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 Tensão
erótica percorre Um Copo de Cólera
Adaptação
do livro de Raduam Nassar, Um Copo de Cólera
relata com ousadia o duelo verbal de um casal que testa os limites de
um relacionamento intenso e dilacerante. O roteiro escrito
a quatro mãos pelo diretor Aluizio Abranches e pelo produtor Flávio
Tambellini alterou apenas três palavras do texto original, assumindo
os riscos de transpor com fidelidade para as telas uma obra quase desprovida
de ação, embebida nas sutilezas da linguagem.

Júlia Lemmertez e Alexandre Borges: paixão e furor |
Marido
e mulher na realidade, Júlia Lemmertz e Alexandre Borges protagonizam
algumas das mais poéticas e autênticas cenas de sexo do cinema
brasileiro. O intenso prazer sensual se opõe às
diferenças intrínsecas do casal, ocultando um embate verbal
explosivo e colérico, carregado de uma tensão erótica
prestes a transbordar.
Filmado em três semanas, depois de ensaios prévios que duraram
seis semanas (e explicam a perfeita interação entre os atores),
Um Copo de Cólera consumiu apenas R$ 900 mil, um dos orçamentos
mais baixos do cinema nacional. Exibido fora de
concurso no Festival
de Berlim em fevereiro, o filme recebeu elogios rasgados do diretor
da Mostra Panorama, Wieland Speck, que o incluiu no evento deste ano,
além de receber críticas positivas da revista Variety
e convites para se apresentar em vários festivais, incluindo os
de Seattle (EUA), Amiens (França, San Sebastian (Espanha), Rotterdam
(Holanda) e Cuba.
Retirado da literatura há anos, onde deixou fincado os marcos Um
Copo de Cólera e Lavoura Arcaica (que também
ganhou sua versão para as telas, por Luiz Fernando Carvalho), Raduam
Nassar hoje vive da agropecuária, experiência que valeu a
frase jocosa: "não há criação literária
que se compare a uma criação de galinhas". Apaixonado
pelo texto e na contra-mão dessa aposentadoria, Aluizio Abranches
parece declarar que não há criação literária
que se compare a Um Copo de Cólera.
(Cássia Borsero)
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