O deputado federal Augusto Farias (PPB-AL) encabeça a lista de parlamentares indiciados pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Narcotráfico da Câmara dos Deputados. Além dele, foram indiciados cinco deputados estaduais de Alagoas: Antônio Albuquerque (PRTB), Júnior Leão (PST), Francisco Tenório (PDT), Celso Luiz (PSDB) e Fátima Cordeiro (PDT).Farias não foi localizado para falar sobre o indiciamento, mas Rogério Farias, irmão dele, disse que ele vai esperar o comunicado oficial para se pronunciar. O deputado também foi indiciado pela polícia alagoana no inquérito que apurou a morte do irmão Paulo César Farias, o PC, e da namorada dele, Suzana Marcolino.
Albuquerque disse que ficou sabendo pela imprensa que foi indiciado. "Vou esperar informações oficiais para poder falar; por enquanto, não posso me pronunciar a respeito deste assunto, até porque não sei porque fui indiciado", afirmou Albuquerque, que nesta quinta-feira foi eleito para presidir a Assembléia Legislativa.
Além de Albuquerque, da nova Mesa Diretora da Assembléia, foram indiciados pela CPI do Narcotráfico Leão (primeiro vice-presidente) e Luiz (segundo vice-presidente). Leão disse que ficou surpreso e acha que foi um "equivoco" o indiciamento. "Isso deve ser uma brincadeira de muito mau gosto", disse.
Luiz e Fátima não foram localizados pela reportagem. A deputada é mulher do prefeito Jorge Cordeiro (PMDB), de São Luiz do Quitunde, a 56 quilômetros de Maceió. Ele é acusado de ter mandado matar, no início dos anos 90, o ex-prefeito do município José Osório (PPS).
O deputado Francisco Tenório disse que ficou surpreso com a inclusão do seu nome entre os indiciados pela CPI do Narcotráfico.
"Primeiro, eu quero saber quais os motivos que levaram a CPI a me indiciar, para depois poder fazer declarações a respeito desse assunto", afirmou Tenório, que é delegado licenciado da Polícia Civil de Alagoas.
Recentemente, Tenório foi acusado de pistolagem pelo ex-coronel PM Manoel Francisco Cavalcante, preso no presídio Baldonero Cavalcanti, na periferia de Maceió. Segundo o ex-militar, Tenório teria planejado a morte do cacique Ibis Menino, no final da década de 80. O deputado nega essa acusação e diz que Cavalcante não tem moral para incriminá-lo.
De acordo com o sub-relator da CPI do Narcotráfico, deputado federal Padre Roque (PT-PR), a comissão não se baseou apenas no depoimento do ex-coronel, mas em documentos que comprovam o envolvimento de deputados de Alagoas em crime de pistolagem, lavagem de dinheiro, roubo de carga e sonegação fiscal.