Importante prêmio literário francês tira romance da competição após autor ser acusado de usar IA
O prestigiado Prêmio Goncourt desclassificou o romance "C'était Ça ou Mourir", do haitiano-canadense Thelyson Orelien, após denúncias de que a obra teria sido gerada por inteligência artificial, além de alegações de plágios anteriores do autor. O escritor nega o uso de IA, tecnologia cuja detecção divide especialistas. A Academia Goncourt justificou a exclusão para preservar sua integridade e reafirmar a oposição a textos não criados exclusivamente por humanos.
Os organizadores do prestigioso Prêmio Literário Goncourt, da França, anunciaram nesta sexta-feira que retiraram da lista de indicados um romance de grande sucesso do autor haitiano-canadense Thelyson Orelien, após acusações de que ele teria usado inteligência artificial para escrevê-lo.
Orelien negou ter usado IA para escrever "C'était Ça ou Mourir" ("Era Isso ou Morrer"), enquanto as alegações desencadearam um debate sobre raça, mérito literário e originalidade que agitou o meio literário francês.
As acusações sobre o uso da IA foram feitas nesta semana por uma conta pouco conhecida no X chamada "Balance ton Claude". O ensaísta Samuel Fitoussi posteriormente assumiu a autoria da conta, afirmando que a administrava junto com outras pessoas não identificadas.
As acusações sobre uso de IA foram seguidas por reportagens de que Orelien havia cometido plágio em obras anteriores. O jornal La Presse afirmou que um conto de Orelien, de 2012, havia plagiado trechos de um livro do autor francês Louis Pauwels, enquanto um artigo de opinião de 2013 havia sido copiado do jornal The Philippine Star.
Orelien ainda não se pronunciou sobre essas acusações e não respondeu a um pedido de comentário nesta sexta-feira.
A Academia Goncourt, com sede em Paris, afirmou ter tomado conhecimento das acusações relacionadas ao uso de IA e ao plágio e decidiu retirar o romance de Orelien "para preservar a integridade do Prêmio Goncourt e da Academia, cujo papel central é promover e homenagear a literatura escrita por mulheres e homens".
A Academia afirmou que espera que sua decisão demonstre que se opõe totalmente à "criação de textos gerados com o auxílio da IA", acrescentando que não fará mais comentários antes de 6 de outubro, quando anunciará sua lista de finalistas.
O romance de estreia do autor nascido no Haiti conta a história de um imigrante haitiano que viaja para o norte pela América Latina antes de chegar ao Canadá. A obra já ganhou diversos outros prêmios literários e deveria ser traduzida para vários idiomas.
Suas editoras francesa e canadense inicialmente ofereceram a Orelien total apoio em relação às alegações sobre uso de IA. Elas não responderam aos pedidos de comentário nesta sexta-feira.
O "Balance ton Claude" afirmou que a análise de trechos do romance pela ferramenta de detecção de IA Pangram mostrou que a obra "foi escrita quase inteiramente por inteligência artificial". Alguns especialistas afirmam que a confiabilidade das ferramentas de detecção de IA é questionável.
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