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Vulcões da lua Io estão ativos desde quando o Sol era bebê

Novo estudo indica que os vulcões de Io podem estar ativos por pelo menos 4,57 bilhões de anos, o que corresponde à infância do Sol e do nosso sistema

18 abr 2024 - 14h48
(atualizado às 17h10)
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A lua Io, de Júpiter, esteve vulcanicamente ativa nos últimos 4,57 bilhões de anos, ou seja, desde a época em que o Sistema Solar se formou. A descoberta foi feita por cientistas que analisaram a atmosfera do satélite natural joviano em busca de enxofre e de cloro.

Foto: NASA / Canaltech

A atividade vulcânica por lá é resultado das interações gravitacionais entre Júpiter e as luas Io, Europa e Ganimedes; o cabo de guerra gravitacional ali gera forças de maré intensas no interior de Io, que levam ao vulcanismo.

No entanto, o que não estava claro era desde quando a lua estava exposta à influência de Júpiter e das luas vizinhas. E descobrir isso não é fácil, pois os fluxos de lava renovam sua superfície constantemente e cobrem qualquer estrutura antiga, deixando-a geologicamente jovem.

Segundo os autores, simulações computacionais publicadas nas últimas décadas mostraram que o trio de luas pode ter entrado em ressonância orbital quando estavam em formação. "A ressonância é o que causa o vulcanismo", disse Katherine de Kleer, autora que liderou o estudo.

Io observada pela sonda Juno na luz infravermelha (Imagem: Reprodução/NASA/JPL-Caltech/SwRI/ASI/INAF/JIRAM)
Io observada pela sonda Juno na luz infravermelha (Imagem: Reprodução/NASA/JPL-Caltech/SwRI/ASI/INAF/JIRAM)
Foto: Canaltech

"Portanto, faz sentido que, se as luas estivessem nessa configuração desde o momento de sua formação, Io teria sido vulcânica durante esse mesmo período", acrescentou. Assim, para investigar o passado da lua, eles usaram o telescópio ALMA para procurar pistas que poderiam estar na atmosfera.

Os pesquisadores procuraram por moléculas com radioisótopos do enxofre e cloro, elementos mais frequentes nas formas de isótopos pesados. Eles descobriram que, em Io, o vulcanismo gera um ciclo de reciclagem entre os compostos dentro da lua e em sua atmsofera, que fez com que perdesse até 96% dos isótopos leves de enxofre.

Para isso acontecer, Io precisaria ter atividade vulcânica por bilhões de anos — mais especificamente, desde a sua formação. "Essa é uma boa confirmação de algumas previsões anteriores que foram feitas", explicou. 

Nos próximos passos, os pesquisadores planejam tentar descobrir se Io já foi mais fria, e se mudou devido ao vulcanismo. "Quanto ao que está por vir, eu adoraria saber se Io já teve um oceano de água e uma crosta de gelo, como suas vizinhas Europa e Ganimedes, que foram posteriormente perdidos por vulcanismo ou por algum outro meio", concluiu ela.

O artigo com os resultados do estudo foi publicado na revista Science.

Fonte: Science, Space.com

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