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Filme: O Suspeito da Rua Arlington




De: Gerbase
Advertência inicial: nos textos que se seguem, aparecem diversas pistas sobre o final do filme. Não há uma descrição concreta e totalmente reveladora, mas há indícios. Se eu fosse cortar tudo, várias mensagens perderiam o sentido. Assim, se você ainda não viu o filme e faz questão de preservar sua total ignorância quanto ao epílogo, sugiro ir embora daqui. Depois, não digam que não avisei.

De: Eduardo Madeira Figueiró
Gosto muito da sua coluna, sempre que vejo um filme, corro para o computador para ver o que você achou do filme. Discordei de uma coisa que você escreveu na sua crítica ao filme "O Suspeito da rua Arlington". Eu não acho dispensável o encontro da namorada do herói com o tal atitude suspeita. Quer dizer, pensei isso na hora, mas quando chega o final do filme, deu para notar que todas essas coincidências (como aquela que o Jeff Bridges está vendo os jornais antigos e o Tim Robbins aparece), na verdade faziam parte do grande plano do vilão para desencadear aquele final, que é no mínimo, surpreendente. Agora, estou esperando a sua crítica ao filme "O Sexto Sentido", que é um filmaço, e tem um final tão bom, quer dizer melhor e mais surpreendente que este.

De: Gerbase
Critiquei a cena do shopping-center justamente porque me parece que a ação da namorada do herói não fazia parte da "grande estratégia" revelada lá no final. Pode ser que eu esteja enganado, e aí teria que rever o filme, mas armar aquela coincidência me parece impossível. Se eles queriam matá-la, porque não matá-la de uma vez? Só para ter aquela mensagem na secretária-eletrônica e aumentar a certeza do herói? Se é isso, tá meio mal amarrado com o resto do filme.

De: Fabrício Rodrimaur R. Gonçalves /
A bomba teve efeito retardado. Como em "Seven" e "8mm", filmes que possuem um efeito devastador, com um final com efeito de uma bomba de efeito retardado. Felizmente, mesmo, os diretores não optaram por um final "Staloniano" (S. Stallone), "Bruciliano" (Bruce Willis). Com isso, o filme ganhou status de um dos grandes filmes do ano.

De: Gerbase
Concordo com a eficácia, e quase genialidade, do final de "Seven", mas discordo quanto ao "8mm", que me pareceu um filme previsível do começo ao fim.

De: Almir Tovar
Fui assistir o filme, e fiquei decepcionado com uma coisa apenas: só eu estava na sala assistindo ao filme. Uma pena... Um filme como este deveria receber mais atenção da crítica, e, obviamente, ser visto pelo público, que perde tempo indo assistir três vezes "A Bruxa de Blair" (que eu vi, não achei ruim como disse, mas 3 vezes?, exagero!). As atuações de "O Suspeito da Rua Arlington" são realmente muito acima da média (mas acho que Jeff Bridges é, sim, um bom ator, e não apenas mediano como vc colocou), e a história, bem conduzida, PRINCIPALMENTE O FINAL (sensacional!) me deixaram muito satisfeito com o filme (estava cansado de finais felizes). Um grande filme. Recomendei a todos os meus amigos, e pretendo revê-lo em breve...

De: Gerbase
Acho que também vou ver de novo, quando sair em vídeo. É um roteiro que merece ser estudado.

De: Renato Doho
Acompanho sua coluna e gosto dos comentários e das respostas dos leitores. Mesmo achando coisas diferentes e até opostas às publicadas. Sobre "O Suspeito da Rua Arlington": gostei bastante, achei o final muito f. Ao mesmo tempo que adorei, tinha lá no fundo uma ponta de dor, por ver que o personagem de Bridges não triunfa, como se ele fosse uma pessoa real, e não um personagem de filme. Então, cinematograficamente é ótimo, pessoalmente é frustrante, ainda mais para uma pessoa meio paranóica, que sai do filme desolado (além de não acreditarem em mim, me acusarão, que pesadelo!). Tenho isso às vezes no cinema: torço para que personagens terminem de certa forma, para chocar o público (como se olhasse de fora); e, em outros casos, me identifico com o personagem e não me importo de vir a chegar num final previsível e piegas, mas adorável para mim!

Quanto ao Jeff Bridges: adoro seu trabalho e o acho ainda não reconhecido devidamente. Ele tem a rara qualidade de ser um ator expansivo (parece "overacting", mas não é) e natural (qualidade dos atores americanos, ao contrário dos europeus, mais técnicos). Pegue o personagem de Tim Robbins e note que qualquer ator mediano faria bem o papel. Robbins não consegue alternar o bom vizinho e o suspeito, sempre a expressão é de suspeito. Já o papel de Bridges dá pra contar nos dedos os atores que poderiam se encaixar bem para as seqüências da paranóia da festa, do desespero do início e do final em pânico. Fiquei até extremamente curioso: gostaria de ter visto o ator nas filmagens, já que, no clima do set, sem músicas, num dia normal, deve ser árduo ficar naquele estado de tensão (claro que sem o recurso da cheiração!). Engraçado que foi o papel que Bridges pegou logo após "O Grande Lebowski", que é no extremo oposto!

De: Gerbase
O trabalho de Tim Robbins, na minha modesta opinião, é muito mais difícil e sutil do que o de Jeff Bridges. Bridges é um sujeito infeliz e angustiado da primeira à última cena, enquanto Robbins está no fio da navalha. E, quanto mais ele fazia aquela cara de "estou fingindo de bonzinho, mas na verdade sou mau", mais eu desconfiava que ele estava se fingindo de mau, mas, na verdade, era bonzinho. E, no fundo, ele é um cara muito bom. Bom até demais. Isso, é claro, se considerarmos a sua forma de ver o mundo. Não gosto de "O Grande Lebowski", apesar de adorar os irmãos Cohen. E Bridges não acrescenta nada com seu hippie tardio.

De: Marina Movschowitz
Tava com saudades de discutir cinema com vc por aqui. Logo depois q vc voltou a escrever suas colunas, eu fui convidada a fazer a produção de cenografia de uma minissérie para o Multishow dirigida pelo Marco Altberg. Com tudo isso, não sobrou tempo nem para respirar e muito menos para conectar. De qualquer forma, aqui estou eu concordando com sua coluna sobre "O suspeito da rua Arlington". Sinceramente o final me surpreendeu e me deixou com aquela sensação de "nada posso fazer nesse caso" e "PQP ! O mundo é muito complicado mesmo !". E q, com toda certeza, se não fosse aquele final eu sairia do cinema achando aquilo tudo inverossímil, lógico. Aquele desfecho era completamente necessário.

De: Gerbase
Não recebi nenhuma mensagem que diga: saquei antes o final. Então, o final, além de necessário e esclarecedor, é muito dramático e inesperado. Um final clássico, que lembra, de certo modo, o final do curta-metragem "Barbosa", de Jorge Furtado e Ana Luiza Azevedo. Quem viu vai sacar do que estou falando.

De: Icaro Queiroz
Concordo com quase tudo o que você falou sobre "O Suspeito da Rua Arlington". Também gostei, além de achar aquele prólogo fantástico. O 'quase tudo' fica por conta de alguns detalhes que tiram um pouco a credibilidade do filme. O ponto alto foi a tal 'surpresa' no estacionamento do shopping.

No entanto, outros detalhes me intrigaram: como pode um cara que sofre porque a mulher morreu em um atentado 'terrorista' lecionar justamente sobre terrorismo? Qualquer psicólogo, diretor de escola, colega, namorada saberia que isso é absolutamente condenável. Ele estava apenas alimentando seus sentimentos de angústia e tristeza. E as coincidências? Professor de terrorismo cuja mulher morreu combatendo 'terroristas' desconfia de que seu vizinho é um terrorista. Que beleza.

Para não me estender muito, vou falar sobre apenas mais uma coisa: a parte final. Essa história de colocar o "artefato" no carro do mocinho é balela. Como ter certeza de que ele chegaria lá? As possibilidades de falhas eram muito grandes. A polícia poderia pará-lo (sempre tem MUITA polícia nos filmes americanos, mas nesse não precisavam dela!), ele poderia bater o carro, poderia ser impedido de entrar no edifício... Enfim, tinha tudo para dar errado (dois carros de entrega, ele segue o que tem o filho, depois o 'alvo'). Mas isso não tira os méritos do filme, cujo final 'diferente' mexe um pouco com a gente.

Agora, um outro ponto. Qual é o problema dos críticos com um bom filme de ação/aventura? Sem ofensas, mas eles parecem que só vêem/gostam de filmes que tenham profundas elocubrações filosóficas/afetivas/políticas/éticas. Veja bem, esses também são meus filmes prediletos (os tais filmes com conteúdo), mas eu também ADORO um filme descerebrado de vez em quando (desde que bem feitos). Só para ficar com suas citações: Stallone realmente não faz nada que preste ("Risco Total" não é tão ruim como ação); já Bruce Willis fica sempre naquela do policial engraçadinho-contra-todos, mas será que "Duro de Matar" não tem seus méritos?

De: Gerbase
Tudo bem: também concordo que aquele cara, com toda aquela angústia, dando aula de terrorismo, é mesmo barra pesada. Mas também é uma atitude tipicamente norte-americana, em que a "coragem de enfrentar seus medos" é considerada uma grande virtude. A colocação do artefato é absolutamente verossímil e planejável. Não tenho nada contra.

O filme conta um plano mirabolante, muito sofisticado, para não só cometer um atentado terrorista, como também fabricar um terrorista. Isso é muito mais difícil que largar uma bomba. É preciso considerar as necessidades do personagem de Tim Robbins, o que ele realmente queria. E, a partir daí, tudo, ou quase tudo, se encaixa perfeitamente.


De: Z.Vieira
Dessa vez eu discordo de você, Gerbase. Não sei porque, mas achei que havia assistido a uma aula sobre terrorismo, e não um filme. O diretor de "O Suspeito..." , na minha opinião, teve a infelicidade de criar passagens que fizeram do filme um pouco didático. Pode ser que eu esteja acostumado com o "terrorismo de Stalone", mencionado por você. No entanto, muitas cenas eram visivelmente chatas e intermináveis, como aquela em que Jeff Bridges ensina aos seus alunos as mais diversas teorias sobre o assunto. E, por falar em Jeff Bridges, não acho que ele seja um ator limitado, e que só consiga variar do "galã-heroi" para o "dramático e sério". Não sei se você viu, mas em "O Grande Lebowski" ele faz um personagem fantástico e altamente cômico, e, em "Silêncio no Lago", um psicopata. Agora, no quesito suspense, o filme vale pelo ingresso. Sem falar, é claro, do final. Típico final que dá vontade de contar... mas aí, já seria muita sacanagem da minha parte.
P.S. (curiosidade): não sei se você reparou na mancada dos responsáveis pela legenda do filme. Logo na cena inicial, em que o garoto vai andando e sangrando pela rua, se você reparar, é possível ouvir algumas frases em off que, se legendadas fossem, dariam ótimas pistas sobre o verdadeiro caráter do suspeito. Frases, mais ou menos, como : "Come on, do it! Come on! Are you a chiken, or what!?"

De: Gerbase
Não ouvi essas frases nos créditos iniciais. Ou, se ouvi, meu cérebro não traduziu. E claro que elas fazem todo o sentido do mundo e deveriam ser legendadas. Com letras bem miúdas, de preferência... Elas indicam o início de toda a estratégia, que a torna ainda mais maquiavélica e maligna. E, mesmo assim, você não gosta do filme? É claro que as aulas de um cara chato deveriam ser chatas. É claro que ele deveria ser didático, fazer de conta que sabe tudo de terrorismo, para que depois, lá no final, ele se desse conta da imensa bobagem que fez. O verdadeiro professor de terrorismo era outro.

De: Fernando Vasconcelos
Oi, Gerbase! Gosto muito dos teus comentários sobre os filmes. Mas agora não entendi: recomendar "Arlington Road" comparando com "Bruxa de Blair"? Primeiro, eu sou do time que curtiu a Bruxa. Tudo bem não gostar, mas não faz sentido a sua ira contra o filme. A fita é, no mínimo, original. E, pelo roteiro simular um documentário real, é claro que não ia aparecer nenhuma bruxa. Ou você acredita que existem bruxas? Segundo, você não deveria comparar o suspense de "Arlington Road" com o de "Bruxa de Blair", não tem nada a ver.

Terceiro, achei "Arlington Road" ruim. Parece que as pessoas reagem de maneira diversa mesmo. Enquanto você diz que seu cérebro chacoalhou durante duas horas, o meu ficou em absoluto estado de repouso. Tudo é previsível na trama. Pior, cada possível surpresa que a trama prometia é anunciada por situações tão clichê que tornam o suspense nulo. E nada é ambíguo, tudo que o Jeff Bridges vai descobrindo é verdade mesmo! A teoria de conspiração descoberta pelo infeliz professor me fez procurar nos créditos o nome de Oliver stone, argh! Quanto ao ótimo elenco, só tenho a dizer: que desperdício. E ainda tem aquelas cenas de sustos gratuitos (como a do orelhão e a do microfilme).

De bom só a excelente seqüência de abertura (o garoto cambaleante), e ela é um ótimo exemplo do cinema medíocre americano, que capricha nas aberturas e depois NÃO CUMPRE O QUE PROMETE. "Bruxa de Blair" não promete nada. Quem prometeu foi a midia e a distribuidora do filme. Os diretores, quando estavam fazendo o filme, só pensaram em diversão e criatividade para fazer tão pouca grana render um filme diferente da tulha de filme de terror adolescente que parecem serem feitos para vender trilha sonora com astros de rock decadentes, lançar no cinema rostinhos bonitinhos da televisão e servir de laboratório para efeitos digitais de ultima geração. "Blair Witch" não tem nada disso. E é muito legal! Crítica construtiva, meu caro. Pra terminar, achei curioso nos seus comentários lembrar o "Verdes Anos". Eu não sabia que era seu, e mesmo fazendo uma data que assisti, lembro vagamente que achei muito legal, isso num tempo que cinema brasileiro sofria muito mais preconceito que hoje!

De: Gerbase
Essa bruxa não larga do meu pé! Comparei o suspeito com a bruxa só porque ele (ela) foi o filme que comentei na semana passada. É claro que eles não tem nada a ver. Quanto à falta de ambigüidade do personagem de Bridges: você está esquecendo o final! O final força a gente a repensar tudo. Tudo mesmo. Porque aqueles dois homens se encontraram, porque ficaram amigos, porque Bridges tem que ser tão didático e procurar aquelas "verdades", com as certezas na ponta da língua, etc. O filme constrói um herói, para detonar com ele no final. Legal você ter visto o "Verdes anos". Lembro vagamente que o dirigi e que o pessoal gostou quando foi exibido. Quem sabe um dia ele volta pro circuito e tiramos, juntos, a prova dos nove. Até mais.

O Suspeito da Rua Arlington (Arlington Road, EUA 1999). De Mark Pellington

Carlos Gerbase é jornalista e trabalha na área audiovisual, como roteirista e diretor. Já escreveu duas novelas para o ZAZ (A gente ainda nem começou e "Fausto"). Atualmente finaliza seu terceiro longa-metragem, Tolerância, com Maitê Proença e Roberto Bomtempo.

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