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Quartos de Pânico a partir de US$ 400 mil

Quinta, 06 de junho de 2002, 09h20

Levantar informações sobre a indústria da segurança nos Estados Unidos é um processo delicado. Descobrir detalhes sobre o funcionamento de "panic rooms" de verdade, então, é quase uma missão impossível. Ainda assim, o dono de uma das maiores empresas de segurança dos Estados Unidos, Karl Alizade, concordou em falar com a Planet Pop porque "gostou do filme e adora o Brasil". O ex-policial que há 20 anos abriu a SafeCity, em New Jersey, para aplicar seu conhecimento em assaltos e seqüestros, comentou vários detalhes sobre o novo filme de Jodie Foster, O Quarto do Pânico.

A "fábrica" de quartos de segurança é especializada em cofres e portas especiais. Em um galpão a uma hora e meia de Manhattan, eles fazem, sob medida, estruturas sob encomenda, mas passam boa parte do tempo testandos novos materiais e sistemas, baseados em cofres arrombados em diversas partes do mundo.

A SafeCity desenvolve "panic rooms" para clientes de altíssimo nível (em geral donos e altos executivos dos bancos que já usam os serviços deles para suas caixas-fortes) em vários países do mundo. A inclusão de um local seguro em mansões e até escritórios não é um capricho de milionários paranóicos, mas muitas vezes uma exigência das companhias de seguro que protegem a pessoa.

Cada um dos projetos custa pelo menos US$ 400 mil, fora a parte eletrônica (câmeras, monitores, interfones, etc) e demora cerca de seis meses para ficar pronto, sendo instalados sempre no fim da construção, depois que todos os pedreiros já deixaram a obra.

"O filme é bem exato, provavelmente para a época em que foi concebido", diz Alizade, levando em consideração que a produção começou a ser feita há cerca de dois anos. "Hoje já existem soluções um pouco mais modernas e seguras." Ele aponta, por exemplo, que as portas mecânicas são preferidas atualmente, já que as eletrônicas podem falhar na hora certa. Por preocupações estéticas, as câmeras (que a cada ano ficam menores) ficam escondidas – impedindo que sejam destruídas pelos invasores.

Uma das maiores diferenças apontadas pelo especialista (que foi consultado também pelo estúdio Columbia Pictures na fase de divulgação do filme) é quanto ao personagem de Forest Whitacker, que, na trama, tem conhecimento de todos os aspectos do funcionamento do "panic room". "Na prática isso é impossível, já que trabalhamos com uma equipe e o profissional que começa um projeto, nunca termina", diz ele. "O especialista em eletrônica não tem contato com a parte mecânica, por exemplo." Todos os envolvidos assinam contratos de confidencialidade.

Leia mais:
» Jodie Foster está de volta em Quarto do Pânico

Guto Barra/Planet Pop

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