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AUSTIN POWERS - O AGENTE "BOND" CAMA

RAPIDINHO
Ah, ah. Bom, foi isso. E só. Será que eu estava de mau-humor? Talvez. Mas não ouvi muito mais do que isso dos outros espectadores. "Austin Powers" é uma comédia sobre um débil mental perdido num mundo de débeis mentais. Qual é a graça? Poderia ser muito mais engraçada (pelo menos para mim) se fosse definitivamente absurda, como nas peças de Ionesco ou Qorpo Santo. Ou, quem sabe, assumidamente iconoclasta, como nos filmes do Monthy Pyton. Mas fazer piadas velhas sobre órgãos genitais... Dá licença. Os americanos devem rir e gostar porque são muito reprimidos e politicamente corretos. Aqui no Brasil, onde temos "Casseta e Planeta", "Austin Powers" é um aprendiz de sacanagem. E nem precisamos ir tão longe: as piadas do papagaio da Ana Maria Braga são bem mais estúpidas e, portanto, nesse contexto de "quanto mais idiota melhor", mais engraçadas.
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AGORA COM MAIS CALMA

Às vezes, é inevitável ser careta e recorrer a Aristóteles: para fazer uma comédia tradicional, geralmente o autor constrói seres humanos que são "piores" que os de verdade. São mais feios, mais burros, mais atrapalhados. Então, pelo contraste entre esses seres "falhados" e os demais personagens, que representam o mundo "normal", surge o humor, ou pelo menos a sub-categoria do "risível". Alguns exemplos óbvios: quase todos os filmes de Chaplin, Peter Sellers em "Um convidado bem trapalhão", Carrey e Daniels em "Débi e Lóide", Benigni em "A vida é bela". Se Chaplin, Sellers, Carrey, Daniels ou Benigni enfiam um pé num balde e tropeçam, nós rimos, porque os demais personagens dos filmes não tropeçam em baldes. É o contraste que tem graça.

Em "Austin Powers", temos uma galeria interminável de idiotas tropeçando em baldes. Todos tropeçam, toda hora. Os heróis, os vilões, as garotas lindas, o anão, a velha feia, todos são igualmente débeis mentais. Qual é a graça? Não estou ignorado as boas (mas raras) piadas do filme. Estou apenas dizendo que a história, os diálogos, os cenários em que se movem os personagens, são tediosos, porque são sempre iguais. Ficamos, então, admirados com a excelente produção, com a criativa direção de arte, com a maravilhosa trilha musical (este é um caso raro: o CD é melhor do que o filme), mas nada disso é engraçado.
Comédias são sempre perigosas. Se não são engraçadas, todo o resto não serve para nada. Se você, caro leitor, riu durante o filme todo, não pense que estou desprezando seu prazer. É ótimo que tenha rido. A excelente bilheteria de "Austin Powers" mostra que o filme funciona bem para muita gente. Posso pensar nas razões: muitas cores, muita luz, boa música, ritmo frenético, belas garotas, piadas infames, personagens mais infames ainda. Para usar uma metáfora recorrente em minhas colunas: "Austin Powers" é o "Pânico 2" das comédias - nada melhor do que não fazer nada no cinema. Eu deveria ter rido também. Talvez eu tenha perdido meu mojo cinco minutos antes, ao assistir ao trailer do próximo filme dos Trapalhões. Em tempo: Mike Myers é um bom palhaço, e Heather Graham, além de muito bonita, é boa atriz. Eles não são culpados de nada. Acho que os méritos do filme são deles, enquanto os defeitos são do roteirista e do diretor.

Austin Powers - O Agente "Bond" Cama (Austin Powers - The Spy who Shagged Me, EUA 1999). De Jay Roach

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Carlos Gerbase é jornalista e trabalha na área audiovisual, como roteirista e diretor. Já escreveu duas novelas para o ZAZ (A gente ainda nem começou e "Fausto"). Atualmente finaliza seu terceiro longa-metragem, Tolerância, com Maitê Proença e Roberto Bomtempo.

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