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Videogame em prédio na Paulista alerta para uso consciente de antibióticos

No jogo, parecido com o 'Pac-Man', cada participante é representado por uma gota d'água e se torna mais forte ao recolher sabonetes

22 nov 2019
12h11
atualizado às 12h17
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SÃO PAULO - Fã de videogame, a comerciante Vanessa Rocha, de 28 anos, estacionou a bicicleta em frente ao número 1.941 da Avenida Paulista e pediu para testar suas habilidades no game gigante.

"Jogo muito. Quando percebi que era videogame resolvi parar para brincar. Que oportunidade jogar em plena Paulista", disse.

Vanessa encantou-se com uma espécie de Pac-Man - jogo clássico dos anos 1980 - projetado na fachada de um prédio da Paulista (com 44 metros de altura), na região central de São Paulo. A ação tem marcado, desde a quarta-feira, 20, a Semana Mundial do Uso Consciente de Antibióticos.

No videogame gigante, cada jogador, com seu celular ou tablet, é representado por uma gota d'água - e precisa perseguir as bactérias por um labirinto. A iniciativa é uma parceria da Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB), o Instituto Latino-americano da Sepse (ILAS) e a Pfizer.

"Algumas bactérias resistem a quase todos os tipos de antibióticos existentes. Por isso, em muitos casos, a resistência bacteriana representa uma das principais ameaças à saúde global", disse o diretor presidente da Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMAIB), Ciro Leite. "É preciso conscientizar a população e os profissionais da saúde de que lavar bem as mãos e evitar o uso abusivo de antibióticos é importante nessa luta contra os germes que ficam cada vez mais resistentes aos medicamentos", completou.

Ainda segundo o especialista, além da utilização criteriosa de antibióticos e da lavagem adequada das mãos, outras medidas são fundamentais para o combate à resistência bacteriana.

"Também é preciso estar atento ao manejo adequado dessas medicações na agropecuária e a prevenção por meio da vacinação", afirmou Leite.

Cerca de 30% das infecções relacionadas à assistência à saúde (IRAS) podem ser prevenidas a partir da adoção de medidas básicas.

Jogo

No jogo, cada participante é representado por uma gota d'água. E, ao longo da batalha, o personagem se torna mais forte ao recolher os sabonetes que aparecem pelo caminho.

"Eu ando sempre com álcool gel na bolsa é só uso remédio em último caso", avisou Vanessa.

Ainda no game gigante, o jogador tem de enfrentar bactérias como a Klebsiella Pneumoniae Carbapenemase (KPC) - que chegou a fechar hospitais no Brasil em 2010 e matar dezenas de pessoas. Em 2010, por exemplo, o Hospital das Clínicas de São Paulo anunciava 70 casos de superbactéria KPC, resistente a antibióticos, registrados desde 2008. No Distrito Federal, um surto de infecção hospitalar (causado pela KPC) provocou 18 mortes.

Em pouco tempo, a atração chamou atenção de quem passava pela Paulista. Como controlar o personagem não era fácil, a brincadeira gerou gritinhos e provocações entre os participantes.

"Gosto de tudo o que acontece na cidade. Participo de tudo que encontro pela frente. Ainda mais quando é algo assim, feito para conscientizar a gente dos perigos das bactérias", disse a professora Solange de Arruda Alves, de 50 anos.

Nesta sexta-feira, 22, ainda será possível jogar. Os interessados precisam procurar o ponto de apoio da ação, instalado na altura do número 1.941 da Paulista, ao lado do Parque Mário Covas. O jogo ficará disponível até as 23 horas. Todos aqueles que se juntarem à frente de batalha contra as bactérias resistentes poderão projetar o próprio nome.

Estadão
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