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Por que cientistas estão atualizando vacinas de mRNA contra covid-19?

Melhoria de vacinas de mRNA, tecnologia que ganhou prêmio Nobel, busca mais eficiência e segurança aos imunizantes, mas quem já os recebeu pode seguir tranquilo

8 dez 2023 - 19h58
(atualizado em 9/12/2023 às 14h43)
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A tecnologia de mRNA presente em algumas das vacinas mais utilizadas contra a covid-19 pode ter ganhado até o Prêmio Nobel, mas não significa que ela não possa ser melhorada. É exatamente isso que alguns cientistas estão fazendo: estudando aspectos dessa técnica para melhorá-la, garantindo uma imunização cada vez mais eficiente e segura. Ao mesmo tempo, a notícia não deve causar preocupações em quem já recebeu vacinas da Pfizer ou da Moderna.

Foto: Wavebreakmedia/Envato Elements / Canaltech

Estudos anteriores já haviam descoberto uma modificação química que acontece em algumas moléculas de mRNA incluídas nas vacinas, que, por sua vez, fazem com que as sequências "escorreguem" enquanto estão sendo decodificadas na célula. Essa modificação, chamada N1-metilpseudouridina, causou respostas imunes em cerca de um ⅓ de 21 pacientes que participaram de uma pesquisa recente. O que isso quer dizer?

Melhorando vacinas de mRNA

Algumas das moléculas nas vacinas de mRNA são modificadas por cientistas para ficarem mais duráveis ao evitar que o sistema imune humano as destrua antes de fazerem efeito e simularem a resposta ao coronavírus em nosso corpo. Publicado na revista científica Nature, o recente estudo mostra que, às vezes, essas mudanças podem fazer com que células interpretem erroneamente o mensageiro de mRNA, fazendo com que versões anormais da proteína spike do coronavírus sejam produzidas.

As vacinas de mRNA continuam sendo melhoradas, o que não quer dizer que os imunizantes já aplicados ofereçam riscos a quem já os recebeu — não há efeitos adversos provados vindos da tecnologia (Imagem: Pfizer Brasil)
As vacinas de mRNA continuam sendo melhoradas, o que não quer dizer que os imunizantes já aplicados ofereçam riscos a quem já os recebeu — não há efeitos adversos provados vindos da tecnologia (Imagem: Pfizer Brasil)
Foto: Canaltech

Após descobrir isso, a equipe conseguiu corrigir as sequências com maior probabilidade de gerar os erros químicos, produzindo apenas as proteínas desejadas e gerando a resposta imune pretendida. Além de melhorar o entendimento da ciência sobre o funcionamento das vacinas, isso faz com que usos futuros da tecnologia, inclusive no tratamento e prevenção de outras doenças, como o câncer, evite esse problema.

Não se sabe, no entanto, quais seriam as consequências dessa resposta imune diferente — os pacientes estudados não tiveram sintomas sérios, mas suas respostas de anticorpos não foram analisadas, já que o foco era a tecnologia de mRNA.

Os cientistas pretendem estudar o caso mais a fundo para descobrir quais efeitos adversos poderiam advir dessa modificação na proteína spike, mas eles garantem que as vacinas já aplicadas com a tecnologia são seguras, e que seus efeitos superam — e muito — qualquer risco posto pela sua aplicação. Alguns casos provados de efeitos adversos incluem impactos no ciclo menstrual e raras ocorrências de miocardite (inflamação cardíaca).

Fonte: Nature

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