A invasão da fazenda dos filhos de FHC agitou o ambiente e os ânimos na manhã do sábado em Brasília. Logo cedo, a declaração do ministro da Justiça, Aloysio Nunes Ferreira, de que o PT estaria por trás da invasão causou a indignação da esquerda. O líder do partido no Senado, Eduardo Suplicy, rebateu a declaração do ministro dizendo que "não há fundamento na afirmação do ministro. O MST interage muito com o PT, mas é uma entidade que age por iniciativa própria".A declaração do ministro, de que "O MST está agindo como um braço do PT", teve coro dentro do governo. O secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento Agrário, José Abraão, também declarou que entendia a invasão como um moviemnto eleitoreiro. O próprio presidente Fernando Henrique Cardoso se pronunciou, irritado, chamando a ocupação de suas terras de "ofensa à democracia brasileira".
Agora, resta aguardar o desfecho da situação. O MST divulgou nota dizendo que não sai da fazenda, e defendeu, inclusive, a sua desapropriação. O governo já disse que, se preciso, manda a Polícia Federal e até o Exército. No meio da briga, aparece uma declaração do governador de Minas Gerias, Itamar Franco. Itamar, desafeto do governo, disse que a polícia mineira não vai interferir no caso, uma vez que a fazenda é considerada patrimônio federal. O governador completou dizendo que nas ocupações em terras mineiras "nenhum sangue foi derramado" e que vai "observar de longe" o caso de Buritis.
Leia mais:
» Famílias ligadas ao MST invadem fazenda de FHC em Buritis
» Jungmann classifica invasão de fazenda como terrorismo
» MST faz cinco exigências para deixar fazenda
» Jungmann e Alberto Cardoso discutem invasão de fazenda
» Governo só negocia com o MST após desocupação de fazenda
» Governo quer punir invasores de fazenda em Buritis