Oceanos se aproximam de temperaturas recordes antes mesmo de retorno do El Niño
Os oceanos do mundo podem registrar temperaturas recordes em maio, com o retorno previsto do fenômeno de aquecimento El Niño, alertou o observatório climático europeu Copernicus nesta sexta-feira (8). As temperaturas médias da superfície do mar, excluindo as regiões polares, já quase atingiram o maior nível histórico para o mês de abril, registrado em 2024, de acordo com o relatório mensal da instituição.
"É apenas uma questão de dias até termos temperaturas recordes na superfície do mar" em maio, disse Samantha Burgess, diretora-adjunta do Serviço de Mudanças Climáticas Copernicus, que faz parte do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo, à AFP.
Março é tipicamente o mês mais quente nos oceanos. Ondas de calor marinhas recordes estão percorrendo uma vasta região que se estende do Pacífico equatorial central até a costa oeste dos Estados Unidos e do México.
O El Niño é uma das fases de um ciclo natural no Oceano Pacífico, que geralmente começa na primavera do Hemisfério Norte e afeta gradualmente as temperaturas, os ventos e o clima em todo o mundo nos meses seguintes. Em algumas regiões, o fenômeno provoca mais secas, como no norte do Brasil ou na Indonésia. Outras, como o Peru, terão que se preparar para chuvas torrenciais.
O último El Niño ocorreu em 2023/2024. A Organização Meteorológica Mundial (OMM) alertou que o retorno do fenômeno é cada vez mais provável entre maio e julho, à medida que o ciclo oposto, La Niña, diminui.
El Niño intensifica efeitos do aquecimento global
Essas previsões são baseadas nas temperaturas observadas em uma área específica do Oceano Pacífico. O problema no mundo atual é que, embora o El Niño ocorra naturalmente e regularmente, ele agora agrava o aquecimento causado por atividades humanas que liberam dióxido de carbono, criando o efeito estufa.
Algumas agências meteorológicas preveem que o próximo El Niño será mais forte do que o de três anos atrás, talvez até rivalizando com o "super El Niño" de 1997/1998. O ano de 2027 poderá quebrar todos os recordes de temperaturas globais.
O efeito na temperatura média global geralmente é observado no ano seguinte à sua ocorrência, aumentando as preocupações com um 2027 muito quente. Zeke Hausfather, climatologista do Instituto Breakthrough, prevê que 2027 quebrará o recorde anual estabelecido em 2024. Samantha Burgess acredita que ainda é muito cedo para prever a intensidade do evento com certeza, já que as previsões feitas na primavera ainda são imperfeitas.
No entanto, ela concorda que, independentemente da intensidade, este El Niño não passará despercebido, considerando "provável que 2027 ultrapasse 2024 e se torne o ano mais quente já registrado".
Eventos climáticos extremos
Em seu boletim mensal, o Copernicus confirma que o gelo marinho do Ártico mal se recuperou neste inverno, com áreas próximas a mínimas históricas. Em todos os oceanos e em terra, abril de 2026 está classificado como o terceiro abril mais quente já registrado globalmente.
Abril também foi marcado por diversos eventos climáticos extremos: ciclones tropicais no Pacífico, inundações no Oriente Médio e na Ásia Central e Meridional, e secas no sul da África.
Enchentes atingiram grande parte da Península Arábica, enquanto partes do Irã, Afeganistão, Arábia Saudita e Síria sofreram inundações e deslizamentos de terra significativos, resultando em mortes.
"Estamos vendo eventos climáticos extremos com frequência cada vez maior. A cada mês, temos mais dados que confirmam que o impacto das mudanças climáticas está impulsionando esses eventos extremos", observa Burgess.
Com AFP
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