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Nova classe de antibióticos elimina superbactérias e pode salvar milhões

Em testes com animais, única dose de uma nova classe de antibióticos foi capaz de combater bactérias resistentes no sangue; remédio pode revolucionar a saúde

11 abr 2024 - 18h12
(atualizado às 21h48)
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Na Suécia, pesquisadores da Universidade de Uppsala obtiveram excelentes resultados com uma nova classe de antibióticos, capaz de combater e eliminar bactérias resistentes no sangue. Por enquanto, os testes foram feitos em ratos.

Foto: leungchopan/envato / Canaltech

Com uma única dose dessa nova classe de antibióticos, os cientistas afirmam que os animais melhoraram significativamente. Se os resultados forem igualmente positivos em humanos, é possível que o novo remédio revolucione a saúde e salve milhões de vidas — hoje, a resistência antimicrobiana é uma grave causa de óbitos em todo o mundo.

Anteriormente, a Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou para a necessidade do investimento e do desenvolvimento de novos antibióticos. Afinal, as superbactérias se proliferam cada vez mais, enquanto falta inovação neste combate. Entretanto, a nova pesquisa pode mudar isso, como indicam os testes pré-clínicos.

Mortes por superbactérias

Para entender o problema, é preciso esclarecer que as superbactérias são aqueles patógenos que não podem ser eliminados através de medicamentos comuns, como antibióticos encontrados em farmácias. Isso porque esses organismos desenvolveram resistência, ao longo de gerações.

Nova classe de antibióticos vai combater as superbactérias, como a E. coli (Imagem: Janice Haney Carr/CDC)
Nova classe de antibióticos vai combater as superbactérias, como a E. coli (Imagem: Janice Haney Carr/CDC)
Foto: Canaltech

Segundo estudo internacional, publicado na revista The Lancet, quase cinco milhões de mortes foram provocadas pela resistência antimicrobiana, em 2019. Vale notar que a estimativa é de antes da pandemia da covid-19, onde os antibióticos foram usados em excesso. No momento, é possível supor que as mortes sejam ainda maiores.

Entre as bactérias mais associadas a mortes por resistência antimicrobiana, estão: 

  • Escherichia coli;
  • Staphylococcus aureus;
  • Klebsiella pneumoniae;
  • Streptococcus pneumoniae;
  • Acinetobacter baumannii;
  • Pseudomonas aeruginosa

Nos testes pré-clínicos para o novo antibiótico, desenvolvidos na Suécia, a medicação demonstrou ser eficaz no combate de duas das bactérias mais mortais, a Escherichia coli (capaz de causar infecções intestinais e no sangue) e a Klebsiella pneumoniae (infecções nos pulmões, na bexiga e no sangue). Ambas são bactérias gram-negativas.

Foco da nova classe de antibióticos

Publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (Pnas), o estudo com os novos antibióticos explica que a medicação mira numa enzima específica, conhecida como LpxH. Esta é encontrada na membrana de aproximadamente 70% das bactérias gram-negativas.

"O desenvolvimento adicional desta classe de antibióticos poderá dar um contributo importante para a luta contínua contra a resistência aos antibióticos", afirmam os autores, em artigo. Em tese, poderão salvar milhões de vidas.

Testando o remédio contra infecções bacterianas

No experimento, os ratos foram separados em dois grupos, sendo que cada um foi infectado por uma cepa resistente da bactéria E. coli ou K. pneumoniae. Após os patógenos se espalharem e chegarem ao sangue — onde são potencialmente mortais, já que são associados à sepse —, os pesquisadores começaram o tratamento, com duas fórmulas levemente diferentes: EBL-3599 e EBL-3647.

Após uma única dose, os animais apresentaram sinais de melhora. "A capacidade destes compostos em reduzir fortemente o número de bactérias no sangue, em apenas uma sessão de dose única, destaca o seu potencial para tratar as infecções mais potencialmente fatais com patógenos gram-negativos", sugerem os autores.

Agora, a equipe precisa aperfeiçoar o medicamento e testar a formulação "ideal" em mais experimentos envolvendo modelos animais. No futuro, os testes poderão ser feitos com seres humanos, o que poderá contribuir para o controle da resistência antimicrobiana.

Fonte: PnasUniversidade de Uppsala e The Lancet  

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