Bombardeios ao Iraque amedrontam o mundo: há chances de uma nova guerra?
Carolina Cimenti/Redação Terra
Dois fatores estimulam os Estados Unidos a iniciar uma guerra contra o Iraque, segundo o jornalista gaúcho e analista de política internacional Jurandir Soares. O primeiro é a troca do governo norte-americano, já que George W. Bush segue a tendência de seu pai, o ex-presidente George Bush, de investir contra "inimigos". O segundo é o início de uma crise econômica no país que tem a maior indústria bélica do mundo. Uma guerra poderia esquentar o mercado.
"Uma das propostas de George W. Bush em sua campanha eleitoral era endurecer a política com os países tidos como 'inimigos': Rússia, China e, claro, o Iraque de Saddam Hussein", exemplifica Soares. Além disso, o novo presidente dos EUA dá o mesmo valor que seu pai ao exército e à política internacional (o Bush pai era o presidente dos EUA durante a Guerra do Golfo, em 1991).
Soares também analisa o fator econômico de uma guerra. "Depois de dez anos de forte crescimento, a economia norte-americana está entrando em uma crise", diz. A inflação é a mais alta desde 1990. "Sendo o país com a maior indústria bélica do mundo, uma guerra desvia a atenção da crise e movimenta o mercado", conclui o jornalista.
Os Estados Unidos e a Inglaterra bombardearam o Iraque duas vezes no último mês, uma no dia 16 e outra no dia 22. O primeiro ataque atingiu posições estratégicas na capital iraquiana, Bagdá, onde estão localizadas as baterias de defesa antiaérea do país. O segundo foi na região de Samaua, a 270 quilômetros da capital. Os aviões norte-americanos lançaram bombas incendiárias, antes de serem obrigados a fugir pelos disparos de mísseis.
"A única dificuldade que os Estados Unidos teriam ao iniciar uma guerra contra o Iraque hoje, seria a falta de apoio internacional. Em 1991, o Iraque havia invadido um país, o Kwait. O mundo inteiro se posicionou contra ele. Hoje não há invasão, por isso o país de Saddam Hussein pode ser apoiado por organizações internacionais em caso de guerra", diz o jornalista. O apoio da Inglaterra aos bombardeios é uma questão histórica. Os dois países sempre se uniram em assuntos de política internacional.
Os ataques ao Iraque, segundo o Pentágono, são uma resposta à crescente disposição do país em atingir os aviões norte-americanos e britânicos que patrulham a zona de exclusão aérea ao sul. Outro motivo do ataque, anunciado por fontes extra-oficias, seria uma potencial ofensiva iraquiana contra Israel.
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