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Acusação de corrupção não preocupa ex-dirigente gaúcho

Terça, 12 de dezembro de 2000, 21h48min
A acusação da CPI do Futebol, hoje, de que os dois principais clubes gaúchos, Internacional e Grêmio, estão sob suspeita de lavagem de dinheiro, pela venda de jogadores para o Exterior, não preocupa o ex-presidente do Inter Paulo Rogério Amoretty, que negociou o centroavante Christian para o Paris-Saint Germain.

Segundo o ex-dirigente colorado, um suposto fax de banco no Exterior, endereçado a ele dia 4 de setembro de 1998 comunicando estar à sua disposição para transferência do valor de US$ 1.1 milhão em cumprimento do contrato referente à venda do jogador, não o preocupa: "O dinheiro que o Inter recebeu pela venda do Christian teve a tramitação normal que esse tipo de transação requer. Ou seja: o dinheiro veio através do Banco Central, em reais, e foi direto para tesouraria do clube. Não tenho nada a temer, pois tudo foi feito na mais absoluta legalidade.

Agora, essa história de que o valor estaria à minha disposição em um banco do Exterior, não sei de onde veio, pois nunca tive conta em qualquer banco estrangeiro".

Tranqüilo, Amoretty, advogado de profissão e que presidiu o Inter nos anos de 1998/99, diz que a quebra de sigilo fiscal e bancário de suas contas e do clube não o perturbam. Ele assegura que a vinculação de seu nome com os empresários Juan José Mateu Walter, Emil Todorov, que também usa o nome de Emílio Gonzalez Rojas e Luiz Carlos, que explora o Bingo Praça da Alfândega, não existe: "Estão inventando coisa. A venda do Christian foi totalmente limpa, feita sem problema algum e, quem quiser investigar, que venha até aqui".

Segundo a CPI, "uma das correspondências demonstra a forma fraudulenta como são realizadas as operações. Os recursos provenientes da venda do jogador são depositados no Exterior e podem ser destinados para fins diversos, como transferências para empresários, jogadores ou dirigentes que se beneficiariam com a operação". Amoretty diz que não tem nada com o que se preocupar: "Se quiserem podem vir até aqui quebrar o sigilo das minhas contas bancárias. Não vão encontrar nada, pois simplesmente não existe nada, muito menos dólares da venda de um patrimônio do clube que, como já disse foram enviados para conta do Inter, como sempre se costuma fazer".

Quanto à venda do zagueiro Gamarra ao Benfica em 27 de janeiro de 1997, por US$ 3 milhões, Amoretty diz que não sabe de nada, pois quem efetuou a transação foi Pedro Paulo Zachia, que o antecedeu no cargo. Fábio Koff, que vendeu Jardel para o Porto por US$ 1,8 milhão está no Rio de Janeiro e não se pronunciou sobre o assunto.
Agência Estado

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