Flamengo pede a Fux liminar que derrube MP das bets antes do prazo para retirada de patrocínios

Clube alega prejuízo por possíveis sanções por exibir marcas a partir de 5 de outubro e cobra audiência pública sobre a pauta

3 out 2026 - 17h53
(atualizado às 19h03)
Resumo
O Flamengo acionou o STF para suspender a MP que proíbe casas de apostas no país, antes do fim do prazo para remoção de patrocínios. Relatada por Luiz Fux, a ação busca preservar contratos vigentes até a análise do mérito ou votação no Congresso. Com o maior patrocínio da Série A, de R$ 268,5 milhões com a Betano, o clube estima perda direta de até R$ 430 milhões e de R$ 2,5 bilhões no futebol nacional, solicitando também audiência pública para debater o impacto financeiro com o setor esportivo.

O Flamengo solicitou uma liminar para suspensão imediata da medida provisória que proibiu as bets no Brasil. O pedido foi feito na Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) movida pela Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) logo após a publicação do texto pelo governo federal. A matéria tem como relator o ministro Luiz Fux.

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A demanda é para que a MP caia antes de segunda-feira, dia 5, que é o prazo estabelecido para a retirada de patrocínios de casas de apostas expostos em espaços como uniformes. A suspensão sugerida pelo Flamengo seria até que o STF julgue o mérito da ação ou que o Congresso delibere sobre a medida provisória.

O movimento do Flamengo vem justamente pela proximidade do prazo. A partir de 6 de outubro, a exibição de marcas de bets configura publicidade abusiva, sujeita às sanções do Código de Defesa do Consumidor.

O clube rubro-negro tem o maior patrocínio máster da Série A, com a Betano, no valor de R$ 268,5 milhões por temporada. "O que a MP atinge, a partir de 6 de outubro, não é apenas a atividade futura dos operadores. São contratos validamente celebrados sob regime legal vigente e hígido por entidades desportivas que contrataram com agentes autorizados pela União", diz um trecho da petição.

O Flamengo repetiu a projeção de impacto financeiro direto de R$ 400 milhões a R$ 430 milhões para os cofres do clube e cerca de R$ 2,5 bilhões para o futebol brasileiro. Além dos patrocínios às equipes, bets também patrocinam campeonatos da CBF e pagam por placas de publicidade e inserções televisivas.

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Outro pedido do Flamengo é por uma audiência pública com participação de clubes e entidades esportivas para debater o tema. "O clube sustenta que a supressão dos efeitos de atos jurídicos perfeitos, se e quando legítima, há de se fazer pela via legislativa ordinária, com debate público e parlamentar e transição compatível com a duração dos compromissos assumidos", argumenta.

Até o momento, pelo menos seis emendas feitas pela comissão mista entre deputados federais e senadores já propuseram que a MP seja alterada para proibir apenas o cassino online, mantendo o funcionamento das apostas esportivas.

Veto às bets

Mais equipes brasileiras já pediram para integrar ações pela derrubada da MP no STF. Em 2025, os patrocínios de bets representaram R$ 1 bilhão em receita aos clubes da Série A, o que representa 7,9% das receitas totais dos 20 times. As empresas ainda injetavam verba publicitária em naming rights de campeonatos — como Brasileirão e Copa do Brasil —, placas de publicidade e inserções de TV.

A MP definiu o prazo de 5 de outubro para a retirada dos sinais de patrocínio e publicidade de bets em todo o território nacional. O Santos e a Novibet suspenderam o contrato. Já a 7k notificou o Vitória pela rescisão.

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O Botafogo já retirou a Vbet dos uniformes de treinos e exibições da marca nas redes sociais. Foi também o que o Flamengo fez em relação à Betano. Não há confirmação de suspensão de contratos.

A partir da assinatura da MP, ocorrida em 25 de setembro, o Congresso Nacional tem 120 dias para decidir se converte a medida em lei federal, o que deve ocorrer somente após as eleições presidenciais.

Bap, presidente do Flamengo, se posiciona sobre Medida Provisória que proíbe atuação de casas de apostas esportivas no Brasil
Bap, presidente do Flamengo, se posiciona sobre Medida Provisória que proíbe atuação de casas de apostas esportivas no Brasil
Foto: Reprodução/Flamengo TV via YouTube / Estadão
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