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Maioria dos casos de infecção hospitalar vem da pele dos pacientes

Contrariando a lógica, a origem da maior parte das infecções hospitalares não tem relação com o hospital; na verdade, a bactéria já pode viver na pele da pessoa

12 abr 2024 - 19h45
(atualizado em 14/4/2024 às 09h54)
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As infecções hospitalares são um grave problema para a saúde pública. Inclusive, estão associadas com elevados níveis de óbitos após uma cirurgia e são uma causa recorrente de readmissão hospitalar. Eis que pesquisadores dos Estados Unidos acabaram de descobrir que, na maioria das vezes, esses patógenos já viviam na pele dos pacientes — este é o improvável local de origem da maioria das bactérias.

Foto: S_kawee/Envato / Canaltech

Para ser preciso, 86% das bactérias que causam infecção hospitalar, após uma cirurgia de coluna, já estavam presentes no corpo do paciente. É o que revelam os médicos e os cientistas do Centro Médico de Harborview, que é parte da Universidade de Washington. 

Enquanto estão na pele (parte externa) dos pacientes, esses patógenos não causam nenhum sintoma. Os problemas começam quando eles entram dentro do organismo, durante o procedimento cirúrgico, disseminando infecções e, em alguns casos, chegando até a corrente sanguínea, onde podem ser mortais.

Origem das infecções hospitalares

Toda a pesquisa, recém-publicada na revista Science Translational Medicine, começou a partir do seguinte dado: a cada 30 procedimentos cirúrgicos, um paciente é acometido por alguma infecção hospitalar, sem explicação aparente.

Para a equipe do hospital norte-americano, as infecções ocorrem nessa proporção mesmo quando são adotadas inúmeras medidas de prevenção, como a esterilização de todos os equipamentos cirúrgicos, o uso de luz ultravioleta para limpar o centro cirúrgico, o cumprimento de protocolos rígidos para vestimentas e o monitoramento do fluxo de ar dentro do ambiente.

"Durante um ano, coletamos amostras de bactérias que vivem no nariz, pele e fezes de mais de 200 pacientes antes da cirurgia [na coluna vertebral]. Em seguida, acompanhamos esse grupo, coletando amostras de infecções que ocorreram posteriormente", contam os pesquisadores, em artigo na plataforma The Conversation.

Assim, "mostramos que muitas infecções do sítio cirúrgico após cirurgia da coluna vertebral são causadas por micróbios que já estão na pele do paciente", acrescentam os autores sobre a conclusão do estudo.

A maioria das bactérias que causam infecção hospitalar já estavam na pele do paciente, antes da cirurgia (Imagem: Gerd Altmann/Pixabay)
A maioria das bactérias que causam infecção hospitalar já estavam na pele do paciente, antes da cirurgia (Imagem: Gerd Altmann/Pixabay)
Foto: Canaltech

Além disso, as análises revelaram que quase 60% das infecções hospitalares eram resistentes ao antibiótico preventivo administrado durante a cirurgia, ao antisséptico usado para limpar a pele antes da incisão ou a ambos. 

Como evitar as infecções?

Embora a descoberta aponte para uma conclusão não óbvia — os hospitais não são a principal fonte de infecções hospitalares —, é possível adotar novas medidas de prevenção, a partir desses achados.

Por exemplo, o uso de novos antissépticos para a limpeza da pele ou até pesquisas no microbioma do paciente, antes da cirurgia. A ideia é adotar medidas mais personalizadas, de acordo com o histórico, para reduzir o risco.

Fonte: Science Translational Medicine e The Conversation  

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