente) do personagem principal, que não chega a ser muito aprofundado, mas garante uma boa dose de reflexão pós projeção.

Falando mais sobre os aspectos ideológicos, Clube da Luta toca no tema das gangues de lutadores de Jiu-Jitsu e similares dedicadas a promover a violência. No filme ela tem um motivo, supostamente atingir a liberdade! Fim ao consumismo, a mídia, ao "standard" way of life, e' o que prega o clube... Utiliza-se, para isso, de uma forma autoritária, um modo de pensar único e padronizado, que não admite questionamentos... oopppsss... Se correr o bicho pega, se ficar... Me lembra um pouco a onda "alternativa" que apareceu faz um tempo: gurias de cabelos curtos, com chuquinhas presas por tic-tacs, óculos coloridos... Tudo para ir contra o "sistema". Foi ato comum, pelo menos aqui no RS, que se tornou... padrão...

E agora, com o anuncio de propagandas em raio-laser que serão projetadas na superfície da Lua, não podemos nem fugir para lá, o espaço custara' milhões por minuto... E, só para provar que nunca conseguirão nos "uniformizar" completamente, curti demais o visual da personagem de Helena Bonham Carter, acho que tem tudo a ver com a proposta do filme, apesar de concordar que parece ter sido "importado" do Matrix. Sugestão final para quem gostou do filme ou ao menos achou o tema interessante: assistam "Laranja Mecânica", "Crash - Estranhos Prazeres", alem do já' citado "Um Dia de Fúria". Qualquer um dos três e' melhor que o Clube da Luta, apenas o Crash pode "assustar" aqueles que não estão acostumados com filmes fora do padrão. Ah, tem também os dois últimos do Oliver Stone: "Assassinos por Natureza" e "Reviravolta", esse ultimo mais voltado para a diversão, de ótima qualidade, diga-se de passagem.

De: Gerbase

Você cita dois filmes que também costumam ser chamados de fascistas. "Assassinos por natureza" (do picareta do Stone, que é execrado pelo meu amigo Carlão) e "Crash" (do maluco do Cronenberg, que é execrado por todos os meus amigos). E eu gosto dos dois filmes! Devo ter algum desvio de personalidade. Ou vi filmes americanos demais! Mas a verdade é que ambos me parecem reflexões interessantes sobre a violência, que, é claro, não chegam aos pés de "Laranja Mecânica", que é uma obra-prima sobre a ultra-violência. Eu tenho mais uma sugestão para quem quer violência: "O Rei Leão". Tem violência o tempo inteiro. E muitas mortes, entremeadas por belas canções.

De: Ana Cristina

Você continua com a mesma opinião sobre o filme? Eu digo, depois do caso-atentado do jovem psicótico/drogado (?) que resolve "dar algum sentido" ao destino arrumadinho de um futuro médico burguês? Sei que é papo de psicanalista, mas foi você que começou. A sua crítica me fez pensar que eu deveria ver o filme, apesar do excesso de sangue!

De: Gerbase

Você é psiquiatra? Então é claro que deve ver o filme. Não pelo jovem atirador do Shopping, que não tem nada (ou quase nada) a ver com o filme, mas pela tentativa de representação cinematográfica da esquizofrenia. Eu só imagino uma sessão de "O clube da luta" comentada pela Sociedade de Psiquiatria... Seria uma loucura!

De: Admgocil

Precisamos mais de Jesus e menos de violência para evitar o CAOS, você poderia ter sido uma daquelas pessoas assassinadas no cinema do Shopping, já pensou nisso???? Será que se Jesus iria assistir este tipo de filme???

De: Gerbase

E agora, imaginem seu o meu caro leitor aí de cima fosse na mesma sessão, para discutir "O clube da luta" com os psiquiatras...

De: Milanesi

Gostei tanto de sua crítica que, embora estivesse inclinada a não assistir a este filme (depois da tragédia ocorrida em SP), decidi fazê-lo. Gostaria que fizesse uma análise entre a possível ligação do conteúdo do filme com a tragédia. Teria sido um estímulo para uma mente doentia? Se assim for, é uma pena, pois o objetivo da arte (e o cinema é arte) é o oposto: é mobilizar, quando possível o espectador (ou leitor) para uma leitura crítica de si e do mundo, num verdadeiro processo catártico. Que Deus o abençoe em seu belo e difícil trabalho com cinema no Brasil.

De: Gerbase

Obrigado. Mas quem sou eu para analisar uma mente doentia que eu desconheço, à distância? E o fato da mente doentia não ter sido exposta ao filme dificulta ainda mais, você não acha?

De: Vitor Cesar da Costa Galesso

Acredito que a unanimidade é absolutamente "burra", porém tenho grande apreço por sua opinião em se tratando de cinema. No entanto, o que li sobre "Clube da Luta", de sua parte, assim como no cinema, foi de causar extrema decepção. A impressão que levo é a de que pessoas como o senhor, assim como o autor do mencionado filme não conhecem o mundo fora das metrópoles onde vivem. Com todo respeito, esse papo de "feridas do sistema" e "anarquia pós moderna" é absolutamente ridículo, beirando o infantil. Filmes deste tipo só acontecem com base nos milhões de dólares mal investidos. Ainda estarei lendo suas colunas, mas confesso agora, que de forma bem menos confiante.

De: Gerbase

Não julgo filmes pelo seu orçamento. Nem pelas suas boas intenções. Acho que os cineastas devem fazer filmes sobre assuntos que conhecem. Fincher sabe alguma coisa sobre metrópoles, violência e frustrações,. É o que tenta colocar em seus filmes. Ainda bem que não fez "O guarani". Seria ainda mais ridículo e infantil. Mas acho que você considera como realista um filme que não pretende sê-lo.

De: Michelle

Por favor dê privilégio aos e-mail que estão enfurecidos contigo, tanto as acusações quanta as respostas são hilárias. Nunca deixo de conferir.

De: Gerbase

Venham, enfurecidos! A Michelle gosta de vocês!

De: Z. Vieira

20 anos de vida e nunca tive uma resposta na ponta da língua quando me perguntavam: qual o melhor filme que você já viu? Sempre achei uma pergunta besta e sem sentido, e logo após assistir à Clube da Luta, continuei sem resposta. Porem, passados uns 20 minutos (tempo suficiente para a ficha cair 100%... ou seja, reestruturar todo o filme na cabeça, exatamente como em Sexto Sentido) eu já tinha a resposta: Clube da Luta. Por mais estranho que possa parecer, o filme que fez definitivamente a minha cabeça, não foi um que "solapasse as bases do cinema moderno"( como Pulp Fiction, que trouxe, na minha opinião, uma nova maneira de "fazer cinema", para outras pessoas seguirem), e nem clássicos altamente completos como os de Felline.

Este novo filme de Davi F. é um ótimo "meio termo" que faz parte da minha geração. Por mais que eu goste de um " E la Nave Va" ou de um "Cidadão Kane" (Orson W.), nunca iria me identificar totalmente com os seus personagens e enredo, como me identifiquei em Clube da Luta. Seu ritmo videocliptico é estressante(no bom sentido). O diretor, com sua visão inquietante, poderia muito bem ser um dos personagens afetados da obra. Afetados pela "velocidade" e "futilidade" do dia a dia capitalista (daí o ritmo do filme, necessário assim como a violência citada por você). A narrativa( em primeira pessoa, cheia de indas e vindas e com recursos como congelamento de imagem) faz lembrar Trainspotting. O final, realmente, faz lembrar A Estrada Perdida, de Lynch. A frase "o revólver não está na sua mão, isto não é real... ", fez lembrar a cena de Lynch em que um personagem fala para o outro : "Eu não estou aqui na sua frente, na verdade eu estou na sua casa... você duvida? Então liga pra lá." Daí, o outro liga e os dois passam a conversar pelo telefone... era verdade. Passagens bem malucas como esta, fazem parte de Clube da Luta.

De: Gerbase

A diferença mais fundamental entre "O clube da luta" e "Estrada perdida" é a bilheteria. O primeiro é um relativo sucesso de público, enquanto o segundo é um grande fracasso (admitido pelo próprio Lynch). Creio que "O clube da luta" faz algumas concessões, e por isso fica (como já foi dito acima) meio infantil, meio didático demais. Mas atingiu mais gente, o que é um mérito. Cada um com suas diferentes pretensões, são filmes bem sucedidos.

De: Rafael Dáquino Mafra

Sr. Gerba (desculpe, mas esse log é engraçado), em vez de ficar debatendo suas críticas ao filme, o que é uma coisa muito legal, tô aqui só pra elogiar. Não explorei totalmente a página do seu filme tolerância, mas o que pude acompanhar. Não saco muito de cinema, mas assisto bastante e achei bem legal os jargões de cinema e os tratamentos do roteiro. Sempre tive vontade de escrever um roteiro, mas não fazia idéia de como era. E é bem difícil. A parte que fala do decorrer entre o primeiro e o ultimo tratamentos do roteiro está bem clara e fluente. Se você quer saber, fiquei curioso já com a chamada, não lembro se ainda era na página do zaz, onde pergunta até onde vai minha tolerância. Perguntas: não seria o caso de lançar um livro antes de filme? Ou depois do filme? O que é isso companheiro?

De: Gerbase

As respostas estarão no filme. Espero.

De: Frederico Chagas

Para começar, gostaria de concordar com sua opinião sobre o exagero no visual pós-moderno que caracteriza o filme. Se tal se resumisse ao personagem de Brad Pitt, esse realmente um anarquista em essência, com fortes tendências extremistas, tudo bem. Entretanto, os olhares fissurados de todos os envolvidos no "clube" não são inteiramente convincentes, pois mesmo que eles tenham se tornado arruaceiros devido à influência de seu líder, não eram insanos como ele.

Em particular a personagem de Helena Carter, (que certamente era uma humana e não uma alucinação, ou isso não teria passado despercebido à "revelação" absoluta obtida pelo personagem de Norton no momento em que este se dá conta da verdade) a caracterização foi completamente destruída, pois se em um primeiro momento ela parecia ainda mais perturbada que o protagonista, de certo ponto em diante passou a se comportar como a mais normal das mulheres, preocupada com seu namorado, sedenta de atenção e carinho, avessa às esquisitices que ele engendrava.

Houve ainda um erro que parece ter passado despercebido... Logo no início, ao narrar sobre a explosão que deixou o apartamento destruído, o personagem de Norton afirma que, naquele momento, não saberia dizer o que o levou a ligar, então, para Pitt. Ocorre que o filme se passa em uma retrospectiva que corre da cena final, e por isso, já estava plenamente ciente de qual era a relação real entre eles e, conseqüentemente, do que o levou a procurá-lo.

O último ponto é a questão de que o filme não teve sorte no momento de seu lançamento. Se tivesse vindo um ano antes ou um ano depois... mas teve de vir exatamente no ano de "sexto sentido", que levou à cabo uma temática semelhante, a de um personagem que só podia ser vislumbrado pelo protagonista, de maneira muito mais eficaz. Isso, embora não diminua o mérito da película, e embora ainda se tenha que admitir que a necessidade de comunicação com terceiros neste filme era muito mais difícil de gerenciar, contribuiu sobremaneira para minimizar a surpresa e o espanto que o diretor buscou infligir à platéia (o momento da revelação foi pífio em relação à queda da aliança de sexto sentido).

Apesar dessas críticas, não estou pretendendo afirmar que se trata de um filme ruim. muito pelo contrário, é excelente. Durante quase todo seu trajeto trata de temas interessantes e avessos ao óbvio que em geral impregna as obras cinematográficas.... Há um quê de surpreendente tanto na dinâmica direção e apresentação frenética das cenas, quanto nos discursos do personagem, que consegue ser de tal maneira convincente que quase convence o espectador a quebrar algumas carteiras do cinema. Consegue ainda mixar a exata dose de violência, repulsa, surpresa e humor, para que nenhum dos componentes marque o todo indelevelmente, e se permita ao espectador vivenciar diversas sensações durante a exibição.

O final, em particular, foi deveras interessante. Logo que o vi, fiquei indignado com a "inacreditável e inumana resistência" do personagem e com a tentativa de dar um Happy end (cura mental e realização pessoal do protagonista e da namorada)... coisas que não combinavam com o clima sombrio e fatalista do resto da obra, em especial por haver uma regressão de comportamento de volta a "bom moço", enquanto até a metade havia uma progressiva e metódica ampliação do lado arruaceiro na metade "Doutor Jeckill" do protagonista.

Mas ao repensar o final pude perceber o seu brilho. o contraste entre as opiniões dentro da mesma cabeça. A surpresa (sim, foi uma surpresa. conhecendo o histórico do diretor, já se esperava que o lado mau triunfasse, como em "seven"). A vitória vazia, pois, ao final, "Mr. Hyde" conseguiu seu objetivo. E principalmente, o espaço aberto que as mãos dadas no fim do filme deixou... ele estava apenas resignado, ou emocionado por ter levado seu plano diabólico a cabo? O ''vilão" foi mesmo derrotado? Afinal, ele partilha da mesma resistência que salvou o "herói". E como o bom moço vai lidar com o resto do projeto caos, ainda organizado em células independentes capazes de causar mais destruição? Sobrou uma ampla margem de conflitos que fazem fervilhar a imaginação, sem entretanto restar nenhuma sensação de final mal-resolvido. Resumindo, trata-se de um filme excelente. Alguns contras, afinal obra perfeita ainda não foi feita... mas, sem dúvida, um filme excepcional.

De: Gerbase

As dúvidas que você coloca sobre a coerência do filme são interessantes, mas não creio que elas sejam fundamentais. E o final, por mais que eu me esforce para ver outra coisa, ainda me parece açucarado demais. Já quanto à tal Helena Carter, concordo integralmente com você: ela mais atrapalha que ajuda.

De: Aparecido Donizete Rossi

"Você não é o seu salário, nem o seu apartamento, nem a sua mobília". Muito interessante a colocação que você fez para, digamos, exemplificar (espero) os ideais de "Clube da luta". Não assisti so filme mas, pela sua crítica, já pude perceber que ele está todo carregado de marxismo. Isso é interessante, uma vez que um diretor americano propõe-se a "falar" (ou deixar subentendido) sobre um assunto cabalmente rechaçado pela maioria dos americanos. No entanto, não sei se você concordaria, mas "Clube da luta" é mais um filme na linha "A Casa da Rússia" ou "O Sol da Meia-Noite" ou mesmo "Caçada ao Outubro Vermelho". Portanto, uma visão americana (extremamente suspeita) do que seriam as mazelas da vida humana (estranhamente causadas pelo socialismo).

De: Gerbase

Olha, Aparecido, não entendi bem onde você quer chegar. Mas:
1) não tenho duvidas que os americanos têm autoridade para falar sobre as mazelas da vida, já que são seres humanos como os outros;
2) em "O clube da luta", o "culpado das mazelas" é o Capitalismo, e não o Socialismo;
3) por mais que eu me esforce, não vejo relação nenhuma com "Caçada ao Outubro Vermelho". "O clube da luta" é absolutamente pós-Guerra Fria e não tem qualquer resquício de marxismo. Ele é, no máximo, um filme anarquista-romântico.

De: Pedro

Lendo seu texto, percebi que você "torce o nariz" para determinados modernismo. Eu também concordo que há um excesso de "clichês" para essa tal modernidade. Seja no cinema, tv, publicidade ou qualquer desses meios propícios a cultura do "ego". O curioso é que, ao abrir a sua página (1ª vez), me deparei com uma programação visual típica desses modernismo. A sua foto então, nem se fala. Para minha surpresa, gostei da sua critica. Mas ficou a dúvida: você está mais para o texto bem centrado, antenado, mas sem excessos, ou para o visual "moderninho" da programação visual da página?

De: Gerbase

Minha foto foi retirada de uma foto da minha banda, "Os Replicantes". Por isso é meio estranha. Mas não a considero "moderninha". A programação da página de cinema do ZAZ também passa longe da modernice. Acho até bem discreta. Já o meu texto, você pode julgá-lo toda semana.

De: Leonardo de Brito

Concordo em quase tudo que escreveu na crítica, Brad Pitt está muito bem, mas Edward Norton deu o tom perfeito a seu personagem e vc não falou da ótima atuação da Helena Bonham Carter, aquela maquiagem e cabelo são exatamente pra mostrar uma depressiva ao extremo. é tipo uma gozação, ela lembra as irmãs da Marge do desenho ''simpsons'', sempre despenteada e fumando, parecendo uma chaminé. As cenas de luta estão perfeitas feito o que vc escreveu. Pra falar a verdade sou suspeito porque gosto de todos os filmes do Edward Norton sou hiper fã dele. O filme fala de ideologias, fracassos mas tudo levado ao extremo. O FILME É UM MÁXIMO um dos melhores do ano.

De: Gerbase

Não adianta. Não aceitei aquela maquiagem. E não me pareceu uma gozação. Ninguém ri daquele personagem.

De: Andre Miranda

Sem querer parecer chato, mas já sendo, o visual da "heroina" Marla do filme "Fight Club" é uma tremenda chupada em cima da andróide de divertimento Pris de Blade Runner, mas eu sei, tu não quis falar nisso, replicante...

De: Gerbase

Tá certo.
É parecido mesmo. Mas, no caso da Pris, aquele visual é absolutamente justificado.

De: Beth Ferreira

E eu com tanta coisa prá fazer e estou aqui outra vez. Mas sabe? Faz tempo que eu não vejo um filme como "Clube da Luta". Existem outros do gênero, bons, como "Felicidade", "Na Cia. dos Homens" e "Outra História Americana" (e vc precisa ver "American Beauty", com o Kevin Spacey - vi ontem e é fantástico - mesma retórica atacando a América corporativa), mas esse me pegou "pelo estômago", literalmente. Apesar da violência (e eu tinha lido antes que era um filme para os que têm testosterona - juro que não tenho barba, nem pretendo ter).

Um golpe de mestre como o desse filme contra essa sociedade patética em que estamos vivendo, em que não se pode fugir um momento da propaganda, da procura pelo status, da insuportável pergunta: "o que vc faz?" que contém implícito - qto. vc ganha? a que classe social vc pertence? etc. (pergunta essa que fazemos a nós mesmos o tempo todo...)

Só dá mesmo para felicitar o tal Davi Fincher, mesmo depois dele ter "cometido" o "Vidas em Jogo". Eu concordo com a tua crítica, incluindo o "bad hair day" da Helena Bonham Carter (que tb. chegou no penúltimo Oscar horrorosa - deve ser dela mesmo) - eu achei que quiseram mostrar aquele tipinho anos 80, que se veste em brechó, tipo Madonna em "Procura-se Susan..." - bom ninguém é perfeito... podiam ter feito dela uma clubber, mas como ela era pobre no filme não ia dar para comprar roupinhas no Japão ou em Londres.

Mas por mais que eu goste do filme fica a pergunta - a violência que o filme mostra, que, infelizmente, as pessoas pensam que é o tema principal do filme mas não é, não teria sido excessiva? E agora este massacre do estudante de medicina aqui, o pato tupiniquim (que filho da puta!)? É bom lembrar que o massacre do Colorado aconteceu no auge do lançamento de "Matrix"... Ainda assim vale a pena mostrar tanta violência? O que vc acha?

De: Gerbase

Acho que mostrar violência, quando se tem algo a dizer sobre ela, sempre valerá a pena. E, sempre que o cinema a usar como um mero atrativo de bilheteria, não valerá a pena. E o filme vai ficar ruim.

De: Rafael Dáquino Mafra

Senhor Carlos Gerbase, vamos primeiro esclarecer: sei que a culpa não é sua, mas o que quer dizer "escrever até quarta"? Hoje é quinta, mas quarta feira, 10, ainda não passou. tá, chega de reclamar. Eu gostei pracaramba da sua crítica sobre o filme. mas parece que você assistir imaginando que estaria colocando sua Vida em Jogo, gostou do filme, deu o braço a torcer, mas ainda ficou com ressalvas. Não que eu não concorde. também achei aquela mulher bizarra demais, mas há de se convir que se ela se freqüenta grupos de doentes deprimidos por prazer. e achei muito técnico seu comentário sobre a casa velha. parabéns. mas eu nunca fiz cinema, nunca passou pela minha cabeça que alguém teria elaborado aquela casa velha imaginando que ninguém notaria. invejo você por já ter feito cinema, só por isso você já é um ídolo. mas, admitamos, que 98% das pessoas que assistiram ao filme, não sentiram raiva da casa. E faltou você falar um detalhe importante: o cara se ligava em móveis que ele via nas revistas! sei que não é tão importante no contexto do filme, mas é bem engraçado. faltou também elogiar a música do final que faz com que você tenha a impressão que gostou do filme todo. E discordei da crítica ao Edward Norton, afinal era mais ou menos a cara que alguém que comprava sofás de revistas faria. e embora você tenha criticado mais do que eu teria feito, uma nota de repúdio ou uma risada sarcástica às frases do tipo " eu era o lado secreto de jack" cairia bem.

De: Gerbase

Então esclarecendo:
1) eu escrevo minha coluna às terças;
2) vocês podem enviar as mensagens até a sexta da mesma semana;
3) as respostas saem na terça seguinte, junto com a próxima coluna. Vou pedir pra arrumar as "regras", que eram relativas ao esquema anterior (quando minha coluna saía às segundas).

De: Renato

Lendo as cartas dos leitores sobre O Sexto Sentido vi que falaram do Haunted que teria o mesmo final. Tenho gravado, mas não assisti, por isso não é desse filme em particular que me lembro. O título em português é Ilusões Perigosas. Hoje, ao voltar pra casa de ônibus inesperadamente lembrei de onde tinha visto coisa igual: há um episódio do Amazing Stories se não me engano dirigido por Paul Michael Glaser com argumento do Steven Spielberg e que me lembro conta a história de um policial de meia idade que está em crise depois de seu parceiro ter morrido em ação, então uma recruta é designada para ele e o ajuda a vencer seus recentes traumas. No final ele descobre que sua parceira é uma policial que morreu há muito tempo num caso semelhante ao do parceiro do policial e estava apenas o ajudando "do além". Durante o episódio inteiro não se percebe que ela não existe e só revendo é que se vê que todos os indícios estavam ali. Como faz muito tempo não que vi não sei ao certo, mas acho que também ele ao descobrir que ela não existe repassa mentalmente os momentos com ela e percebe que era óbvio, mas não tinha percebido.

P.S.: gostei bastante do Clube da Luta, mas não tenho muito o que comentar. O anterior de Fincher, Vidas Em Jogo, também era bom, mas se tivesse outro final, terminando com Michael Douglas pulando do prédio e morrendo, seria muito melhor. Algumas coisas do Clube Da Luta são meio fantasiosas demais, Norton apanhando de Pitt que não existe (parece que está lutando com um fantasma), o tiro na boca no final, etc.

De: Gerbase

As coisas fantasiosas de "O clube da luta" foram escritas e filmadas para parecer mesmo fantasiosas. Esse é o grande diferencial de "Vidas em jogo", que tenta (e naufraga fragorosamente nessa tentativa) ser realista.

De: Luziane Porto das Neves Luziane

Adoro suas críticas, mas o que me fez escrever foi uma outra coisa que gostaria de informar: o que mais me chama atenção na sua coluna não são as críticas, mas sim as suas respostas aos leitores sobre elas. :) Gostaria de demonstrar também minha admiração pelo sr. divulgar todas as opiniões que enviam-lhe sobre os filmes, sobre a sua pessoa e sobre a sua opinião. Vivemos num país democrata, realmente, mas não é tão fácil encontrar os tais democratas quando se trata de falar mal sobre nós mesmos. Algumas opiniões publicadas que li, confesso, não divulgaria, nem me daria ao trabalho de responder a tal pessoa. Por fim, agradeço pela sua total imparcialidade, coisa cada vez mais difícil de se encontrar nesses dias... Apenas que fique claro: não concordo com todas as suas críticas.

De: Gerbase

Nem eu com tudo o que meus caros leitores escreve. Mas assim fica muito mais divertido, não é? E, por incrível que pareça, assim estamos um pouco mais perto da verdade.

De: Alysson Medeiros

O filme realmente é muito intrigante e faz o bom espectador pensar e repensar durante a projeção. Apesar de ter sido polêmico, por lembrar a infelicidade que aconteceu em São Paulo, a cena em que Jack desabafa com seu gerente sobre descarregar uma metralhadora nos seus colegas de trabalho, só reforça a obsessão que os americanos têm com esse assunto, que parece ser a melhor solução para suas frustrações individuais. É uma apresentação, diríamos, mais burilada de "Um Dia de Fúria". Realmente a interpretação de Edward Norton lembra sua performance em "As Duas Faces de um Crime". Será que ele já é o especialista em dupla personalidade e afins de Hollywood? Talvez seja sua cara de sonso, que pode oscilar facilmente entre bobo e sacana.

Outro fato surpreendente foi não causar espanto a identidade de Tyler (mesmo porque faz pouco tempo que assiste o final de "Sexto Sentido"). A pista do crime foi a cena de auto-flagelação na frente do gerente. E, óbvio que rolava um clima de homossexualidade e dominação, desde o ciúme de Jack com o loiro, até os embates no porão do bar. Se bem que quando se pensava que poderia rolar algo entre Jack e Tyler (lembrando Lestad e Louis em "Entrevista com o Vampiro") no final percebe-se que no máximo o que poderia acontecer era uma masturbação solitária de Jack.

O diretor também não precisava de preocupar em explicar tanto o significado da sensação de "dejà vu", mas não tira o mérito do filme que foi bem atual, dinâmico e realista. Ah! Fascinante as cenas de câmara e computação na cozinha de Jack e na caverna com o pingüim (parecia até propaganda do Halos!). Devem ser os mesmos recursos utilizados nos dados de "Proposta Indecente". Foi interessante mostrar a todos que freqüentam o cinema o que pode acontecer com as emendas dos filmes (por exemplo na última quadrícula), o que não teria a mesma graça se visto em vídeo ou DVD. Resumindo, valeu o bilhete.

De: Gerbase

Fiquei devendo: o que é "a última quadrícula"? Você está falando no "terrorismo de projecionista" de Tyler?

De: Marina Movschowitz

Quanto mais tempo passa, mais gosto de "Clube da Luta". Mas ao contrário de vc, não acho que "As lutas, filmadas com a violência necessária e plenamente justificável, são os melhores momentos do filme." Os melhores momentos do filmes são aqueles onde um objeto nosso do dia-a-dia dá o ar de sua graça: o sabonete. Foi uma excelente sacada do roteirista no intuito de mostrar, mais uma vez, como a sociedade é supérflua... mas num ponto eu tenho de concordar.....risos.... o que é o personagem da Helena Bonham Carter? Completamente fora de sincronia com o visual do resto do filme ! E não saberia responder se ela existia de fato ou se também era imaginação do personagem.... e com relação ao realismo das mulheres do filme... bom, só me lembro da Helena, da cancerosa.... e... e... deixa eu ver.... é... bem... não lembro ! Tinha mais alguma ?

De: Gerbase

Nem as mulheres defendem a pobre Bonham Carter...

De: Leandro Badaloti

Achei muito boa a sua coluna sobre Clube da Luta, vai ver pq concordo com tudo (ou quase) q vc escreveu. O filme é um dos melhores do ano até agora. É entretenimento que faz pensar. Tem interpretação convincente. Tem direção interessante e um roteiro mais ainda. Depois de ter levado aquela baque com o final, fiquei tentando pescar algum diálogo, alguma cena q traísse a idéia toda. Fui ver novamente o filme. O não encontrei nada. E melhor: assistir ao filme depois de saber o seu final é um prazer ainda maior. Aquelas curtas falas do Edward Norton q passaram desapercebidas na primeira projeção, agora fizeram total sentido.

As cenas de luta, como vc descreveu, são o ponto alto de filme. Na minha opinião, em especial a última. Em q o personagem de Edward Norton bate desenfreadamente naquele loiro. De certo ponto, esta é a cena violenta do filme. Pois em todas as outras lutas, o controle, principalmente da parte q estava batendo, era uma obrigação, uma regra do clube. Todos sabiam até quando poderiam bater. E a cena que poderia ser a mais "violenta", aquela q o balconista, tremendo de medo, "confessa" suas intimidades ao personagem de Brad Pitt sob a mira de um revolver, q posteriormente descobrimos estar descarregado, acaba com mais uma fala q nos faz pensar.

Não entendi uma coisa: pq no final do filme o personagem de Brad Pitt, mesmo depois de a bomba estar desarmada, tranca as portas do furgão, quebra as chaves e as joga no chão. Por quê? E gostaria de saber como são as feitas aquelas cenas, q agora virou moda tb em vídeo clips, q dão a impressão de serem feitas em uma tomada apenas, parece q a câmara flutua, como na cena em q Edward Norton narra a possível causa da explosão do seu apartamento. ( a câmara passa pelo centro da cozinha, se aproxima da boca do fogão, e corre em direção a parte inferior da geladeira. Como se chama isso? )

De: Gerbase

Meus conhecimentos de efeitos especiais são quase nulos (aprendi um pouco sobre tiros, recentemente, mas é só isso). Quem se habilita a responder pro Leandro? Quanto aos (muitos) atos insanos do personagem de Pitt, não lembro com clareza suficiente para responder, mas me parece que ele não tem um código de conduta muito normal, porque, na verdade, "ele" não é ele, e sim outro. Assim, como saber o que ele sabe. Ou não sabe?

De: Marcos Lavieri

Realmente, este filme é daqueles que, quanto mais o tempo passa, mais a gente fica gostando. Achei Brad Pitt muito bem no papel de Tyler Durand e Edward Norton também cumpre bem o papel dele. A garota, Marla, realmente fica meio "desenturmada". Não consigo definir se ela era real ou se era mais uma das personalidades do personagem principal. Estou mais para real. O mais legal é o filme passar uma mensagem subversiva até ao próprio meio de propagação (indústria hollywoodiana). E mais: por trás da perfumaria (fotografia, trilha sonora) há uma reflexão bastante interessante que pode, sim, ajudar muita gente a, no mínimo, mudar a forma de pensar sobre a própria vida, o que sempre é bom, independentemente do lugar a que isso vai levar. O problema é que a maioria da platéia de produções hollywoodianas não usa o que vê na tela para pensar, e vai se lembrar apenas dos músculos de Brad Pitt, da loucura do Edward Norton, das lutas... Mas assim são as coisas!!

De: Gerbase

E teve gente na platéia que foi só descarregar uma metralhadora... Não estava aí, nem pros músculos do Pitt, nem pra loucura do Norton, nem pro filme do Fincher. Acontece. Assim são as coisas. Eu prefiro pensar que "O clube da luta" vai fazer bem para algumas pessoas. Pessoas normais, como o Marcos. Cinema é feito para elas, e não para os loucos assassinos. Até mais.

Clube da Luta (The Fight Club, EUA 1999). De David Fincher

Carlos Gerbase é jornalista e trabalha na área audiovisual, como roteirista e diretor. Já escreveu duas novelas para o ZAZ (A gente ainda nem começou e "Fausto"). Atualmente finaliza seu terceiro longa-metragem, Tolerância, com Maitê Proença e Roberto Bomtempo.

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