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Conheça o Cemitério Acatólico de Roma, a Cidade Eterna

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Joaquín Torán

Quando nos aproximamos do Dia de Finados e da noite de Halloween, nos vêm à mente lembranças dos lugares de descanso eterno e a cidade de Roma (Itália) sabe muito sobre eternidade.

Cemitério Apostólico tem túmulos que atraem visitantes
Cemitério Apostólico tem túmulos que atraem visitantes
Foto: EFE

O Cemitério Acatólico está localizado em um remanso de ciprestes, longe do barulho e do caos da capital italiana. O lugar também é conhecido como "cemitério dos protestantes".

Em uma de suas esquinas está a pirâmide de Cestius, construída entre os anos 18 e 12 antes de Cristo, como sepulcro de Caio Cestius, um magistrado e membro de uma das quatro corporações religiosas de Roma.

Os visitantes entram no cemitério através de um portão arcaico adornado pela inscrição latina Resurrecturis, que pode ser traduzida como "aqueles que ressuscitarão".

Enterrar entre a noite e o silêncio
A esperança da ressurreição não foi sempre patrimônio dos alheios à fé católica. É característica mais comum, durante muito tempo, daqueles que queriam enterrar seus entes queridos mediante ritos distintos da fé oficial e deviam se proteger na discrição da noite e do silêncio.

Em 1870 foi reconhecido oficialmente como cemitério. Desde então se mantém como um lugar ordenado, mas não se livrou da inclemência da passagem do tempo. Há apenas meia década, estava inscrito na lista maldita de monumentos em risco.

Amanda Thursfield, sua atual diretora, disse à agência Efe que "um novo modo de trabalhar, mais orientado ao público, impediu seu despejo. Graças aos visitantes, e a suas doações, o cemitério sobrevive".

Por pertencer à iniciativa privada são muitas as ações que devem ser postas em prática para garantir o financiamento. Uma delas é, por exemplo, o pagamento pela manutenção do solo e dos túmulos, realizado pelos familiares de muitos dos enterrados. E também pelos futuros residentes do lugar, porque ainda há covas a serem ocupadas.

Seu patronato é composto por representantes diplomáticos de 14 países que têm correligionários sepultados em seu solo. E sua gestão fica a cargo de um pequeno número de voluntários de diversas nacionalidades.

Arte no cemitério
Ali jazem, entre outros, "aquele cujo nome foi escrito na água", o poeta John Keats, enterrado em uma tumba anônima após morrer em Roma aos 24 anos de idade, e o também poeta Percy Bysshe Shelley, que morreu afogado no norte da Itália. Seus túmulos são a principal atração turística do cemitério.

Das mais de quatro mil pessoas que dormem ali seu sonho eterno, há um homem que pôde reinar, um príncipe afegão que se criou, cresceu e morreu em Roma, e outro, o ourives Bulgari, que reinou em seu trono de joias.

Estão também Augusto, o filho de Johann Wolfgang von Goethe a quem o escritor alemão dedicou um monumento no qual lembrava que o principal mérito do defunto era exatamente seu pai; e o pensador Antonio Gramsci, co-fundador do Partido Comunista italiano, morto em uma prisão do ditador Benito Mussolini.

Há belos monumentos ao amor, como o Anjo da Dor, do arquiteto americano W. W. Story (fonte de inspiração do escritor Henry James), uma peça dedicada à esposa morta na qual também estão seus restos.

E há sonhos como o da atriz Belinda Lee, morta em acidente de trânsito e recordada com um monumento parecido com a Vitória de Samotrácia, escultura que representa a deusa grega Nice.

Todos convivendo em um espaço que não discrimina línguas nem religiões.

EFE   
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