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Primeiros testículos criados em laboratório mostram potencial

Primeiros testículos criados em laboratório tiveram uma vida útil de nove semanas, o que foi bem recebido pelos cientistas (foram usadas células de roedores)

20 fev 2024 - 19h24
(atualizado em 21/2/2024 às 09h42)
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Um verdadeiro avanço para a ciência da reprodução: os primeiros testículos criados em laboratório podem até ser capazes de produzir espermatozoides. O experimento, publicado pelo periódico International Journal of Biological Sciences, foi formado a partir de células testiculares retiradas de camundongos recém-nascidos.

Foto: Freepik / Canaltech

Em dois dias, os testículos criados em laboratório desenvolveram estruturas tubulares e padrões de organização celular semelhante à realidade.

Vale observar que, normalmente, organoides desse tipo se assemelham a órgãos em seu estágio embrionário, mas dessa vez, foi possível fazer com que os testículos chegassem ao estágio adulto. Ao todo, os pequenos testículos resistiram durante nove semanas, chegando a expandir de tamanho até colapsar.

Foi um bom período de vida útil, em comparação com o processo de espermatogênese que acontece em ratos vivos — cerca de 35 dias. A expectativa dos pesquisadores é que o organoide criado em laboratório possa completar este ciclo e produzir esperma dentro deste prazo.

Testículos criados em laboratório talvez possam produzir espermatozoides (Imagem: iLexx/envato)
Testículos criados em laboratório talvez possam produzir espermatozoides (Imagem: iLexx/envato)
Foto: Canaltech

O estudo menciona que os testículos produziram "primeiras indicações de que podem apoiar a entrada de [células estaminais espermatogoniais] na meiose", ou seja: o processo pelo qual espermatozoides são produzidos. Por isso, futuros estudos podem ajudar a descobrir isso de maneira mais concreta.

Testículos artificiais

Em comunicado da Bar-llan University (Israel), os autores do estudo declaram que "os testículos artificiais são um modelo promissor para a investigação básica sobre o desenvolvimento e função dos testículos, que pode ser traduzido em aplicações terapêuticas para distúrbios do desenvolvimento sexual e infertilidade".

O comunicado em questão ainda acrescenta que o testículo é responsável pela produção de espermatozoides e síntese de testosterona, e que anormalidades no desenvolvimento e função dos testículos levam a distúrbios, mas que "atualmente, não existe nenhum sistema in vitro para modelar os testículos. Os testículos artificiais são um avanço significativo, que pode eventualmente levar à produção de espermatozoides em laboratório".

Infertilidade

Em um levantamento de 2023, a Organização Mundial da Saúde (OMS) estimou que 17,5% da população adulta sofre com infertilidade, ou seja: uma a cada seis pessoas no mundo. Mas considerando fatores como a subnotificação (ou seja, os casos passam despercebidos), esse número pode ser ainda mais elevado.

Logo, os primeiros testículos criados em laboratório representam uma esperança, ainda que essa luz do fim do túnel esteja realmente distante. Há um longo caminho pela frente até que essas descobertas representem algo mais aplicável à nossa realidade. Ainda assim, a tecnologia surpreende a cada dia com novas formas de reprodução assistida, por exemplo.

Fonte: International Journal of Biological Sciences, Bar-llan University

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