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Alopecia areata | Anvisa aprova remédio para casos graves de perda de cabelo

Desenvolvido pela farmacêutica Eli Lilly e aprovado pela Anvisa, o remédio baricitinibe impede a perda dos fios de cabelo provocada pela alopecia areata

7 nov 2023 - 17h31
(atualizado às 20h07)
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Pela primeira vez, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou um medicamento para o tratamento sistêmico de casos graves de alopecia areata, doença autoimune que provoca a queda severa de cabelos, sobrancelhas e cílios. É o remédio de uso diário Olumiant (baricitinibe), da farmacêutica norte-americana Eli Lilly.

Foto: Freepik / Canaltech

O interessante é que, no Brasil, o medicamento baricitinibe já era autorizado para o tratamento de outras doenças. Segundo a bula da medicação, a fórmula pode ser prescrita para casos de artrite reumatoide, dermatite atópica e covid-19 grave, além da alopecia areata. Em todos os casos, a prescrição é autorizada apenas para pessoas com mais de 18 anos.

Anvisa aprova primeiro remédio para o tratamento de alopecia areata grave (Imagem: Nadianb/Envato)
Anvisa aprova primeiro remédio para o tratamento de alopecia areata grave (Imagem: Nadianb/Envato)
Foto: Canaltech

No e-commerce de farmácias populares, a caixa da medicação que trata alopecia areata, com 30 comprimidos, pode ser encontrada a partir de valores próximos de 4 mil reais — valor bastante restritivo.

O que é alopecia areata?

Em pacientes com alopecia areata, "os fios [de cabelo] começam a cair, resultando mais frequentemente em falhas circulares, sem pelos ou cabelos", explica a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), em artigo. Isso pode acontecer em períodos curtos de tempo.

"A extensão dessa perda varia, sendo que, em alguns casos, poucas regiões são afetadas. Em outros, a perda de cabelo pode ser maior", acrescenta a SBD. Inclusive, alguns pacientes podem perder todos os pelos do corpo, durante os quadros mais graves da condição.

O que causa a condição?

Ainda não há um consenso sobre quais são as origens desse tipo de alopecia, mas se sabe que fatores emocionais, quadros infecciosos e outras doenças autoimunes, como diabetes tipo 1, além de questões genéticas, contribuem para o aparecimento da condição — que não é contagiosa.

Remédio da baricitinibe, da Eli Lilly, pode tratar a perda de cabelo provocada pela alopecia (Imagem: Lucille K. Georg/CDC)
Remédio da baricitinibe, da Eli Lilly, pode tratar a perda de cabelo provocada pela alopecia (Imagem: Lucille K. Georg/CDC)
Foto: Canaltech

Independente da origem, a perda dos pelos é provocada por um ataque das células do sistema imunológico e moléculas inflamatórias aos folículos capilares. Com isso, o cabelo começa a cair, em um processo que pode ser irreversível, dependendo do quadro.

Impacto na autoestima

Em pesquisa feita pela farmacêutica Lilly, com 747 pacientes, incluindo brasileiros, descobriu-se que a condição é majoritariamente associada com as palavras constrangimento e ansiedade. Neste levantamento, 40% dos entrevistados perderam quase todo o cabelo do couro cabeludo por causa da alopecia areata.

Inclusive, foi esta condição que levantou uma das maiores polêmicas no Oscar 2022. Na ocasião, o ator Will Smith deu um tapa na cara do apresentador da edição, o humorista Chris Rock, após comentários ofensivos sobre o visual da atriz Jada Pinkett Smith, que estava careca por causa da alopecia.

Como funciona o remédio baricitinibe?

Para entender, o remédio baricitinibe é um inibidor da enzima Janus quinase (JAK). Em outras palavras, o composto impede que as agressões das células do sistema imune aos folículos capilares, evitando a queda de cabelo, após bloquear as enzimas associadas com esse processo.

Eficácia do remédio para alopecia areata

No período de análise para a aprovação da medicação, os agentes da Anvisa analisaram dois estudos clínicos de Fase 3, BRAVE-AA1 e BRAVE-AA2, envolvendo 1,2 mil pacientes adultos, com quadros graves da alopecia areata — perda igual ou superior a 50% do cabelo. Parte da pesquisa, contou com pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e voluntários brasileiros.

Após 36 semanas de tratamento, pacientes relatam melhora na alopecia com remédio aprovado pela Anvisa (Imagem: CDC/Dr. Lucille K. Georg)
Após 36 semanas de tratamento, pacientes relatam melhora na alopecia com remédio aprovado pela Anvisa (Imagem: CDC/Dr. Lucille K. Georg)
Foto: Canaltech

Após as 36 semanas de tratamento, um em cada quatro adultos que tomaram a menor dose diária de baricitinibe (2 mg) e um em cada três que receberam a dose maior (4 mg) tiveram resultados expressivos. A medicação resultou em 80% ou mais de cobertura do couro cabeludo. Por outro lado, no grupo placebo, a melhora foi de 3% a 5%.

Tratamento dura quanto tempo?

Hoje, uma das questões sem respostas para o tratamento da alopecia areata é a questão do tempo de duração do tratamento. "Quando o controle sustentado da atividade da doença for alcançado, é recomendado continuar o tratamento por pelo menos vários meses a fim de evitar recidiva", indica a bula. Por causa disso, "o benefício-risco do tratamento deve ser reavaliado individualmente, em intervalos regulares", complementa.

Mais testes com remédio da Lilly

"A alopecia areata é uma doença que impacta fortemente a qualidade de vida dos pacientes, principalmente crianças e jovens", lembra Renata Magalhães, médica dermatologista pela SBD e professora da Unicamp, em nota. No entanto, o baricitinibe ainda não pode ser prescrito para os mais novos.

Até o momento, as pesquisas clínicas para verificar a segurança e eficácia da medicação para alopecia em menores de 18 anos ainda estão em andamento. A expectativa é que os primeiros resultados sejam compartilhados no segundo semestre do ano que vem, ampliando ainda mais o leque de pessoas beneficiadas pela medicação.

Fonte: Anvisa e SBD  

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