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Com natureza quase intocada, Bonito oferece paz e adrenalina

25 jul 2013 18h05
| atualizado às 18h05
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Nos cerca de 300 km percorridos de carro entre Campo Grande, capital do Mato Grosso do Sul, e Bonito, uma das mecas do ecoturismo no Brasil, bastava fechar os olhos e já podia “ver” imagens de grutas e rios coalhados de grandes e coloridos peixes. Por isso, a vontade de chegar a esse lugar, que combina totalmente com o nome que carrega, era grande. Expectativa que, desde 28 de abril de 2013, pode se “materializar” mais rápido, já que a Azul inaugurou um voo regular para a cidade, saindo de Campinas (SP). 

Com uma política de preservação ambiental rígida, o que garante que a natureza e toda a sua beleza continuem extremamente bem preservadas, a pequena cidade mantém lugares inacreditáveis. São grutas com formações que parecem de outro mundo; rios de água cristalina que permitem longas e sossegadas flutuações, um sem-fim de variedades de peixes e muitos animais. Tanto quanto  esses espetáculos de terra e água, é preciso sentir ainda a emoção de assistir a uma revoada de araras-vermelhas. Difícil fugir do trocadilho: Bonito é bonito demais.

Entre tantas atrações espetaculares, a cidade tem seu cartão-postal na Gruta do Lago Azul. Lá, depois de descer 292 degraus encravados na pedra, aprende-se, na prática, o que são estalactites e estalagmites. Os primeiros pendem do teto e os segundos nascem no chão, emoldurando o lago subterrâneo de mais de 90 metros de pro fundidade e de um tom azul intenso, onde vivem espécies milimétricas de crustáceos e repousam fósseis de mamíferos, como o tigre-dente-de-sabre.

Bonito ainda conta com uma segunda gruta para visitação, a São Miguel, e a Secretaria Municipal de Turismo espera abrir também ao público a Gruta de Nossa Senhora de Aparecida. No entanto, se você estiver ansioso para um mergulho, parta logo para as flutuações, mergulhos em que o visitante, mesmo usando máscara de snorkel e pé de pato, se deixa levar ao sabor da correnteza.

Nos rios de Bonito, é possível contemplar o peixe do ponto de vista do próprio peixe. Entre eles, a novidade é a flutuação na Nascente Azul, inaugurada em dezembro de 2012. Começa com uma caminhada de pouco menos de 2 km, por passarelas de madeira, para, então, seguir por 300 metros pelo Rio Bonito, um afluente do Rio do Peixe. De colete e roupa de neoprene, você terá a companhia de piraputangas, piracanjubas, curimbas, cascudos e lambaris.

Outra flutuação bastante agradável é no Balneário Municipal, em que dão o ar da graça piraputangas e dourados enormes, graças à ração que os turistas compram por R$ 1. O complexo, aberto das 8h às 17h, permite passar todo o dia entre o Rio Formoso, as quadras de vôlei e futebol de areia, lanchonetes e restaurantes, além de quiosques para quem quiser preparar o próprio churrasco.

Mas o passeio top de Bonito atende pelo nome de Recanto Ecológico Rio da Prata, que fica, na realidade, no município vizinho de Jardim, e é exclusivo para o máximo de 150 felizardos por dia. A flutuação começa no Rio Olho d’Água, dono da maior variedade de peixes entre os rios locais e de nascentes que se assemelham a vulcões submersos, tamanha é a força da água brotando do lençol freático e remexendo o fundo de areia. No mesmo espaço, há o mergulho de cilindro na Lagoa Misteriosa, com visibilidade de 40 metros e profundidade desconhecida.

Espetáculo no Céu
Aproveite a proximidade e agende a ida ao Rio da Prata junto com a visita ao Buraco das Araras. No passeio, turistas podem conhecer Modesto Sampaio, proprietário do lugar. Tem quem acorda com as galinhas. “Seu” Modesto tem o privilégio de despertar com as araras-vermelhas, que fazem ninhos em buracos nos paredões ou na parte oca de árvores forradas de madeira moída. 

Ali, uma grande depressão de paredes avermelhadas – chamada dolina (que seria o inverso de uma colina), com cem metros de profundidade e 160 de diâmetro – é rodeada por uma vegetação de cerrado, lar das araras-vermelhas. Alegres e barulhentas, elas se agrupam nas árvores e, quando menos se espera, partem em revoada. Ao fundo, a floresta esconde um lago esmeralda habitado por um casal de jacarés-do-papo-amarelo.

Por motivos óbvios, não é possível se aventurar no tal buraco. Mas, para liberar um pouco de adrenalina, salte de uma plataforma de seis metros, caindo num poço na Estância Mimosa, onde as trilhas levam a cachoeiras no Rio Mimoso, que convidam ao banho e funcionam como hidromassagens naturais. Depois, é só curtir o almoço feito no fogão a lenha e um descanso no redário, encerrando o dia com uma cavalgada.

Esse trecho foi retirado da revista Viaje Mais, seção Brasil, edição 144.

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