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Fraternidade e sobrevivência são os grandes temas de "Assim É Que Se Ria"
Assim É Que Se Ria, de Gianni Amelio, foi o grande vencedor do Festival de Veneza de 1998. O diretor levou o Leão de Ouro juntamente a Emir Kusturica.
O filme se passa durante as décadas de 50 e 60. Pietro e Giovanni são dois irmãos da Sicília que partem para Turim em busca de trabalho. Giovanni (Enrico Lo Verso) trabalha muito, na esperança que seu irmão mais novo, tão adimirado, possa estudar e ter uma boa carreira.
Pietro (Francesco Giuffrida) não trabalha por estar muito ocupado na escola. Ele é um dos piores alunos da sala. O que era esperado não acontece, e Pietro acaba não chegando onde seu irmão almejava.
Os anos passam e os dois perdem contado.
Pietro acaba recitando poesio e Giovani torna-se o chefe de uma cooperativa, fazendo negócios com imigrantes pobres, como eles no passado.
O diretor demonstra uma linguagem de observador implacável diante do evidente. A crônica de uma fraternidade traída e de uma descomposição familiar - em nome do salve-se quem puder - ilustra a lei da selva de uma realidade sofrida que aparece com ruído e fúria.
A trsite odisséia de pessoas que partem em busca de vida melhor supostamente refere-se à migração ocorrida na Itália durante os anos 50. Além da história, o filme mostra cenas comprometidas de Amelio com os deserdados de seu país, e a corrupção das instituições, com linguagem dura e poética.
A necessidade de criticar e homenagear os excluídos de sua cultura evidenciam o caráter militante do diretor como um neo-realista. O que mais é de admirar em seu filme, é a capacidade de causar emoção, transmitindo de maneira clara e contagiante sua indignação, conhecimento e lirismo diante de situações intoleráveis.
O diretor apresenta uma justiceira, minuciosa, e nada fluida crítica ao lado animal dos seres humanos, através de sentimentos vitais.
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