PUBLICIDADE
URGENTE
Saiba como doar qualquer valor para o PIX oficial do Rio Grande do Sul

Vale a pena comprar um Steam Deck?

Pioneiro dos consoles portáteis para jogos de PC, o Steam Deck geralmente é a primeira lembrança quando falamos do assunto; mas será que vale a pena comprar um?

20 abr 2024 - 22h31
(atualizado em 22/4/2024 às 11h31)
Compartilhar
Exibir comentários

O Steam Deck foi lançado em fevereiro de 2022 e estreou o novo segmento de consoles portáteis para jogos de PC. Com a chegada de novos players nesse mercado, como Lenovo Legion Go e ASUS ROG Ally, o Canaltech revisitou o Steam Deck para ver como ele se sai agora que temos mais base de comparação e esclarecer se vale a pena comprar o portátil pioneiro.

Foto: Ivo Meneghel Jr/Canaltech / Canaltech

Claramente inspirada no sucesso do Nintendo Switch, a Valve projetou o Steam Deck para oferecer uma experiência intuitiva para todos os usuários, e não apenas PC gamers veteranos, acostumados aos problemas inerentes do ecossistema do PC. 

Para isso, a empresa utilizou uma distribuição Linux do SteamOS desenvolvida sob medida para o console, mas escondeu todos os detalhes mais complexos dentro do modo Big Picture da Steam.

Interface intuitiva — Ligou, logou, jogou

Logo de saída o usuário já é direcionado para uma tela de criação de conta ou login na Steam desde a primeira inicialização. Para quem não tiver interesse em — ou noção sobre como — explorar camadas mais profundas do Steam Deck OS, é provável que nunca será necessário alternar para o modo desktop, mas o processo geral é bem simples.

É bastante raro precisar acessar a interface do sistema operacional do Steam Deck, mas quando necessário basta segurar o botão de energia para abrir o menu e alternar. (Imagem: Daniel Trefilio / Canaltech)
É bastante raro precisar acessar a interface do sistema operacional do Steam Deck, mas quando necessário basta segurar o botão de energia para abrir o menu e alternar. (Imagem: Daniel Trefilio / Canaltech)
Foto: Canaltech

Segurar o botão de power abre um menu para trocar de conta, reiniciar ou desligar o console, e acessar o modo desktop com o Linux nativo baseado em Proton. Apesar de não ser obrigatório, conhecer a função pode ajudar a gerenciar o armazenamento no Steam Deck, já que alguns jogos como Final Fantasy 14 utilizam clientes de instalação próprios e para uma desinstalação completa será preciso buscar a apagar a pasta do jogo após removê-lo da Steam.

Salvo por esses casos extremamente pontuais, toda a experiência do Steam Deck é dentro do Big Picture, com atalhos utilizando os botões Steam e Menu (...). Além disso, todos os jogos que rodarem no Steam Deck, mesmo que acusem não ter suporte oficial, como Guild Wars 2, já reconhecem automaticamente o mapeamento de controles, buscando o mais votado pela comunidade na falta de um layout oficial.

Isso faz com que a experiência geral do Steam Deck seja o que se espera, de fato, de um console. Com todas as funcionalidades essenciais, entre instalação, aquisição, e execução de jogos, encapsulada em uma interface intuitiva e bastante limpa, as equipes de UI e UX que trabalharam no console realizaram um trabalho excelente. 

Mesmo jogos como Guild Wars 2, sem suporte oficial ao Steam Deck, rodam incrivelmente bem no portátil e reconhecem automaticamente mapeamentos de controles da comunidade. (Imagem: Daniel Trefilio / Canaltech)
Mesmo jogos como Guild Wars 2, sem suporte oficial ao Steam Deck, rodam incrivelmente bem no portátil e reconhecem automaticamente mapeamentos de controles da comunidade. (Imagem: Daniel Trefilio / Canaltech)
Foto: Canaltech

Biblioteca da Steam — mas não precisa ser

Um ponto divisivo da interface simples é a restrição aos jogos da Steam otimizados para Proton. Isso porque os jogos de PC são pensados, principalmente, para o ecossistema do Windows, deixando de fora outros sistemas operacionais como Linux e macOS (baseado em Unix).

Inclusive, essa é outra confusão acerca de como os jogos da Steam rodam no SteamOS: o Proton não é uma distribuição propriamente dita, mas uma camada intermediária entre os softwares e o sistema operacional, que cria um modo compatibilidade com o nível mais complexo e baixo nível de instruções geralmente utilizado em Linux.

Mesmo limitado à biblioteca oficial da Steam, isso está longe de ser um problema para o Steam Deck, já que ela é uma das mais completas entre as lojas de games no PC. (Imagem: Daniel Trefilio / Canaltech)
Mesmo limitado à biblioteca oficial da Steam, isso está longe de ser um problema para o Steam Deck, já que ela é uma das mais completas entre as lojas de games no PC. (Imagem: Daniel Trefilio / Canaltech)
Foto: Canaltech
Daniel Trefilio / Canaltech
Daniel Trefilio / Canaltech
Foto: Canaltech
Daniel Trefilio / Canaltech
Daniel Trefilio / Canaltech
Foto: Canaltech
Daniel Trefilio / Canaltech
Daniel Trefilio / Canaltech
Foto: Canaltech
Daniel Trefilio / Canaltech
Daniel Trefilio / Canaltech
Foto: Canaltech
Daniel Trefilio / Canaltech
Daniel Trefilio / Canaltech
Foto: Canaltech

Por não estar restrita ao modo Big Picture e operar diretamente no nível do sistema, até certo ponto, é possível rodar jogos que não estejam disponíveis na biblioteca da Steam. Ao tentar instalar jogos no modo compatibilidade, o console irá criar uma pequena partição que emula a estrutura de arquivos do Windows, e exige baixar o instalador no modo desktop, adicioná-lo à Steam como se fosse um jogo e forçar o modo compatibilidade.

Contudo, as chances de o processo não funcionar são altas, raramente compensando o esforço. Vale o adendo que jogos da Epic Games Store, GOG e outras lojas, precisam utilizar o launcher terceirizado Heroic Games, e mesmo assim Fortnite e outros títulos desenvolvidos pela Epic não vão rodar.

Modo desktop é necessário para instalar jogos não presentes na biblioteca da Steam. (Imagem: Daniel Trefilio / Canaltech)
Modo desktop é necessário para instalar jogos não presentes na biblioteca da Steam. (Imagem: Daniel Trefilio / Canaltech)
Foto: Canaltech
Daniel Trefilio / Canaltech
Daniel Trefilio / Canaltech
Foto: Canaltech
Daniel Trefilio / Canaltech
Daniel Trefilio / Canaltech
Foto: Canaltech
Daniel Trefilio / Canaltech
Daniel Trefilio / Canaltech
Foto: Canaltech
Daniel Trefilio / Canaltech
Daniel Trefilio / Canaltech
Foto: Canaltech
Daniel Trefilio / Canaltech
Daniel Trefilio / Canaltech
Foto: Canaltech
Daniel Trefilio / Canaltech
Daniel Trefilio / Canaltech
Foto: Canaltech
Daniel Trefilio / Canaltech
Daniel Trefilio / Canaltech
Foto: Canaltech

Resumidamente, o Steam Deck foi projetado para rodar apenas os jogos da biblioteca da Steam, e qualquer coisa fora disso fica por conta e risco do usuário. Uma saída para donos do Steam Deck OLED de 1 TB — ou que expandiram o armazenamento interno — é criar um dual boot, com uma partição em Windows e outra com o SteamOS, mas para o gamer médio, a experiência é a mesma ou superior à dos donos do Switch.

Pouco armazenamento

Um problema do Steam Deck — e de todos os portáteis da concorrência — ainda é o armazenamento interno. A maioria dos jogos para PC têm instalações muito maiores que de consoles convencionais, com a média partindo de 50 GB e muitos lançamentos passando com folga dos 100 GB.

Trocar o SSD do Steam Deck base é um pouco complexo pois exige soltar uma gaiola térmica para acessar o conector da bateria e slot NVMe M.2 2230. (Imagem: Daniel Trefilio / Canaltech)
Trocar o SSD do Steam Deck base é um pouco complexo pois exige soltar uma gaiola térmica para acessar o conector da bateria e slot NVMe M.2 2230. (Imagem: Daniel Trefilio / Canaltech)
Foto: Canaltech

Sendo assim, a versão base do Steam Deck com SSD de 256 GB que testei tem uma capacidade bastante restrita para jogos. Até é possível utilizar cartões microSD para expandir o armazenamento de forma simples, mas os tempos de carregamento e o próprio desempenho em alguns jogos fica muito prejudicado.

As velocidades de leitura de um SSD NVMe PCIe 3.0, padrão utilizado de fábrica no Steam Deck, são de até 3.500 MB/s em média, enquanto os cartões de memória mais rápidos raramente chegam a 200 MB/s. Outra questão é que os microSDs mais rápidos também são tão ou mais caros que alguns SSDs NVMe.

Por incrível que pareça, a solução ideal é simplesmente trocar o SSD interno do Steam Deck, mas isso implica em um investimento extra e um pouco de habilidade, pois a primeira versão traz uma cobertura metálica sobre o SSD e conector de bateria, dificultando o processo.

A Valve amenizou esse problema no Steam Deck OLED trazendo versões com 512 GB e 1 TB, além de melhorar a estrutura interna para facilitar a troca do SSD. De qualquer forma, o volume ainda é relativamente baixo para muitos usuários, e SSDs externos dependem da única porta USB-C do console, a mesma utilizada para carregamento. 

Disposição dos controles

Em termos de conforto, os controles do Steam Deck são bastante competentes, mas sua disposição é pouco intuitiva, por posicionarem os botões bem próximos das bordas, ao lado dos analógicos. A Valve optou por essa disposição para acomodar os dois trackpads mais centralizados.

Posição dos controles do Steam Deck foge do convencional, com D-Pad e botões ABXY imediatamente ao lado dos analógicos. (Imagem: Ivo Meneghel Jr / Canaltech)
Posição dos controles do Steam Deck foge do convencional, com D-Pad e botões ABXY imediatamente ao lado dos analógicos. (Imagem: Ivo Meneghel Jr / Canaltech)
Foto: Canaltech

O problema é que, ao menos na versão base, esses trackpads são muito ruins. A sensibilidade é estranha, tentar pressioná-los para "clicar" é um caos, pois eles têm alturas de atuação similares a de botões convencionais, e o clique sempre tira o cursor do lugar.

Por sorte os botões de ombro (R1 e L1) também funcionam como os cliques direito e esquerdo do mouse, mas o instinto é sempre clicar no trackpad e, consequentemente, passar um pouco de raiva.

Ter o D-Pad e os botões ABXY muito próximos aos ombros do console também é um pouco desconfortável no começo, mas nada que algumas horas jogando não resolva. 

Não vende no Brasil

O maior problema real do console é que, apesar de ter página oficial totalmente localizada em português brasileiro, ele ainda não é comercializado oficialmente no país.

Até onde se sabe, a Valve sequer planeja lançar o produto por aqui, dificultando o processo de adquirir um Steam Deck, independentemente da versão.

Steam Deck ainda não é comercializado oficialmente no Brasil. (Imagem: Valve / Reprodução)
Steam Deck ainda não é comercializado oficialmente no Brasil. (Imagem: Valve / Reprodução)
Foto: Canaltech

Isso obriga os interessados a apelarem para o mercado cinza, market places, pedir para algum amigo ou parente trazer de fora, ou comprar de segunda mão. Várias lojas que trabalham com importação direta anunciam o Steam Deck OLED de 512 GB por até R$ 5 mil.

O valor ainda é bem mais baixo que o praticado pela Lenovo e ASUS nos Legion Go e ROG Ally, mas além de seus produtos serem mais completos em termos de hardware, sempre existe o risco de o Steam Deck não chegar ou ser taxado na importação.

Melhor experiência no hardware mais fraco

Comparando o hardware dos três concorrentes, a APU Zen 2 do portátil da Valve é bem inferior à Zen 4 do Lenovo Legion GO e ASUS ROG Ally, e por isso mesmo sua tela é apenas HD (720p). Por outro lado, a otimização intensa que a dona da Steam realizou no sistema operacional sob medido entrega uma experiência de uso muito superior.

Mesmo com hardware mais fraco dos três portáteis para jogos de PC, Steam Deck tem a melhor experiência geral. (Imagem: Ivo Meneghel Jr / Canaltech)
Mesmo com hardware mais fraco dos três portáteis para jogos de PC, Steam Deck tem a melhor experiência geral. (Imagem: Ivo Meneghel Jr / Canaltech)
Foto: Canaltech

Tudo é relativamente mais fácil no Steam Deck e o que não é, simplesmente cai na seara dos consoles tradicionais de "não foi pensado para isso". Por si só, isso já faz vale a pena comprar o Steam Deck, sim. A única barreira mesmo é encontrar uma forma confiável de trazer o aparelho para o Brasil, e estar ciente que não ter representação oficial no país também implica em não ter direito a garantia local.

Trending no Canaltech:

Canaltech
Compartilhar
Publicidade
Publicidade