"Vou construir trilhos onde as lhamas pastam": o trem que cruza 68 túneis e 55 pontes a quase 5 mil metros de altitude nos Andes
Ferrovia Central do Peru levou 38 anos para ser concluída e ainda não sabe como se modernizar
Para ir do ponto A ao ponto B, o caminho mais curto é uma linha reta, mas quando se tem um terreno pontilhado de montanhas, as coisas mudam e o transporte se torna um verdadeiro desafio. Um bom exemplo é a longíssima Rodovia Pan-Americana, que percorre todo o continente americano... exceto por um trecho, uma selva impenetrável. Não é preciso sair do continente para encontrar outro meio de transporte que é uma verdadeira dor de cabeça: a Ferrovia Central do Peru.
Ferrovia no coração dos Andes
A Ferrovia Central do Peru possui uma linha de 490 quilômetros com 34 estações. A ferrovia inicia seu percurso no porto de Callao, no Pacífico, passa por Lima e, graças a dois ramais em La Oroya, conecta a capital a cidades andinas como Cerro de Pasco e Huancayo. Atravessa desertos e paisagens cobertas de neve, passando por 68 túneis, 55 pontes e 9 curvas em zigue-zague, segundo a concessionária oficial da ferrovia.
Das ferrovias com bitola padrão de 1.435 mm, é a única na América do Sul que opera a uma altitude de aproximadamente 4.782 metros acima do nível do mar, especificamente no Túnel Galera. Atinge seu ponto mais alto em "La Cima", a 4.835 metros, apenas 27 metros acima da Ferrovia Mineira de Antofagasta, no Chile. Por décadas, foi a ferrovia mais alta do mundo, mas em 2006, a Ferrovia Qinghai-Tibete, na China, que alcança 5.072 metros, tomou o título.
Essencial para a mineração
Essa infraestrutura resolveu um dos maiores problemas do Peru no século XIX (e antes): sua geografia dividia ...
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