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Gelo do Ártico pode desaparecer já na próxima década

Mesmo com esforços para reduzir emissões de carbono, o gelo marinho do Ártico pode derreter totalmente durante o verão a partir da década de 2030

7 jun 2023 - 13h10
(atualizado às 15h10)
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Um artigo publicado nesta terça-feira (06) na revista Nature Communications mostrou que o gelo marinho que cobre o oceano no círculo Ártico pode desaparecer por completo durante o verão a partir da década de 2030. O estudo aponta que, mesmo com reduções significativas nas emissões de carbono, a cobertura de gelo pode levar até 20 anos para se recuperar.

Foto: Cassie Matias/Unsplash / Canaltech

O gelo marinho do Ártico desempenha uma série de papéis importantes para o equilíbrio do planeta — ele ajuda a Terra a manter temperaturas amenas e é fundamental para a circulação de nutrientes pelos oceanos, por exemplo. Nas últimas décadas, porém, a área que esse gelo cobre no extremo norte do globo vem caindo constantemente. O que os cientistas não esperavam é que já na próxima década possamos ter meses totalmente livres desse material.

O gelo marinho no hemisfério norte se acumula nos meses de inverno e começa a se retrair no verão, atingindo seu mínimo anual em setembro. Contudo, as novas projeções indicam que, a partir da próxima década, o gelo poderá derreter totalmente neste mês.

A descoberta foi feita por uma equipe internacional de pesquisadores, liderada por Seung-Ki Min, da Universidade Pohang, na Coreia do Sul. Os cientistas analisaram o gelo marinho do Ártico através de modelos climáticos e imagens de satélites de 1979 a 2019 e seus resultados indicam que, mesmo com esforços para reduzir a quantidade de gases de efeito estufa emitidos no mundo, esse gelo terá dificuldade de se recuperar.

Min explica que, a partir do momento em que o oceano ártico fica sem essa cobertura durante o verão, o acúmulo de gelo que acontece no inverno é muito mais lento. Dessa forma, mesmo reduzindo as emissões hoje, a recuperação do gelo só estaria completa a partir de 2050. Isso não significa que a humanidade não precise agir — em um cenário pessimista, em que o planeta continua a queimar combustíveis fósseis como faz hoje, a ausência de gelo pode durar de agosto a outubro na década de 2080.

A tendência de desaparecimento do gelo marinho no Ártico durante o verão já era esperada por cientistas, mas apenas em cenários de altas emissões e, mesmo assim, pelo menos uma década mais tarde. Min afirma que o planeta deve se preparar para as consequências dessa antecipação, pois "ela implica que também vamos passar por eventos climáticos extremos mais cedo do que o previsto."

Fonte: Nature Communications via: CNN

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