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Filme: Hannibal




De: Gerbase
Não sei se vocês notaram, mas parei de revisar os textos das mensagens. Antes, fazia um copidesque apressado. Agora, nem isso. Assim tenho chance de publicar mais mensagens e tentar responder a todas. Sem estresse. Mas, considerando o nível bastante irregular dos textos, venho propor aqui um Manual Mínimo de Redação para os Leitores do Gerbase, que tem os seguintes mandamentos:

1) Existem acentos na língua portuguesa. Tentem colocá-los;

2) Existem normas de pontuação na língua portuguesa. Tentem aplicá-las;

3) Não existem mais de três pontinhos. Coisas como (......) são dispensáveis;

4) Também são dispensáveis tríplices exclamações (!!!) ou quádruplas interrogações (????);

5) Depois de um ponto (.), começar nova frase;

6) Em começo de frase, usar letra maiúscula;

7) As frases devem ter início, meio e fim. Não precisa ser nessa ordem, mas o pessoal tem que entender do que se está falando;

8) Usar o corretor ortográfico do Word ou seu equivalente. As palavras que estiverem sublinhadas devem ser revisadas e, se for o caso, corrigidas;

9) Em caso de dúvida, consultar o dicionário;

10) Escrever na Internet não significa salvo-conduto para atropelar a língua portuguesa sem piedade. Sejam mais piedosos. Atropelem com classe e conhecimento de causa, como eu faço quase toda semana. Quem não cumprir, minimamente, com estas normas não será publicado. (Tá valendo a partir da semana que vem.)

De: Fred Steca
Este Ridley Scott é um mercenário de marca maior. O cara faz tudo pensando em cifrão. Esses dias eu vi um filme bacana chamado "Absolutamente Los Angeles". Em uma das cenas um produtor de cinema fala para um roteirista iniciante que para ser aclamado não precisa ter "good ideas" mas sim ter "tikets sold out". Ridley Scott se encaixa nesta leva de diretore$. Hannibal é um lixo a parte. O livro é ruim, o filme pior. Juliane Moore, que já fez excelentes trabalhos em cinema alternativo, deve sair correndo das garras de Hollywood, senão... Hopkins já esta me dando nos nervos... O que me deixou mais revoltado ainda é saber que aquele infantilóide "Gladiador" (do mesmo diretor) esta sendo aclamado como "Épico" e concorre a 12 oscars... Pior ainda é deparar com "O Tigre e o Dragão" concorrendo a 10 oscars... Este é outro filme péssimo, chato, muito chato. O que acontece com o Oscar deste ano? Nada presta? Não há uma luz no fim do tunel? O negócio é correr para o "Cinemão" alternativo, com C maiúsculo, que esta nos trazendo deliciosas surpresas neste ano tão pobre de Hollywood!

PS: O que viram neste filme "O Tigre e o Dragão"? Será que todo mundo detestou, como eu, mas ninguem tem coragem de se rebelar contra? Pelo menos metade sala gargalhava ao ver os chineses voando como num passe de mágica... E a história é pior que novela mexicana, o final tenta arrancar lágrimas da platéia (e eu só conseguia rir)... Se prepara para a bomba, meu amigo!

De: Gerbase
Não sou tão radical. Acho que, muitas vezes, é possível combinar boa bilheteria e qualidade artística. Mas não é fácil, claro. É raro. O problema - e isso você identifica bem - é um certo absolutismo financeiro do cinema americano, em que o único argumento que conta é a quantidade de público, levando o cineasta a fazer todas as suas escolhas (e são muitas) com essa foice pendendo sobre o seu pescoço. Ridley Scott parece ter escolhido o caminho mais fácil.

De: José Eduardo de Almeida
Hannibal Lecter está de volta, e depois de dez anos de jejum, faminto como nunca. Com direção do genial Ridley Scott, a tão esperada continuação do Silencio dos Inocentes é um filme tenso com um emaranhado de intrigas, que faz o espectador ora roer as unhas de ansiedade, ora cuspi-las ante a espetacular carnificina oferecida. A enredo é um banquete incomum regado a sangue e maldade, onde os personagens envolvidos falam e tramam, mesclando ganância, obsessão e sede de vingança com perversidade digna de dar inveja a qualquer personagem maléfico de historias em quadrinhos, mas sem desfocar o motivo para tudo isto: o personagem principal, sua destreza e compulsão por carne humana. Anthony Hopkins mostra que continua em plena forma, com uma atuação fortíssima e certamente marcante, dando a impressão que ator e personagem nasceram um para o outro e que de certa forma, se completam. O diretor, já consagradíssimo em filmes como Blade Runner e Gladiador, dá um show à parte, variando tomadas bastante interessantes, inteligentes e tecnicamente perfeitas, onde algumas cenas chocantes recebem um contrastante atenuante sonoro, que se funde com a excepcional trilha incidental do filme. Quem esperava um roteiro como o primeiro, praticamente todo ambientado em uma cela, onde os diálogos eram em sua maioria travados entre grades e as cenas mais marcantes eram as de Hannibal usando aquela funesta mascara "anti-canibal", nesta continuação surpreende-se com a quantidade de tomadas externas, com a diversidade de personagens e com a ousadia explicita das cenas de canibalismo, totalmente desaconselháveis para estômagos fracos e pessoas sensíveis. Com a mensagem de que "precisamos sempre provar algo novo", Hannibal mostra à que veio: chocar, polemizar e trazer à tona nossos ascos mais íntimos, mas desta vez sem nenhum silencio e com pouquíssimos inocentes.

De: Gerbase
Tudo bem, "precisamos sempre provar algo novo". Mas onde está o novo em Hannibal? Você fala em competência, em técnica, em diversidade de personagens, etc. Mas onde está a novidade? Nas cenas externas em Florença? Sinto muito, a cidade é bonita, mas alguns enquadramentos de cartão-postal são dispensáveis. Quanto à "ousadia explícita das cenas de canibalismo", sugiro que você veja o Canibal Holocausto, que, em termos de explicitude, é bem mais interessante. Sinceramente, meus ascos mais íntimos não foram, nem de longe, trazidos à tona por este filme absolutamente superficial.

De: Fábio Rübenich
São poucos os cineastas que envelhecem bem. Stanley Kubrick, o maior deles, envelheceu e morreu bem. Evitava fazer besteiras. Por isso só fazia filmes de dez em dez anos. Assim, todos eram obras-primas. Todos eram autorais, com características próprias e únicas do diretor. Este é o problema de Ridley Scott. Se ele parasse em Blade Runner, e volta e meia aparecesse para fazer um 1492, seria considerado um gênio, ou quase isso. Os Duelistas é um dos mais belos e mais curtos filmes da história. Pena que não pude ver na tela grande. Pena que Scott começou a trabalhar demais, pena que ele começou a trabalhar para Hollywood. Pena que ele deixou de ser original. Agora é um eficiente diretor de histórias criadas para arrastar o público ianque e dos quintais para os cinemas... O Gladiador vai ganhar vários Oscars, Hannibal está na terceira semana no topo das bilheterias. Ok, agora esperemos por um filme do realizador Scott, pelo contador de histórias Scott. Minha última esperança é Terrence Malick, de Além da Linha Vermelha. Tomara que ele só volte daqui há uns cinco anos, com o quarto filme de sua carreira a serviço do cinema.

De: Gerbase
Malick é outro departamento. Kubrick não é outro departamento. É outra loja.

De: Edson Burg
Há alguns dias atrás eu estava dando uma olhada numa lista que eu tenho, que mostra todos os campeões e indicados ao oscar, ao longe desse mais de 70 anos, e vi alguns detalhes curiosos: nos célebres anos do cinema, tinha disputadas acirradas pela estatueta, filmes de verdade que concorriam um com o outro, como foi em 1979, onde, entre os indicados, estavam Amargo Regresso, O Expresso da Meia-Noite e O Franco Atirador. Dois anos antes eram Taxi Driver e Todos os Homens do Presidente que estavam na briga. Sabe, lendo aquilo fiquei com pena de estar vivendo nos dias de hoje, onde o melhor filme do ano é considerado Gladiador, que, pra mim, é filme muito ruim, onde se salvam apenas as belas imagens e a reconstituição da época (mas, com um orçamento milionário, até a globo conseguiria fazer isso em suas novelas). Que saudades daquele tempo que não vivi...e que saudade da época em que Ridley Scott fazia cinema de verdade, como Alien e Blade Runner. O grande problema disso tudo é que, hoje, o que vale é milhões. Qualquer imbecilidade ganha horrores na bilheteria porque tem um ceninha ou outra arrojada de ação, ou um Bruce Willis no elenco ou é uma sequência de um daqueles filmes magníficos, que alguém no auge de sua inteligência o fez....para depois vir uns panacas como o Ridley Scott e o Dino de Laurentis (produtor de Hannibal ) e estragarem tudo. Mas no fim todo mundo contente: Anthony Hopkins, Julianne Moore e o diretor ganharam seus cachês e os produtores estão rindo a toa com a bilheteria milionária. Quem sofre, claro, somos nós, que esperamos ansiosamente pelo Hannibal, sequência do melhor suspense dos últimos anos, e acabamos assistindo à um show de horrores (literalmente). Pior eu, que cheguei a faltar aula pra ir na pré-estreia e ver aquela bobagem. Péssimo filme, com P maiúsculo... queria ser um canibal também e atacar esse hipócritas que transformaram aquela obra-prima numa série caça-níqueis. Dá até vontade de culpar o Thomas Harris, mas também penso que se não fosse por ele não teríamos "O Silêncios dos Inocentes". Pobre mortais somos nós...

De: Gerbase
Pelo que andei lendo, o Harris é culpado, sem senhor, porque escreveu o romance por encomenda do estúdio. Mas eu gostaria muitíssimo de ler o roteiro de David Mammet, recusado pelos executivos. Aposto que, ali, estava o filme que eu e você gostaríamos de ver.

De: Reame
Concordo com praticamente tudo que vc disse. Nem mesmo vi o filme, mas vc tirou completamente minha vontade de ver Hannibal. Já não tinha gostado do livro (livro?), é chato, arrastado, idiota, não saí dos capítulos iniciais. Quando o filme estreou aqui, até considerei ir no cinema, mas aí, pensei comigo: "Porra, é Ridley Scott! O que é que vou perder? Florença lindamente fotografada? Não, obrigado, já estive lá uma vez. Hopkins pagando o aluguel de casa? Não, obrigado, já perdi meu tempo com ele em outras bombas. A gostosona da Julianne Moore pagando mico tentando superar Jodie Foster? Não, obrigado, Foster é insuperável." Foster, aliás, já recebeu o meu Oscar de atriz do ano, por se recusar a trabalhar na bomba-canibal.

Sobre Scott, acredito que tenho uma boa teoria sobre sua decadência. Ele fez Os Duelistas, grande obra, foi aplaudido, saudado como talento promissor, etc. Como não poderia deixar de ser, foi para os EUA (grande besteira) e dirigiu de encomenda Alien. Foi $uce$$o de bilheteria, os estúdios ficaram felize$, deram carta branca para ele fazer o que quiser. Aí, ele fez Blade Runner. Deu todo aquele problema com os engravatados, o estúdio lançou sua própria versão, foi um fraca$$o, Scott foi considerado culpado, etc. Acho que o problema começou a partir daí, pois com essa experiência desastrosa, deve ter sentido a pressão para fazer a máquina registradora trabalhar novamente, e o resultado são historinhas idiotas, infestadas de clichês, com impecável trabalho visual, para dar um certo ar de "arte". Scott só se deu ligeiramente bem em Thelma & Louise, mas é um filme como Beleza Americana, previsível, com uma contestação de valores vagabunda, feita para enganar a crítica, render dinheiro e ganhar Oscars. Acredito que seja uma teoria muito boa, pois se aplica a outros cineastas (o Coppola, numa escala muito menor, sofre disso desde Apocalypse Now). O que vc acha, Gerbase?

De: Gerbase
A sua teoria é uma boa teoria. Espero que Scott a desminta em breve, fazendo um bom filme. Coppola, na minha opinião, está alguns furos cima: mesmo as suas picaretagens têm alguma coisa de autoral. Mas continuo defendendo Beleza Amaricana: é um filme raro, que consegue contestar, sim!, e se dar bem no mercado. Não foi feito para enganar a crítica. Foi feito para enganar todo mundo. O cinema é uma grande mentira que fala do mundo de verdade.

De: Marcos Feitoza
A melhor coisa de Hannibal foi a sua crítica esculachando o filme. Agora, falando sério, o filme é mesmo uma porcaria e só não é esquecível por causa da sequência final que, justiça seja feita, é de embrulhar o estômago e eu confesso que não estava preparado para ela. Aliás é possível mesmo alguém comer o cérebro de outro sem causar dor? Parabéns pela merecida cacetada nessa porcaria!

De: Gerbase
Imagino que seja possível, sim, arrancar o cérebro de um cara se provocar dor. Mas que diferença isso faz? A cena continua sem qualquer dramaticidade.

De: Edson Amorina Junior
O Sr. leu o livro Hannibal? Se leu deve ter sentido muita falta da Margot, irmão de Verger, pois eu senti... Outra falta foi a presença da Jodie Foster, mesmo o filme sendo a "bomba" que é, acho que ela daria uma classe bem maior que a Julianne Moore. O destaque que o sr. deu a batida policial foi muito interessante, pois no livro, ninguém pede para cancelar a batida, ela acontece normalmente, será que o diretor ficou com medo do FBI reclamar de existir uma criança e ninguém ter pedido para cancelar? Não sei, mas que atrapalhou, atrapalhou sim. Outro ponto interessante foi a diferença entre as interpretações do Sr. Hopkins no Silêncio dos Inocentes e nesse, com certeza uma grande personagem como o Dr. Lecter deveria ter sido melhor tratada. Mas diga a verdade, a cena da morte do Pazzi e do batedor de carteira foram muito bem feitas, senão perfeitas. Para finalizar, recomendo que assista o filme Dragão Vermelho (Manhunter) a primeira aparição do Dr. Lecter (Dr. Lecktor), muito interessante ver como a história é praticamente a mesma do Silêncio dos Inocentes. Você não acha que a cena inicial de Missão Impossível II é muito mais interessante que as cenas de alpinismo de Limite Vertical?

De: Gerbase
Não li o romance. Mas é interessante esse dado que você levanta. No livro ela NÃO PEDE o cancelamento da batida? Isso parece bem melhor, pois sua ruína no FBI seria muito mais verossímil. Ela teria realmente se transformado numa policial violenta, em vez da heroína injustiçada do filme. O roteiro, pelo menos nesse aspecto, parece ter piorado a trama do livro.

De: Alexandre Valente
Rapidinho (mais não muito!) O que dizer de um filme que tem dois excelentes personagens, o primeiro, um inteligente e culto assassino em série, o segundo, uma policial, igualmente inteligente, bonita e com sérios problemas profissionais? O que dizer de um filme onde o roteiro é perfeito, a trama é muito bem fechada, e os acontecimentos seguem uma linha verossímil? O que dizer de um filme que tem na direção o grande Ridley Scott? O que dizer de um filme que também tem dois vilões, interpretados por dois dos melhores atores americanos (Oldman e Ray Liotta, o melhor deles)? Nada, absolutamente nada, porque esse filme não existe, nunca foi filmado, e com esses ingredientes acima, especialmente o roteiro, talvez jamais seja filmado mesmo.

Agora com mais calma (mais sem exagerar!) Caro Gerbase, sinceramente não sei quem teve a idéia de filmar a continuação do "silêncio dos inocentes", mas com certeza esta pessoa já tem o seu lugar garantido no "inferno dos produtores de filmes seqüência" (que ainda vai fazer companhia aos produtores das sagas "Sexta-feira 13" e suas nove continuações, "A Hora do Pesadelo", "Uma noite alucinante" - pobre Sam Raimi!, e os mais recentes, "Pânico" - incluindo a versão comédia, "Lendas urbanas", "Bruxa de blair", e etc.)

Quanta besteira num só roteiro. Como pode um criminoso, que está incluído na lista dos dez mais procurados pelo FBI, viver de cara limpa, na bela cidade "dos ventiladores de teto" de Florença, na Itália? E ainda tem um emprego num museu, e freqüenta a ópera da cidade! (Acho que isso é estória do Chicó!). O pior não é isso. Eu até concordo, e assino em baixo, aquilo que você falou sobre a inusitada (e absurda) identificação do Lecter, feita pelo policial italiano (nem Arnold, em "Fim dos dias" faria melhor). O problema é que o cara ligou para a polícia, e, ao invés de ser preparada a prisão do assassino, foi organizada uma caçada vingativa, chancelada pelo próprio FBI, para mata-lo. Pensa que acabou, ainda não. O nosso agora "bonzinho", assassino, depois de matar o policial canastrão (que bem mereceu a morte que teve!) e escapar das garras dos seus algozes, vai para os Estados Unidos da América, encontrar-se com a Clarice. Por que meu deus, por que? Não era melhor fugir!!!

O filme é um grande besteirol. A atuação de Anthony Hopkins bem que merecia a devolução da estatueta do Oscar. Depois desse filme, Ridley Scott já está cotado para fazer a continuação de "A Reconquista" (estralendo novamente com John Travolta, que voltará com os dois braços, e não perguntem como). E o Gary Oldman, coitado, morre até em filme onde o seu nome não consta nos créditos. Que azar hein!!! Na verdade, Gerba, a única coisa que salvou o filme foi ver o grande canastrão Ray Liotta (que protagonizou um dos épicos da porcaria, "Fuga de Absolom") ter a tampa da cabeça arrancada, e o cérebro comido, tudo isso ainda vivo. Foi muito bacana, acho que todos os críticos de cinema, e as pessoas que gostam de filmes adoraram a cena (pelo menos por esse ponto de vista).

Depois de todos estes inverossímeis acontecimentos você se pergunta, como isso tudo aconteceu? Será possível fugir da polícia, mesmo tendo ficado no local do crime até o último instante? Será possível perambular pelos Estados Unidos (de avião que o cara é chique), sem ser identificado? Não sei, só sei que foi assim!!!

De: Gerbase
É... Poucos filmes como esse Hannibal oferecem tantos argumentos para seus detratores. Pelo menos a gente se diverte....

De: Diego Sapia Maia
Acabei de ler sua coluna e vim direto pro Outlook escrever esse e-mail. Achei sua crítica à Hannibal muito bem fundamentada, explicada e coerente. Concordo em parte qdo vc diz "a bomba é o filme". Hannibal é não é tão fiel ao livro. Alguns personagens nem aparecem. Por exemplo: a Margot (irmã de Mason Verger), lésbica e musculosa, que queria pegar o sêmen do irmão (!!!!!!) para gerar um filho. Parece uma coisa absurda, inverossímil, mas no livro fica até coerente. Se essa personagem tivesse sido aproveitada no filme, com certeza a qualidade aumentaria, pois toda e qualquer possibilidade de se levar o filme a sério seria destruída. As situações absurdas poderiam ficar "digeríveis". E o final seria 10 vezes mais bizarro do que o do filme. Alguns personagens pouco apareceram (o próprio Mason e o Paul Krendler), o que prejudicou a estrutura narrativa e transformou Starling numa "heroína sem vilões para combater". No livro, Krendler é muito mais bem explorado.

Acho q o q realmente prejudicou HANNIBAL foi o filme querer se levar a sério demais. Se fosse mais bizarro, absurdo e não se levasse a sério como o livro, seria algo completamente diferente. Infelizmente os senhores Ridley Scott e Dino DeLaurentis não quiseram assim. Hannibal não chega a ser uma bomba, mas não é nem 10% de O Silêncio dos Inocentes, além der ser inferior ao livro homônimo. É só mais um suspense qualquer-nota.

De: Gerbase
Uma irmã lésbica e musculosa atrás de sêmen? Parece bom! Ela poderia substituir os javalis. Mas não creio que o filme seria melhor se decidisse apelar para as maiores bizarrices. Lembro que O silêncio dos inocentes é um filme sério. E muito mais divertido.

De: Andre Augusto Lux
Não vou nem perder meu tempo vendo uma bomba como HANNIBAL (ainda mais com música do pavoroso Hanzimmer), pois não quero manchar a memória do magnífico SILÊNCIO DOS INOCENTES. Não acho difícil entender o paradoxo Ridley Scott: como alguém que dirigiu obras primas como ALIEN e BLADE RUNNER pode fazer filmes absolutamente abomináveis como G.I. JANE, GLADIADOR e HANNIBAL? A resposta é simples, na minha opinião. Ele é um diretor preocupado somente com o aspecto visual dos seus filmes (ainda mais por ter sido formado na escola publicitária). Essa preocupação é justamente o que dá mérito a ALIEN (um simples filme de monstro filmado brilhantemente e elevado às alturas graças aos desenhos de H.R. Giger) e também a BLADE RUNNER (puro delírio visual com um fiapo de roteiro, onde as supostas questões filosóficas levantadas pelo filme mais parecem ter sido inventadas na hora em improvisos dos atores do que qualquer outra coisa). Mas quando Scott tem em suas mãos filmes "mais profundos" (leia-se: tem que contar uma história), ele simplesmente se perde em maneirismos visuais que não só atrapalham a trama como acabam sufocando-a. É um cineasta indeciso, que não sabe que rumo tomar, extremamente volúvel - é só ver o que deixou que fizessem com A LENDA, filme que foi picotado e destruído pelos executivos da Universal, que chegaram ao cúmulo de jogar fora a trilha sonora excepcional de Jerry Goldsmith (que era a alma do filme) e trocar por uma mais pop do grupo Tangerine Dream, sem falar nas diversas "versões" de BLADE RUNNER que existem por aí. Vale lembrar que na mesma época a Universal tentou fazer isso com BRAZIL de Terry Gilliam, que ameaçou queimar os negativos caso tocassem em seu filme! Acho que não há muito o que dizer... O cara é um "mercenário" que finalmente achou seu nicho e começou a ganhar muito dinheiro dirigindo esses filmes pré-fabricados e "genéricos", assim como seu irmão Tony. Não é a toa que foi indicado ao Oscar... Scott é o atual sonho de Hollywood: faz filmes visualmente lindos e limpinhos, mas vazios e inóquos. Filmes que não ameaçam niguém, não discutem e não propõem nada... Filmes que são como um Big Mac, lindos por fora, ôcos por dentro.

Só um comentário em relação ao Scott Glenn: também acho ele um ator fabuloso. Você me entendeu mal. Eu quis dizer "pobre Scott Glenn" por ter que se submeter a um papel tão ridículo quando ao do "Kung-Fu" alpinista de LIMITE VERTICAL - seu constrangimento em cena era visível (especialmente no início, com aquela ridícula barbinha postiça), assim com o de Val Kilmer no fiasco PLANETA VERMELHO. Com certeza ele merece muito mais que isso... Perto desse LIMITE VERTICAL até aquela bomba com o Stallone, RISCO TOTAL, vira obra-prima!

De: Gerbase
E eu continuo defendendo Limite vertical, como um filme de aventura que consegue conciliar muita ação com conflitos de ordem moral, com certa sofisticação narrativa que está longe de aparecer em Risco Total. Outra coisa: Alien não é apenas um filme de monstro. É um filme de suspense, muito bem filmado, que também abre espaço para algumas perguntas interessantes quanto à busca de tecnologia militar.

De: Pedro Rodrigues
Cá estou eu, em pleno carnaval, e me deparo com a continuação do silêncio dos inocentes. Fujo do tríduo momesco e dos prazeres da carne para assistir um bom filme. Bom filme??? Este filme é uma bomba. Cadê a tensão psicológica que existia entre Lecter e Sterling e os bons diálogos existia entre ambos, será Gerbase que os executivos do cinema acham que isto não rende ou vende um bom filme, que você acha??? O papel da excelente Julianne Moore foi quase que apagado em prol de um roteiro caricato e que apresenta uma violência gratuita. Será que o Ridley Scott não consegue nos apresentar mais que o óbvio, será que os dólares comeram seu espírito artístico??? Eu sei são muitas perguntas mas o que fazer. Graças a Deus o filme acaba, saio do cinema e volto para os prazeres do colorido carnaval, pois depois de tanta porcaria e maldade tenho que desopilar um pouco, pois ninguém é de ferro.

De: Gerbase
E eu, que também não sou de ferro, mas detesto carnaval? Nem tinha para onde fugir.

De: Roberta Moiana
Aposto que você terá milhares de cartas sobre Hannibal para ler e responder, mesmo assim eu tenho que dar a minha opinião. Enquanto assistia Hannibal só ficava pensando que aquilo não podia ser a continuação de O Silêncio dos Inocentes. Não tinha nada a ver com o original, que é um pérola do suspense. Seria muito melhor se eles tivessem inventado um outro canibal e feito uma historinha de terror qualquer, tudo bem que não ia faturar tanto quanto Hannibal faturou mas pelo menos não ia ser TÃO decepcionante assim. Hannibal é muito "forçado", em falta de palavra melhor. A parte em que Lecter come o cérebro do agente é de um extremo mau gosto e parece saída de algum filmeco de terrir adolescente. Assim como também é de mau gosto mostrar a cara deformada do milionário em close o filme todo. No resto concordo em tudo com você, principalmente sobre os vilões de meia tigela e seus javalis devoradores.

De: Gerbase
Outro canibal, com outro nome e, principalmente, envolvido em outra história.

De: Alexandre dos Santos Borges
Primeiro uma "puxadinha de saco": adoro suas colunas, são ótimas! Depois que te descobri no Terra tenho freqüentado bem mais esse site (pode contar pro chefe que eu garanto um monte de pagerview). Tu não vais comentar o TIGRE E O DRAGÃO? Estou super curioso, por que até agora só vi elogios. E eu quase morri de sono no filme... Acho que não entendi a "mensagem". ;) Parecia filme de Kung Fu da band de terça de noite...

De: Gerbase
Dá uma olhada na coluna.

De: J. Eduardo
Li a crítica e concordei contigo. Não pelos mesmos motivos, mas porque não gostei do filme também. Ao contrário de ti, achei-o bem feito nos aspectos de fotografia, locações, trilha sonora, etc, em suma um belo pacote de presente. Porém, o que me provocou tamanha decepção foi a pouca consistência do Dr. Lecter, isso sem falar dos outros personagens. O que são seus crimes? Parecem realmente os de um psicopata tão aristocrático? Para mim, mais parecem os de um justiceiro de classe média, tal é a moralidade que carregam. Afinal ele mata um ricaço pervertido e dois maus policiais, um ganancioso e o outro, além de ambicioso, assediador da colega. Era só o que faltava, um psicopata idealista, romântico. Santa bobagem! Mais classe média que isso só se votasse no PT. O resto é tentativa de esconder uma história chinfrin.

De: Gerbase
É. Toda a sutileza dos personagens de O silêncio dos inocentes foi perdida. Mas não concordo com a matiz ideológica que você propõe para o Dr. Lecter. Ele só não vota no PFL porque, depois de conviver com Ridley Scott, perdeu totalmente sua consciência política.

De: Nikola M.
Hannibal me descepcionou. Com interpretações apenas profissionais e nada espetaculares não senti nenhum arrepio no filme inteiro. Apenas nojo nas cenas escatológicas dos porcos ou no enforcamento do policial italiano. E só. Não saquei a obsessão por ventiladores no filme e não acho que eles tenham imposto qualquer efeito nas cenas... não se compara com a cena de roleta russa no Arizona Dream do iugoslavo Emir Kusturica (Jerry Louis num drama!) em que o giro das sombras dos ventiladores de teto imprime toda uma tensão na cena. Tensão&Antecipação=0 Vomito=10. Ainda assim posso dizer que vi coisas muito piores no cinema este ano...

De: Gerbase
Eu também vi coisas piores. Mas nenhuma tão pretensiosa.

De: Dudumor
Primeiramente, gostaria de dizer que discordo completamente de sua crítica em relacao ao filme Hannibal. Eu simplesmente achei o filme muito bom e bem feito. Sei que seu "trabalho" eh criticar, tudo bem, mas que que tem um diretor ter uma tara por ventiladores de teto? Que que tem as coincidencias que vc falou? Em filme tudo eh possivel. Lembra das cenas finais de Missao Impossivel 2, em que o Tom Cruise chuta a arma na areia e a mesma, ao inves de ir para frente como determina as Leis da Fisica, ela sobe? Isso eh soh um exemplo. Se esse filme fosse tao mal assim, nao teria conseguido $109 milhoes de bilheteria em duas semanas. Qto a "coisas" como o Gladiador, gostaria de dizer que eu tb achei um filme excepcional e espetacular, muito bem produzido, com bons atores e uma trilha sonora impecavel e, na minha opiniao, o segundo melhor filme do ano, perdendo apenas para A Espera de um Milagre, por sinal, outro "filmaço". E essa estoria de casalzinho comendo sorvete com uma bomba embaixo da mesa? Putz, para ser sincero, o filme da de 1000 a 0 nessa estoria ridicula. Alias... ja sei onde esta a bomba... Na sua critica.

De: Gerbase
Você pretende justificar Hannibal com Missão Impossível? Caro Dudumor, seu codinome é extremamente adequado.

De: Rafael Koblitz
Vi o Hannibal e, assim como você, achei muito ruim. Acho a sua crítica interessante em vários aspectos, é irônica, é informativa, enfim, demonstra que você entende de cinema etc. Concordo com vc em vários pontos.

Mas, acompanhe comigo esse raciocínio:

crítico-que-nunca-fez-filme - pode falar mal a vontade, desde que dê argumentos e referências que embasem razoalmente sua opinião (embasar completamente ja é pedir demais)

crítico-que-ja-fez-filme-fodão - pode falar mal a vontade, nao precisa nem embasar.

crítico-que-fez-filme-que-está longe-de-ser-considerado-bom-por-uma-galera-considerável-tirando-a-família - Apenas dá a sua opinião e pronto.

Agora pô, vc ser engraçadinho, irônico e falar com a pretensa propriedade que vc fala não dá. A impressão que se tem é que o Cafu tá comentando um jogo do Pelé, dizendo "Pô, o Péle tá fazendo tudo errado, é só driblar o beque e chutar de longe..." imagina o Cafu irônico "Hehehe essa bicicleta do Pelé parece um velocípede hehehhe" (guardadas aqui as devidas proporções - é claro que o Ridley Scott não é o Pelé dos cineastas... já vc e o Cafu, bom, acho que tá bom até demais, po o Cafu era da Seleção!)

Dá pra entender o meu ponto? A sua crítica, bem escrita e embasada acaba se tornando uma arma contra vc: ela vira um atestado de incompetência! Tipo, vc mostra que sabe o que fazer, mas na hora de fazer vc não consegue (é só ver o seu filme com o poder de observacao que vc usa pra ver o filme dos outros que vc vai concordar comigo)

Desculpa o tom meio agressivo, nao tenho nada pessoal contra vc, mas a vontade de escrever esse email foi muito espontânea, se eu tivesse uma coluna gostaria de saber a opinião sincera dos meus leitores, essa é uma opinião sincera.

Espero que vc consiga retirar da ironia do meu texto o conteúdo que eu queria passar mais claramente e não consegui sem ser agressivo e engraçadinho. Mais ou menos como vc.

Um abraço,

ps: a frase do DR Evil e do Mini Me eh muito boa!

De: Gerbase
Sinceramente, estou cheio desses raciocínios simplistas sobre a relação entre crítica e realização. Será que não é possível perceber que são duas coisas diferentes? Acompanhe esse raciocínio. Um comentarista de futebol não faz gol. Um jogador ou técnico de futebol não comenta jogos. Mas alguns jogadores, ex-jogadores e técnicos são bons comentaristas. Cito o Tostão, que escreve bem, é inteligente e sensível. Mas o Pelé, como comentarista, é um horror. E só porque foi Rei no campo eu tenho que concordar com tudo o que ele diz? Ele teria, segundo o seu ponto de vista, autoridade para dizer qualquer coisa porque "seu trabalho já embasa sua opinião". Bobagem absoluta. Se você acha minha coluna irônica e informativa, continue lendo. Se acha que não tenho autoridade para escrevê-la, procure outros textos. Mas se o Cafu, algum dia, for comentar um jogo, certamente não ficarei lembrando os cruzamentos errados que já deu na vida. O Cafu-jogador estará morto, pelo menos naquele momento, e o Cafu-comentarista terá oportunidade de nascer.

De: Marcelo Miranda
Sou fã ardoroso de suas críticas e muito admiro seu (ótimo) senso para filmes. Mas é impossível eu não discordar de seu texto sobre "Hannibal". Sincera e respeitosamente, você devia estar num mau dia ao escrevê-lo. Atirou para todos os lados, xingou, brigou, reclamou... O que é isso? Será que "Hannibal" é tão bomba assim? Nem as qualidades citadas por você logo de início se salvam? Assisti ao filme e, fora a comparação com "O Silêncio dos Inocentes", achei um ótimo suspense policial, com bons diálogos e ritmo envolvente. Li o livro. Muito foi perdido, mas qual obra não se perde em adaptações? Não vou defender "Hannibal" dizendo todas as qualidades vistas por mim. Apenas quero mostrar minha opinião completamente contrária à sua crítica. O que me intriga é como um imenso entendedor de filmes como você rasgou elogios a uma obra(?) pífia como "Limite Vertical" (para mim, já um dos piores do ano) e detona algo interessante como "Hannibal". Não será por isso que deixarei de ler seus textos. E quando houver excessos passionais, como este último, voltamos a conversar.

De: Gerbase
Todos somos capazes de excessos emocionais. Apenas lembro que, em meu comentário de Limite vertical, disse claramente que era um filme simples, despretensioso, divertido, que, em alguns momentos, surpreendia com uma história mais sofisticada que a média. Já Hannibal surpreende pela sua grande pretensão estética e pela superficialidade da história. Como você pôde ver nestas mensagens, muita gente concorda comigo.

De: Patrícia Librenza
Concordo com a tua opinião sobre Hannibal e me pergunto o que poderia dar tão errado em uma segunda tentativa de adaptar um livro do mesmo autor para o cinema, se a primeira tinha sido tão bem sucedida. A resposta, na minha opinião é: o primeiro livro (Silêncio dos Inocentes) era um livro brilhante, denso, e foi bem adaptado. O segundo livro, apesar de bem escrito, era um livro encomendado para virar best seller e filme, com todos os clichês e fórmulas de sucesso fácil (e burro) de bilheteria. O vilão que tinha agradado vira mocinho - é inegável que Hannibal Lecter despiu-se de toda sua crueza e frieza que, combinados com seu bom gosto e erudição, nos fascinavam tanto e nos seduziam, para vestir-se de anjo da guarda psicopata. Surge um novo vilão, patético, para infernizar a vida do mocinho, que está devidamente reabilitado e vivendo da arte. O livro é muito menos ruim que o filme. Traz descrições belíssimas de Florença e das boas coisas da vida (comida, perfumes, arte, literatura, arquitetura)através dos sentidos apurados do mesmo Lecter, frio, cruel, egoísta, com uma memória viabilizada por esquemas mentais sofisticados. Traz um pouco da infância de Lecter e as explicações para sua doeça mental e sua fixação por Clarice. Mas isso tudo não foi para o filme. Incompetência? Com certeza. O filme perde por desvirtuar o livro (que já não é lá essas coisas) e o personagem, por ter mudado o final. Se no livro Lecter age em nome do seu egoísmo, quer Clarice(para fins deliciosamente não explícitos- suspense de verdade)usando para isso seus conhecimentos psiquiátricos (como a psicanálise com uso de drogas) no filme ele está embuído de altruísmo(!!) e isso é insuportável para aqueles que realmente admiravam o personagem. Julianne Moore fica a léguas de Jodie Foster (grande novidade!) mas com aquele roteiro também não dava para ser consideravelmente melhor. Por fim, colaboração para lista de cenas indeglutíveis: quem no mundo, conhecendo Lecter (e sendo Pazzi um policial com acesso à página do FBI, era impossível que não soubesse os mínimos detalhes) entraria no Palazzo, sozinho, à procura de um serial killer? Bem, talvez Pazzi já soubesse que não se faz mais Hannibal Lecter como antigamente.

De: Gerbase
Pobre Gianninni... O personagem tinha tudo para ser interessante: um policial ambicioso, casado com uma mulher jovem, tendo a chance de ganhar uma boa grana. Pena que era débil mental.

De: Gilvan S. G. Júnior
Não concordei em absoluto à crítica feita ao filme Gladiador, assim como acho q muitos também não concordaram. Como vc pode colocar no mesmo nível Hannibal e Gladiador??? Devaneio maior não poderia haver. Gladiador é infinitamente melhor. Retrate-se, por favor.

De: Gerbase
Retrato-me. Gladiador realmente é melhor. E mousse de chocolate é melhor que mousse de maracujá.

De: Andre Francioli
Devo confessar que não acompanho muito sua coluna no ZAZ. No intuito de conhecer melhor sua coluna e a do Carlão, andei fuçando em alguns textos. Embora o filme tenha sido comentado já há algum tempo, não pude me conter em lhe mandar algumas notas a respeito da crítica sobre Assédio, de Bernardo Bertolucci. Espanta-me (desculpe) a cegueira geral em torno desta obra-prima. Falta aos intérpretes do filme um pequeno detalhe: a de que Assédio, além de ser uma homenagem a Glauber Rocha do início (o plano do vulcão que abre o filme é citação clara à Terra Em Transe e ao vulcão adormecido Glauber) ao fim, é também a retomada e o desenvolvimento (após 25 anos e num quadro histórico- político absolutamente diferente) da tese presente em O Leão de 7 Cabeças, do mesmo Glauber, sobre as relações político-culturais entre as metrópoles européias e as colônias africanas. Daí que Assédio é uma alegoria (digo alegoria) extremamente sofisticada de diversas facetas desta relação. Assédio traça um panorama, sob o olhar do diretor, sobre a alienação cultural de parcela da juventude imigrante africana presente na Itália, que paulatinamente aliena-se de sua cultura e de suas tradições e que esquece o passado dos sofrimentos colonizatórios na busca da realização econômica e ascensão social na Europa (ou a trajetória, o drama e as situações e ambientes por quais passa a protagonista não revelam este mecanismo?). Atualmente é notório o sentimento de culpa presente na Europa acerca do caráter predatório do processo de colonização e descolonização africanas. Não é à toa que o pianista (fogem-me agora o nome das personagens), intelectual-urbano-europeu, desfaz-se de suas relíquias culturais (valores) presentes em seu apartamento no intuito de libertar o marido de Thandie Newton. Assédio não podia ser um título mais pertinente para este filme. O revolucionário liberto, porém, fica do lado de fora da nova estrutura estabelecida pelo laço entre o pianista e a estudante africana. Não esqueçamos que, apesar de se "desfazer" de sua memória, o pianista ainda permanece atrelado a valores individualistas do capitalismo contemporâneo (dado expresso economica e magistralmente na cena em que o europeu, com o apartamento esvaziado, assite a uma corrida de fórmula 1 na televisão: haverá algo mais individual e turbo-capitalista que a F1?). Este é só um rascunho do que vejo de rico e genial neste filme, e que infelizmente tem sido interpretado com precisão muito raramente. Este desejo de retomada da tese de O Leão..., para fazer um diagnóstico das relações ÁfricaxEuropa decorridos 25 anos, é expresso inclusive com procedimentos que atrelam Assédio ao filme de Glauber na própria diegese: os meninos que sobem em uma enorme árvore no início do filme, por trás do músico africano, são correlatos diretos dos negros que, em O Leão..., são arrancados de uma árvore e fuzilados sumariamente: é uma chave que decodifica e marca as intenções de Bertolucci. Preste atenção se a decupagem/montagem da cena em que o marido da estudante é retirado por soldados da sala de aula não é extremamente glauberiana. Assédio também é uma homenagem à Glauber do início ao fim. Sugiro a todos que viram Assédio assitir a O Leão de 7 Cabeças para ter uma perfeita visão deste filme e do diálogo entre duas grandes obras da história do cinema.

De: Gerbase
Fica difícil responder, porque não vi O Leão de 7 cabeças. O último Glauber que tentei ver foi A Idade da Terra, uma chatice monumental. Mas vamos admitir que Assédio seja uma alegoria sobre outra alegoria glauberiana. Que diferença isso faz? As boas alegorias são aquelas que funcionam bem em seus dois (ou mais) níveis de significação. A Bela e a Fera é uma alegoria? É. Mas a história em si, os personagens, a trama explícita, tudo funciona. Se a alegoria tem uma "chave" decodificadora, que me impede de abri-la e entender o filme, sinto muito, é uma má alegoria. É uma homenagem secreta demais para justificar-se enquanto homenagem. Claro que esta minha resposta é um pouco apressada. Não tenho espaço para discutir o que você propõe e ainda tenho que confessar minha distância (de certa forma, intencional) do universo glauberiano.

De: Patsgirl
Em pleno sábado de carnaval troquei o trio elétrico para assistir a estréia de hannibal. Quanto arrependimento! Não sou de menosprezar filme nenhum - afinal todos dão um certo trabalho que merece ser reconhecido. Mas esse tal de Hannibal achei simplesmente "ridículo". Essa é a palavra. Até a metade do filme deu pra levar numa boa. Minha indignação veio na cena em que a policial vai salvar o assassino dos javalis. Por quê? Não ficou explícito para mim o porquê de tanta benevolência da parte dela. Depois o criado joga o próprio patrão para que os javalis o comam. Ali eu quase tive um piripaque na cadeira. De raiva! Não vi sentido. O cara já tinha sofrido bastante pra morrer assim... Além de ter sido a vítima, teve aquele fim. Sem contar que o Dr. Hannibal foi mais forte que todos os seguranças. Daí pra frente nem precisa comentar... uma besteira atrás da outra, até chegar àquele final medíocre. Sempre penso na moral de cada filme e pra mim este foi contrário a meus princípios: "seja mau e se dê bem, seja bom e se foda." Ah... depois de um clássico como Blade Runner , Ridley Scott me apresentar um filme desses... tenha santa paciência!!!!!!

De: Gerbase
Não vi essa moral - que me lembra bastante Justine, do Marquês de Sade - no filme. Ridley Scott não teria capacidade de ser tão politicamente incorreto. Pra mim, a moral de Hannibal é: "Seja vegetariano. Você nunca sabe a procedência da carne que está comendo".

De: Andrey Arakaki Rodrigues
"O Arauto vilipendiador dos pastelões hollywoodianos". Seu sarcasmo é hilariante. É sempre útil ter um bom crítico e diretor de cinema por perto para nos alertar sobre "frias" como este "Hannibal". Assim poupamos a grana curta para investir em melhores produções. Parabéns pelo seu trabalho!

De: Gerbase
Obrigado. Continuarei vilipendiando sempre que não gostar do recheio do pastelão.

De: Itaiguara Bezerra
Caro Carlos Gerbase, faz um mês que descobri esse valioso recanto de crítica de cinema no Terra e pode acreditar, eu gostei. Não sou muito favorável aos críticos porque os acho um cineastas frustrados. Mas com é com tal alegria que eu leio as suas críticas. Elas não são nem um pouco acadêmicas, mas sim de uma pessoa que goste e zela pelo bom cinema (seja qual for o tipo).

Bem, nesse período de carnaval eu não viajei e coloquei os "filmes em dia". Assisti "O Tigre e o Dragão", "Limite Vertical" e "Hannibal". Tentarei dar a minha singela e humilde opinião sobre esses três filmes. Vamos lá:

1) "O Tigre e o Dragão" eu achei bárbaro. As cenas de lutas foram extremamente bem coreografadas, principalmente a primeira onde a luta percorre quase 10 minutos. As tomadas feitas pelas câmeras do ponto de vista de cima, foram excelentes. A direção de fotografia é bárbara, onde pegava-se detalhes das lutas de pés (o que é uma característica de filmes de lutas chineses). Acredito que o filme do "Tigrão" vá levar o Oscar de Melhor Filme, mas o de estrangeiro é certo. Acredito de quem vá levar seja o Gladiador, que é um bom filme, mas não é lá essas coisas que os críticos (sic) falaram (tirando a parte da batalha inicial). Mas recomendo aos verdadeiros amantes dos filmes de kung fu que vejam o filme. Quem está esperando ver uma versão karateca de "Tempestade de Gelo", nem perca o seu tempo;

2) "Limite Vertical" foi uma grata surpresa. Fui com o objetivo de apenas assistir um filme de ação, nada além disso. As cenas de deslizamento, de escalada foram muito bem feitas, por sinal, bem melhores da "tão famosa" escalada de Tom Cruise em "MI - 2" (que eu achei o pior filme que John Woo fez nos EUA). Concordo com você que aquela águia foi de um extremo mal gosto e com relação a detalhes do "fundo azul". Mas no bojo geral, foi bastante interessante;

3) O "Hannibal" foi uma verdadeira porcaria. Foi incrível quando eu li a sua crítica sobre esse filme. Eu concordo com você em 100%, e parecia até quando eu cheguei a casa e me perguntaram sobre o filme. 3.1 - Na batida para prender a traficante, todos ouviram a Clarice Starling (Julianne Moore) falando para abortar a operação, mas ninguém foi a favor dela quando a mesmo foi suspensa. Pode estar errado, mas ela era a única mulher na operação. Será que o FBI é machista na vida real??!! 3.2 - Como um cidadão que é um dos homens mais procurados no MUNDO viaja de um país ao outro sem um mínimo de disfarce??!! 3.3 - Jodie Foster se mostrou não só uma bela atriz, mas se mostrou também uma pessoa extremamente inteligente por não ter aceito trabalhar neste filme equivocado. A "desculpa" dela de falar que o filme é violento é falsa. O filme é ruim e ponto final. O "Gladiador" é muito mais violento se comparado ao "Hannibal". Olha, faz tempo que não vejo um filme tão ruim feito o "Hannibal". Que Deus perdoe Ridley Scott e Dino De Laurentis.

Bem, vou ficando por aqui. Um grande abraço para ti e continue com as suas críticas sarcásticas e de extrema inteligência.

De: Gerbase
Obrigado. Mas fiquei com vontade de ver uma versão karateca de Tempestade de Gelo.

De: André
Primeiramente, gostaria de parabenizá-lo pelo excelente trabalho como crítico de cinema neste portal. Quanto ao sofrível "Hannibal", seu comentário foi muito pertinente e hilariante. Faltou falar sobre aquela cena patética do Ray Liota com a tampa da cuca aberta, comendo seu próprio miolo frito e se portando igual um retardado. Risível. Para encerrar, gostaria que vc me auxiliasse, se possível, a descobrir quais são os dez melhores filmes de todos os tempos segundo a crítica. Alguns deles eu já assisti: "Cidadão Kane", "Morangos Silvestres", "Casablanca". Onde posso obter tal informação?

De: Gerbase
De que "crítica" você está falando? Existem milhares de listas de melhores. Várias, inclusive, estão no Terra. É só procurar na seção de "Favoritos".

De: Emmanuel Boavista
Parabéns pelo espaço oferecido à nós, fãs de cinema. Tive o desprazer de assistir o decepcionante "Hannibal". Entrei no site do TERRA e busquei alguma crítica sobre o filme. Fiquei profundamente recompensado ao ler a sua. Não só pela coerência do seu texto, como, principalmente, por descobrir esse novo canal de interação entre cinéfilos. Mas vamos falar sobre "HANNIBAL". Li o livro de Thomas Harris, "HANNIBAL" assim que ele foi lançado aqui no Brasil, muito antes de Joodie Foster se recusar a fazer o papel de Clarice e de Hopkins pronunciar-se a favor de fazer o de Lecter. No livro, Thomas Harris deixa claro que espera ver suas letras em forma de ação via Hollywood. Hannibal Lecter após fugir fez diversas cirurgias plásticas e fica praticamente irreconhecível. Ou seja , caso Hopkins não aceitasse fazer o papel outro ator poderia fazê-lo. Curiosamente no filme hannibal está - como você muito bem disse - muito á vontade para um dos dez mais procurados do FBI. Outra curiosidade é que a radiografia enviada à Clarice de Hannibal havia sido enviada de um hotel no Rio de janeiro, Brasil. No filme, a radiografia havia sido mandada de Buenos Aires (menos mal, pelo menos a gente imagina que alguns argentinos viraram picanha). A primeira parte do livro é interessante e o filme retratou essa primeira parte de maneira competente. Agora, se você achou o final do filme imbecil, precisa ver o do livro !!! Quando li que o final do livro havia sido reescrito para a versão do cinema senti uma ponta de alívio, principalmente quando soube que a direção seria de Ridley Scott. Ponto para Joodie Foster e para Jonathan Demme. E ponto para você, pela categoria! Valeu. Virei fã!

De: Gerbase
Obrigado.

De: Daniel Galera
Quem já assistiu Hannibal e principalmente quem leu um bom punhado de resenhas que detonam o filme, tem OBRIGAÇÃO de ler esse artigo na Salon, de autoria de um escritor e um filósofo:

http://www.salon.com/ent/movies/feature/
2001/03/03/barthelme/index.html

Os caras entendem que Hannibal é uma obra-prima, um dos mais autênticos filmes sobre o amor dos últimos tempos, e chegam a comparar o personagem do Lecter com Nietzsche. Provável exagero, mas o texto nos força a repensar o filme e a opinião consensual da crítica de que se trata de um abacaxi sem nenhuma possibilidade de redenção.

Quando eu assisti, saí com uma impressão dividida, o filme tem várias incongruências narrativas e coincidências meio absurdas, mas tem realmente uma porção de cenas impressionantes, principalmente na parte final. A cena do cérebro é uma das coisas mais chocantes que já vi no cinema, e não sei dizer se ela possui apenas choque vazio, ou se é uma sátira genial da ultra-violência no cinema americano. Uma coisa é preciso admitir: a sequencia final, desde o despertar da Clarice, passando pelo banquete macabro, até a mão decepada, foi concebida de maneira admirável pelo Ridley Scott, e resolve o filme de tal maneira que não se pode descartá-lo como lixo sem uma ponderação mais cuidadosa.

Eu li o livro do Thomas Harris e achei uma bosta. A história está fielmente reproduzida no filme do Scott, logo continuou a mesma bosta. Mas essa tensão mais passional entre o Lecter e a Clarice é algo novo, exclusiva do filme; a atração entre eles é intrigante e pode merecer alguma atenção, mesmo que pra isso a gente precise ignorar todas as falhas do enredo. E a cena do corte da mão algemada é um daqueles casos típicos onde uma narrativa tem desfecho ao mesmo tempo óbvio e surpreendente, como nos bons contos. Causa surpresa, seguido da sensação de que aquela era a única coisa que poderia e deveria acontecer.

E então, Hannibal é um thriller de terror absurdo e descartável, uma história de amor sarcasticamente oculta atrás de violência indigesta, ou um pouco de ambos? Ainda estou pensando nisso...

De: Gerbase
Vou ler esse artigo e depois conversamos. Me cobra. Mas acho MUITO difícil transformar essa Hannibal em obra-prima. Com aqueles javalis? Com aqueles personagens idiotas? Com aqueles ventiladores de teto? Com aquele conflito de Briggite Monfort? MUUUUUITO difícil. E NÃO é uma história de amor. Se fosse, talvez ficasse bem interessante.

De: Clecio
Bom, em primeiro lugar concordo com o que vc escreveu sobre o Hanibbal. O filme realmente é uma bomba, não funciona nem como suspense, um filme extremamente previsivel, de mal gosto, com vilões realmente ridiculos. Discordo em relação a montagem, pois achei o filme chato, sem ritmo, longo demais. Os personagens não são aprofundados, O Hanniball e A Clarice são diametralmente opostos ao que eram no primeiro filme. E acredito que, e você não disse, esse filme faz uma glorificação do psicopata. O Hannibal é o verdeiro herói desse filme, nós, os espectadores, somos levados a torcer pelo Herói-Haniball. O que é esquisito, vc se identificar com um psicopata canibal. E esse tom é reforçado com a posição justiceira do Hanibbal no final do filme. Apenas discordo com você em relação a culpa desse equívoco que é o filme. Não digo que a culpa é do Ridley Scott, por ele ser menos autoral que o Jonatam Demme. Acredito que essa discussão sobre cinema autoral seja interessante, mas entendo que o Ridley Scott inegavelmente tenha uma caracteristica de apuro visual muito forte, e, um cineasta que faz 3 grandes filmes na carreira (Alien, Blade Runner e Os Duelistas são realmente, na minha opinião, filmes maravilhosos), não pode ser desqualificado como um cineasta não autoral. O que acredito em relação a ele, e talves em relação aos cinestas como um todo, é que o seu lado autoral está na imagem que ele coloca na tela, e não no texto que é passado, ou "lido" no filme. É engraçado que, é pacífico que Scott tenha feito esses 3 grandes filmes. Demme, por exemplo, tem apenas 1 grande filme na carreira. Em relação a esse filme, culpo mais o péssimo roteiro (que decepção, hein, David Mamet), do que as opções do Diretor. Mau-Gosto? Sem dúvida. Visual de comercial de Tv? Indiscutivel. Mas, se tivesse um bom roteiro na mão, todos esses detalhes passaria despercebidos.

De: Gerbase
Não culpe o David Mammet. O roteiro dele foi jogado no lixo.

De: Marcelo Ricardo
Tenho que concordar que Hannibal está um tanto distante daquilo que representou "O Silêncio dos Inocentes". Principalmente se (como parece ser o seu caso) você foi assistir a um filme de suspense. De fato Hannibal não deveria ser vendido como uma continuação (mas outro filme sobre o mesmo personagem). No entanto, o que me espantou foi a diferença de critérios entre Limite Vertical (sua crítica da semana anterior) e Hannibal, pois o último, por pior que fosse, ainda era melhor realizado (não quero dizer que tivesse um bom roteiro). Parodiando sua última crítica eu até diria: Em Limite Vertical, a mesa está na base do K2 (na verdade o belo Monte Cook, na Nova Zelândia), em baixo de uma hélice de helicóptero, e a tempestade está chegando. O casal é formado por um fotógrafo burro (o suficiente para carregar nitroglicerina a 8000 m) e uma alpinista metida a besta. Eles (quase) comem o primeiro que morrer congelado. E a bomba? A bomba (naturalmente) é o próprio filme. Com todo respeito que tenho pelo seu trabalho como crítico, se você parar um pouco para pensar, verá que ambos os filmes ficam, no máximo, no mesmo nível.

De: Gerbase
Limite vertical não é um filme de suspense. É de aventura. Em filmes de aventura os personagens podem ser um pouco - não muito - idiotas.

De: Plínio Uhl
Falando como espectador, até tenho elogios para o filme. Penso que ele foi eficiente: ainda estou me lamentando por ter deixado para comer só depois de assisti-lo... aaargh! Mas, como o espírito crítico não me deixa em paz, faço algumas observações, principalmente em comparação com O Silêncio dos Inocentes:

1- Mostrar cenas absolutamente nojentas explicitamente e em série é uma alternativa mais fácil de causar e manter o medo da platéia do que através do suspense psicológico, tão difícil de ser alcançado e tão aplaudido no primeiro. Na tentativa de igualar-se ao primeiro, esse filme preferiu um caminho mais simples e com certeza não conseguiu sua façanha.

2- Muitos que conheço criticaram a atuação de Juliane Moore, dizendo que ela fez uma Clarice "apagada". Não concordo. A presença da personagem para a trama em si é que não fazia sentido algum. Em Dragão Vermelho, primeiro livro de Harris com o personagem Dr. Hannibal Lecter e também adaptado para o cinema, porém sem a participação de Anthony Hopkins, este era caçado por outro agente do FBI. Então, por que no terceiro da série manter a Clarice? Minha opinião: o personagem da agente do FBI que vai em busca de Lecter aparece tão pouco, que seria difícil criar uma empatia eficiente com o público a tempo deste torcer por ele nas cenas finais. Era mais fácil torcer pelo Dr. Lecter, cuja presença era bem mais marcante. Daí, a solução é manter a Clarice, quem o espectador já conhece.

3- Só para exemplificar o que afirmei acima: tememos pelo policial italiano (cuja presença no filme faz mais sentido e é bem mais aproveitada do que a de Starling) durante seus encontros com Lecter. No entanto, quando descobrimos que ele está apenas de olho na recompensa oferecida pela cabeça do "Canibal", subestimando o criminoso, passamos a torcer por Hannibal (pelo menos, eu torci: "Vai doutor, arranca o intestino dele!!!!!!!). A força do personagem de Hopkins é muito maior.

4- Aquela estória de jogar o Dr. Lecter ao porcos selvagens no meio de algo semelhante a uma arena me fez lembrar das armadilhas que Batman e Robin tinham de escapar ao final de cada capítulo da antiga série de TV... :-))

5 - Ridley Scott é o diretor mais megalomaníaco que já vi (ou seria culpa do Thomas Harris?). Trocou os interiores fechados de O Silêncio dos Inocentes por longas tomadas plásticas descritivas, com paisagens naturais e ambientes gigantescos.

Quanto a demais comentários, estaria sendo redundante com a sua crítica se continuasse.

De: Gerbase
O problema não é a gente "torcer" pelo Dr. Lecter ou pela Starling. O problema é que a nossa torcida é por times medíocres, que não fazem gol. Só ficam jogando pros empresários, fazendo embaixada e esperando um contrato milionário.

De: Ricardo Guimarães
Li, na quinta-feira passada o seu comentário a respeito do filme Hannibal e fiquei um tanto desgostoso pelo que li, tendo em vista que eu estava esperando ansioso por este filme. Geralmente quando leio alguma crítica que fala mal de um determinado filme, perco um pouco de interesse pelo mesmo (é por isso que leio sempre as suas opiniões, e quando são bem fundamentadas, levo-as a sério). No caso de Hannibal, o impacto foi diferente. Primeiramente quero perguntar uma coisa: você leu o livro 'Hannibal' de Thomas Harris? Estou perguntando porque o li muito antes de saber que estavam para filmá-lo. Quando concluí a leitura, bastante impressionado, comentei com mais de uma pessoa que seria interessante filmá-lo, e que se colocassem metade das cenas descritas nele, o filme já seria bastante aterrador. Pois é, fui assisti-lo este fim de semana e realmente não gostei muito do filme. Não porque as cenas tenham sido forte, ou exageradas, em absoluto, foram demasiadas fracas em relação ao que está descrito no livro. Alguns personagens essenciais não foram mostrados, como a irmã lésbica de Verger (que o mata no final), e alguns outros que fizeram parte do espetacular 'Silêncio dos Inocentes'. Mas tudo bem, pelo que vi no filme, fizeram falta, mas dava para entender a idéia. Tudo que foi apresentado no filme, de certa forma, foi fiel à estória. A Clarice Starling de Julianne Moore estava perfeita, pois no livro ela é uma policial dura e sem a doçura e inocência da primeira Clarice (de Foster) e Hopkins deu vida ao Hannibal. Concordo que os personagens de Oldman e Liotta estava estremamente fracos. Verger (Oldman) é incrivelmente mais assustador e cruel. Outra coisa que não exploraram mais foram os porcos, que têm uma importância singular no livro, bem como os italianos. Mas, até aí tudo bem, não se pode querer que um filme siga ao pé da letra o livro (teria de ter pelo menos duas horas e meia de projeção), o que me desagradou mesmo foi o final. Não a parte em que ele frita um pedaço do cérebro do Paul (Liotta), aliás, das poucas cenas do livro bem descritas (tal como a da morte do policial em Florença). O final feliz do filme foi bem diferente do final feliz do livro, neste último, Clarice e Lecter fogem para a Argentina, onde 'vivem felizes para sempre'. Esta mudança realmente me desagradou. No mais, gostei muito da sua crítica e ela teria realmente se aplicado caso eu não tivesse lido o livro.

De: Gerbase
Quê? Eles fogem para a Argentina e vivem felizes para sempre? Com os javalis junto? O Dr. Lecter vira ministro da economia dos hermanos? E ainda tem a tal irmã lésbica musculosa.... Agora vou ler esse livro.

De: Marcelo Campos
Eu vi o filme e concordo c/ vc em genero numero e grau..... isso vai virar uma quizumba, festival de 'sequencias dos infernos'.... ate ja me chamaram de purista, aqui no trabalho, qdo comparei um filme com o outro... a sacanegem eh que a maquina registradora de Hollywood chamou de forma mto apressada o criador do personagem (Thomas Harrys) e na sequencia, os roteiristas dispiniveis..... afobou, dancou!! Esse filme so me fez pensar que comparar uma sequencia com a outra, eh perda de tempo.... vou torcer para nao fazer isso de novo! Ah, dei mtas risadas por saber que voce nao gosta mais dos filmes do "Tio Riddley"... as vezes eh bom 'camuflar' o cinema pipoca c/ um pouco de arte.... isso ele faz com mta maestria. Espero que um dia ele volte a te agradar!

De: Gerbase
Tô esperando junto.

De: Marco
Pô cara, para com isso... Cineasta brazuca metendo pau em grande produção norte-americana, quanta inocência. Continue sendo tolerante com Ridley Scott e talvez um dia vc consiga produzir, quem sabe, um Blade Runner tupiniquim rodado na Amazônia... Pra finalizar, meu caro Carlos: A inveja é uma merda! Abraços.

De: Gerbase
É verdade. A inveja é uma merda.

De: Rita
Falar mal de Hannibal (eu escrevi certo?), vá lá. Mas do gladiador, já é de mais!

De: Gerbase
É que a inveja é uma merda.

De: Joselho Santos
Esta é primeira mensagem que lhe envio. Mas já lhe acompanho há muito tempo. Concordo em parte com o que tu disseste, porém o filme não é tão porcaria assim. Já que ainda estamos em clima de carnaval (e dos péssimos!), eu diria que "Hannibal" estava mais para um desfile da Imperatriz Leopoldinense: figurino (fantasia) bem caprichado, locações (alegorias) de bom gosto, um roteiro (samba-enredo) no mínimo interessante, e a dupla de protagonistas (ou seria o Mestre-Sala Hopkins e a Porta-Bandeira Moore) agindo com perfeita harmonia. Só que este "desfile" não teve empolgação. Deu sono. No final saiu um samba do crioulo doido! Ou psicopata. Se tu viste o desfile (o que eu duvido...) talvez tu concordes. Não entendi o que o Ridley Scott pretendia com aquela fotografia esquisita, movimentos de câmera rebuscados, impedindo a visão do filme. Talvez nem o mais trangressor dos cinéfilos tenha gostado disso. Será que tu tens a explicação?

De: Gerbase
Tenho. É que a inveja... Bom, falando sério: acho ótima sua idéia de que o Ridley Scott deveria abandonar o cinema e virar carnavalesco.

De: João Luís Torres Prada e Silva
Se há um adjetivo suficiente para definir este filme, é: CHATO. Mas poderíamos também usar: arrastado, chocho e desinteressante. Os 10 anos de lapso temporal desde o 'Silence...' desembocaram frouxamente nesta insossa continuação. Nem o grande talento de Sir Hopkins foi suficiente para impedir que o carisma e o apelo do enigmático Dr. Lecter fossem envasados em um invólucro de personagem comum. Hannibal Lecter virou apenas mais um personagem ('humanizado' inclusive, pasmem!). Seus fascinantes diálogos com Starling no 'Silence...' viraram psicologismos ocos e baratos agora. A história é chata, o ritmo monótono e a direção de Scott sem brilho. Nem mesmo o deslumbrante perfil renascentista de Firenze foi bem explorado! Sim, talvez seja exigir demais, mas é inevitável para quem se deleitou com 'Silence of the Lambs'. Jonathan Demme fez muita falta...

De: Gerbase
Faltou alguém para tentar dizer alguma coisa. Só isso.

De: Cristiano W. Leal
É impressionante o carisma que Tom Hanks tem com o público americano. Ele realmente pode fazer Sexta-feira 13 parte 127 que irá dar muita bilheteria... Sua atuação em Náufrago não surpreende basicamente em nada, apenas realiza seu papel de uma maneira competente, e só. O filme também, parece que vai mas não vai... não se aprofunda - fica boiando eu diria - poderia prestar-se á um filme sério, saindo pela tangente da fórmula: Naufraga - sofre - sobrevive - é resgatado. Até parece que em certos momentos irá refletir sobre os valores humanos, a vida, etc...Bom, mas aí já é pedir demais dos americanos, deixa pra lá! Já que não se presta adequadamente para esta finalidade, então que fizesse o espectador grudar na cadeira e esmagar a pipoca...Mas nem isso, com exceção é bem verdade da impactante cena do acidente aéreo no início (e por isso o filme parece que vai engatar e não engata) o resto é mais do mesmo. A baleia, bom, essa poderia concorrer de coadjuvante no lugar do Mr. Wilson (achei bem mais competente em suas atuações). Quanto a uma dúvida levantada por uma leitora em sua coluna, no que diz respeito às asas desenhadas na porta/vela, bem, vale lembrar que Hanks pinta algo deitado sob a armação enquanto está montando o seu "barco", possivelmente as asas, além do que, as asas eram marcas "registradas" (para valorizar o merchandizing você diria) da pintora que envia o pacote no início do filme, e não da companhia aérea. Aliás, em se falando de merchandizing, porque não distribuírem coletes salva-vidas na entrada do cinema...devidamente impresso "and the oscar goes to..."

De: Gerbase
O Oscar vai pra baleia, claro.

De: Paulo Pereira
Que tipo de filme vc gosta? Pornô? Faroeste? Romance? Comédia? Porque, de filmes de ação, vc não entende nada. Aliás, comédia é a palavra certa para descrever o seu comentário a respeito de 60 Segundos. Vamos aos fatos:

1- Dá pra torcer pelo bom ladrão quando ele está quieto e dirigindo, em vez de falando, pois os diálogo do filme são ruins demais.

Bom, o que falta aos diálogos? Gírias? Cantadas? Criticar o diálogo do filme seria renegar o diálogo da realidade americana, usado no filme do começo ao fim. Mas você provavelmente não conhece. Já esteve nos EUA?

2- pois dá pra saber antecipadamente TUDO o que vai acontecer, e alguns poucos segundos de tensão.

Então, porque vc foi assistir o filme? Vc sabe TUDO o que vai acontecer em Spider-man? Ah, vc não entende de filmes de ação, esqueci...mas claro, vc sabe TUDO antecipadamente, não precisará assistir ao filme...Vejamos, vc desconfiava que Sphinkx apareceria para ajudar Memphis quando este foi encurralado pela primeira vez por Jonny B? Vc desconfiava que a equipe teria de roubar os carros do pátio da polícia? Vc desconfiava que Kip salvaria o irmão no final? Vc desconfiava que a equipe NÃO conseguiria cumprir o prazo??

Claro, vc já sabia de tudo...

3- mas há uma diferença oceânica entre seguir uma ordem, acrescentando alguma inovação e criatividade, e tentar fazer um bolo com uma receita que só tem personagens clichês, situações lugares-comuns e segue sua trajetória sempre em linha reta.

A Mercedes de Jonny B. arrastada pelo guincho e sua gangue acabar presa pelos policiais, Shynkx explodir a Mercedes do mesmo para chamar a atenção, o mesmo Sphynkx arrastar o carro da polícia com o Hammer, Memphis fugir de ré dentro do beco, o peso do guindaste fazer a perua da polícia atravessar uma parede, muitas e muitas técnicas de roubar carros exibidas, Memphis obrigar o helicóptero a parar a persiguição ao entrar embaixo do aeroporto, por favor, não me lembro de um filme que tenha cenas "clichês" parecidas, ou personagens como Callitri, um gangster que adora madeira (?!?), um cachorro que come placas e chaves, ou uma mulher fanática por roubar carros.

4- Os atores também são caricatos demais, liderados pelo desastroso Nicolas Cage e seu cabelo neo-loiro. Angelina Jolie, coitada, não consegue nem ser interessante, muito menos sensual, perdida num papel absurdo. Robert Duvall..., chega, aí já é demais, o cara é um grande ator. Como pode estar num filme desses? Mas cinema é mesmo assim. A música de 60 segundos, fora alguns segundos de big-beat clássico, também é um primor de chatice. Fotografia, idem. Cenários, ibidem. Montagem, itridem.

Os personagens não são caricatos, pois todos são mostrados com seus problemas, seus dramas e seus limites, que fazem de tudo para superar, frente às situações do filme. Ou seja, os personagens se superam, mas são realistas. Nicolas Cage é desastroso? Vc conhece algum que faria melhor o papel? Além da ótima interpretação, ele faz o herói dentro de uma realidade atual, e principalmente dentro da realidade da trama. E ainda o faz de maneira discreta, sem alardes ou ares de ter certeza que vai conseguir alguma coisa, como muitos por aí. Angelina Jolie, só não acha ela interessante quem é homossexual. Sensual? Que tal quando os dois quase transam dentro do carro? Só porque ela não está com a bunda de fora não é sensual? Vc precisa reavaliar o seu conceito de sensualidade...Robert Duvall está ótimo como Otto, o coordenador-chave da equipe. Aliás, vc sabe o que é equipe? Porque se soubesse, perceberia na maior facilidade que todos os personagens eram necessários, todos tiveram sua importância, e o roubo não seria possível no prazo sem cada membro. Aliás, não foi, pois o roubo foi cumprido, mas o prazo não. A "chatice" que você se refere eu já comentei, em filmes de ação bons vc deve dormir mesmo, para estar acordado para assistir aos, estes sim chatíssimos, romances e dramas, como Razão e sensibilidade.

Fotografia e cenários, super trabalhados, se vc assistir ao making of, verá que foram planejados, desenhados e redesenhados, o computador foi bastante utilizado, cameras estrategicamente colocadas, nos parachoques, encima e nas laterais dos carros para as cenas de ação, que aliás vc não comentou nenhuma, pois não conhece o assunto.

5- E aí vem o mais interessante: o filme está na quarta semana de exibição e continua enchendo as salas. Acho que temos que aprender alguma coisa com os rapazes de Hollywood. Eles emplacam boas bilheterias até com produtos de segunda categoria, como 60 segundos e Gladiador (se bem que este é um pouco melhor), numa conjugação de bom marketing e produtos que promovem desfiles de obviedades, mas bem feitos tecnicamente, bem lançados, bem promovidos.

Bom, acho que esse seu último comentário resume todo o seu desconhecimento: o filme encheu as salas durante muito tempo, pois foi bem divulgado, MUITO bem produzido, e bem dirigido. Vc, meu caro, realmente tem MUITO a aprender com os "rapazes" de Hollywood, principalmente sobre marketing e filmes de ação, pois o filme sabe se vender sozinho, ainda mais com o trailler (vc viu o trailler? Claro que vc não vai dizer que não viu, né...). Aliás, chamar o Gladiador, um filme que está concorrendo a 12 Oscars, de filme de segunda, sepulta qualquer esperança de se levar a sério suas críticas... e se 60 segundos, para você, está no mesmo nível de Gladiador, obrigado pelo fortíssimo elogio! Pena não estar concorrendo a nenhuma estatueta...nem precisa, Duro de Matar e Máquina Mortífera também nunca concorreram, mas que moral vc tem para comentá-los?

De: Gerbase
Não é preciso moral para criticar 60 segundos. É preciso apenas senso crítico. O meu é muito diferente do seu. Sinto muito. Não me arrependo de nada do que escrevi e, se fosse escrever de novo, esculhambava ainda mais essa grande porcaria. Quer saber que tipo de filme de aventura eu gosto? Dá uma olhada em O homem que queria ser rei.

De: Maine
Colega, você está errado num aspecto: o ritmo do filme é lento(apesar das cenas de violência de extremo mau gosto) e dá sono sim!!! Até dor de cabeça. Principalmente quando visto numa sexta-feira pós-trabalho. Concordo com tudo que disse(menos quando citou O Gladiador) mas infelizmente Hicthcock parece que vem exercendo pouca influência nos diretores de cinema, aliás nasce um Hicthcock entre talvez um milhão no cinema atual, e nós pobres espectadores temos que suportar esse cineminha comercial e sem criatividade nos nossos finais de semana feito para quem não gosta de pensar muito. As cenas de violência são somente isso: violência ridícula, gratuita e indigesta. Julianne Moore está chatinha, defendendo um psicopata perseguido por outro psicopata (cheio de bons motivos para querer acabar com o Hannibal, diga-se de passagem). Não, não consegui torcer por ninguém, nem pela chatinha da policial, nem pelo Hannibal. Pensando bem acho que tive um pouquinho mais de simpatia pelo milionário desfigurado e inverossímil. Cheguei até a torcer para que os javalis devorassem o Hannibal (e também sabia que ele iria se salvar, sem nenhum suspense, é claro). Por fim vale dizer que também lembrei do Asterix e que somente o Obelix estaria contente de ter visto tanto javalis. A cena final do jantar me faz pensar que o estomago da policial é de ferro ou ela é quem não bate bem da cabeça em ver tanta sandice e continuar de pé sem desmaiar. Quem sabe ainda aprendam que suspense não significa horror/terror e que há espectadores que ainda curtem os filmes antigos (somente de data) do nosso velho e competentíssimo Hichtcock. Sem grandes efeitos visuais mas com um bom enredo para ser contado.

De: Gerbase
Eu também torci para os javalis! Mas, só pra lembrar um filme hitchcockiano pouco visto, sugiro Revelação, do naufragado Zemeckis. É evidentemente inspirado no velho Hitch, tem seus problemas, mas funciona bem. Dá uma olhada e depois falamos. E até mais.

Hannibal (EUA, 2001). De Ridley Scott

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Carlos Gerbase
é jornalista e trabalha na área audiovisual, como roteirista e diretor. Já escreveu duas novelas para a Terra Networks (A Gente Ainda Nem Começou e "Fausto"). Em 2000, lançou seu terceiro longa-metragem, Tolerância, com Maitê Proença e Roberto Bomtempo.

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