Por que robôs humanoides estão realizando tarefas da segurança às residências? Especialista aponta tendência
Avanço nas baterias, IA e motores elétricos aceleram presença desses robôs na indústria
Os robôs humanoides deixaram de ser apenas personagens de filmes de ficção científica para ocupar cada vez mais espaço no mundo real. Nas últimas semanas, vídeos de robôs humanoides fazendo segurança em fronteiras e bairros, correndo como atletas e até jogando tênis de mesa viralizaram e levantaram questionamentos sobre por que estamos vendo cada vez mais deles.
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Os robôs humanoides estão cada vez mais capazes de realizar tarefas complexas, reforçando uma tendência que acelera de forma silenciosa nos bastidores da tecnologia. Se antes eles apareciam mais na indústria, hoje esses robôs estão cada vez mais perto de terem tarefas dentro de nossas casas.
Para o professor Marcos Barretto, pesquisador da Fundação Vanzolini e da Escola Politécnica da USP, o crescimento dos robôs humanoides não é apenas uma impressão causada pela internet. Segundo ele, há uma combinação de avanços tecnológicos que finalmente tornou esses projetos mais viáveis.
“A gente está vendo mais robôs humanoides porque de repente a gente começa a ter tecnologia para tê-los”, simplifica.
Baterias, motores e IA aceleram humanoides
Barretto explica que três fatores foram fundamentais para a popularização recente dos robôs: a evolução das baterias, motores elétricos mais compactos e a inteligência artificial. “O grande problema com robôs humanoides era a bateria. Não tem graça você ter o robô humanoide com um cabo para ligá-lo numa tomada.”
Segundo ele, o avanço da indústria automotiva ajudou diretamente a acelerar esse desenvolvimento, permitindo maior capacidade energética em dispositivos menores. Paralelamente, motores elétricos ficaram mais potentes e compactos, tornando possível criar máquinas capazes de sustentar o próprio peso e executar movimentos mais complexos.
Mas é a inteligência artificial (IA) que vem dando aos robôs habilidades antes consideradas praticamente impossíveis. “Vários dos movimentos que de outra forma seriam quase impossíveis de programar, na base da cópia, ou seja, o robô copiando um ser humano fazendo esse movimento, isso se torna possível”, explica.
O especialista, que trabalha com robótica humanoide há mais de três décadas, resume o momento atual como uma virada histórica. “Esses são os elementos principais que geraram, no final, essa explosão”.
Da indústria ao dia a dia: por que usar robôs humanoides?
O aumento da presença desses robôs em funções de vigilância e segurança chama atenção justamente porque muitas dessas tarefas já poderiam ser feitas por câmeras e sensores tradicionais. Ainda assim, a forma humana deles faz diferença. “Há nessa presença alguma coisa mais forte do que só uma câmera”, diz Barretto.
Para o especialista, uma das aplicações mais promissoras a curto prazo está justamente na área de segurança. A expectativa é que robôs humanoides passem a circular em locais como shoppings, condomínios e áreas privadas realizando monitoramento ativo.
Mas por que não usar máquinas comuns, e sim robôs que lembram humanos? O formato humanoide tem uma relação direta com a ergonomia e adaptação aos espaços, que são criados para uso humano, segundo o professor.
“É uma questão ergonômica. A gente não conseguiu imaginar coisas muito melhores do que pernas e braços quando precisa de alguma coisa que tenha flexibilidade do ser humano”.
Robôs humanoides vão poder fazer tarefas em casa?
Apesar dos testes impressionantes com robôs atletas e acrobatas, as tarefas domésticas, como lavar a louça e limpar a casa, ainda desafiam a robótica. “O grande sonho de todo mundo é a Rosie, o robô dos Jetsons”, brinca o professor, citando a clássica empregada-robô do desenho animado.
Mas há um detalhe curioso: lavar louça continua sendo mais difícil para os robôs do que fazer parkour. “Lavar prato realmente é uma atividade ainda 100% humana”, afirma, para a infelicidade de muitos.
Mesmo assim, o professor defente que a presença de robôs humanoides no ambiente doméstico é questão de tempo. Os primeiros usos em tarefas domésticas repetitivas, como levar objetos de um canto da casa para outro, podem ser mais simples e devem acontecer em menos de 10 anos. Empresas trabalham treinando modelos de IA para que isso se torne possível.
Um exemplo, que não tem formato humanoide, é o robô aspirador de pó, que já está presente em muitos lares. Alguns robôs que executam tarefas domésticas podem ter formatos diferentes, dependendo da função.
Robôs vão substituir empregos?
A possibilidade de substituição de trabalhadores ainda alimenta debates e preocupações. Para Barretto, porém, a história mostra que novas tecnologias tendem mais a transformar funções do que eliminar completamente o trabalho humano.
“O mundo vai se adaptando e a gente vai achando caminhos dentro dessa confusão”, opina. Ele compara o momento atual à chegada dos robôs industriais nos anos 1980. Na época, havia temor de desemprego em massa na indústria automobilística, algo que não aconteceu da forma prevista, e muitos trabalhadores foram para outras áreas.
Ao mesmo tempo, o pesquisador reconhece que as mudanças podem ser difíceis para quem é diretamente impactado. Para ele, a tendência é que humanos e máquinas passem a coexistir de forma cada vez mais integrada.
Pelo ritmo da tecnologia, os robôs humanoides deixam de ser apenas demonstrações futuristas e passam a integrar a vida cotidiana, nas ruas, nas fábricas e em um futuro próximo, dentro das casas.

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