Antidepressivos podem causar mau hálito

Esse tipo de remédio afeta o funcionamento das glândulas salivares tornando a boca um ambiente ideal para a aparição de cheiros ruins

8 ago 2016
08h00
atualizado em 19/7/2018 às 15h27

Quem toma antidepressivo precisa se preocupar com outro problema além da doença em si; o mau hálito. Isso porque esse tipo de remédio causa diminuição do funcionamento das glândulas salivares. Assim, com o “detergente natural da boca” reduzido, aumenta o acúmulo de restos de alimentos, células mortas e bactérias na boca, tornando o ambiente favorável para a aparição de cheiros ruins. 

O correto deveria ser o paciente procurar um especialista em halitose para avaliar seu fluxo salivar antes de iniciar o uso dos antidepressivos
O correto deveria ser o paciente procurar um especialista em halitose para avaliar seu fluxo salivar antes de iniciar o uso dos antidepressivos
Foto: Anton Zabielskyi / Shutterstock

Mas você deve estar se perguntado: como as pessoas que precisam tomar o remédio podem lidar com essa situação? Ana Kolbe, cirurgiã-dentista especializada no diagnóstico e tratamento da halitose, revela que antes de começar a tomá-lo algumas medidas devem ser tomadas. 

“O correto deveria ser o paciente procurar um especialista em halitose para avaliar seu fluxo salivar antes de iniciar o uso dos antidepressivos (isso também vale para outras drogas e para radio e quimioterapia). Assim, o profissional poderá decidir se inicia o tratamento das glândulas paralelo ao início do uso do antidepressivo ou se apenas fica acompanhando o quadro a cada 30 dias”, diz a especialista. 

Se optar pela segunda opção, o dentista deverá ficar atento o grau de redução da produção salivar do paciente e, se necessário, entrar com um estímulo para que as glândulas voltem a trabalhar em níveis normais de volume, viscosidade e densidade. 

Troca
Segundo Ana, também existem outras formas de lidar com o problema. “O paciente pode conversar com a profissional que lhe receitou tal remédio e ver a possibilidade de troca, pois existem algumas drogas da nova geração que afetam bem menos as glândulas salivares do que outras”, diz a dentista. 

Para ajudar, a pessoa ainda pode adquirir alguns hábitos clássicos que sempre colaboram no combate ao mau hálito. “Ela pode ingerir no mínimo 3 litros de água por dia de maneira fracionada e ficar mais atenta à higiene oral, em especial a da língua”, diz Ana. 

Remédios e a xerostomia
De uma forma geral, todos os remédios costumam causar xerostomia (redução do fluxo salivar) em maior ou menor grau. Por isso, é bom que as pessoas tomem cuidados ao sair por aí se medicando, pois podem estar resolvendo um problema e causando outro para quem um problema não agrave o outro. 

“Até mesmo os mais comuns usados por autoprescrição como os analgésicos, antitérmicos e outros de tarjas vermelhas e pretas podem afetar as glândulas salivares. É preciso salientar ainda que o brasileiro costuma fazer uso de vários medicamentos ao mesmo tempo o que agrava o problema”, diz a dentista. 

E o mau hálito, causa depressão? 
Acabamos de ver que os remédios antidepressivos podem causar mau hálito, mas também é sabido que o mau hálito pode causar depressão. Por isso, é fundamental que ambos os profissionais (dentistas e psiquiatras) fiquem atento ao quadro emocional do paciente. 

“A halitose mexe com a autoconfiança e com a autoestima dos portadores e, portanto, frequentemente causa esquiva social e depressão. Porém, o uso de antidepressivo para tratamento de uma depressão passageira e pontual com origem bem específica não se justifica, pois será um agravante para sua halitose o que irá ter como consequência aumento da depressão”, diz Ana. 

Segundo ela, o ideal é que este paciente seja encaminhado imediatamente para um tratamento específico para halitose, assim serão curados os dois problemas: a depressão e o mau hálito.  “Devemos sempre agir na origem do problema e não nas causas para evitar um efeito dominó”, diz Ana. 

 

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