Elefantes asiáticos controlam impulsos e adaptam decisões em novo estudo
Experimento com 16 animais na Tailândia avalia capacidade de desvio para obter alimento e pode auxiliar em estratégias de convivência com humanos
Estudo publicado em 2026 revelou que elefantes asiáticos possuem controle inibitório, adaptando decisões diante de mudanças ambientais, o que pode auxiliar na convivência com humanos em áreas compartilhadas.
Pesquisadores do CUNY Graduate Center e do Hunter College revelaram que elefantes asiáticos possuem uma capacidade cognitiva notável: o controle inibitório. Em estudo publicado na Plos One nesta quarta-feira, 9, os cientistas monstraram que esses animais conseguem suprimir impulsos imediatos e ajustar suas ações diante de mudanças no ambiente. A habilidade é fundamental para a resolução de problemas e reforça a inteligência sofisticada da espécie.
A investigação foi liderada pelo professor de psicologia Joshua Plotnik e pela pesquisadora de pós-doutorado Sydney Hope. A equipe apresentou a primeira comprovação formal dessa forma de flexibilidade comportamental no animal, elemento decisivo para a tomada de decisões tanto em seres humanos quanto em outras espécies.
Como os cientistas testaram a reação dos animais?
Os testes envolveram 16 elefantes asiáticos observados no National Elephant Institute, localizado na Tailândia. Os animais receberam uma caixa transparente com frutas, equipada com pequenos orifícios que permitiam enxergar e farejar o alimento.
Em vez de tentar alcançar a comida diretamente contra a barreira visível, os indivíduos aprenderam a utilizar uma abertura lateral. Quando os cientistas giraram a estrutura e alteraram a posição do vão de acesso, os elefantes inicialmente buscaram o local anterior, mas rapidamente inibiram a resposta automática para encontrar a nova entrada.
De acordo com Sydney Hope, a supressão do impulso inicial mostrou consistência durante o experimento: "Descobrimos que, quando os elefantes eram confrontados com uma situação em que precisavam suprimir um comportamento impulsivo, seja o impulso de alcançar diretamente uma recompensa alimentar atrás de uma barreira transparente ou o impulso de continuar usando uma técnica anteriormente eficaz, eles geralmente conseguiam suprimir o impulso".
Qual é a relação entre idade e flexibilidade cognitiva?
Os exemplares mais velhos demandaram um tempo maior para se habituar à nova posição da abertura da caixa. Os autores ressaltam que novos levantamentos são necessários para esclarecer se a lentidão na adaptação decorre de um declínio cognitivo ligado ao envelhecimento.
Como a cognição auxilia na conservação da espécie?
O entendimento sobre o processo de tomada de decisão apoia o desenvolvimento de métodos de coexistência pacífica nas regiões asiáticas onde habitat natural e áreas agrícolas se sobrepõem. Levantamentos prévios de Plotnik já haviam registrado que espécimes residentes perto de comunidades humanas assumem maiores riscos ao explorar áreas desconhecidas.
Joshua Plotnik destacou a aplicação prática desses resultados: "Quanto mais entendermos sobre como os elefantes pensam, tomam decisões sobre riscos e se adaptam às mudanças ambientais causadas pelo homem, melhor poderemos prever 'o que eles farão a seguir' e melhor poderão ser projetadas nossas estratégias para a coexistência entre humanos e elefantes".
Comentários
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.