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DÊ SUA OPINIÃO
(OU CALE-SE PARA SEMPRE
Filme: Austin Powers, o Agente "Bond" Cama
De: Regis Felipe Schorr
Não entendo o que uma pessoa como tu está fazendo escrevendo sobre uma porcaria como "Austin Powers". Pô, tem tanta coisa boa passando no cinema! Ou pelo menos tem coisa mais interessante, 2 filmes nacionais em cartaz, um russo, um chinês, enfim. Tá ok, eu sei que o site do Zaz é para todo o Brasil, para não dizer todo o mundo, e nem todo o Brasil tem as opções cinematográficas como Porto Alegre, mas acho que essa "globalização" do teu espaço está se tornando algo muito perigoso, especialmente para ti. Afinal, quem conhece um pouco do teu envolvimento com cultura sabe que tu terias muito mais prazer escrevendo sobre uma obra com um caráter cultural maior que o já citado "Austin Powers" ou "O Suspeito da Rua Arlington".
Olhe para as tuas próprias colunas de pouco tempo atrás: "Vamos Nessa", "Felicidade", "De Olhos Bem Fechados", "A Bruxa de Blair", "Romance". Talvez tu não tenhas gostado de todos, talvez não fossem tão sensacionais assim, mas pelo menos são filmes que merecem uma análise e uma discussão. Ao contrário do "Austin Powers".
E não estou querendo dizer que filmes-pipoca não possam ser bons. "Matrix" é um ótimo exemplo, na minha opinião, de que o cinema de efeitos especiais pode ser ótimo, pode ter uma boa história e pode deixar o espectador sem fôlego; mas os filmes mais "artísticos" estão perdendo espaço na tua coluna semanal.
De: Gerbase
Escrevo sobre filmes em cartaz. De qualquer tipo ou nacionalidade. É normal que fale bastante de filmes americanos, já que estes dominam o mercado. Minha intenção não é privilegiar filmes "de arte", porque nem eu sei exatamente o que significa isso. Só para ficar entre as "bombas" que você citou, devo dizer que acho "O Suspeito da Rua Arlington" um bom filme. Com apelo comercial, é claro, mas com qualidades cinematográficas evidentes. Muitas vezes é difícil separar indústria e arte. Você gosta de Coppola e de Scorsese? Eu gosto. E eles fazem filmes com apelo comercial. Mas entendo sua preocupação. Em breve, volto a filmes mais "difíceis", mais "ousados", ou mais "artísticos". Sem preconceitos, porque um filme não é bom um ruim por sua "proposta" ou por suas "boas intenções". Um filme deve ter méritos próprios e cumprir o que propõe.
De: Ana Paula
Putz! Não é possível, tu deve ter todas as frustrações do mundo. Depois do teu comentário a respeito dos filmes "Austin Powers-The Spy who shagged me" e "The Blair Witch Project", eu não espero mais nada de ti. Foram os comentários mais infelizes que eu já li. Convenhamos, tu deve esta passando por um período de total desequilíbrio mental. Cuidado, hein, pois isso pode se tornar definitivo.
De: Gerbase
Terei cuidado. Não gosto de coisas definitivas. Mas, sem dúvida, um certo desequilíbrio mental é muito mais saudável que uma feliz vida como "normopata".
De: Daniel Gomes de Souza
Sempre achei triste, e ao mesmo tempo revoltante, o papel que um crítico exerce sobre qualquer forma de arte, principalmente o cinema. Triste porque obviamente se vocês não tem a menor capacidade para fazer qualquer coisa, são frustrados e incompetentes. Revoltante porque pessoas como vocês que não conseguem (ou melhor, nem tentam) fazer nada que chegue sequer perto das conquistas dos verdadeiros artistas, se acham no direito de falar mal ou bem.
Para vocês, "especialistas", há sempre algo errado com o cinema americano. Não sei se é um ataque de inveja, mas certas coisas são ridículas, pois já vi críticos falarem até do grande "Star Wars - Episódio 1". Quer dizer, vocês, que não têm a criatividade de uma planária, são uns duros, falam mal de uma obra que rendeu bilhões de dólares. Caiam na real, vocês não são ninguém. Vocês não fazem a mínima diferença, seus fracassados. Quanto ao "Austin Powers", me respondam: algum de vocês consegue criar algo parecido? Não, né... Foi o que eu pensei. O cinemão pipoca é groovy baby, yeaah.
De: Planária de plantão
É interessante que você considere a atividade de criticar como "não fazer qualquer coisa". Devo, então, considerar que a sua crítica da minha crítica é uma "coisa nenhuma baseada em coisa nenhuma"? Se você escreve pra me xingar, é óbvio que fiz alguma coisa. Eu sou a ação. Você é a reação. Ou melhor: o filme é a ação; eu sou a reação; você é a contra-reação. A dialética grita e a caravana de planárias passa! E, já que você pediu: a cena final do "grande" "Star Wars - Episódio 1" É DE CHORAR! É HORRÍVEL! Aquela parada militar, além de ser absolutamente anti-climática (a não ser que você goste de assistir aos "grandes" desfiles de 7 de setembro), nem ao menos é original! O primeiro Star Wars (a entrar em cartaz) tinha exatamente o mesmo final. Isso não é falta de criatividade. É cara de pau mesmo. Não tem groovy, baby. Nem uma planária pode gostar daquela coisa. Yeahhh.
De: Flávia Aiex (Fly)
Ôi. Tem razão. É um filme bobo, sem nexo, sem história... Mas o que mais você esperava? Afinal, americano e piada de americano é tudo banal. E o pior é que se acham os melhores do mundo, com essa mente quadrada q têm. Mas fazer o que, né? Ou vai me dizer que conhece algum filme classificado como comédia, que seja de americano e q realmente faça sentido e tenha lógica? Se vc conhecer, por favor, me fale, vai ser uma grande surpresa. A única coisa que eles tem de bom é a grana para a produção dos filmes deles, o que, logicamente, era óbvio que tivessem, pois, pelo que parece, as pessoas lá nascem predestinadas a fazer cinema... Hehehe.... Zuuuuuuu..... Agora, será que ainda terão a capacidade de fazer a continuação desse "Austin Powers"? Podem até fazê-lo, mas que, pelo amor de Deus, NÃO VENHA PARA O BRASIL!
De: Gerbase
Minha amiga Fly. Os americanos já fizeram todo tipo de comédia. E várias comédias geniais. Nos velhos tempos: Chaplin, Buster Keaton, irmãos Marx. Nos tempos nem tão velhos assim, lembro do filme que mais me fez rir até hoje: "Um convidado bem trapalhão", de Blake Edwards. E, um pouco mais adiante, quase todos do Woody Allen. E, só para citar filmes que já critiquei aqui no ZAZ: "Vamos nessa" (muito engraçado e muito divertido). "Quem vai ficar com Mary" (nem tão engraçado assim, mas ainda divertido), "Felicidade" (que mistura comédia e drama com competência) e "Como enlouquecer seu chefe" (que tem boas piadas). Todos americanos. Todos com sua lógica interna, com personagens de verdade, com humor. É claro que os americanos também fazem todo tipo de porcaria. Mas, cá entre nós, quem não faz? (E tem mais: esse "Austin Powers" já é uma continuação!)
De: Glauco
Lendo sua crítica ao filme "Austin Powers", não só a sua, mas de toda crítica em geral, fico pensando comigo mesmo se não deveriam aplaudir ao invés de criticar o filme! Simplesmente não existem mais comédias que nos façam rir de verdade em um cinema. O último que eu me lembre foi "Quem vai ficar com Mary", que tinha umas seis ou sete piadas fantásticas, que já valeram o ingresso. Parece que há uma tendência dos críticos a intelectualizar demais o que não é para ser intelectualizado.
O "Austin Powers" está aí para isso, apenas para nos dar uma hora e meia de diversão (que atire a primeira pedra quem ficou sério na primeira vez que o clone do Dr. Evil aparece, ou na cena da barraca). Se há alguém a ser criticado é Adam Sandler. Como ele consegue tanto sucesso? Como bom cinéfilo, já assisti a todos seus filmes e são toleráveis apenas em vídeo e em tardes tediosas de chuva! Na falta dos irmãos Marx, Monty Python (de quem eu tenho todos seus filmes gravados e o show fantástico no Hollywood Bowl), Chaplin, dos bons tempos do Mel Brooks, no começo dos irmãos Zucker e Jim Abrahams (não lembro se é assim que se escreve, os diretores de apertem os cintos...), e ainda abalado com o final de Seinfeld, eu quero é que venha mais "Austin Powers" por aí!
De: Gerbase
A cena da barraca é boa, a entrada do Mini-me é interessante. Acho que ri nesses dois momentos. Mas lembro de ficar entediado em umas cento e cinqüenta outras piadas.
De: João Caleiro
Com todo o respeito, acho que o problema é mesmo com você, porque, de cada 10 pessoas que converso, 9 morreram de rir no filme, incluindo eu. O filme não tem outra pretensão senão a de fazer-nos rir, e discordo do que você fala sobre personagens idiotas que fazem rir porque os outros não o são. Se todos os personagens são idiotas e contam piadas idiotas, mais risadas! Você não riu mesmo em nenhuma hora? Nem quando Dr. Evil e seu filho vão ao Jerry Springer? Nem quando Mini-me e Dr. Evil cantam aquela música? Nem com as numerosas citações?
De: Gerbase
Com todo o respeito, citações que funcionam apenas como citações são uma das pragas do cinema moderno. Pior que citação "esperta" em filme, só joguinho de palavras que lembra comercial de TV ou frase idiota em out-door publicitário. "Austin Powers" é um catálogo de citações e trocadilhos. Sinto muito. Não acho graça de um filme que funciona como um interminável comercial de trinta segundos.
De: Mauricio Bumba
O bom e velho Carlos Gerbase. Mesmo quando não concordo com você, acho interessante o que você escreve. Menos dessa vez. Sua crítica ao "Austin Powers" está pobre. Você disse que não gostou, disse que não riu e parou por aí. Nada de elogios, nada de comentar detalhes, nada de citar alguma cena que chame a atenção e nada de explicar o que te incomodou tanto no filme. "Austin Powers" foi tão ruim assim pra merecer uma ignorada dessas? Eu acho que não. Lembro que grande parte do cinema riu, principalmente com os diálogos do vilão. Eu mesmo me diverti bastante, e minha namorada, que possui um ótimo senso crítico, também saiu do cinema feliz com uma diversão leve.
O filme tem defeitos? Tem sim. Muitas piadas infames e vulgares e várias que realmente não nos fazem rir. Mas ganhamos pela quantidade. O filme tem cenas impagáveis, principalmente com o Dr. Evil. Teríamos um mocinho melhor se o personagem fosse alguém fingindo levar o filme a sério, como Charlie Sheen faz nos 2 "Hot Shots" ("Ases muito loucos").
Realmente o mundo de Austin Powers é comandado por débeis mentais, mas você citou que não existe contraste. Ele existe, sim! E se chama Scott Evil, filho do vilão e o único no filme com bom senso. Lembra das discussões dele com o pai, sempre mostrando que os planos poderiam dar certo se não fosse a incompetência dele? Acho que temos um contraste ao contrário aí.
De: Gerbase
Você tem razão: o Scott Evil é, teoricamente, o cara sério naquele mundo de idiotas. Só que ele tem aquele cabelo espetado e aquele ar de "não me levem a sério: sou apenas um idiota disfarçado". E um cara sério não participa de um programa de auditório como aquele. Scott Evil é a exceção que confirma a regra.
De: Luiz Marcio
Criticar é muito fácil. Fazer rir é que é difícil. Duvido que você faria um filme melhor. No cinema onde fui todo mundo caía na gargalhada. Qual é o seu problema?
De: Gerbase
Eu penso antes de rir. Talvez tenha cura.
De: Aline Sommer
Achei o filme um saco também. Comecei lendo muitas críticas que diziam ser um filme engraçado. Onde foi campeão de bilheteria: nos EUA ou na Inglaterra? Acho que apenas fui ao cinema vê-lo p ouvir a trilha sonora, que é alguma coisa boa do filme. Meu noivo achou um porre também. Não víamos a hora de ir embora. E não é que, quando essa hora chegou, acenderam as luzes para o povo ir, e o filme ainda continuava no lugar das "letrinhas", com suas piadas completamente insignificantes?
De: Gerbase
Eu também me senti um idiota, agüentando de pé as piadas que antes agüentei sentado.
De: Leandro
Os seus comentários sobre "Austin Powers - The Spy Who Shagged Me" foram tão ridículos que não merecem nem comentários. Eu fui assistir a esse filme aqui nos cinemas no USA três vezes, e agora espero em vídeo pra comprar, sendo que o mesmo já parou de apresentar nos cinemas há muito tempo. Pra brasileiros que moram aí no Brasil muitas piadas não terão nenhum sentido mesmo, porque são bem americanas, de coisas que acontecem aqui, e não aí. Então acho que alguém só pode criticar um filme de humor como esse se tiver total conhecimento do que o filme está tentando passar, e não por ignorância de não entender o filme criticá-lo. "Austin Powers" é um filme feito para ser passado nos USA e não em outros países.
Não é culpa do filme que, se em um país ou em outro, as piadas tentadas não batem com a cultura e com o conhecimento do público.
O mesmo aconteceria com o "Casseta e Planeta" no qual você mesmo disse que é engraçadíssimo, do qual eu não acho nenhuma graça e não tiro nenhum proveito. Se esse fosse passado aqui nos USA, ninguém acharia nenhuma graça e iriam achar a coisa mais estúpida já vista na TV; por quê, pergunto? Porque as piadas do "Casseta e Planeta" são feitas para o público brasileiro e não para o daqui! Só critique um filme se você tem total certeza do que está fazendo e não vá, por impulso, achando que sabe de tudo, porque, se você fosse bom mesmo, os filmes que você faz, seriam famosos, e todo mundo estaria comentando sobre eles, e não seriam uma coisa oculta como são.
De: Sujeito muito oculto
Por mais oculto que eu seja, aqui no terceiro mundinho, e por mais iluminado que você seja, aí no primeiro, somos, ambos, prisioneiros de uma verdade: uma piada realmente boa é universal. Não depende de pré-conhecimentos culturais. Não depende de grandes esforços de tradução. Trocadilhos e citações precisam disso tudo. Não disse que "Casseta e Planeta" era universal. Apenas disse que, em matéria de idiotice contextualizada politicamente, é mais divertido para nós, brasileiros. "Austin Powers" não tem culpa de nada. E eu não tenho culpa de não entender um trocadilho idiota em outra língua.
De: Edman
Essa sua crítica sobre "Austin Powers" foi o máximo. Você chegou ao ponto exato: o filme é diversão pura e simples. Após sair da sessão, a única piada boa que eu me lembrei foi a do presidente americano querendo destruir a lua. E a trilha sonora também é muito bacana, além de ser muito bem empregada, sem parecer vendida. Ah, e ainda tem o Mike Meyers que é legal, a Heather Graham que é bem mais competente do que a Elizabeth Hurley no primeiro filme e aí vai... Mas o melhor mesmo foi o aviso que você colocou nas respostas sobre "O Suspeito da Rua Arlington". Há muito tempo eu venho lendo críticas e descobrindo o final por elas. Aconteceu em "De Olhos Bem Fechados", "A Bruxa de Blair" e acaba de acontecer com "O Sexto Sentido". Li a matéria da Época e eles entregaram o final com uma única palavra cruel, pronto. Meu mojo foi para as cucuias. Até a próxima.
De: Gerbase
Bom... E agora, finalmente, posso contar o final de "Austin Powers": ele recupera o seu mojo e derrota o Dr.Evil! Isso mesmo! Contei o final! Eu sou terrivelmente cruel! Semana que vem vou contar o final de alguns episódios de "Batman". Até mais.
Austin Powers - O Agente "Bond" Cama (Austin Powers - The Spy who Shagged Me, EUA 1999). De Jay Roach
Carlos
Gerbase é
jornalista e trabalha na área audiovisual, como roteirista e diretor.
Já escreveu duas novelas para o ZAZ (A
gente ainda nem começou e "Fausto"). Atualmente
finaliza seu terceiro longa-metragem, Tolerância, com Maitê Proença e Roberto Bomtempo.
Índice de colunas.
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