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Vacina de RNAi protege contra diferentes variantes do mesmo vírus

Nos EUA, cientistas trabalham no desenvolvimento de uma vacina universal contra todas as cepas de um mesmo vírus; para isso, apostam na tecnologia do RNAi

19 abr 2024 - 12h12
(atualizado às 13h19)
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Depois das vacinas de RNA mensageiro (mRNA) usadas na pandemia contra a covid-19, os cientistas apostam em uma nova estratégia de imunização, envolvendo este tipo de ácido nucleico. Agora, a ideia é criar uma vacina de RNA interferente (RNAi), capaz de combater diferentes variantes e cepas de um mesmo vírus.

Foto: erika8213/envato / Canaltech

Para entender, o RNA interferente, também conhecido como interferência mediada por RNA, é parte fundamental do processo de defesa de diferentes organismos vivos, como plantas, animais e fungos. Os pequenos RNAis combatem vírus e bactérias, mas podem ser bloqueados, no organismo sem vacina. 

O projeto, desenvolvido por pesquisadores da Universidade da Califórnia em Riverside (Estados Unidos), busca turbinar a resposta do RNA interferente, através de uma nova geração de vacinas contendo vírus atenuados (enfraquecidos). 

A estratégia é "amplamente eficaz contra qualquer variante de vírus e segura para um amplo espectro de pessoas", como bebês e pacientes imunossuprimidos, explica Rong Hai, virologista responsável pela pesquisa, em nota. "Esta poderia ser a vacina universal que procurávamos", sugere.

Vacina universal contra todas as variantes

Sem considerar as vacinas de mRNA, um imunizante "tradicional" costuma utilizar uma versão enfraquecida do vírus ou pequenos fragmentos virais para induzir a resposta imunológica no paciente. Com isso, são produzidos anticorpos e células T e B (de memória) contra o patógeno.

Entretanto, o papel do RNAi é menos conhecido no campo da imunidade. "Um hospedeiro — uma pessoa, um rato, qualquer organismo infectado — produzirá pequenos RNAs interferentes como resposta imunológica à infecção viral", afirma Shouwei Ding, microbiologista e um dos autores do estudo.

O problema é que a linha de defesa formada pelos RNAis é fraca, já que os vírus podem produzir proteínas capazes de bloqueá-los. Então, o plano é modificar o patógeno em laboratório, de modo a inutilizar o sistema de defesa dele contra o RNAi. Em seguida, este vírus atenuado será usado na vacina.

Cinetistas trabalham na tecnologia de RNAi para cirar uma vacina universal contra todas as variantes de um vírus (Imagem: Rthanuthattaphong/Envato)
Cinetistas trabalham na tecnologia de RNAi para cirar uma vacina universal contra todas as variantes de um vírus (Imagem: Rthanuthattaphong/Envato)
Foto: Canaltech

Quando a pessoa receber o imunizante, o sistema imunológico dela vai produzir defesas, como o RNAi, em grandes quantidades. Estas estarão prontas para o ataque efetivo, em caso de infecção. Neste volume, será possível impedir a evolução da doença, sem bloqueios.

Teste da vacina RNAi em ratos

Para verificar se a estratégia era efetiva, os pesquisadores testaram essa nova plataforma de vacinas em ratos contra um vírus conhecido como Nodamura. Após a vacina de RNAi, os roedores obtiveram excelentes níveis de proteção contra o patógeno original. Inclusive, quando expostos a níveis mortais do agente infeccioso, sobreviveram. 

A proteção durou pelo menos 90 dias, segundo o estudo publicado na revista científica revista Proceedings of the National Academy of Sciences (Pnas). Este achado marca um novo caminho para a pesquisa no campo dos imunizantes.

Em tese, a estratégia pode ser aplicada contra qualquer vírus. Se tudo der certo e for demonstrado que a abordagem é segura, teremos vacinas de RNAi contra o vírus da gripe, da covid-19 e até da pólio, por exemplo.

Fonte: Pnas e UC Riverside  

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