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Embalsamamento | Como é feita a técnica moderna para preservar corpos?

O corpo do Pelé e de diversas outras figuras históricas foi embalsamado para melhor preservação até o velório. Como é realizado o milenar procedimento?

2 jan 2023 - 22h16
(atualizado em 3/1/2023 às 12h55)
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Você já deve ter ouvido falar em embalsamamento, técnica de preservação corporal utilizado no corpo do Pelé e de diversas outras personalidades, como Lady Di, Evita Perón, Sócrates, Lênin, Itamar Franco e tantos outros. Mas você sabe exatamente como a técnica milenar funciona nos dias atuais?

O embalsamamento é realizado desde pelo menos 4 mil anos atrás, tendo sido aperfeiçoado por vários povos — especialmente os egípcios — que se preocupavam em deixar o corpo o melhor possível para o além-vida, já que achavam que ainda o utilizaríamos. Hoje, já não utilizamos mais suas técnicas antigas com natrão, ervas aromáticas e 40 dias de espera, e nem temos o objetivo de fazer múmias, mas sim transportar corpos e preservá-los para velórios.

Foto: stevanovicigor/envato / Canaltech

Como é feito o embalsamamento?

O modo como realizamos o procedimento, atualmente, foi inventado no século XVII, pelo fisiologista britânico William Harvey, um dos pioneiros na descrição moderna da circulação sanguínea. Confira, abaixo, os passos do embalsamamento:

  1. O corpo despido é lavado em uma mesa cirúrgica, utilizando desinfetantes e germicidas, evitando que seja degradado por criaturas microscópicas muito rapidamente. O rigor mortis, ou rigidez corporal de ocorrência natural, é combatida com massagens nos músculos e na face do falecido;
  2. É realizada uma incisão de cerca de 8 cm entre o ombro e o pescoço, de onde é puxada a artéria carótida, na qual é inserido um cano minúsculo, ligado a uma máquina que deve bombear o sangue para fora do corpo humano. O fluido embalsamador é injetado pela mesma via, devolvendo coloração à pele;
  3. O líquido embalsamador, por sua vez, é feito de água, glicerina, formaldeído (o famoso formol) e outras substâncias. São 4 litros da substância para cada 23 kg de peso corporal do indivíduo, que preenche o lugar antes ocupado pelo sangue. Com isso, é freada a desidratação e decomposição dos órgãos internos;
  4. Uma nova incisão é realizada nas proximidades do umbigo, onde é inserido o trocar, um instrumento cirúrgico de 5 a 12 mm de diâmetro, parecido com uma antena. Nele, há um aspirador, que retira os gases gerados pelos fluidos corporais acumulados (principalmente no sistema digestivo);
  5. Após 3 horas, aproximadamente, as incisões são fechadas, suturando a artéria utilizada na drenagem, bem como quaisquer outras aberturas feitas na pele. Lavado novamente, o corpo também é desinfetado mais uma vez e vestido, encerrando o embalsamamento em si;
  6. Por último, há o trabalho de necromaquiagem. Um especialista faz intervenções cosméticas para devolver uma aparência saudável ao falecido, escondendo manchas na pele e afins. Creme hidratante e maquiagem são aplicados para aproximar o corpo da aparência que a pessoa tinha em vida, até mesmo aparando cabelos ou barba.

O nome oficial do procedimento, atualmente, é tanatopraxia — palavra que vem do deus grego que representa a morte, transliterado para latim como Thanatus. Com a técnica, os velórios podem ser realizados com caixão aberto, permitindo uma despedida mais próxima por parte de familiares e amigos.

Embalsamamentos famosos

Diversas figuras históricas passaram pelo embalsamamento ou tanatopraxia e ficaram famosos por isso, como Lênin, que está até hoje exposto na Praça Vermelha, em Moscou, e Stálin, que ficou dois anos no local até ser enterrado. O ex-presidente americano Lincoln também teve o corpo tratado pela técnica, já que a Guerra Civil a disseminou pela praticidade de transportar corpos embalsamados por grandes distâncias.

Mais recentemente, o corpo do Pelé, o Rei do futebol, também foi embalsamado, bem como o de Augusto Liberato (Gugu), Tarcísio Meira, Arnaldo Jabor e Joelmir Beting.

O procedimento é delicado, e já rendeu problemas: o corpo do papa Pio XII é um exemplo, já que alguma negligência da equipe responsável ou o calor de Castelgandolfo, onde os pontífices passam o verão, fez o corpo se decompor muito rapidamente e chegou a fazer desmaiar alguns membros da Guarda Suíça.

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