O drama vivido pelo menino gaúcho Iruan Ergui Wu, cinco anos, retido em Taiwan contra a vontade de parentes brasileiros, trouxe lembranças dolorosas a uma família de Porto Alegre. Há 17 anos, Janete Schmaltz, 50 anos, e as filhas Márcia, 28 anos, e Annie, 20, viveram uma situação semelhante às avessas, também envolvendo Taiwan e a cultura chinesa.Em 1979, Janete, mãe de Márcia, já nascida na época, casou-se com o oficial chinês da marinha mercante Matthew Hsiou, fato que coincide com a história de Iruan, cujo pai, falecido, era capitão de navio. O casal foi morar em Taiwan, para onde Márcia seguiu poucos meses depois. Em 1981, nasceu Annie, filha do casal. Janete viveu com Matthew até o final de 1984. Quando pressentiu a separação, trouxe as duas filhas para o Brasil e nunca mais levou de volta.
"Eu não queria correr o risco de ter de deixar minhas filhas lá ao me separar. Lá, se o pai é chinês, o filho ou filha também será assim considerado", conta Janete.
Diferentemente do caso de Iruan, que foi levado pelo pai a Taiwan e lá permanece por vontade do tio, foi Janete quem driblou o sistema legal taiwanês e trouxe as meninas de volta para o Brasil. Márcia tinha então 11 anos, e Annie, três. No mês de janeiro seguinte, Janete voltou a Taiwan para resolver pendências e acabou tendo o passaporte recolhido por ter trazido as meninas para o Brasil.
Sem o passaporte, Janete ficou em Taiwan, trabalhando. Sem ceder às pressões para levar as meninas de volta, só pôde retornar ao Brasil 18 meses depois de ter partido de Porto Alegre, liberada pela Justiça taiwanesa. Também naquela situação, a exemplo do caso de Iruan, o Paraguai participou das negociações por manter relações diplomáticas com Taiwan, mas Janete lamenta ter tido pouco auxílio da diplomacia brasileira.