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Como este pequeno inseto do cacto deu "origem" à cor vermelha

As cochonilhas foram essenciais para a popularização do vermelho no mundo, e estão presente até hoje nos corantes naturais dos alimentos, roupas e bebidas

11 abr 2024 - 19h21
(atualizado em 12/4/2024 às 10h30)
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A cor vermelha pode ser vista em uma infinidade de produtos atualmente, mas nem sempre foi fácil para os seres humanos obtê-la na natureza. Quente e forte, o vermelho significa diferentes coisas em cada cultura humana, mas o fascínio pelo tom é praticamente universal. E ele vem, curiosamente, de um inseto.

Foto: Ravi Kant/Pexels/Domínio Público / Canaltech

A cochonilha (Dactylopius coccus) é uma criaturinha que vive nas figueiras-do-diabo ou figueiras-da-índia (Opuntia ficus-indica), um tipo de cacto espinhoso, atualmente criada no Peru e nas Ilhas Canárias. Sua cor carmesim, usada como corante em alimentos, bebidas e cosméticos, é conhecida como Carmim, Vermelho Natural ou E210.

O cultivo do pequeno inseto para produção de corantes avermelhados é feito desde a antiguidade, e sociedades como a dos Incas passaram a associar a cor ao poder e a boas qualidades em seu período de ascensão, entre 1400 e 1533 d.C. É aí que começa a história do espalhamento do corante para o mundo.

Insetos vermelhos conquistam o mundo

A disseminação e popularização do corante das cochonilhas pelo mundo foi semelhante à das batatas, tomates e pimentas malaguetas — todas vieram da América Pré-Colombiana, mas especificamente da América do Sul e da Central. 

Cochonilhas grudadas em cactos em La Palma, nas Ilhas Canárias (Imagem: Zyance/CC-BY-2.5)
Cochonilhas grudadas em cactos em La Palma, nas Ilhas Canárias (Imagem: Zyance/CC-BY-2.5)
Foto: Canaltech

Invasores espanhóis levaram as cochonilhas à Europa no século XIV, valiosa o suficiente para ser comparada ao ouro e à prata — isso fortaleceu ainda mais o Império Espanhol e sua influência pelo mundo, mas às custas do trabalho dos povos originários mesoamericanos. Eles já o faziam por séculos, mas agora eram mal pagos e maltratados enquanto abasteciam o monopólio do mercado de corantes.

Antes da descoberta e exploração da cochonilha, a tonalidade avermelhada era bastante difícil de se conseguir, o que fazia a nobreza recorrer ao roxo e azul como cores reais. Nos anos 1460, a popularidade do carmim fez os cardeais da Igreja Católica substituírem o púrpura tírio como cor tradicional pelo carmesim, que se tornou uma das tintas mais caras da época.

A arte barroca europeia foi inundada pela tinta vermelha, que tornou as pinturas intensas e dramáticas. A realeza também passou a adotar o vermelho, aumentando seu prestígio como uma cor relacionada ao poder. Hindus, cristãos e judeus atribuem diferentes significados espirituais à tonalidade, mas todos concordam quanto à sua importância.

Os cardeais da Igreja Católica Apostólica Romana usam vermelho, mas tradição só começou após a introdução da cochonilha na Europa (Imagem: Elke Wetzig/CC-BY-A. Share Alike)
Os cardeais da Igreja Católica Apostólica Romana usam vermelho, mas tradição só começou após a introdução da cochonilha na Europa (Imagem: Elke Wetzig/CC-BY-A. Share Alike)
Foto: Canaltech

O gosto humano pelo vermelho talvez se explique pela cor ter o maior comprimento de onda visível — estudos mostram que ela estimula energia e animação, ajudando até mesmo a aumentar o apetite.

A tradição do tapete vermelho vem desde a peça grega Agamenon, de 458 a.C., mas representando a ruína, diferente do significado luxuoso e estrelado da cultura pop atual. Termos como "redpill" (pílula vermelha) ou "red flag" (bandeira vermelha) atestam os significados profundos associados à cor, que simboliza, na maioria das vezes, não só o poder, mas também os perigos que o acompanham.

Fonte: The Conversation

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