Saliva pode ajudar detectar vírus que causa surdez em bebês

Através de uma coleta com algodão é possível descobrir se crianças com dia de vida têm o vírus que pode deixa-las surdas mais tarde

26 out 2016
08h00
atualizado em 19/7/2018 às 15h29

Como já vimos em outras matérias aqui no Terra, além de ser a principal responsável pela limpeza da boca, a saliva também pode ajudar a detectar doenças. Um estudo recentemente publicado no New England Journal of Medicine revelou que a ela pode indicar se um recém-nascido tem o citomegalovírus, um dos principais responsáveis pela perda auditiva das crianças. 

A saliva foi tão precisa quanto as amostras de sangue na identificação do citomegalovírus, se tornando uma opção bastante eficiente para se detectar a doenças nos pequeninos
A saliva foi tão precisa quanto as amostras de sangue na identificação do citomegalovírus, se tornando uma opção bastante eficiente para se detectar a doenças nos pequeninos
Foto: Yulia Sribna / Shutterstock

Essa pesquisa vem como um respingo de esperança no combate a surdez infantil uma vez que, segundo os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA, essa infecção congênita está entre as mais comuns transmitidas de mãe para filho. Os dados mostram que a cada ano, cerca de 150 crianças nascem com esse problema e uma em cinco desenvolve problemas permanentes como perda auditiva. 

O estudo
Para a pesquisa foram retiradas com algodão amostras da saliva de 35.000 bebês com cerca de um dia de vida. Essas amostras foram comparadas com outras de sangue seco, forma mais comum já utilizada para detectar a infecção por CMV em recém-nascidos. 

Os resultados das analises mostram que a saliva foi tão precisa quanto as amostras de sangue na identificação do citomegalovírus, se tornando uma opção bastante eficiente para se detectar a doenças nos pequeninos. 

Sem surpresas
Para Victor Ângelo Martins Montalli, professor dos cursos de Microbiologia, Estomatologia e Histologia da Odontologia da Faculdade São Leopoldo Mandic, esse resultado não é exatamente nenhuma novidade, pois não é de hoje que essa nova “utilidade” da saliva vem sendo explorada. 

“A saliva apresenta muitas funções como a limpeza da boca, proteção dos dentes e apresenta papel importante na digestão dos alimentos. Com o avanço da tecnologia, a saliva tem sido reconhecida como outra fonte de diagnóstico além do sangue. A partir de uma simples coleta é possível avaliar DNA, RNA e proteínas do próprio paciente ou de microrganismos, como bactérias”, diz o especialista.  

E não para por aí...
E se você já estava achando a saliva uma peça fundamental para o funcionamento do corpo, espere até ouvir o que mais pode ser descoberto a partir dela. 

“Já existem pesquisas demonstrando que é possível o diagnóstico a partir da saliva de doenças como a Diabetes mellitus, infecções virais, doenças cardiovasculares, câncer de pâncreas, de mama, de pulmão e de próstata. Recentemente, é possível realizar até mesmo o diagnóstico da dengue pela saliva”, diz Victor. 

Segundo o professor, recentemente, um grupo da State University of New York fez uma importante descoberta comprovando que é possível realizar o diagnóstico de autismo pela saliva.

Vantagens e Desvantagens
Mas, como toda técnica, existem vantagens e desvantagens. Uma das principais vantagens de se utilizar a saliva para esses fins está no fato de ser um método não invasivo como a retirada de sangue. “Em recém-nascidos essa via de coleta oferece menor risco, pois o volume sanguíneo do bebê ainda é baixo, evitando as dificuldades da punção”, diz o especialista. 

Para ele, as desvantagens estão no fato de ainda terem poucos exames disponíveis e os que existem, possuírem alto custo. “Além disso, o fato de se detectar o agente infeccioso, não necessariamente quer dizer que se detectou a doença”, diz Victor. 

Fonte: Agência Beta Este conteúdo é de propriedade intelectual do Terra e fica proibido o uso sem prévia autorização. Todos os direitos reservados.
publicidade