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Neandertais podiam ouvir línguas humanas e falá-las, segundo seus fósseis

Cientistas estudaram a estrutura óssea do crânio dos neandertais e descobriram que eles podiam ouvir a frequência de onda da fala humana e provavelmente falá-la

29 nov 2023 - 23h22
(atualizado em 30/11/2023 às 14h37)
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Se você acompanha as notícias arqueológicas aqui do Canaltech, já deve saber que os neandertais eram capazes de entender e fazer discursos e que herdamos narizes grandes dessa espécie prima. Cientistas estão indo mais fundo nessa questão, como uma pesquisa publicada no periódico científico Nature Ecology & Evolution que descobriu, ao estudar os ouvidos desses extintos humanos, que eles conseguiam entender nossa língua e provavelmente falá-la também.

Foto: Erich Ferdinand/CC BY 2.0 / Canaltech

O estudo fez reconstruções dos ossos do crânio dos Homo neanderthalensis, tudo em um esforço para entender a evolução da linguagem e a capacidade linguística desses antigos humanos. A evolução humana, no geral, tem a linguagem falada como um grande marco da comunicação, cuja importância levou a ciência a questionar se outros hominídeos — especialmente os neandertais — também seriam capazes de uma fala complexa.

Os neandertais conseguiam nos ouvir?

Para investigar a questão, os pesquisadores fizeram tomografias computadorizadas das estruturas auditivas de ambos Homo sapiens e H. neanderthalensis, bem como fósseis mais antigos dos neandertais, encontrados em Atapuerca, sítio arqueológico localizado no norte da Espanha. Para saber se a extinta espécie podia falar uma língua complexa, afinal de contas, também é preciso saber se podia ouvi-la.

Os neandertais tinham capacidade de ouvir sons da mesma frequência que a fala dos Homo sapiens, e usavam muitas consoantes na sua comunicação (Imagem: hairymuseummatt/DrMikeBaxter/CC-BY-S.A-4.0)
Os neandertais tinham capacidade de ouvir sons da mesma frequência que a fala dos Homo sapiens, e usavam muitas consoantes na sua comunicação (Imagem: hairymuseummatt/DrMikeBaxter/CC-BY-S.A-4.0)
Foto: Canaltech

Os dados foram processados por um modelo de software produzido com a ajuda da ciência da bioengenharia auditiva, mostrando uma capacidade neandertal de ouvir sons de até 5 kilohertz (kHz). Essa frequência fica no espectro dos sons produzidos pela fala humana, e é um pouco mais abrangente do que a dos fósseis dos ancestrais de Atapuerca, que ficava entre estimados 4 a 5 kHz, mas ainda próxima dos padrões humanos atuais.

A pesquisa também revelou a "largura de banda ocupada" pela espécie, fator ligado à comunicação que uma espécie pode usar. Uma maior largura de banda permite um número maior de sinais acústicos facilmente identificáveis na comunicação. Isso quer dizer que a pessoa em questão conseguiria passar uma mensagem mais clara em um período de tempo mais curto. Os neandertais do estudo também tinham uma largura de banda maior do que os ancestrais espanhóis.

Com isso, a espécie teria a capacidade de se comunicar de forma tão complexa e eficiente quando nós, humanos modernos, conseguimos. O estudo também mostrou que a fala dos neandertais provavelmente tinha muitas consoantes, o que é muito importante.

Essa arte em pedra foi fabricada por neandertais, que também fizeram pinturas em cavernas antes da nossa espécie, tendo práticas simbólicas complexas há milhares de anos (Imagem: Universidade de Goettingen/ V. Minkus)
Essa arte em pedra foi fabricada por neandertais, que também fizeram pinturas em cavernas antes da nossa espécie, tendo práticas simbólicas complexas há milhares de anos (Imagem: Universidade de Goettingen/ V. Minkus)
Foto: Canaltech

Estudos anteriores só focaram na capacidade de produzir as vogais da língua inglesa falada, mas o uso de consoantes permite incluir mais informações em um sinal vocal e também separa a fala humana dos padrões de comunicação de outros primatas, como os chimpanzés (Pan troglodytes).

Além disso, a descoberta bate com outras evidências arqueológicas que mostram a capacidade dos neandertais de ter padrões complexos de comportamento, como mudanças nas tecnologias de ferramentas de pedra, fabricação de farinha, domesticação do fogo e possíveis práticas simbólicas, como arte em cavernas.

Fonte: Nature Ecology & Evolution

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