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Pesquisadores da USP criam mapa interativo com sítios arqueológicos de SP; veja locais

Por ser um espaço de encontro entre regiões e biomas, Estado se tornou um espaço de confluência de diferentes grupos

14 mai 2024 - 20h18
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Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) criaram o primeiro mapa que exibe os sítios arqueológicos em todo o Estado de São Paulo. A ferramenta fornece um panorama sobre os vestígios de materiais associados aos povos indígenas nos cerca de 2 mil sítios arqueológicos do Estado. Confira o mapa aqui.

Segundo o coordenador do projeto de pesquisa e professor do Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo (MAE/USP), Astolfo Gomes de Mello Araujo, o mapa mostra a diversidade de povos que habitavam São Paulo.

O Estado é um espaço de confluência de diferentes grupos humanos. Há aqueles vindos da região Central, pelo Mato Grosso, do Sudeste, por Minas Gerais, e também do Sul, a partir do Paraná. A mistura de biomas do Estado atraiu diferentes povos e resultou em uma riqueza de culturas na região, explica Araujo.

Um dos aspectos da diversidade que o mapa permite visualizar é a afinidade entre grupos indígenas. Perto da fronteira ao norte do Estado, por exemplo, materiais de tradição Tupiguarani e Aratu estão muito próximos uns dos outros. Mas, na outra ponta de São Paulo, os sítios arqueológicos Tupiguarani estão bastante afastados dos Itararé-Taquara.

Em dois cenários tão distintos, Araujo questiona se no norte paulista as duas tradições conviviam de forma harmoniosa com troca de cultura, ensinamento e aprendizados, enquanto no sul havia maior hostilidade entre Tupiguarani e Itararé-Taquara.

Essa é um dos inúmeros caminhos para formular hipóteses abertos pelo mapa, defende Araujo "É como se você chegasse no topo de uma montanha e de lá percebesse que há outras montanhas para serem exploradas", diz o professor.

O mapa produzido pela equipe do MAE mostra dois grandes vazios de dados, que juntos somam 13% da área do Estado. Um deles toma todo o Vale do Tietê e se estende até o Rio Paraná, enquanto o outro fica mais ao sul do Estado e compreende o vale do Rio Peixe.

Araujo explica que o motivo da falta de dados é que ainda não há trabalhos sobre aquela área. "Nenhum arqueólogo ainda andou por ali", explica. Ele classificou a condição de falta de dados como "absurda", já que São Paulo é o Estado mais populoso e com maior PIB do País, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Para 166 sítios arqueológicos de São Paulo, não havia dados sobre uma filiação cultural, ou seja, não se sabe a tradição que havia na área. Na avaliação do professor do MAE, a falta de informações sobre a filiação cultural é pior do que a ausência total de dados. No caso de não haver tradição, já foram gastos recursos, mas ainda assim será necessário reencontrar e reestudar os do sítio arqueológico para definir a designação cultural.

O sítio arqueológico de Morumbi

Entre os pontos marcados no mapa está o sítio arqueológico de Morumbi, o mais antigo da capital paulista. Lá a equipe do MAE/USP, da qual Araujo fazia parte, encontrou um carvão de 3.800 anos, resultado da atividade humana. A peça, provavelmente, está relacionada a atividades com fogo gerado para esquentar a pedra e, assim, permitir seu molde ou cozinhar ou aquecer as pessoas contra o frio.

O espaço funcionava como uma espécie de pedreira para povos caçadores e coletores. Eles extraiam pedra lascada para produzir ferramentas. Pelo seu Estado de preservação, o local representa um caso único na capital.

Araujo esteve envolvido em trabalhos arqueológicos na antiga pedraria desde a década de 1990, quando relocalizou a área e pôde constatar que, de fato, se tratava de um sítio arqueológico. Mas a história do sítio começou em 1960. Na época, o engenheiro Caspar Hans Luchsinger encontrou objetos de pedra lascada durante o loteamento e arruamento de um dos bairros de Morumbi. As descobertas, entretanto, ficaram 30 anos esquecidas.

Estadão
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